Não são apenas números: são sonhos. Uma visão sobre a live Cotas para Pessoas com Baixa Renda. 

Texto por Tainara Becker (Dança) e imagem por Fayola Bispo (Administração Pública e Social) – bolsistas do Por Dentro da UFRGS

 

O quinto dia de capacitação sobre os 10 anos da Lei de Cotas nas Universidades Federais aconteceu no dia 14/09 e contou com a participação de Juliane Pasqualeto (UFSC), Anne Santos (UFSM) e Jorge Dias(UFRGS). Com o tema sobre “Cotas para Pessoas com Baixa Renda” e mediada por Irma Bueno (PROGRAD/UFRGS), a conversa trouxe diferentes visões, formas de organização e dinâmicas com que cada instituição se organiza e lida com um tema tão delicado: o acesso aos dados e rendimentos financeiros de cada candidata (o) a uma vaga na universidade pública onde, de acordo com a Portaria Normativa Nº18/2012, o valor bruto (sem descontos) do grupo familiar não pode ultrapassar a soma de R$1.650,00, ou seja, de um salário mínimo e meio, levando em conta os três meses anteriores à data de inscrição ao processo seletivo. 

 

As primeiras falas foram destinadas a como cada universidade organiza as comissões de análise de renda: a UFSC, por exemplo, conta com uma comissão de servidoras (es) públicas (os) treinadas (os) para atender uma demanda cada vez maior de acordo com o contexto atual, como observou Juliane, assistente social que atua na Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades. Essas e esses funcionárias (os) recebem treinamento, remuneração pelo trabalho extra e auxílios técnicos de professoras e professores sempre que necessário para que não aconteçam casos de injustiças nas avaliações. Para ela, que também foi cotista, estar nesse lugar é sinônimo de orgulho e cuidado. Já Anne Santos, professora adjunta da UFSM, destacou a presença de 50 a 60 servidoras (es) presentes na comissão, que através da inscrição a um edital (com duração de 1 ano) passam a ser responsáveis pelo trabalho de seleção e análise de “uma complexidade e diversidade de documentações, ou particularidades de cada grupo familiar a ser analisado”. Enquanto isso, a fala de Jorge trouxe um pouco da realidade da UFRGS, onde a equipe é formada por 3 servidoras (es) exclusivas (os), mas que possui uma equipe grande e variável que funciona de acordo com o tipo de “chamamento” ou abertura de vagas e onde as coordenadorias de cada curso tem autonomia para analisar as documentações. 

 

Todas as falas foram muito sensíveis sobre o quanto o corte de renda limitado pelo edital contribui para que cada caso se torne único. “Às vezes a pessoa ou um membro da família fez uma hora extra para ajudar em casa e na hora do cálculo não passa”, foram alguns dos inúmeros exemplos trazidos nos relatos. Além disso, a falta de documentação a ser entregue nos prazos estipulados e/ou a falta de acesso a certos documentos por parte da (o) candidata (o) e familiares também foram lembradas. “A gente passa a torcer, mas também sofre com os casos, pois sabemos que a pessoa tem direito aquela vaga e, em alguns casos, não consegue comprovar”, observa Anne.

 

Durante as duas horas de conversa, outras questões foram debatidas e/ou relatadas como por exemplo os prazos e etapas caso a (o) candidata (o) tenha sua matrícula deferida (aceita) ou indeferida (não aceita), onde através do recebimento de um email com informações específicas, pode-se entrar com recurso (pedido de análise) ou prazos para anexar os documentos pendentes e que também são variáveis de acordo com cada universidade.  

 

Em tempos de pandemia, a comunicação virtual (por email e redes sociais), tem sido fundamental para que dúvidas sejam sanadas e as etapas dos processos seletivos sejam acompanhadas. Entre as formas de divulgação de informações, comunicação e datas, foram citadas a produção de materiais como cards, vídeos, manual da (o) candidata (o), simulador de cotas e o acesso ao portal da (o) canditada (o) para inclusão de documentos. Enfim, novas formas de divulgação e comunicação que não definitivas para um período pós-pandemia, mas que têm sido importantes para manter o diálogo e proximidade na comunicação entre as instituições e futuras (os) alunas (os) no atual contexto, possibilitando também que pessoas das mais diferentes regiões do Brasil concorram às novas vagas disponíveis.  

 

Em suas falas finais, Jorge, Anne, Juliane e Irma, reforçaram a importância de ter profissionais comprometidas (os) com as políticas públicas e sensíveis a entender “as realidades” para além do que limita a portaria normativa que segundo elas e ele não comporta a realidade das inúmeras pessoas que se candidatam a essas vagas. Além disso, a opinião/visão coletiva de que o edital engessa novas possibilidades de ingresso e que por essa razão, precisa ser revisado e atualizado para que as universidades federais tornem-se cada vez mais populares e plurais.   

 

 

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