Grupo de Apoio: Espaço de acolhimento no CPVPL em tempos de pandemia

Texto por Caroline Fiuza, assistente social, membro da Comissão de Acompanhamento Discente do Curso Pré-vestibular Popular Liberato.

Imagem: A Árvore da Vida elaborada no Grupo de Apoio

 

Em fevereiro de 2020, o Brasil registrou o primeiro caso de infecção pela COVID-19. Com o aumento dos casos, escolas do Brasil e de todo o mundo suspenderam as atividades presenciais e adotaram estratégias não presenciais de ensino. A caixa de Pandora havia sido aberta. Em Coronavírus e a luta de classes (2020), o autor Mike Davis refere-se à mitologia grega em uma tentativa para explicar o caos instaurado.

 

O Curso Pré-vestibular Popular Liberato (CPVPL) também sofreu com os impactos causados pela pandemia e aderiu à modalidade de ensino remoto, mas foram inúmeras as dificuldades encontradas por educadores e, principalmente, por alunos/as para adaptação ao “novo modelo” de ensino: situações de vulnerabilidade frente aos recursos tecnológicos, falta de motivação e o afastamento do meio escolar. Ainda que o fechamento das escolas e universidades fosse a alternativa mais viável e segura, houve também a ratificação das expressões da questão social na educação.

 

Diante disso, os espaços de acolhimento e coletividade se tornaram necessários e, também, desafiadores, uma vez que a educação inclusiva deverá garantir não apenas o acesso e a permanência, mas também deverá identificar possíveis formas de exclusão (CFESS, 2001). Através de contatos realizados com os/as alunos/as infrequentes, foi possível detectar demandas que vinham sendo impostas pelo isolamento social: Incertezas em relação ao futuro, a pressão da família por resultados, falta de interação com amigos e colegas, entre outras. Assim, surgiu o Grupo de Apoio.

 

Através de encontros mensais que ocorrem transmitidos pela plataforma Google Meet e com duração de aproximadamente 1 (uma) hora, o Grupo de Apoio foi idealizado como um espaço para acolher e integrar alunos/as e educadores/as, remetendo-nos à ideia de que a educação, para a Educação Popular, é concebida não somente como um modo de escolarização, mas como um processo político que contribui para a existência humana, refletindo a necessidade de se discutir as relações desiguais e opressoras existentes nas sociedades (SANTOS e PAULA, 2014). 

 

 A proposta de realização do Grupo de Apoio foi previamente apresentada em assembleia, sendo aprovada pela maioria dos presentes, em 20/08/2021, a atividade teve o seu encontro de estreia com adesão plenamente satisfatória pelos/as educandos/as, embora estivéssemos com receio quanto à participação dos/as mesmos/as.

 

Até o momento, foram realizados quatro (04) encontros com temáticas e mediações diversificadas definidas em reuniões semanais organizadas pela Comissão de Acompanhamento Discente (CAD), nas quais debatemos as impressões dos encontros realizados, possíveis demandas e a organização dos próximos encontros. Embora tenhamos firmado mais um compromisso com os/as alunos/as, o Grupo de Apoio nos proporcionou experiências para além dos campos profissional e acadêmico, pois é um espaço de mas também um aprendizado para nossas vidas: Diante dos momentos de escuta, confiança e empatia, tudo o que nos foi possibilitado apre(e)nder são lições de vida e superação. 

 

 

Referências:

AMARO, Sarita. Serviço Social na educação: Bases para o trabalho profissional. Florianópolis: UFSC, 2011.

CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço Social na Educação. Brasília, 2001.

DAVIS, Mike. et al. Coronavírus e a luta de classes. Terra sem Amos: Brasil, 2020.

LANZA, Líria M. B. et al. Exercício profissional do(a) Assistente Social: Problematizações dos impactos da pandemia Covid-19. Temporalis [online]. 2021, n. 41. [Acessado em 09 Novembro 2021]. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/temporalis/issue/view/1309

PAULA, Ercília M. A. T. de.; SANTOS, Karine. A teoria de Paulo Freire como fundamento da Pedagogia Social.  Interfaces Científicas [online]. 2014, v. 3, n. 1. [Acessado em 09 Novembro 2021]. Disponível em: https://doi.org/10.17564/2316-3828.2014v3n1p33-44