Histórico 1991-2020

HISTÓRICO DO PPGAV/UFRGS 1991-2020

 

A criação do PPGAV foi motivada pela consciência de um novo momento na reflexão da arte contemporânea, que exigia novos conceitos, categorias e modos de pensar e agir, norteando a elaboração do projeto e a sua implementação. Ainda que, a partir dos anos 1960, transformações viessem ocorrendo no campo artístico nacional, foi nos anos 1980 que a pesquisa conceitual e reflexiva da arte contemporânea se consolidou, em acordo com as novas tendências internacionais. Teóricos e artistas com pós-graduação no exterior retornaram a Porto Alegre nessa década, trazendo ideias inovadoras e uma nova perspectiva sobre a reflexão, a prática, a formação e o ensino de arte.

Em 2021 o PPGAV/IA/UFRGS completa 30 anos de atividades. Seu projeto começou a ser elaborado em 1987 sob coordenação de Icleia Cattani, a partir da experiência adquirida na organização e docência no curso de especialização “Artes Plásticas: Suportes Científicos e Práxis”, desenvolvido com Maria Lúcia Kern na PUCRS, de 1982 a 1987. Em 1989, com apoio da direção do Instituto de Artes, IA, foram criadas as condições para a estruturação da proposta. Colaboraram nos diálogos preliminares colegas do PPG em Música (criado em 1986), docentes externos ao IA e professores do Departamento de Artes Visuais, DAV, que haviam realizado mestrado nos Estados Unidos.

A clareza em relação ao momento permeou todo o processo de criação desse novo espaço de ensino e pesquisa. O programa editorial foi elaborado paralelamente, com o lançamento da revista Porto Arte em novembro de 1990 (a mais antiga do seu tipo em circulação no país), durante o IV Congresso do Comitê Brasileiro de História da Arte, em Porto Alegre, trazendo destacados pesquisadores do Brasil e do exterior. A ocasião ensejou palestras de participantes sobre as experiências em pós-graduação nos seus países e reuniões com colegas da USP e da UFRJ, já com cursos em andamento. O Mestrado em Artes Visuais da UFRGS foi aprovado em 1991, iniciando sua primeira turma em agosto, com aula inaugural de Annateresa Fabris. Era o terceiro programa criado na área no país, seguindo a USP (1972) e a UFRJ (1985).

O PPGAV estabeleceu duas áreas de concentração – História, Teoria e Crítica da Arte (HTC) e Poéticas Visuais (PV) – propondo articulação da reflexão teórica e do fazer plástico, com um tronco comum de disciplinas, incluindo metodologia da pesquisa em arte, leituras de obras e reflexões teórico-práticas. A intenção era que a formação em PV tivesse como resultado uma produção escrita em diálogo estreito com o trabalho artístico e que os textos em HTC estivessem intensamente vinculados à produção contemporânea, sem prejuízo de pesquisas históricas. A primeira coordenadora foi Maria Amelia Bulhões, tendo Icleia Cattani como coordenadora substituta, com duas gestões de 1991 a 1995. A principal tarefa foi estabelecer a infraestrutura necessária para o curso, acompanhada pela ampliação do quadro, estimulando os professores mestres que entraram no Programa como colaboradores a se doutorarem e atraindo novos docentes. Uma das propostas era alavancar o processo de titulação doutoral na área de poéticas visuais, ação que repercutiu no panorama nacional, num momento em que muitos cursos reagiam às exigências que a Capes estava implantando. Estabelecer práticas para um adequado desenvolvimento dentro das regras gerais da pós-graduação era uma das metas principais já nas gestões iniciais.

Aproveitando a presença de doutores de vários locais, com diferentes experiências de investigação, foi criado, em 1993, o Seminário de Pesquisa em Arte que até os dias de hoje é constituído por palestras abertas. Com frequência configurados como ações de extensão, representam uma forma de difusão do conhecimento gerado. Os seminários obtiveram repercussão, potencializando a vinda de novos especialistas e fortalecendo as interlocuções nacionais e internacionais. No mesmo ano o programa editorial foi consolidado, com a transferência da revista Porto Arte do IA para o PPGAV, a partir do número 8, tornando-a específica para artes visuais. Em 1994, as produções em meio digital receberam forte impulso com o Laboratório de Infografia e Multimeios, coordenado por Sandra Rey, espaço de suporte à área de concentração em PV, quando envolvesse tecnologia.

A coordenação de Icleia Cattani também se estendeu por duas gestões, de 1995 a 1999, tendo como coordenadoras substitutas, sucessivamente, M. A. Bulhões e Blanca Brites. Entre os focos dessa coordenação estava o estabelecimento de acordos internacionais que reforçassem os objetivos e a  qualificação, colaborando para a futura criação do curso de doutorado. Em 1995, após dois anos de tratativas e elaboração, foi aprovado o projeto CAPES-COFECUB, entre o PPGAV e a unidade Arts Plastiques et Sciences de l’Art, da Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, coordenado respectivamente por Icleia Cattani e Jean Lancri, e desenvolvido até 1999. Dentro do acordo, 6 professores vieram em missão de trabalho, 6 mestres e professores do DAV foram cursar doutorado pleno em Paris, 2 doutores lá realizaram estágios de pós-doutorado e outros 5, missões de curta duração. Uma mostra dos artistas pesquisadores brasileiros e franceses foi organizada na unidade Arts Plastiques et Sciences de l’Art, organizada por Blanca Brites em colaboração com Éliane Chiron e J. Lancri, a exposição “Par d’autres voies/Por outras vias”. No mesmo período, a convite da Universidade Paris 1 e da PUC de Santiago do Chile, o PPGAV integrou-se à segunda edição do projeto Bienal Internacional de Arte na Universidade, acompanhada por colóquio internacional, com um premiado de cada país recebendo bolsa de residência de um mês numa das outras duas universidades. Nas edições 3 e 4, das quais o PPGAV participou, os brasileiros receberam bolsa para o Chile e para Paris; o PPGAV acolheu um aluno chileno na terceira edição, seguido por um francês. O PPGAV sediou também o III Colóquio Internacional, com o tema “Pesquisa em Artes”, reunindo pesquisadores das 3 universidades. Além dos acordos instituídos, a presença de pesquisadores externos deveu-se também a parcerias, entre outros, com o Goethe-Institut e com a ABCA, Associação Brasileira de Críticos de Arte.
Em 1995, atendendo à necessidade de constituição de acervo documental complementar à biblioteca, foi criado o Centro de Documentação e Pesquisa em Artes Visuais (CDP), com coordenação de M. A. Bulhões, com dois núcleos, Memória Mestrado (posteriormente ampliado) e Arte Moderna e Contemporânea no RS. O Programa Editorial do PPGAV lançou seus dois primeiros livros, com um terceiro em 1997 e mais nos anos seguintes.
A importância do PPGAV para a graduação tornou-se notável. Em decorrência do desenvolvimento, em  1995 implantou-se uma terminalidade em História, Teoria e Crítica no Bacharelado em Artes Visuais, seguindo-se a implementação de novas disciplinas. Em 1997, em continuidade ao incremento das produções com tecnologias digitais, foi criado o Laboratório de Arte e Tecnologia, coordenado por S. Rey e Alberto Semeler, em colaboração com o DAV.
O Doutorado foi inaugurado em 1999, em projeto elaborado por Icleia Cattani, Maria Amélia Bulhões e Sandra Rey, o segundo na área específica de artes visuais no Brasil, completando o ciclo necessário para o reconhecimento do Programa.

Blanca Brites foi coordenadora de 1999 a 2001, com Élida Tessler como coordenadora substituta. Sua gestão lançou novo olhar à produção passada e presente e desvelou ao público o patrimônio da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, do IA, além de dar continuidade ao projeto “Singular no Plural”,iniciado em 1997, que apresentava a produção dos artistas pesquisadores vinculados ao DAV. Em 1999, ela e Mônica Zielinsky organizaram, dentro do acordo CAPES-COFECUB, a exposição “Présences au présent/Presenças no presente”, na Galeria da Pinacoteca, com produções dos artistas docentes participantes, brasileiros e franceses. A coordenação também apoiou a criação do projeto Vaga-Lume, organizado durante os primeiros dez anos por Maria Lúcia Cattani, então coordenadora do LIMIA(Laboratório de Infografia e Multimeios) do IA, gerido pelo PPGAV. A mostra foi proposta como projeto contínuo de extensão, divulgando vídeos de convidados e de docentes e discentes do IA. Em 2001, em comemoração aos 10 anos do Programa, Flávio Gonçalves, então em Paris, organizou exposição dos doutorandos do acordo CAPES-COFECUB na unidade Arts Plastiques et Sciences de l’Art, de Paris I. Ele também organizaria a mostra “Documentos de Trabalho”, com documentos de artistas, na Pinacoteca do IA. Também em 2001, foi criado o curso de especialização em Museologia e Patrimônio Cultural, sob coordenação de Brites, tendo como vice Francisco Marshall, durando até 2005, com procura tão significativa que logo a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação criaria a graduação em Museologia.
Élida Tessler foi coordenadora de 2001 a 2002, com Hélio Fervenza como coordenador substituto. Enfatizou eventos expositivos e de reflexão sobre a produção em processo. Um dos mais relevantes foi a criação, em 2002, junto com o Departamento de Difusão Cultural da UFRGS, do projeto Coisas Essenciais da Vida, com conferência de Nelson Brissac Peixoto e exposição “Os Nadadores”, organizada por Tessler e Vera Chaves Barcellos no Instituto de Ciências Básicas da Saúde, em projeto associado aos prédios históricos da Universidade. Outros destaques: palestra do artista Antoni Muntadas, “Espaço público, espaço privado”, no projeto Olhares Cruzados, promoção com a Galeria Obra Aberta e o DDC/UFRGS; exposição “Artistas Professores do Instituto de Artes da UFRGS”, inaugurando a sede do Museu da UFRGS, com curadoria de M. A. Bulhões e J. A. Avancini, acompanhada de catálogo com a história do acervo do IA; realização com a Facultad de Filosofia y Letras da Univ. de Buenos Aires (UBA) e o Instituto Universitario Nacional del Arte (IUNA), Argentina, da exposição “Plástica Brasileña y Argentina Contemporáneas”, no Espaço Artístico e Cultural Recoleta, em Buenos Aires, com participação de argentinos e dos professores E. V. da Cunha, É. Tessler, H. Fervenza, M. L. Cattani, R. Disconzi e S. Rey. Dentro do programa editorial, foram publicados novos títulos.
A gestão de Hélio Fervenza, com Maria Lúcia Cattani como coordenadora substituta, ocorreu de 2002 a 2004. Foram concretizadas parcerias com outros programas do país e do exterior e com instituições de arte e cultura, sendo um dos pontos fortes a abertura para uma atuação do PPGAV com movimentos sociais. Em 2002, reuniram-se equipes do PPGAV e da Université Rennes 2, França, em torno do tema da globalização e de atitudes artísticas contemporâneas, sob o título “Espaços, Territórios e Ambiente”. Em 2003, Simone Osthoff, da Penn State University, EUA, veio ao PPGAV com bolsa da Fullbright, realizando seminário e oficina; seu projeto de pesquisa, “O Campus como Mídia”, possuía pontos em comum com os experimentos do grupo Perdidos no Espaço (UFRGS), coordenado por Maria Ivone dos Santos, e com o projeto “O Campus como Musa”, coordenado por Geraldo Orthof (UNB), que no encontro lançou bases para um grupo internacional. Comprometido com a consolidação da pós-graduação no país, o PPGAV participou formalmente na implementação do mestrado em Artes Visuais da UDESC, no esforço de construção de um sistema fortalecido. Na comunidade local, realizou acordo com a Fundação Iberê Camargo para catalogação e realização do catálogo da obra gravada de Camargo, sob coordenação de M. Zielinsky; desde alguns anos antes, docentes eram convidados a ali realizar curadorias e seminários. A parceria com a Fundação Bienal do Mercosul foi aprofundada com o oferecimento do curso de extensão “Arte Contemporânea em Ação”, com um semestre, para formação de mediadores e de professores das redes públicas de ensino para a IV Bienal do Mercosul. Em 2003, como contribuição ao III Fórum Social Mundial, foi oferecido no Museu da UFRGS o seminário “Intervenções urbanas: espaço crítico e dimensão poética das estratégias artísticas”, coordenado por M. I. dos Santos, com participação do PPG em Arquitetura da UFRGS e de docentes e artistas de Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro e Florianópolis. Foi realizado também o evento de extensão “Perdidos no espaço: intervenções, instalações e propostas artísticas no Campus Central da UFRGS” e criados um jornal e um
site, com documentação sobre as atividades e ensaios. No V Fórum Social Mundial, com o tema “Efeitos de Borda: Subjetividades e Espaço Público”, organizaram-se oficinas, seminário, jornal e site trilíngue com textos e projetos de artistas e teóricos de diferentes países, uma mostra de vídeo e 14 ações na cidade. Ainda em 2003, o Comitê Editorial recebeu sala própria, no Campus Central, a revista Porto Arte sofreu mudanças na estrutura e o seu projeto foi remodelado, além de implementada a integralidade dos textos em duas línguas. Foi também iniciada a nova série Interfaces. As defesas da primeira turma do doutorado aconteceram em 2003 e 2004, período do primeiro estágio de pós-doutorado, na área de HTC, de Maria de Fátima Costa (UFMT).
Sandra Rey assumiu a coordenação em duas gestões, de 2005 a 2009, tendo como coordenadores substitutos sucessivamente F. Marshall e B. Brites. Durante o período foi implementado acordo internacional com o Dep. de Escultura da Univ. Politécnica de Valência, com projeto “Interfaces digitais na arte contemporânea: desenvolvimento de sistemas interativos com tecnologias digitais e suas aplicações nas artes visuais”, coordenado por S. Rey e Emílio Martinez. Os resultados incluíram uma instalação videointerativa em exposições no IA e na UPV, em 2007, e na UnB, em 2008. Fizeram parte do acordo 3 estágios de doutorado no exterior, 1 estágio de pós-doutorado e 3 missões de trabalho. A partir de 2005, o PPGAV participou na criação do PPG Artes da UFSM, através de convênio, por iniciativa de Nara Cristina Santos. Para reforçar o corpo docente e as linhas de pesquisa, professores do PPGAV integraram o quadro permanente nos seus cinco primeiros anos. Em 2007, foi desenvolvido o projeto de extensão “Mestiçagens na Arte Contemporânea”, coordenado por I. Cattani, como conclusão do trabalho homônimo, com 3 atividades centrais: Seminário Internacional, com pesquisadores do Brasil, França e Canadá, pós-graduandos e egressos do PPGAV e bolsistas de Iniciação Científica, lançamento de livro e exposição no MARGS, Museu de Arte do Rio Grande do Sul.

Maristela Salvatori foi a coordenadora de 2009 a 2011, tendo como coordenadores substitutos Eduardo Vieira da Cunha e Mônica Zielinsky. Realizaram-se importantes atividades de extensão, envolvendo docentes internacionais. Em 2009, o artista francês Fred Forest lançou sua proposta Ego Cyberstar, no Second Life, e proferiu palestra na Pinacoteca, retomando aspectos históricos de sua obra e abordando a importância do Brasil na sua carreira. No mesmo ano destaca-se o projeto “Pontos de Contato/Points of Contact”, coordenado por M. L. Cattani e Paul Cadwell, que resultou da parceria com a University of the Arts London, Reino Unido, foi promovido pelos grupos Expressões do Múltiplo, UFRGS-CNPq, e Fine Art Digital – Fade, da universidade inglesa, envolvendo duas exposições e mesas-redondas na Pinacoteca do IA e no Triangle Space, no Chelsea College of Art and Design. Um catálogo bilíngue foi publicado, com palestras e textos dos participantes, além de caderno de imagens. E foi acolhida a jornada preparatória para o “Seminário Internacional Pontos de Vista: lugares, práticas e políticas das publicações em arte – ensaios críticos e publicações de artistas”, promovida pelo Grupo de Pesquisa Veículos da Arte, coordenado por M. I. dos Santos e H. Fervenza, reunindo pesquisadores da UFRGS, da UFRJ, da UFMG e do HEART de Perpignan, França. Também em 2009, a convite dos organizadores, duas professoras do PPGAV participaram no colóquio Mutations/Migrations, na École des Beaux-Arts de Paris, promovido por esta instituição e a Univ. de Paris l, com publicação dos anais no ano seguinte em Paris (alguns textos foram também publicados em dossiê da revista Porto Arte). Em 2010, com o Programa REUNI, alguns docentes do DAV, mais quatro professores adjuntos concursados (egressos do PPGAV), criaram o Bacharelado em História da Arte, um dos primeiros no país. O fortalecimento da área foi intenso, assim como a elevação dos estudos sobre arte no sul do Brasil.
Mônica Zielinsky coordenou o PPGAV de 2011 a 2013, tendo como coordenador substituto Alexandre Ricardo dos Santos. Na sua gestão foi destaque a obtenção de recursos em dois editais Pró-Equipamentos consecutivos, para o Centro de Documentação e Pesquisa, o Laboratório de Infografia e Multimeios e a Sala de Formas. A internacionalização prosseguiu através da participação de uma professora e alguns alunos no Centro de
Pesquisas TRAIN (Research Centre for Transnational Art, Identity and Nation) na University of the Arts London, em estágios de doutorado e de pós-doutorado. Ocorreram ainda outros programas no exterior e dois editais de curta duração, com bolsas para Cidade do México e Chicago. Foram também constituídos os convênios de dupla titulação e cotutela de tese entre o PPGAV e a Politécnica de Valéncia, Espanha (2009-2011), e com a University of the Arts London. Para ampliar a visibilidade do Programa, foi dado início à reestruturação do site, com o oferecimento de acesso às teses e algumas publicações. Nele, já estavam disponíveis a revista Porto Arte e a Revista Valise, criada em 2011, que conquistou rápido reconhecimento (acolhe artigos de pós-graduandos e apresenta traduções de textos fundamentais, suprindo uma lacuna, pois a Porto Arte publica prioritariamente doutores). Em 2014 foi formalizado o Repositório auxiliar de publicações artísticas ou especiais, com coordenação de Paulo Silveira, propondo-se à coleta e estudo de fontes com valor expressivo ou documental, especialmente da arte contemporânea, com acervo acessível sob agendamento.
De 2013 a 2015, a coordenação foi de Ana Albani de Carvalho, tendo P. Silveira como coordenador substituto, em gestão com foco especial na integração com a graduação e a comunidade mais ampla através de seminários, ações de extensão, exposições, curadorias, oficinas e renovação do site. Eventos intensos em convivialidade ocorreram no período, como o Ciclo Art&Foto – História, Teoria, Crítica e Poética em Fotografia, coordenado por A. Santos, no Santander Cultural; a intervenção Palavra Habitada, pelo grupo de pesquisa coordenado por É. Tessler, com mesa-redonda e exposição, na livraria Palavraria; a mostra de vídeos e seminário internacional AVSD, Audiovisual Sem Destino, coordenado anualmente por Elaine Tedesco desde 2014, em parceria com o Goethe-Institut; e a visita de Leszek Brogowski, Université Rennes 2. No plano internacional, o projeto Rhinos are coming foi desenvolvido entre 2014 e 2015 e coordenado no Brasil por M. Salvatori; incluiu a Faculdade de Belas-Artes da Univ. de Lisboa, a Akademia Sztuk Pieknych, de Lodz, Polônia, a Michaelis School of Fine Art, da University of Cape Town, África do Sul, e o PPGAV; foram realizadas exposições simultâneas de gravuras na Torre de Belém, no Goethe-Institut e na Galeria da Faculdade de Belas-Artes da Univ. de Lisboa, em Portugal; na Galeria Kobro, da Akademia Sztuk Piknych, Lodz, Polônia; no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo,
Porto Alegre; e na Michaelis Galleries, da University of Cape Town. O projeto foi acompanhado de seminários em Lisboa e Porto Alegre e livro organizado por José Quaresma.
Elaine Tedesco teve sua gestão entre 2015 e 2017 e Flávio Gonçalves como coordenador substituto. Ao espaço físico existente foi acrescida uma sala dupla no Campus Central da UFRGS e mudança da secretaria e coordenação para o prédio anexo do IA. No primeiro ano da gestão foi destaque o cruzamento entre o PPGAV e a extensão, com o curso “As novas regras do jogo: o sistema da arte contemporânea”, coordenado por M. A. Bulhões e seu grupo de pesquisa. As comemorações dos 25 anos do PPGAV em 2016 tiveram estímulo e cuidado especial: uma “Conversa inaugural” de É. Tessler; uma mostra documental, organizada por E. Tedesco e F. Gonçalves, com
documentos, fotografias, publicações, dissertações e teses que se destacaram ao longo dos 25 anos do Programa, e o vídeo PPGAV 25 Anos, coordenado por E. Tedesco e realizado por alunos, com depoimentos dos professores. Ocorreram duas mostras póstumas de docentes: “Nilza Haertel: Experimentações Gráficas”, com curadoria de Helena Kanaan e M. Salvatori, na Galeria do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo; e “Maria Lúcia Cattani: Gestos e Repetições,” com curadoria de M. Salvatori e P. Silveira, na Pinacoteca do IA. Novas aulas e seminários ocorreram, com 16 conferências de professores de 13 universidades brasileiras e 4 do exterior. O livro  comemorativo dos 25 anos, “Pela arte contemporânea: desdobramentos de um projeto”, lançado em 2017, concluiu o saudoso ano de celebrações (ele é a fonte direta de boa parte deste histórico, com versão digital disponibilizada em linha).
Paulo Silveira coordenou o PPGAV em duas gestões, no período 2017-2019 e 2019-2021, tendo como
coordenadores substitutos Daniela Pinheiro Machado Kern, por curto período (assumiria a vice-direção do IA no final de 2018) e Alberto Semeler, concluindo a primeira gestão. Na segunda gestão, em 2019-2021, a coordenadora substituta Teresinha Barachini, que acumularia a coordenação do LIMIA(Laboratório de Infografia e Multimeios) e a chefia editorial da revista Porto Arte. Em 2019 foi ampliada a informatização das rotinas acadêmicas, graças à contribuição do LIMIA, tornado mais proativo, e que seria determinante do sucesso do Programa no enfrentamento às contingências da pandemia de Covid-19. A ampliação da internacionalização no período foi marcada pelo ingresso no Projeto Institucional de Internacionalização da Pós-Graduação da UFRGS (Programa CAPES/PRINT), as assinaturas em 2017 de cooperação com a Université de Picardie Jules Verne e, em 2019, da renovação do acordo de cooperação com a Université Rennes 2 (ambas na França, com atividades lá e cá), intensificação da proximidade à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e o convite ao PPGAV para criação de cátedra junto à ICESCO, Organização do Mundo Islâmico para Educação, Ciência e Cultura, entre outras atividades de incremento ou manutenção das atividades internacionais de docentes e discentes. Em 2018 e 2019 foi desenvolvido e formalizado Acordo de Cooperação para um MINTER – Mestrado Interinstitucional – com a Faculdade de Artes da Universidade Federal do Amazonas, FAARTES/UFAM. Em dezembro de 2019 estava concluído o Processo Seletivo para o MINTER, com 21 aprovados da UFAM; o MINTER estava publicado no Diário Oficial da União em fevereiro de 2020, para início das aulas em março. Para formatação em 2021, uma solicitação para DINTER com a UFAM está encaminhada.
Possivelmente o maior desafio da história do PPGAV tenha sido o já mencionado enfrentamento às contingências da pandemia de Covid-19, em 2020, com prosseguimento em 2021, em sobreposição aos problemas da administração federal da educação, desde 2019. Unidos, professores, secretaria e alunos enfrentaram as novas exigências de resiliência em face das dificuldades, implantando uma bem-sucedida adaptação às exigências de trabalho remoto, sem alteração da semestralidade (embora adiando prazos de defesas e saídas para estágio no exterior e adaptando os processos seletivos para a realização remota). É no avantajar-se profissional, intelectual e eticamente diante do contexto da crise, em 2021, que o PPGAV comemora os seus 30 anos.
O PPGAV acompanha a Política de Extensão da UFRGS, decisão 266/2012, entendendo como indissociáveis o ensino, a pesquisa e a extensão no âmbito da universidade. Em 2017 e 2018 apoiou a elaboração pela Pró-Reitoria de Extensão de proposta de avaliação da extensão universitária, que desenvolveria uma sugestão de escala de pontuação.

No quadriênio 2017-2020 acumulamos 8 professores com bolsas de produtividade do CNPq, algunsatuando como consultores “ad hoc” há já bastante tempo. As produções artísticas de professores e alunos são reconhecidas pela qualidade e têm participado de eventos importantes, como as Bienais do Mercosul (em doze edições), de São Paulo (duas edições), de Veneza (duas edições) e de Yakutsk (Rússia).Localmente, o Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, o mais reconhecido no estado, seleciona anualmente várias categorias de premiados (artistas, críticos, curadores e historiadores da arte), tendo contemplado sistematicamente, desde sua criação em 2006, professores, alunos e egressos do PPGAV. Destes, 8 receberam o maior prêmio do ano, Artista Destaque, num total de onze anos de existência. A sua versão mais antiga, o Prêmio Açorianos de Literatura, criado em 1994, tem premiado desde o seu início títulos ligados a professores e alunos do PPGAV nas categorias ensaísticas e de produção gráfica. O mesmo se passou com o Prêmio Jabuti de 2017, na categoria Arquitetura, Urbanismo, Artes e Fotografia, atribuído à Paula Ramos por “A modernidade impressa: artistas ilustradores da Livraria do Globo, Porto Alegre”,
igualmente Livro do Ano no Açorianos de Literatura e Prêmio ABEU 2017, pela Associação Brasileira de Editoras Universitárias. Antes disso, o livro em dois volumes “Pinacoteca Barão de Santo Ângelo: catálogo geral 1910-2014”, com autoria de 6 professores do IA (então sendo 4 do PPGAV, hoje todos), já havia recebido o Prêmio ABEU 2016, entre outras recompensas. Destacam-se, também, prêmios a propostas, projetos etc. da ABCA, da FAPERGS, assim como subsídios de programas da Funarte, da Petrobras ou da Getty Foundation. Também a qualidade das pesquisas tem sido confirmada pelo Prêmio CAPES de Teses, conquistado em 2009, e 4 Menções Honrosas no Prêmio CAPES, concedidas em 2010, em 2012, em 2013 e em 2017, demonstrando a regularidade da produção.
O esforço de internacionalização é imperativo, desde esforços tradicionais (publicações bi ou trilíngues,idas e vindas do exterior, participação em grupos internacionais, recepção de estrangeiros etc.) até projetos de maior duração. Em 2018 o Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais passou a fazer parte do Projeto Institucional de Internacionalização da Pós-Graduação da UFRGS pelo Programa CAPES/PRINT.
Destacamos, entre outras atividades, a celebração de acordo de cooperação com a Université de Picardie Jules Verne, França, em andamento; o prosseguimento da colaboração entre a University of the Arts, London, e UFRGS, 2013-2018, incluindo aproximação do PPGAV com o Research Centre for Transnational Art, Identity and Nation (TrAIN); com a Universidade Nova de Lisboa; o andamento dos procedimentos europeus para formalização de proposta para o Projeto Erasmus Mundus Plus, com o Master em Artes, Criações Transversais e Sociedades, coordenado pelas universidades francesas de Picardie Jules Verne (UPJV) e Aix-Marseille (AMU); a renovação em 2019 do acordo de colaboração com a Université Rennes 2 (UR2); e a celebração em 2018 de acordo do IA com a Weissensee Academy of Art Berlin visando parceria acadêmica envolvendo a graduação (DAV) e a pós-Graduação (PPGAV). No final de 2020, um convite da ICESCO, Organização do Mundo Islâmico para Educação, Ciência e Cultura, para criar uma cátedra sediada no Brasil, levará a formalização de interação acadêmica em 2021. Como convidados ou colaboradores, nos últimos anos os docentes do PPGAV ministraram aulas presenciais em  instituições como Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, Université Rennes 2, Université de Picardie Jules Verne, Universidad Nacional Autónoma de México, Universidad Nacional de Cuyo, Universidad de Buenos Aires etc. A relação com projetos ou grupos internacionais é intensa, com inúmeras viagens internacionais de trabalho: Università di Bologna, Universidad de Barcelona, Universidad Autónoma de Hidalgo, Universidad Andina Simón Bolívar, Universidad Politécnica de Valencia, Universidad Autónoma de Baja California, Universidad de Bogotá Jorge Tadeo Lozano, Universidad Politécnica de Valencia, Universidade de Salamanca, Institut für Kunstgeschichte LMU München, Universidade de Lisboa, Weissensee Kunsthochschule Berlin, Universidade da República do Uruguai, Stanford University, New York University, Université de Paris I Panthéon-Sorbonne, Université d’Artois, Universidad del País Vasco, Universidade do Porto, Universidad Complutense de Madrid, Accademia di Belle Arti di Palermo, Hochschule Hannover, Universidad de Granada, Deutsches Literaturarchiv (Marbach), Ibero-amerikanisches Institut, KunstBibliothek Berlin, Galerie Felixe Jeneweina Msta, Université Rennes 2, Universidad Nacional de Cuyo, University of the West of England e outras instituições superiores.
Uma sondagem apontou a presença de 9 alunos latino-americanos natos entre 2015 e 2020 no PPGAV (3 colombianos, 2 argentinos, 2 mexicanos e 2 peruanos), além de visitas ocasionais ligadas a grupos ou estágios de pesquisa. Ciente das exigências intelectuais de internacionalização, a Compós aprovou em 2017 o aceite de dissertações e teses também em inglês e espanhol, e em 2018, em francês. O número de egressos do Programa se mantém coerente no tempo, com regularidade. Em sua trajetória até fins de 2020, o PPGAV/UFRGS formou 307 mestres e 101 doutores (sendo que em 2020 a quantidade de defesas foi muito reduzida pelas deliberações associadas à Covid-19, que autorizaram adiamentos para o primeiro semestre de 2021).

A unidade do corpo docente do PPGAV pode ser considerada sua grande força, conduzindo as ações, o que é demonstrado pela qualidade das produções individuais e coletivas, práticas que estabelecem redes importantes e criam um clima de colaboração muito produtivo. Como reiterado neste memorial, o Programa constrói sua trajetória com orgulho. A configuração de um polo regional de produção e difusão de investigações no campo artístico-cultural – com vigorosas ligações nacionais e internacionais – está reconhecida. Trata-se, na linha do tempo e cotidianamente, de manter robusta a pulsão dinâmica de irradiação e convergência. O PPGAV/IA/UFRGS vem construindo sua trajetória ininterruptamente há 30 anos, com esforço e união.

 

 

 

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