{"id":10701,"date":"2024-12-17T15:08:45","date_gmt":"2024-12-17T18:08:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgbotanica\/?p=10701"},"modified":"2025-09-22T12:25:50","modified_gmt":"2025-09-22T15:25:50","slug":"metro-quadrado-mais-rico-em-plantas-do-brasil-fica-no-pampa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgbotanica\/metro-quadrado-mais-rico-em-plantas-do-brasil-fica-no-pampa\/","title":{"rendered":"Metro quadrado mais rico em plantas do Brasil fica no Pampa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Not\u00edcia do <a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ufrgs\/noticias\/metro-quadrado-mais-rico-em-plantas-do-brasil-fica-no-pampa\"><strong>Site da UFRGS<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Estudos em Vegeta\u00e7\u00e3o Campestre da UFRGS registraram 64 esp\u00e9cies em um \u00fanico metro de campo nativo no munic\u00edpio de Jaguar\u00e3o (RS). Divulga\u00e7\u00e3o ocorre na data em que se comemora Dia Nacional do Bioma Pampa<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"530\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgbotanica\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image-530x500.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-10702\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgbotanica\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image-530x500.png 530w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgbotanica\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image-300x283.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgbotanica\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image.png 580w\" sizes=\"(max-width: 530px) 100vw, 530px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Dia Nacional do Bioma Pampa, 17 de dezembro, o grupo de pesquisa do Laborat\u00f3rio de Estudos em Vegeta\u00e7\u00e3o Campestre da UFRGS divulga um dado in\u00e9dito sobre a diversidade do Pampa, obtido, recentemente, em atividades de campo no munic\u00edpio de Jaguar\u00e3o, Rio Grande do Sul: um metro quadrado de campo nativo com 64 esp\u00e9cies de plantas. O n\u00famero ilustra a enorme diversidade do bioma, que, no entanto, segue desprotegido e sofre, anualmente, grandes perdas das suas \u00e1reas nativas e da sua biodiversidade, com impactos para as popula\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o p\u00fablico geral, muitas vezes, associa a biodiversidade brasileira aos ambientes florestais, os ambientes de campo e savana possuem uma biodiversidade equivalente. O mesmo vale para o Pampa, um bioma cuja vegeta\u00e7\u00e3o natural \u00e9 dominada por campos que possuem uma biodiversidade rica e t\u00edpica. Parte do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), o PPBio Campos Sulinos &#8211; Pampa \u00e9 um projeto nacional que visa ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a conserva\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais. O PPBio Campos Sulinos &#8211; Pampa \u00e9 coordenado pelo professor Val\u00e9rio DePatta Pillar, da UFRGS, e as atividades envolvendo levantamento da vegeta\u00e7\u00e3o campestre, pelo professor Gerhard Ernst Overbeck, tamb\u00e9m da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na primavera de 2024, a equipe do Laborat\u00f3rio de Vegeta\u00e7\u00e3o Campestre (LEVCamp) da UFRGS, liderada pela p\u00f3s-doutoranda Ana Porto, realizou a amostragem da vegeta\u00e7\u00e3o em cinco \u00e1reas campestres do Pampa, seguindo protocolos de amostragem padronizados. \u201cO nosso objetivo \u00e9 analisar os padr\u00f5es de diversidade vegetal das esp\u00e9cies campestres e suas rela\u00e7\u00f5es com fatores ambientais como pastejo e contexto da paisagem&#8221;, explica Ana Porto. Foi no munic\u00edpio de Jaguar\u00e3o, em uma \u00e1rea de campo nativo sob manejo pastoril, situada em uma propriedade particular, que a equipe de campo encontrou o metro quadrado mais rico em plantas j\u00e1 registrado no pa\u00eds: 64 esp\u00e9cies em um \u00fanico metro quadrado. Registros anteriores j\u00e1 haviam documentado \u00e1reas de campo com mais de 50 esp\u00e9cies de plantas por metro quadrado; valores acima de 30 esp\u00e9cies por metro quadrado s\u00e3o comuns nos campos do Pampa. \u201cO novo recorde destaca a riqueza de esp\u00e9cies dos campos nativos no sul do Brasil, algo muito pouco conhecido at\u00e9 pelos pr\u00f3prios ga\u00fachos e ga\u00fachas&#8221;, comenta Ana. \u201cQuem imagina ter mais de 60 esp\u00e9cies diferentes de plantas em um \u00fanico metro quadrado de campo nativo que, de longe, parece t\u00e3o homog\u00eaneo?\u201d, adiciona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Pampa brasileiro, uma regi\u00e3o de campos nativos sob clima subtropical, abriga pelo menos 12.503 esp\u00e9cies de plantas, animais, fungos e bact\u00e9rias, como foi revelado em um estudo publicado em 2023, coordenado pelo professor Gerhard Overbeck da UFRGS e com a colabora\u00e7\u00e3o de 120 pesquisadores de 60 institui\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de sustentar tamanha biodiversidade, os campos nativos fornecem importantes servi\u00e7os ecossist\u00eamicos para as pessoas, como abastecimento de \u00e1gua, armazenamento de carbono, alimentos e forragem. Ainda mais, o Pampa tem elevado valor cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conserva\u00e7\u00e3o exige pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Apesar da sua alta import\u00e2ncia para a biodiversidade, entre 1985 e 2023, o Pampa perdeu 3,5 milh\u00f5es de hectares de campos nativos. A expans\u00e3o de lavouras anuais (como soja e arroz) e de monoculturas de \u00e1rvores ex\u00f3ticas (por exemplo, p\u00ednus e eucalipto) \u00e9 a principal causa da perda dos campos nativos, apesar do potencial produtivo dos mesmos. \u201cA pecu\u00e1ria extensiva em campo nativo \u00e9, comprovadamente, uma atividade econ\u00f4mica que \u00e9 compat\u00edvel com a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, ressalta Overbeck. \u201cTemos, com os campos do Pampa, a possibilidade de produzir carne de alta qualidade com base na vegeta\u00e7\u00e3o nativa, sem degradar o meio ambiente. No Pampa, o gado \u00e9 aliado \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, e o uso pastoril do Pampa deve ser incentivado.\u201d A convers\u00e3o em monoculturas, no outro lado, reduz n\u00e3o s\u00f3 a biodiversidade, mas tamb\u00e9m a multifuncionalidade da paisagem, assim reduzindo tamb\u00e9m os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que s\u00e3o base para a qualidade de vida humana, e tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores concluem que, para garantir a conserva\u00e7\u00e3o e o uso sustent\u00e1vel do Pampa, s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas que incentivem a manuten\u00e7\u00e3o dos campos nativos e o seu uso, al\u00e9m da implementa\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias legais j\u00e1 existentes, como o Cadastro Ambiental Rural e os Programas de Regulariza\u00e7\u00e3o Ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Not\u00edcia do Site da UFRGS Pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Estudos em Vegeta\u00e7\u00e3o Campestre da UFRGS registraram 64 esp\u00e9cies em um \u00fanico metro de campo nativo no munic\u00edpio de Jaguar\u00e3o (RS). Divulga\u00e7\u00e3o ocorre na data em que se comemora Dia Nacional do Bioma Pampa No Dia Nacional do Bioma Pampa, 17 de dezembro, o grupo de pesquisa do Laborat\u00f3rio de Estudos em Vegeta\u00e7\u00e3o Campestre da UFRGS divulga um dado in\u00e9dito sobre a diversidade do Pampa, obtido, recentemente, em atividades de campo no munic\u00edpio de Jaguar\u00e3o, Rio Grande do Sul: um metro quadrado de campo nativo com 64 esp\u00e9cies de plantas. O n\u00famero ilustra a enorme diversidade do bioma, que, no entanto, segue desprotegido e sofre, anualmente, grandes perdas das suas \u00e1reas nativas e da sua biodiversidade, com impactos para as popula\u00e7\u00f5es humanas. Enquanto o p\u00fablico geral, muitas vezes, associa a biodiversidade brasileira aos ambientes florestais, os ambientes de campo e savana possuem uma biodiversidade equivalente. O mesmo vale para o Pampa, um bioma cuja vegeta\u00e7\u00e3o natural \u00e9 dominada por campos que possuem uma biodiversidade rica e t\u00edpica. Parte do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), o PPBio Campos Sulinos &#8211; Pampa \u00e9 um projeto nacional que visa ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a conserva\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais. O PPBio Campos Sulinos &#8211; Pampa \u00e9 coordenado pelo professor Val\u00e9rio DePatta Pillar, da UFRGS, e as atividades envolvendo levantamento da vegeta\u00e7\u00e3o campestre, pelo professor Gerhard Ernst Overbeck, tamb\u00e9m da UFRGS. Na primavera de 2024, a equipe do Laborat\u00f3rio de Vegeta\u00e7\u00e3o Campestre (LEVCamp) da UFRGS, liderada pela p\u00f3s-doutoranda Ana Porto, realizou a amostragem da vegeta\u00e7\u00e3o em cinco \u00e1reas campestres do Pampa, seguindo protocolos de amostragem padronizados. \u201cO nosso objetivo \u00e9 analisar os padr\u00f5es de diversidade vegetal das esp\u00e9cies campestres e suas rela\u00e7\u00f5es com fatores ambientais como pastejo e contexto da paisagem&#8221;, explica Ana Porto. Foi no munic\u00edpio de Jaguar\u00e3o, em uma \u00e1rea de campo nativo sob manejo pastoril, situada em uma propriedade particular, que a equipe de campo encontrou o metro quadrado mais rico em plantas j\u00e1 registrado no pa\u00eds: 64 esp\u00e9cies em um \u00fanico metro quadrado. Registros anteriores j\u00e1 haviam documentado \u00e1reas de campo com mais de 50 esp\u00e9cies de plantas por metro quadrado; valores acima de 30 esp\u00e9cies por metro quadrado s\u00e3o comuns nos campos do Pampa. \u201cO novo recorde destaca a riqueza de esp\u00e9cies dos campos nativos no sul do Brasil, algo muito pouco conhecido at\u00e9 pelos pr\u00f3prios ga\u00fachos e ga\u00fachas&#8221;, comenta Ana. \u201cQuem imagina ter mais de 60 esp\u00e9cies diferentes de plantas em um \u00fanico metro quadrado de campo nativo que, de longe, parece t\u00e3o homog\u00eaneo?\u201d, adiciona. O Pampa brasileiro, uma regi\u00e3o de campos nativos sob clima subtropical, abriga pelo menos 12.503 esp\u00e9cies de plantas, animais, fungos e bact\u00e9rias, como foi revelado em um estudo publicado em 2023, coordenado pelo professor Gerhard Overbeck da UFRGS e com a colabora\u00e7\u00e3o de 120 pesquisadores de 60 institui\u00e7\u00f5es. 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No Pampa, o gado \u00e9 aliado \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, e o uso pastoril do Pampa deve ser incentivado.\u201d A convers\u00e3o em monoculturas, no outro lado, reduz n\u00e3o s\u00f3 a biodiversidade, mas tamb\u00e9m a multifuncionalidade da paisagem, assim reduzindo tamb\u00e9m os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que s\u00e3o base para a qualidade de vida humana, e tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. 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