Recentemente, foi publicado o estudo LASOS (Latin American Surgical Outcome Study), uma pesquisa com dados prospectivos sobre os desfechos de pacientes submetidos a cirurgias, baseada nos registros de 22 mil pacientes de 17 países da América Latina. Parte de uma iniciativa global, o estudo contou com a participação de quase 1.500 colaboradores na coleta de dados e trouxe resultados preocupantes: cerca de 15% dos pacientes desenvolvem alguma complicação no pós-operatório, uma incidência semelhante à observada em países de alta renda. No entanto, a mortalidade entre os pacientes que apresentam complicações (falha na resposta ao resgate) é significativamente maior. Um em cada sete pacientes com complicações faleceu sem receber alta hospitalar, enquanto nos hospitais da América do Norte essa proporção foi de um em cada 15. Além disso, os pacientes que tiveram complicações permaneceram internados quatro vezes mais do que aqueles sem intercorrências.
As infecções hospitalares estão entre as complicações mais comuns, reforçando a necessidade de medidas de controle mais eficazes dentro das instituições de saúde. Outro ponto crítico identificado foi a falta de critérios consistentes para determinar quando um paciente deve ser encaminhado para a Terapia Intensiva. Os dados mostram que um em cada três pacientes que foram a óbito nunca chegou a receber cuidados intensivos, evidenciando a necessidade de maior atenção e treinamento das equipes para identificação precoce de riscos.
No total, 477 pacientes faleceram no pós-operatório, evidenciando que a capacidade de resgatar pacientes com complicações ainda é muito baixa.
Embora a taxa de complicações cirúrgicas na América Latina seja semelhante à de outros países, a proporção de pacientes que morrem após uma complicação é significativamente maior.
Diante da crescente demanda por tratamentos cirúrgicos e da limitação de recursos, torna-se essencial ampliar esse campo de pesquisa para compreender melhor as razões das altas taxas de mortalidade pós-operatória na América Latina e desenvolver soluções adaptadas à realidade da região. Além das dificuldades de acesso ao tratamento cirúrgico, é crucial implementar melhorias consistentes no cuidado pós-operatório. Para isso, é fundamental repensar os modelos de gestão e a distribuição de recursos em um continente tão diverso e desafiador como o latino-americano.
O estudo Patient outcomes after surgery in 17 Latin American countries (LASOS): a 7- day prospective cohort study foi publicado no The Lancet Global Health, uma das mais conceituadas revistas científicas do mundo. Foi um exemplo de um grande estudo colaborativo, desenhado para coletar dados do maior número possível de hospitais, em diferentes contextos, utilizando instrumentos simples de coleta para maximizar a adesão. Considerado um marco na área, ele abre caminho para que novos estudos dessa natureza continuem a gerar dados robustos, permitindo uma reflexão conjunta sobre a construção de um sistema cirúrgico mais eficiente e responsivo às necessidades da população.


Leia na íntegra o estudo no link:
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2214109X24005588

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