{"id":18224,"date":"2023-05-30T11:50:42","date_gmt":"2023-05-30T14:50:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgeei\/?p=18224"},"modified":"2023-05-30T11:50:43","modified_gmt":"2023-05-30T14:50:43","slug":"trabalho-em-anais-a-consolidacao-do-feminismo-a-partir-do-sul-global-a-voz-propria-das-feministas-latino-americanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgeei\/trabalho-em-anais-a-consolidacao-do-feminismo-a-partir-do-sul-global-a-voz-propria-das-feministas-latino-americanas\/","title":{"rendered":"[Trabalho em Anais] A consolida\u00e7\u00e3o do Feminismo a partir do Sul Global: A voz pr\u00f3pria das feministas latino-americanas"},"content":{"rendered":"\n<p>Autora: Ellen Gomes Passos<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado em: 6\u00b0 Semin\u00e1rio de Gradua\u00e7\u00e3o e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da ABRI<br>Ano: 10\/2022<\/p>\n\n\n\n<p><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A presente pesquisa focar-se-\u00e1 em responder o seguinte questionamento: quais os principais aportes te\u00f3ricos desenvolvidos pelo movimento feminista latino-americano e como eles se diferenciam em rela\u00e7\u00e3o ao pensamento feminista ocidental advindo do Norte global? Para que o enfoque possa ser analisado devidamente, o trabalho estender\u00e1 seu estudo aos conceitos que permeiam entre a produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica do feminismo latino-americano enquanto movimento social e te\u00f3rico, levando em considera\u00e7\u00e3o o tecido hist\u00f3rico, pol\u00edtico e social da regi\u00e3o, atentando \u00e0s intersec\u00e7\u00f5es entre cultura, ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade e explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica existentes nos contextos latino-americanos. Para que o desenvolvimento do trabalho seja poss\u00edvel, levanta-se como hip\u00f3tese a ideia de que o feminismo latino-americano enquanto pensamento e projeto pol\u00edtico-te\u00f3rico necessita de uma constitui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de conhecimento baseado nas experi\u00eancias vivenciadas na regi\u00e3o, uma vez que, de acordo com a antrop\u00f3loga mexicana Marcela Lagarde y de Los Rios (2012), os feminismos latino-americanos s\u00e3o sincr\u00e9ticos, na medida em que pertencem a uma fatia do mundo na qual ningu\u00e9m sabe se realmente pertence ao Ocidente, exceto pelas l\u00ednguas dominantes nela faladas, pelas religi\u00f5es hegem\u00f4nicas e pela organiza\u00e7\u00e3o de sociedades e Estados de acordo com a tradi\u00e7\u00e3o ocidental. A fim de contextualizar brevemente a pesquisa, parte-se do pressuposto de que o feminismo enquanto movimento \u00e9 pautado primordialmente pelas lutas incessantes na busca por direitos civis, pol\u00edticos e sociais das mulheres, questionando sua situa\u00e7\u00e3o de enfrentamento da subordina\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia patriarcal. Dessa forma, em seu primeiro momento, o movimento mobilizou diversos grupos femininos, com a presen\u00e7a predominante de mulheres brancas e de classe m\u00e9dia\/alta, com o intuito principal de reivindicar direitos como o direito pleno ao voto e ao trabalho, visando a igualdade de g\u00eanero e a defesa da plena cidadania \u00e0 todos, sem distin\u00e7\u00f5es sexistas. De acordo com essa perspectiva, \u00e9 poss\u00edvel observar que, embora generalizantes, as primeiras ondas do feminismo hegem\u00f4nico obtiveram um papel indispens\u00e1vel na obten\u00e7\u00e3o e na conquista dos direitos b\u00e1sicos femininos, permitindo que outros questionamentos fossem trazidos ao debate e ganhassem for\u00e7a internacionalmente. Entretanto, \u00e9 apenas com o advento da terceira onda do movimento feminista a partir da d\u00e9cada de 90 que foram anexadas ao debate novas agendas e discuss\u00f5es, essas atentas \u00e0s intersec\u00e7\u00f5es entre nacionalidade, ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade e explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em uma escala mundial (CYPRIANO, 2013). Fora nesse contexto em que emergiram novas possibilidades de experi\u00eancias do ativismo pol\u00edtico e social do movimento feminista plural, refletindo diretamente nas produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas feministas da Am\u00e9rica Latina, as quais, de acordo com a autora e ativista feminista Ana Marcela Montanaro Mena (2016), apontam a denunciar o car\u00e1ter euroc\u00eantrico, etnoc\u00eantrico e universalizador do sujeito central do feminismo hegem\u00f4nico e da forma com que este reproduz a colonialidade, priorizando o desenvolvimento de uma abordagem de g\u00eanero e \u00e9tnico-racial no sentido transversal. A partir desse cen\u00e1rio, os movimentos feministas oriundos da Am\u00e9rica Latina passaram a rever suas bases te\u00f3ricas e reconstruir seus encontros por vontade pr\u00f3pria, a fim de desenvolver um movimento essencialmente pautado nas experi\u00eancias vividas no Sul Global, mesmo em um contexto de organiza\u00e7\u00e3o patriarcal que constantemente gera segrega\u00e7\u00e3o e supremacia masculina (ALMEIDA, 2018). Como mencionado em Cypriano; Dias; Barbarela (2017), muitas vezes o que era intitulado como \u201cteoria pol\u00edtica feminista\u201d, na verdade acabava sendo um campo de autocita\u00e7\u00f5es centrado na produ\u00e7\u00e3o quase que exclusiva da academia feminista anglo-sax\u00e3, restringindo essa categoria somente ao sujeito mulher e sem abarcar a opress\u00e3o de ra\u00e7a, classe, op\u00e7\u00e3o sexual, entre outras, revelando a endogenia e a pr\u00e1tica direta de autocita\u00e7\u00f5es internas a esse campo. Desse modo, a presente pesquisa tem como principal objetivo revisitar as principais bases te\u00f3ricas do pensamento feminista latino-americano, o qual enuncia as formas de luta pr\u00f3prias do contexto latino-americano, utilizando de conceitos e experimentos que provem a intensa ruptura com as rela\u00e7\u00f5es de poder ocidentalizadas. Diante disso, ao questionar o modo como a teoria feminista dos pa\u00edses centrais chega aos contextos subalternos e como isso determina a forma na qual estes pa\u00edses desenvolvem suas lutas e an\u00e1lises, pode-se concluir que a cria\u00e7\u00e3o de uma teoria com cunho \u201cpluriversal\u201d, assim como proposto pela autora Marlise Matos (2012), \u00e9 uma forma do feminismo latino-americano se estabelecer como um sujeito n\u00e3o apenas te\u00f3rico, mas tamb\u00e9m pol\u00edtico de luta contra as in\u00fameras opress\u00f5es e desigualdades existentes na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ppgeei\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/A-consolidacao-do-Feminismo-a-partir-do-Sul-Global-A-voz-propria-das-feministas-latino-americanas.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-0bc98a08-ce84-4de1-b8fe-2e9cb028bcf4\">Download<\/a><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autora: Ellen Gomes Passos Publicado em: 6\u00b0 Semin\u00e1rio de Gradua\u00e7\u00e3o e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da ABRIAno: 10\/2022 RESUMO A presente pesquisa focar-se-\u00e1 em responder o seguinte questionamento: quais os principais aportes te\u00f3ricos desenvolvidos pelo movimento feminista latino-americano e como eles se diferenciam em rela\u00e7\u00e3o ao pensamento feminista ocidental advindo do Norte global? 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