PARCERIA

IPOL –  Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística
Coordenação Geral: Rosangela Morello

ALMA-H – Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata: Hunsrückisch
Coordenação: Cléo Vilson Altenhofen

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Instituto de Letras / Área de Língua Alemã

Programa de Pós-Graduação em Letras

 

INSTITUIÇÃO FINANCIADORA

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Ministério da Cultura, Governo Federal

EQUIPE DE EXECUÇÃO

Coordenação Geral: Rosangela Morello

Coordenação de Pesquisa: Cléo Vilson Altenhofen

Assistência Executiva: Tamissa Gabrielle Godoi

Pesquisadores: Ana Carolina Winckelmann, Ana Paula Seiffert, Andre Ricardo Kuster-Cid, Angélica Prediger, Chari Meleine Brevers Gonzalez Nobre, Cléo Vilson Altenhofen, Cleuza Hehr, Edenize Ponzo Peres, Eduardo Goncalves Nunes, Gabriel Schmitt, Gerônimo Loss Bergmann, Jussara Maria Habel, Lívia Gomes dos Santos, Luana Cyntia, dos Santos Souza, Lucas Loff Machado, Luciane Ouriques Ferreira, Mariela Felisbino da Silveira, Paola Inhaquite Wollmann, Reni Klippel Machado, Rodrigo Schlenker, Rosangela Morello, Sofia Froehlich Kohl, Tamissa Gabrielle Godoi, Viktorya Zalewski Pietsch dos Santos, Willian Radünz.

O INVENTÁRIO LINGUÍSTICO

O Inventário do Hunsrückisch como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI) foi desenvolvido entre 2017 e 2018, em uma parceria entre o IPOL (Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística) e o projeto ALMA-H (Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata: Hunsrückisch), em andamento na UFRGS. Sua elaboração, que contou com o apoio financeiro do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), alinha-se à perspectiva da política brasileira do “Inventário Nacional da Diversidade Linguística” (INDL), com o qual o IPHAN busca inventariar, reconhecer, salvaguardar e promover as línguas faladas no Brasil, compreendidas como parte do “patrimônio cultural imaterial“. A compreensão e a gestão do patrimônio imaterial pelas referidas instituições – independentemente das línguas – também é relativamente recente: sua implementação se deu a partir da publicação do Decreto 3.551/2000, atendendo a prerrogativas previstas na Constituição Federal de 1988. Pode-se dizer que a participação no INDL como parte de ações do IPHAN confere ao Hunsrückisch uma visibilidade e um novo valor no cenário brasileiro. Como previsto pelo INDL, após o Inventário, o Hunsrückisch entrará para o rol das línguas reconhecidas como Referência Cultural Brasileira.

Na prática, o IHLBrI – valendo-se da base de conhecimentos já estabelecida pelo ALMA-H, desde 2007 – produziu, complementou e difundiu ações e conhecimentos sobre o Hunsrückisch que são de suma importância para a promoção e estudos futuros dessa língua. Enquanto o ALMA-H prioriza a descrição e estudo linguístico do Hunsrückisch, o IHLBrI tem por foco sua promoção linguística (Sprachförderung, language promotion) e diálogo com a sociedade. A seguir, elencamos alguns dos principais produtos e resultados do Inventário.

1º Concurso Literário de Poesia e Conto em Hunsrückisch

Realizado em final de 2017, este 1º Concurso mobilizou autores e falantes e despertou o interesse na escrita em Hunsrückisch, que recebeu desta forma impulsos no sentido da sistematização de princípios para um padrão de escrita. Fica a expectativa de edição de novos concursos dessa natureza. Seu êxito comprova ser um tema e uma ação de grande impacto. A publicação dos textos em livro foi, neste sentido, determinante.

Livro: textos do Concurso Literário

Altenhofen, Cléo V.; Habel, Jussara M.; Neumann, Gerson R.; Prediger, Angélica (orgs.). Hunsrückisch em prosa e verso. Porto Alegre: Instituto de Letras, UFRGS, 2018. 98 p. Para download do ebook, acesse: http://hdl.handle.net/10183/184118.

Este livro reúne 14 poemas e 14 textos em prosa de 17 autores que se inscreveram no 1º Concurso Literário de Poesia e Conto em Hunsrückisch. Na leitura de Hunsrückisch em prosa & verso, o leitor tem a oportunidade de se familiarizar com a escrita; ao mesmo tempo, os textos são um incentivo à reflexão e produção escrita pelos falantes. A excelente produção gráfica, que contou com a editoração e capa de Leandro Bierhals Bezerra com belíssimas ilustrações em aquarela de Sara Winckelmann, fazem jus à função que o livro cumpre para a imagem e autoestima da língua Hunsrückisch e de seus falantes. A julgar pelo feedback que já recebemos, vemos muitos falantes se lançando à criatividade e dando vazão às suas ideias e angústias na reflexão sobre sua língua e cultura.

Consolidação da escrita do Hunsrückisch

O Inventário do Hunsrückisch, assim como o ALMA-H, através das transliterações de dados, contribuiu para consolidar o sistema de escrita do Hunsrückisch que chamamos de ESCRITHU (cf. ALTENHOFEN et al, 2007). As regras e princípios do ESCRITHU seguem as mesmas normas de ortografia do alemão standard, localmente denominado de Hochdeutsch (ou Hochdeitsch). Essa opção busca respeitar a tradição de escrita de autores como Rambo (2002 [1937-1961]) e outros, e tem por objetivo central facilitar a intercompreensão e uniformidade entre as variedades alemãs e os diferentes usuários e interesses envolvidos. A elaboração desse sistema de escrita para o Hunsrückisch ocorreu devido à necessidade de transcrever os dados gravados para o projeto Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata: Hunsrückisch (ALMA-H).

As regras do ESCRITHU também foram utilizadas, na medida do possível, nos textos selecionados para o 1º Concurso Literário de Poemas e Contos em Hunsrückisch. Os livros publicados pelo IHLBrI contribuem, neste sentido, para preencher uma lacuna imprescindível à conscientização plurilíngue e à promoção da língua, que é a disponibilização de material impresso e adequado, para subsidiar esse trabalho. Constatam-se muitas carências nesse sentido, tanto para se ter um modelo de escrita em que se inspirar, quanto para a transmissão de conhecimento sobre a língua.

Paralelamente, desde a definição do ESCRITHU, em 2007, vimos trabalhando na organização de um Workshop, para instrumentalizar a equipe e possíveis interessados. Fundamental na condução desse workshop foram os princípios que fundamentam o ESCRITHU, que podem ser lidos em Altenhofen, Prediger e Habel (2018, p. 25). Para mais informações sobre o ESCRITHU, clique AQUI. Para download do Workshop, clique AQUI.

Livro: Cartas de imigrantes como fonte para a história do Hunsrückisch

Altenhofen, Cléo V.; Steffen, Joachim; Thun, Harald. Cartas de imigrantes de fala alemã: pontes de papel dos hunsriqueanos no Brasil. São Leopoldo: Oikos, 2018. 328 p. Para download do ebook, acesse: http://hdl.handle.net/10183/194388.

Este volume 2 produzido pelo IHLBrI ocupa-se com cartas de imigrantes de fala alemã e tem por foco central os contextos com presença de hunsriqueanos. Trata-se do grupo de imigrantes alemães melhor documentado pela pesquisa. O acervo de cartas, no qual se baseia esta publicação, permite analisar a língua em uma continuidade histórica, desde o período que precede a emigração ao Brasil, a partir de 1824, até os dias atuais. Sua leitura e análise é, portanto, uma oportunidade única para compreender o contato alemão (Hochdeutsch) – Hunsrückisch – português (regional), ao longo de quase 200 anos de história no Brasil.

Encontros de Falantes de Hunsrückisch

Os Encontros de Falantes cumprem a função de reunir falantes e gestores da língua Hunsrückisch interessados no seu conhecimento e salvaguarda como patrimônio cultural imaterial. Além dos debates e reflexões que proporcionam, são um espaço para expor, divulgar e buscar informações sobre a língua. Até o presente, foram realizados os seguintes Encontros:

2012, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul – I Encontro de Falantes do Hunsrückisch, organizado pelo projeto ALMA-H no âmbito das atividades do dia das Portas Abertas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

24 e 25 de agosto de 2018, em Florianópolis, Santa Catarina – II Encontro de Falantes do Hunsrückisch e I Encontro do Inventário do Hunsrückisch como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI), organizado pelo IHLBrI, através do IPOL.

12 e 13 de outubro de 2018, em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul – III Encontro de Falantes do Hunsrückisch e II Encontro do Inventário do Hunsrückisch como Língua Brasileira de Imigração (IHLBrI), organizado pelo IHLBrI, através do ALMA-H.

A partir do III Encontro, abriu-se a possibilidade de prefeituras e outras entidades organizarem, com a anuência do IHLBrI, novos encontros itinerantes e com periodicidade livre, porém respeitando a numeração histórica. Assim, surgiu o próximo Encontro e outros que irão se seguir.

22 de junho de 2019, em Ipira, Santa Catarina – IV Encontro de Falantes do Hunsrückisch, organizado pela Prefeitura de Ipira – SC, sob a coordenação de Oladimir ???

Livro: resultados finais do Inventário do Hunsrückisch

Altenhofen, Cléo V.; Morello, Rosângela; Bergmann, Gerônimo L.; Godoi, Tamissa G.; Habel, Jussara M.; Kohl, Sofia F.; Prediger, Angélica; Schmitt, Gabriel; Seiffert, Ana Paula; Souza, Luana C.; Winckelmann, Ana C. Hunsrückisch: inventário de uma língua do Brasil. Florianópolis: Garapuvu, 2018. 248 p. Para download do ebook, acesse: http://hdl.handle.net/10183/194384.

O leitor encontra, neste volume, os principais resultados, perguntas e respostas para a descrição e Inventário do Hunsrückisch, o qual, conforme exposto, é o requisito básico para seu reconhecimento como “referência cultural brasileira”. Os levantamentos de dados realizados pelo IHLBrI resultaram, ao mesmo tempo, em um grande banco de dados que inclui amostras da língua, em áudio e vídeo, estudos e informações sobre a língua, acervo fotográfico e iconográfico, impressos, audiovisuais, entre outras fontes. Essa base de dados, sem dúvida, irá suscitar novos produtos e ações. O que está exposto neste livro é apenas um recorte possível, no estágio atual, para embasar e nortear os trabalhos futuros.

Documentário “Viver no Brasil falando Hunsrückisch”

Documentário “Viver no Brasil falando Hunsrückisch” (2018) – produção e roteiro de Gabriel Schmitt e Ana Winckelmann; duração: 37min; legendas em português, alemão, pomerano, vestfaliano, italiano, espanhol, francês e inglês.

“A realização de um documentário sobre a língua inventariada é condição prevista no Guia do INDL. Coube a Gabriel Schmitt e Ana Winckelmann elaborar o documentário do IHLBrI, que leva o título de “Viver no Brasil falando Hunsrückisch”. A partir das inúmeras viagens de pesquisa a campo, em que se ouviu / deu ouvidos a um sem-número de falantes e se reuniu um acervo de cerca de 1.925 vídeos, os dois estudantes do Curso de Letras Alemão da UFRGS desenvolveram um roteiro que mostra a relação de falantes de Hunsrückisch de diferentes lugares do Brasil com a sua língua. Separados, muitas vezes, por milhares de quilômetros, as opiniões, memórias e sentimentos se entrelaçam. Além do cotidiano, história e cultura desses falantes, o documentário focaliza a língua e suas particularidades, procurando registrar qual a sua importância na trajetória de vida dessas pessoas. A chegada à escola e a dificuldade na hora de aprender o português, a relação com o alemão standard, a convivência com outros tipos de alemão, são alguns dos desafios e compartilhados por esses falantes.” (ALTENHOFEN; MORELLO et al. 2018, p. 208)