No último dia 29 de novembro, o Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UFRGS sediou a defesa do doutorado mais rápido de uma mulher já realizado na Universidade. Manoella Treis apresentou o trabalho apenas 19 meses após o início de sua realização, em março de 2020. Foi necessária uma autorização especial da CAPES para que a defesa fosse realizada antes do prazo mínimo de 24 meses. A tese recebeu o título de “Análise da formação de agenda governamental sobre políticas públicas para mulheres portadoras de endometriose: Um estudo de caso sobre o Brasil e a Austrália”.

O trabalho teve orientação da professora Marília Patta Ramos. No dia da defesa, Manoella Treis, que nasceu em 26 de dezembro de 1996, tinha apenas 24 anos, sendo considerada a doutora mais jovem pela UFRGS nos último 10 anos.

A conclusão do doutorado em poucos meses, segundo Manoella Treis, foi motivada pelo interesse na pesquisa e na busca por conhecimento, e teve, ainda, a pandemia e o isolamento social como fatores decisivos. A precocidade na defesa da tese, aponta Treis, foi uma conquista que possibilita mostrar o que foi feito diante da endometriose no Brasil. “Ter essa possibilidade de espalhar minha pesquisa, é de extrema relevância, pois, a endometriose, ainda, é silenciada em muitos âmbitos”, avalia a doutora, que considera o apoio da orientadora como fundamental para o sucesso na pesquisa.

O interesse pelo tema remonta a iniciação científica da estudante na área de Ciências Sociais. Na graduação ela se aproximou de pesquisa sobre políticas públicas. “O tema da endometriose foi escolhido pela experiência que tenho sendo portadora da doença – eu queria ter uma identificação e conhecimento sobre o tema, que também, pertence a minha realidade – e refletindo sobre questões governamentais e alguns dados sobre a doença, que estão presentes na tese”, conta a doutora.

Manoella Treis comenta que as jovens mulheres interessadas em ciência no Brasil precisam manter a dedicação, perseverar na busca pelo conhecimento. “Nem sempre é fácil o processo científico e acadêmico, há momentos de alegria, mas precisamos lidar com questões que não são tão favoráveis. A participação de mulheres na ciência é essencial em todos os lugares. Espero inspirar muitas meninas! Espero que muitas mulheres, também, queiram falar sobre a endometriose em várias áreas da ciência.”, avalia.

Natural de Novo Hamburgo, Manoella Treis fez o mestrado em Ciências Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2020) e tem um MBA de Gestão e Desenvolvimento de Projetos orientados pela Inovação na Feevale (2019), sendo graduada em Processos Gerenciais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2017). Atualmente, ela é bolsista da SEAD/ UFRGS no Projeto de Produção Curso Online sobre Inovação, criatividade e mudança social.