Programa Convivências
Foto: Elias Santos
Notícia 25 julho, 2016

A universidade no cotidiano de um quilombo urbano

De riso fácil, Rosangela da Silva Ellias, mais conhecida como Janja, recorda algumas perguntas feitas para os moradores do Quilombo dos Alpes, localizado na zona sul de Porto Alegre. “Vocês caçam para comer?”, “Conhecem um shopping?” foram alguns dos questionamentos já feitos desde que a comunidade se autorreconheceu como quilombola, pouco mais de uma década atrás.

Programa Convivências O Quilombo dos Alpes recebeu na última semana a 20ª edição do Programa Convivências, idealizado e concebido pelo DEDS (Departamento de Educação e Desenvolvimento Social). A aproximação da comunidade com a UFRGS iniciou quando Janja  participou da produção de um vídeo sobre lideranças femininas negras. Neste ano o programa recebeu 55 inscrições de estudantes oriundos de 26 cursos da universidade.

Segundo o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), uma comunidade quilombola é “um grupo étnico predominantemente constituído pela população negra rural ou urbana, que se autodefine a partir das relações com a terra, o parentesco, o território, a ancestralidade e as tradições e práticas culturais próprias”.

Rita Camisolão, diretora do DEDS relata que o Programa Convivências já aconteceu outras vezes em comunidades quilombolas, contudo, pela primeira vez ele ocorre dentro do perímetro urbano. Desde o seu autorreconhecimento a comunidade tem buscado a implementação de serviços básicos. Através do programa do governo federal Luz Para Todos os quilombolas obtiveram o acesso à energia elétrica. Atualmente as principais reivindicações são uma creche, escola e também uma praça pública. Janja destaca que a adesão a estas tecnologias não pode ferir a preservação do território “não queremos caminhões de concreto tapando tudo, nossa história, nossa memória. Isso pra nós não é estrutura, é destruição”.

O principal eixo do programa é a interação entre a universidade e a comunidade , em uma troca de saberes mútuas.  Para a estudante de biologia Bruna Corrêa “é difícil ter uma percepção imediata [dos impactos do programa], a gente vai desenvolvendo ao longo da vida, retomando as coisas que estamos vivendo aqui”.  Durante da convivência foram desenvolvidas diversas atividades, desde uma partida de futebol à uma oficina de primeiros socorros com os atendentes do posto de saúde que atende a área do Quilombo dos Alpes.

Programa Convivências Sobre esta troca Karina Ellias, moradora do Quilombo dos Alpes desde que nasceu,  relata que “o pessoal as vezes vem com essa curiosidade de zoológico, mas isso [a convivência] traz um ganho para a vivência deles como futuros profissionais”. Atualmente Karina é atendente de saúde, onde busca evidenciar as necessidades da sua comunidade.

O contraste de entendimentos sobre o quilombo fica claro quando se conversa sobre a paisagem do local.  Ao chegar no topo no Morro dos Alpes é possível enxergar a zona leste da capital gaúcha, os altos prédios do Centro Histórico e também boa parte da Zona Sul da cidade, esta vista toma o fôlego de muitos, mas não o de Janja, para ela a melhor vista é a dos campos que se estendem pelo território da comunidade onde ela cresceu, assim como seus ancestrais e descendentes.

 

Mais fotos do Programa Convivências podem ser vistar no Flickr da PROREXT e também na página do DEDS no Facebook

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