Foto: Bruna Cavalheiro Müller
Foto: Bruna Cavalheiro Müller
Notícia 18 abril, 2017

Conto de fadas “A Bela e a Fera” é tema de curso de extensão

No período de 8 de abril a 27 de maio, aos sábados, serão realizados encontros abertos ao público para a realização do curso de extensão “Contos de fadas na cultura midiática: ética, estética e poética”. O projeto, ministrado pela professora do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS, Paula Mastroberti, acontecerá no Auditório da Livraria Paulus (Rua José Montaury, 155).

O tema que será discutido ao longo das aulas terá como base o conto de fadas A Bela e a Fera, relançado nos cinemas em março, pelos estúdios da Disney, em uma versão live action. Para Paula, o sucesso do filme é o ponto inicial da escolha da narrativa para o trabalho de extensão, “seja pelos aspectos estéticos, que tiveram um cuidado interessante, seja por ter no elenco uma atriz popular na cultura juvenil, a Emma Watson”.

O programa, contudo, surgiu como recurso de formação para os bolsistas do PIBID de Artes Visuais da UFRGS, também coordenado por Paula. A professora, artista plástica e escritora afirma que há uma necessidade urgente de que se trabalhe o conto na escola, e aproveitou ser justamente esse o tópico de pesquisa escolhido pelo grupo de PIBID para abrir um diálogo mais amplo, convidando não apenas a comunidade interna para um aprofundamento no assunto. Entre os inscritos para o curso, constam estudantes de graduação de diferentes cursos e profissionais da área da educação de dentro e fora da UFRGS, além de interessados pelo assunto em questão.

Não obstante, há também todo o universo dos mitos que envolve a narrativa de A Bela e a Fera, história que, segundo Paula, remete ao mito de Eros e Psiquê, configurando uma expressiva complexidade ao enredo. Para ela, o conto “oferece uma estrutura narrativa muito específica; é um conto que parece simples, infantil, mas que, como todos os contos de fadas – que pensamos ser infantil -, tem uma profundidade muito maior, que quando estudada emerge.”

A proposta das atividades que serão realizadas no curso é, portanto, construir um espaço de discussão para a posterior criação de um projeto criativo e/ou educativo utilizando-se dos eixos abordados – a poética, o gênero, a questão do belo e do feio. Conforme cada participante, a iniciativa pode variar. Para estudantes de licenciatura, a ministrante disse que requisitará um projeto para um plano de aula; dos estudantes de curso de bacharelado, por sua vez, ela indicou esperar uma surpresa. “No mínimo, acho interessante requisitar um relato dizendo como o curso acrescentou à formação e ao conhecimento no tema contos de fadas e, especialmente, em relação a A Bela e a Fera, ressaltou.

Outro ponto bastante destacado por Paula se refere ao conceito e prática da interdisciplinaridade ou transdisciplinaridade. Para ela, o conto, como objeto de conhecimento, pode ser trabalhado em qualquer instância na educação: “Pretendo demonstrar como os mitos e os contos de fadas podem ser um elo lúdico e poético que fazem uma ligação com temas os quais são de maior dificuldade na escola. Para quem é da Educação, o universo às vezes fica muito limitado às questões pedagógicas, e muito pouco às questões criativas e poéticas. Eu sou a favor do uso da poética na educação, é a grande ferramenta para trabalhar o currículo em sala de aula, inclusive na universidade”. Soma-se a isso também o fato de o conto de fadas ser uma narrativa universal enraizada profundamente na cultura humana e matriz das ciências – porque os mitos e rituais pagãos são o início das ciências. Com essa análise, pode-se compreender que A Bela e a Fera é o resultado de um universo muito maior, passível de uma análise minuciosa e abrangente. “E agora, com o filme passando, é o momento de aproveitar para discutir toda essa gama de conhecimento com as crianças e jovens, propor essa análise.” – conclui.

Paula Mastroberti graduou-se como bacharel em Artes Plásticas na UFRGS, e como escritora migrou para a Pós Graduação na área da Literatura, em busca de uma fundamentação teórica, sobre a qual já vinha realizando palestras e oficinas.. O contexto dos contos de fadas surgiu em sua vida desde a infância, especificamente quando teve contato com os contos dos Irmãos Grimm, que narram de maneira bastante realista e violenta histórias hoje presentes, após adaptações sobretudo dos estúdios Disney, no âmbito popular. Desde então, manteve o contato e o interesse no assunto, e concluiu seu doutorado na Faculdade de Letras da PUCRS em 2011, tendo realizado uma pesquisa focada em Peter Pan – que, por sua vez, não se trata de um conto de fadas. Desde então, segue escrevendo, analisando e propondo a discussão desse recurso a partir do ponto de vista de suas áreas de atuação, Letras, Artes e Educação.

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