Foto: Divulgação
Notícia 29 setembro, 2016

Mostra “Cinema Pelo Mundo” em cartaz na Sala Redenção no mês de outubro

Em outubro, a Sala Redenção – Cinema Universitário, em parceria com Sesc/RS, apresenta na seção Em Cartaz a terceira edição de Cinema Pelo Mundo. Serão exibidos nove filmes, de diferentes estilos, escolas e nacionalidades, realizados entre os anos 2010 e 2014. Abre a programação Pais e filhos (2013), do realizador japonês Hikorazu Koreeda, vencedor do prêmio do júri do Festival de Cannes de 2013 e prêmio pelo público de melhor filme estrangeiro no Festival Internacional de São Paulo, no mesmo ano. O longa aborda e questiona a importância dos laços sanguíneos ao narrar a história de duas crianças trocadas na maternidade, filhas de casais de diferentes classes sociais. Koreeda é especialista em retratar o universo infantil e familiar no Japão e realizou também, entre outros filmes, Ninguém pode saber (2004) e O que eu mais desejo (2011).

O Sonho de Wadjda (2012), da realizadora Haifaa Al-Mansour, é um filme especial. Especial por ser realizado por uma cineasta da Arábia Saudita, país em que os direitos das mulheres não são reconhecidos (e são até mesmo ignorados) e que mulher alguma poderia estar à frente de uma equipe de filmagem. A diretora chegou a declarar que, em filmagens externas, muitas vezes foi preciso se esconder pois não podia aparecer, muito menos dizendo aos homens no set de filmagem o que deveriam fazer. A obra narra uma história simples, mas pungente: uma menina não aceita e se recusa a aceitar que as mulheres em seu país não podem andar de bicicleta. Longe de ser um filme panfletário, a abordagem é simples, delicada. Vale lembrar que é o primeiro longa realizado por uma mulher na Arábia Saudita – ao menos que se tem notícias.

Em 1966, John Lennon estava na Espanha para gravar Oh, que delícia de Guerra! (1967), de Richard Lester, quando um professor resolve viajar e ir até o local da filmagens para conhecer o Beatle. Eis o argumento que deu origem ao filme do espanhol David Trueba, Viver é fácil de olhos fechados (2013). Um road movie divertido, muito bem-realizado, que conquista quem o assiste. No longa de Trueba um professor de espanhol, em plena ditadura Franco, viaja pelas estradas da Espanha e no percurso encontra dois jovens para quem oferece carona. Ao longo do percurso, os três se tornam próximos ao mesmo tempo em que essa proximidade faz com que eles conheçam também melhor o país que habitam. O filme arrematou sete prêmios Goya em 2013. Melhor filme, melhor diretor, melhor ator principal, atriz revelação, roteiro original, música original e melhor figurino. Duas observações: o título do longa remete a um verso da música Strawberry Fields Forever; e, entre várias lições do professor, interpretado pelo excelente Javier Cámara, fiquemos com uma: “algumas vezes devemos gritar HELP!”.

Do diretor Fernando Eimbcke exiberemos Club Sandwich (2013). Como Larry Clark, o realizador mexicano se debruça sobre o universo adolescente, jovem. Ao contrário, entretanto, dos jovens problemáticos, transgressores, quase marginais presentes nos filmes de Clark, os jovens nos filmes de Eimbcke são personagens em transformações mais internas do que externas. O ruído, o movimento (ou a falta deles) encenam movimentos que vêm de dentro. Há poucas palavras, vários silêncios em suas tramas. O olhar da câmera recai sobre um personagem tímido que se despede da adolescência e do colo da mãe. O movimento de câmera tenta acompanhar, captar os movimentos internos do personagem, sua timidez, suas dúvidas, silêncios e hesitações. A beleza do filme reside justamente nessa tentativa de captura.

Confira a Programação completa no site do DDC.

 

Share this:

Notícias relacionadas:

Av. Paulo Gama, 110 - Reitoria, 5° andar - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - Rio Grande do Sul - CEP: 90040-060

prorext@prorext.ufrgs.br - +55 51 3308.3374 (Atendimento: 8h-12h e 14h-18h)