Foto: Isabela Ribeiro
Notícia 25 outubro, 2016

Ancestralidade e musicalidade são destaque no Conversações Afirmativas

Aconteceu na última sexta-feira (21) a segunda roda de conversa promovida pela ação “Conversações afirmativas”, com enfoque no tema “A tradição do Tambor”. O encontro foi aberto com a fala de Rita de Cássia dos Santos, coordenadora do Departamento de Educação e Desenvolvimento Social (DEDS). “Como braço de apoio das políticas de ações afirmativas, esse é um espaço para exaltar e difundir a cultura afro-brasileira”, disse Rita.

A tarde, marcada por cantos, trocas e provocações, contou com a participação dos mestres, alabês e músicos Renato Beabá, Noé do Bará, Xaninho do Bará, Antônio Carlos de Xangô, Oná Abiàṣe e Ìdòwú Akínrúlí. Eles compartilharam, com um público de aproximadamente 80 pessoas, suas vivências com o tambor, intimamente entrelaçadas com suas trajetórias pessoais e religiosas. A tradição dos tambores Inhã e Batá, de origem Iorubá, foi a mais comentada. No centro da roda estavam dispostos diversos tipos de tambor e outros instrumentos.

Como de costume na cultura Iorubá, a conversa foi precedida por um canto, realizado pelo nigeriano Idòwú Akínrúlí, com o intuito de saudar o momento e as pessoas presentes. Para Antônio Carlos de Xangô, o tambor sempre esteve ligado à religião, desde seu primeiro contato, aos dois anos. Já Renato Beabá, artesão de tambores e mestre na tradição há décadas, aproximou-se da religiosidade após adulto.

“O tambor, para mim, é uma forma de viver, de falar consigo e com os ancestrais”, disse Renato, ao explicar que a prática não se trata apenas de uma atividade lúdica. Ele ressaltou também a relação mística de cuidado e proteção estabelecida com a natureza durante o processo de fabricação. “Para derrubar uma árvore, existe todo um ritual, nós pedimos licença aos guardiões das matas”.

Julio de Osalá Obokón, participante do evento, realizou, em intervenção teatral, uma provocação acerca do orixá da comunicação, Exú. “Estou aqui, estou acolá, estou em todos os lugares”, disse enquanto circulava pela sala, antes de indagar aos presentes: “Quem sou eu?”. Assim foi feita a associação entre o tambor e sua função primordial: a de comunicar.  Aqui, no Sul do Brasil, essa comunicação é para com os orixás, enquanto que na África, era entre as tribos, como explicaram os mestres.

O respeito com os fundamentos do tambor, a discussão das cotas, a presença negra na universidade e a contribuição dos negros para a cultura de Porto Alegre foram alguns dos pontos levantados pelo público e discutidos entre todos. “É muito importante que exista esse espaço para falarmos sobre a cultura negra, mas é preciso lembrar também que estamos apenas retomando um lugar que é nosso por direito”, disse Renato Beabá.

As cadeiras distribuídas em forma de roda foram ocupadas por estudantes de Jornalismo, Química, Enfermagem e outros cursos da UFRGS. Acadêmicos, integrantes de coletivos de luta pela emancipação negra, músicos, praticantes da religião afro e todos os demais presentes participaram de uma reunião repleta de ancestralidade africana, ensinamentos, reflexões e musicalidade.

Roda de conversa Conversações afirmativas -  "A tradição do Tambor"

 

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