Foto: Elias Santos
Notícia 8 abril, 2016

UFRGS, prefeitura e cooperativa se unem para oferecer curso sobre empreendedorismo a ex-catadores

Sala de aula, alunos assistindo a uma apresentação de slides, uma professora falando sobre empreendedorismo. Nada disso seria novo na vida da universidade, não fosse o perfil da turma presente na sala 104 do prédio Centanário da Engenharia: todos são ex-catadores e ex-carrinheiros.

O projeto Semeia Sonho é uma iniciativa da Cooperativa Mãos Verdes em conjunto com a UFRGS e o projeto Todos Somos Porto Alegre, da prefeitura, surgido após a proibição da circulação de carrocinhas nas ruas da capital gaúcha, que começou a ser implantada em 2013. Ainda nas primeiras fases do Todos Somos Porto Alegre foi percebido um desejo entre os ex-catadores de desenvolver atividades empreendedoras. Por conta desse desejo aconteceu uma aproximação com os conhecimentos da universidade para a montagem de um projeto piloto três anos depois, dando origem a uma atividade de extensão da UFRGS. Para incentivar a participação no curso, os alunos recebem uma bolsa, paga em três parcelas, além de vale transporte para o deslocamento até os locais do curso.

A turma é composta por nove alunos e as aulas são ministradas por professores voluntários da EPR (empresa júnior da engenharia de produção) e da UFRGS. Os conteúdos são lúdicos e muitas vezes  as experiências pessoais vão ao encontro da teoria estudada, fazendo com que a distância entre academia e sociedade seja cada vez menor. A ponte entre todos os órgãos envolvidos é feita pela professora Istefani Carísio de Paula, coordenadora geral do projeto, que já desenvolveu outras atividades de extensão que visam diminuir a desigualdade social através do conhecimento. Sobre os impactos do projeto na vida das pessoas a professora diz acreditar na “modificação das realidades destas pessoas e do seu entorno, especialmente familiares. E também sobre a vida dos alunos que estão contribuindo com o projeto, já que é uma experiência viva, real e impactante, em termos de modelos mentais e visão de mundo”.

 

A realidade de quem participa

Foto: Elias Santos

Foto: Elias Santos

Uma das nove cadeiras é ocupada por Patrícia dos Santos Peres, que em seu colo  tem  o pequeno filho de apenas quatro meses. Natural do oeste do estado,  veio para Porto Alegre procurar melhores condições de trabalho. Sua mãe era empregada doméstica e seu pai tratorista. Desde jovem Patrícia se dividiu entre os serviços como recicladora e ajudante de uma família. Quando fala do filho mais velho, de sete anos,  há um orgulho na voz: “mãe eu vou estudar, e um dia quero te dar tudo de bom”  – costuma dizer o garoto. Ela conta se sentir bem na academia, um local onde foi bem recebida e tratada com respeito.

Uma das colegas de Patrícia, Lisandra de Oliveira Vargas, 35, cuida de seus três filhos e da mãe doente. Ela participa de programas sociais do governo federal e já começou sua atividade empreendedora, investindo na compra de roupas para revenda. No curso ela busca a base teórica e novos aprendizados para o seu negócio, “uma oportunidade de ouro”, disse ela, que também acha necessária a expansão da atividade “eu espero que essa oportunidade não seja só pra mim, que seja pra mais gente”.

 

Próximos passos

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Foto: Elias Santos

Sócio da Mãos Verdes, Alceu Terra Nascimento é um dos ministrantes da atividade. Ele considera que os alunos têm um perfil diferente, pois já trazem para a sala de aula conhecimentos práticos sobre o objeto teórico que estão estudando. Justamente por isso, a apostila, desenvolvida pelos alunos da professora Istefani na Engenharia de Produção, traz situações cotidianas e que facilmente são relacionadas com a realidade dos participantes.

Ao fim do curso cada aluno deverá apresentar um plano de negócios, que será viabilizado via crowdfunding (uma forma de financiamento coletivo online). O dinheiro arrecadado será dividido igualmente entre os participantes para que todos tenham chance de dar o pontapé inicial e aplicar os conhecimentos aprendidos ao longo dos 18 encontros.

Sobre o futuro do projeto, Alceu diz que “a ideia é, passado esse ciclo todo, consolidarmos esse aprendizado, e aí sim formatar um projeto que possa ter uma escala maior e se replicar até mesmo para outras universidades, outros cursos. Essa é a nossa visão para o projeto Semeia Sonho”.

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