Foto: Elias Santos
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Notícia 25 abril, 2016

Universidade negra e indígena: UFRGS promove o primeiro encontro de NEAB’s do estado

Nos dias 19 e 20 de abril a Faculdade de Educação recebeu o primeiro encontro dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEAB’s) do Rio Grande do Sul. Instituições de ensino de todo o estado se fizeram presente, entre elas Unisinos, Ulbra, PUC-RS, IFRS, IFSul e UFSM, além da UFRGS que liderou a iniciativa através do Departamento de Desenvolvimento Social (DEDS).

Os núcleos de estudo são centros de referência que visam construir atividades de ensino, pesquisa e extensão que se relacionem com as questões raciais e de afirmação dentro das instituições de ensino, como forma de combater os preconceitos ainda existentes dentro delas.

Histórico do Núcleo na UFRGS

(NEAB/UFRGS) ainda é bastante jovem e teve sua fundação oficial no ano de 2014. Contudo, o seu nascimento remonta ao projeto de extensão “Programa Educação Anti-Racista no Cotidiano Escolar e Acadêmico”, que iniciou em 2004 e articulou atividades com escolas para a implantação de conteúdos sobre história e cultura africana e afro-brasileira nos seus currículos, conforme determinação da Lei 10.639/03. No início o programa havia uma aliança com três redes de ensino, número que cresceu até atingir 12 instituições das redes municipais e duas estaduais.

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Foto: Elias Santos

Esta primeira fase permitiu um mapeamento dos professores da universidade que se interessavam  pela  temática étnico-racial, que, somado ao reconhecimento externo formado ao  longo dos anos, criou  um  ambiente propício para a criação do NEAB, atualmente coordenado  pelo professor José Rivair  Macedo  junto da diretora do DEDS, Rita de Cássia Camisolão. Uma  vez institucionalizado como um  núcleo  interdisciplinar de extensão, o NEAB absorveu as funções  do Programa Educação Anti-Racista no  Cotidiano Escolar e Acadêmico e passou a desenvolver  novas e mais amplas atividades.

No segundo dia do encontro o professor José Rivair anunciou a primeira linha de pesquisa do núcleo dentro da universidade, que tratará sobre a história da áfrica ocidental e terá um caráter colaborativo, de forma que tanto estudantes, servidores técnicos e professores possam contribuir para a sua construção.

A importância do encontro

Atualmente os núcleos enfrentam várias dificuldades dentro das instituições, desde o financiamento, até questões como um espaço físico para viabilizar suas operações enquanto parte da vida acadêmica. O primeiro encontro é marcado como uma forma dos núcleos compartilharem suas experiências e perspectivas. Rita Camisolão destaca que “assim como o Programa Educação Anti-Racista fortaleceu-se na interlocução, eu acredito que os NEABs podem se fortalecer uns com os outros”.

Já a professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, uma das maiores pesquisadoras da área, chama a atenção para a importância deste primeiro encontro de NEABs no sentido da “troca de experiências, de um lado da produção acadêmica, de questões temáticas que dizem respeito à população negra, tais como pesquisa da escravidão, das diferentes histórias da África, as relações étnico-raciais do país. E do outro lado tem o compromisso social do combate ao racismo, e de apoio às comunidades negras. Então um encontro como esse, num estado tão grande como o Rio Grande do Sul, com regiões tão diversas, populações tão diversas, conhecido nacionalmente por ser talvez, e as manifestações desde quando as ações afirmativas foram implantadas na UFRGS fazem a gente ter de concordar com , o estado mais racista, é de extrema importância a presença dos NEAB’s no combate ao racismo institucional dentro das universidades”.

O desafio constante: Resistir, existir e insistir

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Foto: Elias Santos

Nos últimos meses, ataques preconceituosos se intensificaram na universidade. Cartazes de cunho fascista foram colados em vários diretórios acadêmicos, um estudante indígena foi covardemente agredido por outros alunos em frente à Casa do Estudante, na rua João Pessoa. Por conta destes últimos fatos o NEAB protocolou junto à reitoria da universidade uma correspondência, através da qual se colocou à disposição da administração central “para ajudar a conceber e realizar ações que sejam uma proposta educacional que elimine esse tipo de manifestação machista, racista, homofóbica. De acordo com Rita Camisolão, “esse documento então coloca o NEAB à disposição para construir, seja com que estância da universidade for, processos educativos, processos transformadores, para acontecerem na universidade, mais especificamente em unidades nas quais essas manifestações têm acontecido”.


A sede do NEAB é junto ao DEDS, no sub-solo do Planetário (Av. Ipiranga, 2000), interessados em colaborar podem entrar em contato através do e-mail neab@ufrgs.br.

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