{"id":38360,"date":"2024-11-14T13:29:11","date_gmt":"2024-11-14T16:29:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/prorext\/?p=38360"},"modified":"2024-11-14T13:29:13","modified_gmt":"2024-11-14T16:29:13","slug":"iara-deodoro-e-homenageada-com-biblioteca-digital-de-seus-movimentos-na-danca-afro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/prorext\/iara-deodoro-e-homenageada-com-biblioteca-digital-de-seus-movimentos-na-danca-afro\/","title":{"rendered":"Iara Deodoro \u00e9 homenageada com Biblioteca Digital de seus movimentos na dan\u00e7a afro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bailarina, core\u00f3grafa, criadora do Grupo de Dan\u00e7a Afro-Sul do Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomod\u00ea, bacharel em assist\u00eancia social e p\u00f3s-graduada em educa\u00e7\u00e3o popular, h\u00e1 50 anos, Iara Deodoro fundou com Paulo Romeu Deodoro o Afro-Sul Grupo de M\u00fasica e Dan\u00e7a, que depois deu origem ao Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomod\u00ea, um dos principais espa\u00e7os de refer\u00eancia da cultura negra em Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Filha de Ver\u00f4nica da Silva Santos, conhecida como Tia Lili, e de Vilson Santos, Iara nasceu em setembro de 1955 e criou-se no bairro Petr\u00f3polis, em Porto Alegre, rodeada pelas duas irm\u00e3s biol\u00f3gicas e um irm\u00e3o adotivo. Aos quatro anos de idade ficou \u00f3rf\u00e3 do pai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tia Lili assumiu as responsabilidades de maternidade solo, trabalhando sobremaneira como cozinheira para garantir uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para suas filhas. Em sua tutela, come\u00e7ou a buscar possibilidades de bolsas de estudo em col\u00e9gios particulares da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contemplada com uma bolsa de estudos no Col\u00e9gio Santa In\u00eas, aos oito anos de idade, Iara teve seu primeiro contato com a dan\u00e7a na escola, por meio de pr\u00e1ticas corporais da Gin\u00e1stica Art\u00edstica, ministrada por Nilva Pinto(1934-2020), uma das importantes precursoras do ensino da dan\u00e7a em contextos escolares na capital ga\u00facha, durante as d\u00e9cadas de 1960 e 1970. O grupo caracterizava-se pela investiga\u00e7\u00e3o de diversas culturas e sua pot\u00eancia estava na reinterpreta\u00e7\u00e3o das Dan\u00e7as Folcl\u00f3ricas do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1974, Nilva levou seus alunos para participar de um evento art\u00edstico nas escolas, com algumas atividades das quais Iara fazia parte. As turmas se conheciam e o diferencial do grupo do Santa In\u00eas era dan\u00e7ar com m\u00fasica ao vivo, produzida pelo coral da escola. Na banda do coral, havia um \u00fanico jovem negro, chamado Marco Aur\u00e9lio Faria, o Maestro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Interessado em investigar est\u00e9ticas musicais afrodiasp\u00f3ricas, Marco convidou alguns amigos negros para compor uma m\u00fasica-protesto para participa\u00e7\u00e3o em um festival estudantil. Com o intuito de elaborar a apresenta\u00e7\u00e3o, eles convidaram Iara e outros quatro dan\u00e7arinos para compor o grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela, ent\u00e3o, passou a integrar o grupo que, posteriormente, recebeu o nome de Afro-Sul, dando in\u00edcio \u00e0 sua pesquisa art\u00edstica em dan\u00e7a afro-ga\u00facha sobre as corporeidades negras insubmissas e promovendo, atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas art\u00edstico-pedag\u00f3gicas, estrat\u00e9gias de emancipa\u00e7\u00e3o social de pessoas negras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mestra Iara Deodoro foi pioneira em produzir um aporte est\u00e9tico-corporal de cunho pol\u00edtico, antirracista e decolonial no campo das artes c\u00eanicas, especificamente na dan\u00e7a. A representa\u00e7\u00e3o da pessoa negra em seu trabalho nunca esteve ligada \u00e0 ideia de submiss\u00e3o, mas \u00e0 de enfrentamento. A corporeidade que emerge em sua dan\u00e7a est\u00e1 conectada \u00e0s influ\u00eancias r\u00edtmicas dos tambores presentes na musicalidade negra ga\u00facha, entendida como corporeidade negra afro-brasileira das zonas de fronteira com pa\u00edses de coloniza\u00e7\u00e3o hisp\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passadas cinco d\u00e9cadas, <strong>a obra de Iara Deodoro ganha uma Biblioteca Digital de movimentos da t\u00e9cnica de dan\u00e7a afro-ga\u00facha<\/strong>. Coordenado pela bailarina M\u00f4nica Dantas, professora do Curso de Dan\u00e7a e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Artes C\u00eanicas da UFRGS, foram selecionados dez movimentos registrados em quatro formatos diferentes: descri\u00e7\u00e3o dos movimentos, imagens gravadas em v\u00eddeo, registro dos movimentos por meio de sistema cinem\u00e1tico de captura de movimento (MOCAP), e por meio da modeliza\u00e7\u00e3o 3D, gerando avatares dan\u00e7antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Biblioteca Digital de Movimentos Iara Deodoro celebra a obra da mestra, que, em 28 de setembro, fez sua passagem. Que esta seja um modo de honrar e celebrar sua vida e seu legado\u201d, diz M\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No dia 25 de novembro, \u00e0s 20 horas, ocorre live de apresenta\u00e7\u00e3o e, no dia 3 de dezembro, a partir das 19h30, o elenco da Biblioteca Digital se apresenta na sede do Afro-Sul, marcando as comemora\u00e7\u00f5es dos 50 anos do Grupo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A biblioteca \u00e9 uma parceria entre o Projeto Carne Digital (UFRGS) e o Grupo Afro-Sul de M\u00fasica e Dan\u00e7a, que tem por objetivo o registro, a documenta\u00e7\u00e3o, a reflex\u00e3o cr\u00edtica e a difus\u00e3o de pr\u00e1ticas de dan\u00e7a em ambientes diversos, buscando criar condi\u00e7\u00f5es para que artistas sejam agentes da produ\u00e7\u00e3o do conhecimento que se faz nas universidades. Nos \u00faltimos quatro anos, o Carne Digital desenvolveu o Arquivo Eva Schul, reconhecido com o Pr\u00eamio A\u00e7orianos de Dan\u00e7a na categoria Mem\u00f3ria, e a participa\u00e7\u00e3o na Resid\u00eancia Art\u00edstica de Dan\u00e7a no Metaverso&nbsp;<em>Goldsmiths Mocap Streame<\/em>, da University of London\/Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO Afro-Sul \u00e9 composto por artistas negros, que vem lutando por visibilidade. Iara Deodoro teve sempre um olhar cr\u00edtico para as desigualdades e fez de sua carreira uma luta pelo reconhecimento e resist\u00eancia da cultura negra, marginalizada no Brasil. Nada mais justo do que documentar e favorecer a presen\u00e7a desses artistas em ambiente digital. O impacto art\u00edstico da proposta reside justamente na possibilidade de documentar e difundir os fundamentos de uma po\u00e9tica negra de modo inovador, buscando procedimentos de cria\u00e7\u00e3o de artefatos de mem\u00f3ria que sejam est\u00e9tica e eticamente coerentes com as pr\u00e1ticas de dan\u00e7a desenvolvidas por ela e o Afro-Sul\u201d, destaca a idealizadora do projeto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto in\u00e9dito na Am\u00e9rica Latina, coordenado pela bailarina M\u00f4nica Dantas, celebra a trajet\u00f3ria de uma das maiores refer\u00eancias de dan\u00e7a afro do sul do Brasil e fundadora do Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomod\u00ea, que morreu em setembro, aos 68 anos. 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