A análise operacional de termos psicológicos

Autor: B. F. Skinner
Título: A análise operacional de termos psicológicos
Fonte: Skinner, B. F. (1961). Cumulative Record. Appleton: New York pp. 272-286. Publicação original Psychological Review (1945), 52, 270-277.
Tradução: Hélio José Guilhardi e Patricia Piason Queiroz
Disponível em: http://www.terapiaporcontingencias.com.br/pdf/skinner/analise_operacional.pdf

“O operacionismo é mais que uma ênfase renovada e refinada do método experimental (como já foi. entendido por Galileo, se não até mesmo por Archimedes), isto é, . uma formulação do empirismo e pragmatismo científico moderno (especialmente da variedade de Peirce- Dewey), principalmente de critérios de significado fatual e de validade empírica?” Uma resposta a esta questão definirá a posição a ser adotada no que se segue. Operacionismo não é considerado como uma nova teoria ou modo de definição. A literatura tem enfatizado certos exemplos críticos ou até agora negligenciados, mas nenhum novo tipo de operação foi descoberto e nenhum deveria ser selecionado. Não há nenhuma razão para restringir a análise operacional a constructos de ordem superior; o princípio se aplica a todas as definições. Isso significa que devemos desenvolver uma definição operacional para cada termo, a menos que se queira adotar o uso vago da linguagem vernacular.

Operacionismo pode ser definido como a prática de falar sobre (1) observações de alguém, (2) os procedimentos de manipulação e de cálculos envolvidos em fazê-las, (3) os passos lógicos e matemáticos que se interpõem entre a primeira afirmação e a segunda e (4) nada mais. Até aqui, a maior contribuição vem da quarta afirmação e, como esta, é negativa. Aprendemos como evitar referências problemáticas, mostrando que são artefatos que podem vir de várias fontes como história, filosofia, lingüística e assim. por diante. Nenhum avanço positivo muito importante ocorreu em conexão com as primeiras três afirmações porque o operacionismo não tem nenhuma boa definição de uma definição, nem operacional, nem de outro tipo. O operacionismo não desenvolveu uma formulação satisfatória do comportamento verbal efetivo do cientista.

O operacionista, como a maioria dos autores contemporâneos no campo da análise lingüística e da semântica, está no limite entre teorias de referência de “correspondência” lógica (logical “correspondence” theories of reference) e formulações empíricas de linguagem em uso. Ele não tem evoluído além da mistura de termos lógicos e populares, usualmente encontrados em discussões informais, ou mesmo nas supostamente técnicas, de método científico ou da teoria de conhecimento ( por exemplo, o recente texto de Bertrand Russell An inquiry into meanimg and truth). Definição é um termo chave, mas não é rigorosamente definido. A alegação original de Bridgman que o “conceito é sinônimo do conjunto correspondente de operações” não pode ser considerada literalmente, e não existe nenhuma afirmação semelhantemente explícita e satisfatória da relação (entre conceito e operações – parêntesis dos tradutores). Ao contrário, umas poucas expressões indiretas ocorrem periodicamente com cansativa regularidade sempre que esta relação é mencionada. Somos ensinados que um conceito é para ser definido “em termos de” certas operações, que proposições devem “basear-se em” operações, que um termo só significa algo quando existem “critérios concretos para sua aplicabilidade”, que operacionismo consiste em “referir qualquer conceito para a sua definição às… operações concretas …,” e assim por diante. Podemos aceitar expressões desse tipo ao esboçar um programa, mas elas não proporcionam um esquema geral de definição, muito menos uma afirmação explícita da relação entre conceito e operação.

A fragilidade das teorias de linguagem em vigor pode ser creditada ao fato que uma concepção objetiva de comportamento humano é ainda incompleta. A doutrina pela qual as palavras são usadas para expressar ou comunicar significados meramente substitui “idéia” por “significado” (na esperança que significados possam, então, de alguma maneira ser adquiridos fora da pele) e é incompatível com concepções psicológicas modernas sobre o organismo. Tentativas para originar uma função simbólica a partir do princípio do condicionamento (ou associação) têm sido caracterizados por uma análise muito superficial. Simplesmente não é verdade que um organismo reage a um sinal “como faria ao objeto qual o sinal substitui”. Apenas em uma área muito limitada (principalmente no caso de respostas autonômicas) é possível considerar o sinal como um simples estímulo substituto no sentido pavloviano. A lógica moderna, como uma formalização de linguagens “reais”, mantém e estende esta teoria dualista de significado e apenas raramente pode ser utilizada pelo psicólogo, que reconhece sua própria responsabilidade para dar uma explicação do comportamento verbal.

Não é minha intenção tentar uma formulação mais adequada aqui. A revisão fundamental é muito extensa para ser feita apressadamente. Eu gostaria, entretanto, de tentar dar uma contribuição pequena, mas positiva, para este simpósio, considerando alguns pontos que surgem em conexão com a definição operacional de termos psicológicos. Muito do material que se segue é adaptado de um trabalho muito mais abrangente, ora em preparação, no qual a base fundamental necessária tem sido mais cuidadosamente preparada.

A atitude operacional, apesar de suas limitações, é uma coisa boa em qualquer ciência, mas especialmente na psicologia por esta estar impregnada de um vocabulário vasto de origem antiga e não científica. Não é surpreendente que o movimento empírico amplo na filosofia da ciência, que foi a base do operacionismo, conforme o mostrou Stevens, acabasse tendo uma representação vigorosa e precoce no campo da psicologia, que foi, o behaviorismo. Apesar das diferenças que Stevens afirma que encontrou, o behaviorismo tem sido (pelo menos para a maioria de behavioristas) nada mais que uma análise operacional cuidadosa de conceitos mentalistas tradicionais. Nós podemos discordar de algumas das respostas (como a disposição de imagens de Watson), mas as questões propostas pelo behaviorismo eram de espírito rigorosamente operacional. Eu também não posso concordar com Stevens que,o behaviorismo Americano foi “primitivo”. Os primeiros trabalhos sobre o problema de consciência de Watson, Weiss, Tolman, Hunter, Lashley, e muitos outros, não eram apenas exemplos altamente sofisticados de investigação operacional, eles mostravam uma disposição para lidar com uma amplitude mais abrangente do fenômeno do que o fazem tratamentos modernos atuais, especialmente aqueles oferecidos por lógicos (por exemplo. Carnap), interessados em um vocabulário científico unificado. Mas o behaviorismo, também, deixou de dar uma contribuição positiva decisiva, e pela mesma razão: nunca completou uma formulação aceitável do “relato verbal”. A concepção de comportamento que ele desenvolveu não pode abranger convincentemente o “uso de termos subjetivos”.

(…)


O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.


Um comentário em “A análise operacional de termos psicológicos”

  1. A psicologia comportamental teve grande avanço desde que me formei em psicologia há 20 anos. Parabens pelo texto.

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