Máquina de ensinar de Skinner – 3

Fragmento de: Skinner, B. F. Tecnologia do Ensino. São Paulo: Herder e Edusp, 1972.
Tradução: Rodolpho Azzi

Capítulo III – Máquinas de Ensinar. Este capítulo foi publicado em Science, 24 de outubro de 1958, vol 128, pp 969-977.

Página 28

[…]

Um outro tipo de equipamento encorajará a participação ativa do estudante no processo educacional. Esta possibilidade foi reconhecida por volta de 1920, quando Sidney L. Pressey desenhou várias máquinas destinadas a testar automaticamente a inteligência e a informação. Um modelo recente de uma delas aparece na Figura 3. Usando o aparelho, o estudante se depara com itens numerados em testes de escolha múltipla. Aperta o botão correspondente a sua primeira escolha da resposta. Se estiver certo, o aparelho anda até o item seguinte; se estiver errado, o erro é registrado e o aluno deve continuar a escolher respostas até acertar¹.

Figura 3
Figura 3. Modelo recente do “aparelho de Pressey, que aplica testes, avalia e ensina”. O número que aparece na janela marcada “item” indica a questão de um teste de múltipla escolha. O estudante aperta o botão correspondente à sua escolha da resposta. Quando aperta o botão da resposta certa, o aparelho muda para o item seguinte. Os erros são somados.

Estas máquinas, como Pressey indicava, podiam não apenas testar e avaliar, podiam também ensinar. Quando um exame é corrigido e devolvido depois de uma demora de horas ou dias, o comportamento do aluno não se modifica apreciavelmente. O resultado imediato fornecido pelo aparelho de auto-avaliação, entretanto, pode ter um importante efeito educativo. Pressey indicou também que estas máquinas podiam melhorar a eficiência de um outro modo. Mesmo numa classe pequena, o professor geralmente sabe que está indo muito devagar para alguns alunos e muito depressa para outros. Aqueles que poderiam ir mais depressa sofrem, e aqueles que deveriam ir mais devagar são mal ensinados e desnecessariamente castigados pelas críticas e insucessos. A instrução com máquinas permite que cada aluno progrida no seu próprio ritmo.

A “revolução industrial na educação“, com que Pressey teimosamente sonhava, custou a vir. Em 1932, Pressey assim expressava o seu desapontamento:

“Os problemas de invenção são relativamente simples. Com pouco dinheiro e poucos recursos de engenharia, muito pode ser feito. Mas, depois de amarga experiência, o autor descobriu que uma única pessoa consegue relativamente pouco e penosamente abandonou a continuação do trabalho com estes problemas. Mas espera que o que já foi feito tenha sido bastante para estimular outros batalhadores e que este campo fascinante possa ser cultivado”. (PRESSEY, S. L. A third and fourth contribuition toward the comming ‘industrial revolution’ in education. Sch. Soc., 1932, 36, 934.)

——————————-
NOTA: 1) O “auto-avaliador” da Marinha é uma versão aumentada da máquina de Pressey. Os itens estão impressos em cartões de plástico, perfurados em código, com os quais a máquina é alimentada. O tempo necessário para as respostas é levado em consideração na avaliação dos resultados.

Importante: os grifos são nossos.

Esta página faz parte de uma série sobre “máquinas de ensinar”. Navegue nas outras páginas:

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 |


O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.


Um comentário em “Máquina de ensinar de Skinner – 3”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.