Máquina de ensinar de Skinner – 6

Fragmento de: Skinner, B. F. Tecnologia do Ensino. São Paulo: Herder e Edusp, 1972.
Tradução: Rodolpho Azzi

Capítulo III – Máquinas de Ensinar. Este capítulo foi publicado em Science, 24 de outubro de 1958, vol 128, pp 969-977.

Página 52

As vantagens esperadas da instrução com a máquina foram generosamente confirmadas. Possibilidades inesperadas foram reveladas. Embora seja menos conveniente ter de ir a uma sala de auto-instrução do que pegar o livro em casa, a maioria dos alunos achou que tinha muito a ganhar com o estudo na máquina. A maioria trabalhava uma hora ou mais de cada vez sem muito esforço, embora, às vezes, sentisse cansaço depois. Os alunos afirmaram que aprenderam mais e com menos esforço do que através do modo tradicional. Nenhuma tentativa foi feita de indicar a relevância do material para questões cruciais, pessoais ou não, mas os alunos permaneceram sempre interessados. Uma vantagem importante ficou demonstrada, a de que os alunos sempre sabiam onde estavam, sem ter de esperar pelas sabatinas ou exames.

Figura 6
Figura 6. Parte da sala de auto-instrução em Sever Hall, na Universidade de Harvard.

ALGUMAS PERGUNTAS

Sempre que se discute sobre máquinas de ensinar, várias perguntas são feitas. Será que os resultados das pesquisas de laboratório sobre aprendizagem não podem ser usadas na educação sem máquinas? Claro que podem. Devem levar a melhorias nos livros de texto, filmes e outros materiais didáticos. Além disso, o professor que realmente entende as condições, sob as quais a aprendizagem ocorre, será mais eficaz, não só no ensino da matéria como na classe. Não obstante, algum tipo de artefato é necessário para arranjar as contingências sutis de reforço, requeridas para uma aprendizagem ótima, se cada aluno merecer atenção individual. Isto, em geral, é obvio quando se trata de habilidades não-verbais; os textos e o instrutor podem guiar o aprendiz, mas não podem arranjar as contingências finais que estabelecem o comportamento habilidoso. É verdade que as habilidades verbais que foram aqui discutidas dependem especialmente de reforço social, mas não se deve esquecer que a máquina simplesmente serve de mediadora de uma relação essencialmente verbal. Ao modelar e manter conhecimento verbal, não estamos obrigados a arranjar contingências através de contato imediato.

As máquinas podem parecer desnecessariamente complicadas em comparação com outros mediadores, como livros de exercícios ou formulários de autocorreção tipo teste. Infelizmente, estas alternativas não são aceitáveis. Quando o material foi adequadamente programado, quadros adjacentes são quase sempre tão semelhantes que um quadro revela a resposta do outro. Só a apresentação mecânica, qualquer que seja a sua forma, fará com que os quadros sucessivos sejam independentes uns dos outros.

Esta página faz parte de uma série sobre “máquinas de ensinar”. Navegue nas outras páginas:

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 |


O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.