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GNU/Linux nas Escolas, uma Alternativa para a Sociedade

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Resumo


Já que a difusão da Informática e da Internet torna a Informática uma aposta maior para a sociedade, é extremamente importante que a informática seja principalmente um instrumento de desenvolvimento pessoal e de conhecimento, disponível a todos, e não somente um assunto comercial.

O software livre permite justamente que os computadores funcionem, tornando-os mais facilmente acessíveis e compartilhado por todos. Sua escolha torna-se uma prioridade para todas pessoas que trabalham dentro do setor educativo, que seja pela aprendizagem da informática ou pela utilização cotidiana dos computadores.

Agosto 2001

A informatização é uma opção por uma melhor educação. Os administradores públicos são confrontados com parques informáticos que se desatualizam mensalmente. Não há
nenhuma certeza sobre a maneira de transformar essas calculadoras ultramodernas em instrumentos de aprendizagem. Sobretudo, a utilização difusa da internet
constitui uma revolução comparável à invenção da gráfica.
Com efeito, esses novos instrumentos recolocam em questão todas as noções da memória, da escrita e da aprendizagem.
Motivo pelo qual é importante agir de maneira que o desenvolvimento da informática corresponda a valores de progresso, de preferência ao desenvolvimento uniforme de
um mercado. É crucial que nós, cidadãos do mundo inteiro, tenhamos um controle maior sobre este processo.

No entanto, hoje, a informática dentro das escolas é baseada quase exclusivamente numa lógica comercial. Os fabricantes de equipamentos e as empresas de software controlam juntas as ofertas de aplicações sem um debate fundamental da sociedade e nenhum questionamento tem sido realizado a esse respeito.

A partir da constatação da importância crescente da informática dentro de nossas vidas, propomos neste artigo privilegiar o uso do GNU/ Linux. Para que isto aconteça, nós identificaremos em primeiro lugar a importância da informatização das escolas (1). Em segundo lugar, trataremos rapidamente da informática dentro das escolas nos diversos países ocidentais (2). Enfim, veremos como GNU/Linux corresponde a padrões educacionais exigentes, do
mesmo tempo em que se adapta à situação atual dos sistemas educacionais (3).


As apostas da informática dentro das escolas

Enquanto que há vinte anos o computador é desenvolvido, sobretudo dentro do mundo das empresas, sua difusão massiva e sua utilização no meio da internet fazem dele um
instrumento de poder e de importância mundial. Em primeiro lugar, desde a Internet, o computador passou do papel de instrumento ao de conexão, de comunicação. Em
breve, os microprocessadores serão onipresentes, do refrigerador conectado à internet, ao relógio por posicionamento por satélite- GPS: não nos aperceberemos mais de sua presença. Pode- se facilmente antecipar uma dependência comparável à daquela que nos liga à eletricidade ou ao telefone.

Dentro de uma perspectiva educacional, entende-se a importância desta aposta. É preciso primeiramente proporcionar a nossas crianças do primário e do secundário à apropriação de instrumentos informáticos. É crucial que cada um deles esteja mais do que familiarizado com as
novas tecnologias, para assegurar que não se sentirão jamais dominados diante das ?caixas pretas.? É fundamental, desde a mais tenra idade possível, que as crianças possam torcer, modificar, estimular, exigir ao máximo do computador, utiliza-lo ao máximo de suas
possibilidades. Com as mãos sobre o teclado, eles devem se sentir tão confortáveis que os pés na areia. É a única maneira pelos jovens alunos de desenvolverem uma cultura numérica e tomarem o controle do fenômeno informática.

A internet favorece igualmente o aprendizado da língua escrita. Se os alunos do ensino primário têm um acesso simples e sem complicações ao e-mail, pode-se facilmente imaginar numerosos projetos de correspondência escrita entre as escolas, e porque não entre os países.

Tomemos um exemplo bem concreto. O pequeno Jerônimo tem 7 anos. Ele freqüenta a escola XYZ de Laval no Québec. Cada Segunda pela manhã, ele tem pressa de chegar à escola já
que a sua avó, artista amadora, lhe envia seu desenho da semana. Julia, sua pequena irmã de 8 meses, começa a caminhar, e ele vai contar à sua avó no seu próximo e-mail.

Este tipo de exercício, tão simples é bem pouco evoluído em matéria de pedagogia, mas permite finalmente reencontrar os objetivos educativos que nós havíamos citado. Jerônimo não se sente nem um pouquinho intimidado pelo computador de sua classe. Ele pratica muita a redação
em suas correspondências. Provavelmente este ano, enviará por e-mail sua lista de presentes do natal a sua madrinha. Pode-se facilmente acreditar que ele terá feito sua lista a partir de um site web de brinquedos para crianças. Eis, como Jerônimo desenvolve sua cultura numérica.

As grandes corporações têm evidentemente um propósito bem diferente. Para eles, a informática dentro das escolas, em primeiro lugar e antes de tudo, tem por objetivo o desenvolvimento de hábitos de consumo em uma nova clientela. Pode-se facilmente acreditar que se Jerônimo
escreve por exemplo com Microsoft Word desde a idade de 6 anos, aos 20 anos, ele utilizará provavelmente o mesmo Software. As grandes empresas começam, pois uma batalha grande por penetrar dentro das redes de educação pública.

Não se deve esquecer também que, justamente onde se fala de decisões governamentais ou públicas, fala-se de muito dinheiro. Ora, os princípios da informática utilizados devem buscar os equipamentos (hardware) e programas (software) mais eficazes e mais baratos. O caso presente é verdadeiro?

A tomada de decisão em matéria de informática escolar Em numerosos países, a competência da educação é dividida entre o governo central e as regiões, ou províncias. Para a informática escolar, o ministério da educação faz recomendações e, às vezes, fornece recursos. Contudo, as
escolhas tecnológicas e a responsabilidade são atributos das administrações escolares locais e de direções das escolas.

Esta administração, ao mesmo tempo em que centraliza, descentraliza, parecendo uma faca de dois gumes. Pode-se, por exemplo, persuadir um diretor de escola dos interesses de tal ou tal projeto, sem que ele tenha os recursos financeiros necessários para levar tal projeto ao fim. Da
mesma maneira, o governante pode encorajar ou apoiar uma iniciativa sem que a base de conferencistas, dos professores e técnicos, enfim, possam acompanhar. A fim de reunir as forças estruturais (administração e políticas) e os participantes de primeira linha, é necessário pois
trabalhar em várias frentes em paralelo.

Estas decisões vão em geral de encontro aos interesses econômicos das empresas dominantes do mercado de informática: o investimento da informática torna-se dependente das novidades, não levando em conta as necessidades. Este quase monopólio reinante acaba por diminuir o desenvolvimento da informática. Sem atrapalhar o funcionamento ideal da economia, onstatamos que as multinacionais procuram dar mais valor de mercado aos produtos que eles divulgam e isso acaba passando por uma distorção de informações sobre as possibilidades técnicas existentes, indo de encontro aos interesses dos usuários.

Enfim, é preciso ressaltar as reestruturações dos sistemas de educação que têm lugar dentro de um número cada vez maior nos grandes países, seqüência da política de déficit zero que vem a ser a norma orçamentária mundial. Estas reformas fizeram enorme pressão sobre as comissões escolares e as direções de escola.

Políticas versus prática

Dentro das escolas, buscamos falar de informática, mas ouve-se quase exclusivamente falar de dinheiro. Assim, o plano Marois no Canadá prevê 320 milhões para equipar e conectar as escolas à internet em um ritmo satisfatório. Encontramos laboratórios em quase todas as escolas. Na
Itália, uma campanha ?um computador para cada aluno?, que permite em 2001 aos alunos do secundário de adquirir um computador novo a um preço baixo, perdeu a oportunidade de
difundir um sistema livre. É pena, pois mesmo que grandes empresas como a Microsoft, que equipam a grande maioria das escolas, proponham preços reduzidos nas melhores escolas, exigirão gastos de milhões somente em licenças, em geral sem o suporte técnico correspondente...

Além disso, as somas foram principalmente investidas em equipamento, rede e ligação em rede nas escolas. Em contrapartida, estes fundos foram relativamente reduzidos na escala local de uma escola. Encontramos muitos diretores de informática que deviam fazer funcionar seu CPD com um orçamento insuficiente. Com uma duração de vida de aproximadamente três anos para o material, é preciso então, encontrar uma solução na informática que permita beneficiar ao máximo o dinheiro investido. Este tipo de orçamento é freqüentemente apresentado sob a forma de um pacote cuja continuidade dificilmente é controlada. Este é o ponto sensível das escolas: elas precisam dramaticamente de recursos para manter CPD. Em várias escolas, o técnico encarregado da rede só se apresenta um dia por mês para fazer a manutenção de uma centena de computadores. É freqüente então, que um laboratório ou um terminal, fiquem estragados durante
algumas semanas. Podemos então censurar os interventores de serem reticentes diante de ovos projetos, quando eles têm enormes dificuldades para fazer funcionar com eficácia os equipamentos já instalados? Enfim, é igualmente muito importante compreender que para uma direção de escola, a informática é mais um fator de preocupação entre muitos outros. Podemos, na verdade, censurá-los por assegurar que os alunos tenham livros suficientes ou que sejam adequadamente alimentados, antes de preocuparem-se com Windows e Mac.? Não. É preciso
tentar abordar o problema de uma maneira realista e muito específica, a fim de lhes simplificar a vida, de ajudá-los e de sobretudo assegurar o sucesso de toda a iniciativa de informatização, tendo sempre em vista que o computador deve apoiar a caminhada pedagógica. A chave é democratizar o acesso.

A virada GNU/Linux: uma escolha social lógica

GNU/Linux, pela natureza do software livre, pertence a todo mundo, pois pelos princípios que stão na sua origem (conforme sua licença GNU General Public Licence, <http:/www.gnu.org>), não importa quem possa dele se apropriar, quem o modifique, quem o venda, desde que respeite os direitos daquele que o recebe, quer dizer, seu direito ao código fonte. Jamais alguém poderá limitar a utilização de GNU/Linux, introduzir um padrão ou uma estratégia incompatível. Os usuários podem agir a qualquer momento. Por exemplo, numa escola ligada em rede recentemente, encontramos incompatibilidades na atribuição de endereços IP dinâmicos. Sem esperar, modificamos o código fonte do servidor de endereços IP, para que ele não atribua IPs somente em certos pontos de rede, eliminando assim, conflitos com outros servidores. Este tipo de capacidade de ação técnica é o quotidiano no desenvolvimento e na administração de um servidor GNU/Linux. Subitamente os defeitos se ajustam e ninguém se depara com um problema cuja solução é conhecida, mas que não será resolvida antes da publicação, por exemplo, do
Serviço Pack 344 de Microsoft. É preciso então, ver cada euro ou cada dólar investido no desenvolvimento de aplicações ao código fonte livre como um investimento para o bem comum mundial. Neste sentido, as iniciativas dos governos francês e mexicano, ou de outros, confirmam esta tendência. Daqui em diante, veremos as incomparáveis bases de código e de aplicações disponíveis gratuitamente. Todos os países poderão, além disso, contribuir para seu rescimento, sem que ninguém se sinta limitado em sua expansão e sua liberdade de utilizador. GNU/Linux, eliminando o custo das licenças e permitindo a reciclagem de velhos CPDs, é a solução ao problema de financiamento do programa de informática escolar. Fala-se de muito, muito dinheiro economizado. Uma rede de 20 computadores 486 abastecidos por um servidor GNU/Linux
PIII 350 com 128 Mb RAM custa menos de 15000 euros. A mesma rede em Mac ou PC chega aos 75000 euros. Multiplique estas somas por, aproximadamente, 6 milhões de escolas
através do mundo e nós podemos dizer que socialmente, a escolha é clara. Eticamente, GNU/Linux é a única solução compatível com a injeção de dinheiro público. O dinheiro investido pelo poder público serve desta maneira para financiar bens que estão disponíveis para a coletividade em geral, sem que seja preciso pagar de novo por estes produtos. Pense ainda nas inumeráveis iniciativas como o desenvolvimento de aplicações educativas sob licença GPL,
que poderão ser instaladas nas universidades, nos centros de educação especializados e nos projetos com financiamento público, mais uma vez em escala mundial..

As possibilidades concretas de GNU/Linux

Nós já podemos identificar os serviços disponíveis amanhã de manhã. Nós preconizamos uma visão por etapas para a implantação de uma nova plataforma numa rede onde os recursos de pessoal são limitados. A primeira etapa é o acréscimo em grande escala de serviços Internet sob
GNU/Linux, os quais ainda não existem. Uma vez vencida esta etapa, a rede escolar terá uma massa crítica suficiente para incitar a indústria a direcionar suas aplicações para a plataforma GNU/Linux. No presente momento, o número de escolas ligadas em rede com GNU/Linux começa a justificar este passo por parte da indústria.

Alguns serviços que GNU/Linux permite atualmente:
:: Interne t em todas as classes,
:: um e-mail por aluno,
:: um site Web por escola,
:: programas administrativos (Star Office/Open Office e Word Perfect Office), completamente compatíveis com Microsoft Office,
:: a divisão de arquivos e impressoras com GNU/Linux, Mac e PC ,
:: um editor de imagens muito potente,
:: um conjunto de jogos e de outras aplicações e a multimídia.

Do ponto de vista técnico, graças a uma arquitetura concebida para ser administrada a distância, NU/Linux oferece igualmente numerosas possibilidades para otimizar trabalho de técnicos. Em 90% dos casos, os problemas podem ser regulados sem que um técnico precise deslocar-se fisicamente. GNU/Linux, através de um utilitário denominado VNC (semelhante a um PC anywhere, mas livre), permite melhorar a gestão à distância ,de terminais Windows.

É igualmente muito importante dar-se conta da operação em rede. Numerosas instituições escolares viveram a duras penas, problemas decorrentes. GNU/Linux oferece uma
capacidade de compatibilidade inigualável. Ele permite dividir arquivos numa rede Windows ou Mac sem que os usuários percebam. Além disso a tendência do desenvolvimento de aplicações, direcionou-se, para Internet, independente da plataforma utilizada.

Numerosas instituições serão reticentes à idéia de inserir 486 em sua rede. GNU/Linux oferece a capacidade de formar um CPD com numerosas plataformas físicas sem causar problemas. Poderíamos facilmente entrever a idéia de implantar 486 e Pentium convivendo na mesma rede. É importante compreender que nas nossas instalações, todo o trabalho se efetua ao nível do servidor. O terminal é de fato uma tela e um teclado. Muito poucos processos são executados no terminal, então a diferença de performance entre um 486 e um PIII é negligente para uma riança ou um adolescente.

Conclusão

Graças ao GNU/Linux, os problemas cruciais de um meio educativo são abordados sob um novo ângulo, permitindo uma economia de escala considerável e um investimento durável dentro da infra-estrutura e software utilizados. Temos igualmente a oportunidade de liberar a estrutura pública de um modelo de produtos de alto custo no momento em que ela possui uma grande necessidade de serviços. GNU/Linux constitui a única solução durável para assegurar que amanhã, a informática seja um bem comum à humanidade. Com GNU/Linux, nós podemos daqui em diante, entrever a escola de amanhã, ligada em rede , maximizando cada investimento, melhorando a maneira pela qual o trabalho é concebido e desenvolvido para as equipes, mas sobretudo, participando no projeto mundial do software livre.