inteiramente compartilhada que daria a obrigação de fazer da esposa sua companheira e assim deve-se respeito.

            Os prazeres uniriam os esposos, mas estes com certa austeridade. Plutarco diz que a esposa não deve ser como as outras, mas escondida pela noite e sem que se possa ver o seu corpo, ela deve fazer brilhar o que há de virtuoso nela.

            A esposa não deve tomar a iniciativa (coisa de adúltera), mas também não deve se mostrar aborrecida quando o marido a toma.

            Plutarco dá importância aos perigos para o casamento das primeiras relações sexuais do casal, pois a esposa pode ter más experiências (quanto a isso ele aconselha as mulheres a não se preocupar, pois os benefícios podem vir depois), mas também se se tem um prazer exagerado, pois este pode expor a afeição ao desaparecimento quando esse prazer acaba. O amor não deve sua vitalidade a isso e sim ao caráter dos esposos.

            Três traços fundamentais do casamento: monopolístico (fidelidade), conjunções sexuais sem economia do prazer e a finalidade da procriação.

            Em Platão, inserir todo o prazer no casamento encontra justificativa na necessidade de trazer filhos para a cidade e educá-los. Para o cristianismo a relação sexual no casamento dá uma legitimidade às marcas do pecado, mas deve-se perguntar se ela o inocenta inteiramente. Para Musonius, Sêneca, Plutarco ou Hierocles o vínculo entre o casamento e os aphrodisia ligam-se pela natureza, razão e essência.

            A obrigação de manter os prazeres no quadro do casamento é para Platão, Isócrates e Aristóteles uma forma de domínio de si mesmo e como cidadão, para a Pastoral Cristã um dever para a sua salvação e para os estóicos uma maneira de honrar-se a si mesmo.

 

 

Os Rapazes

 

            Na atualidade a reflexão sobre o amor pelos rapazes perdeu em intensidade e seriedade. Isso não quer dizer que essa prática desapareceu ou ficou desqualificada, o que mudou foi o modo pelo qual se interroga sobre ele.

            Alguns dizem respeito da cultura romana, que protegia mais os adolescentes e a maneira de educação que não permitia a relação com os adolescentes. O amor masculino se praticava com os jovens escravos.

            A educação deveria velar para que em idades tenras os jovens ainda encontrem na pureza do mestre uma proteção contra toda ofensa, e que o mestre adote para com seus alunos os sentimentos de um pai e se torne representante daqueles que confiam-lhe seus próprios filhos.

            A valorização do casamento e do vínculo afetivo entre esposos fez com que essa relação de amor entre homens cessasse de constituir o cerne de uma discussão teórica e moral intensa.

            Na antigüidade clássica é em torno da questão do prazer que se desenvolve a reflexão sobre a pederastia, e é em torno dessa mesma questão que ela entrará em regressão. É o casamento que vai constituir o foco mais ativo para a definição de uma estilística da vida moral.

 

Plutarco

 

            O Diálogo sobre o amor de Plutarco se abre e conclui sobre o signo do casamento. O tema do diálogo é a força do amor e do vínculo conjugal em suas mútuas relações.

            Existem duas vias a se percorrer: a do amor pelos rapazes ou a do amor pelas mulheres, a escolha entre os rapazes ou o casamento.

            Nele se demonstra a situação em que a mulher que persegue o rapaz é mais velha, mais rica, tem um status social mais importante, o que deixa o rapaz em uma situação incômoda, já que a preeminência do marido era estatutária nas relações matrimoniais. Ela também é muito virtuosa e moral, mas o rapta. Todas essas características são iguais a de um amor pederástico, então a escolha não seria pela maneira de amor, e sim pela forma do amor (homem ou mulher).

            O objetivo do diálogo é “formar uma concepção de amor único; e esta não rejeitará os valores próprios ao amor pederástico, ao contrário, ela os incluirá numa forma mais ampla, mais completa e tal que, finalmente, só a relação com mulheres e, mais precisamente, com a esposa, poderá instaurá-la.”

            Há o esforço de se constituir uma Erótica unitária crítica ao dualismo que é defendido pelos partidários do amor pelos rapazes, que dizem que este é natural, pois as mulheres seriam artificiais com seus perfumes e enfeites e porque a natureza nos leva a ter um apetite pelo sexo oposto como o de um animal por comida e assim o limitaria a uma necessidade e não a um amor verdadeiro que desdenha as necessidades e visa bem mais alto. O papel do prazer também é levado em conta, pois segundo eles a atração pelas mulheres não pode se desligar dele e já o dos rapazes só é verdadeiro se dele se afastar. A relação pelas mulheres é marcada pelo natural para conservar a espécie como a todos os animais e porque o prazer/apetite leva a violência e a ser sem freios e se transformam assim em desejos, ultrapassando assim os limites racionais e prende a alma as volúpias físicas. O amor pelos rapazes estaria ligado a uma amizade e uma virtude.

            Já os partidários do amor das mulheres denunciam que o amador de rapazes gosta de dar um ar de filósofo e sábio, mas só espera uma oportunidade para gozar dos corpos desejados, ou os prazeres são incompatíveis com a amizade e o amor (nesse caso esse decaem da dignidade do amor) ou se aceita que as volúpias físicas ocorram na amizade e no amor e então não há razão de excluir destes a relação com as mulheres e esse amor (mulher ou rapazes) seria uma coisa só.

            O diálogo elogia o amor que é divino, e este inclui todos os fatores que os amantes de rapazes reivindicam como caráter próprio para o amor pelas mulheres e, principalmente, ao próprio vínculo conjugal. A beleza, a naturalidade, a amizade com a sua própria mulher.

            O amor entre os rapazes seria imperfeito comparado com o dos esposos, pois o amor tem que dar prazer também, e não seria o que aconteceria ao amor dos rapazes que ou seria violento ou consentido diminuiria o “passivo”. No amor entre os esposos a mulher consente (há charis), o prazer e a amizade são recíprocos, essa relação sexual é que trará o bom entendimento do casal.

            A dupla atividade de amar faz com quer um aceite o amor do outro, e é razão de fidelidade a medida que ama o outro. Esse amor se torna ativo para os dois.

            Ao amor dos rapazes falta isso: a graça do consentimento, do prazer que se integra na amizade, falta-lhe estabilidade ao casal, falta a dupla atividade de amar.

           

Luciano

 

            Esse diálogo demonstra mais uma vez a dúvida entre o amor pelos rapazes ou pela mulher, finalizando a favor do dos rapazes, um discurso mais pensado do que o das mulheres e envolve mais uma vez a questão dos prazeres.

            O discurso pelo amor pela mulher, se embasa na natureza da procriação que só o homem com a mulher pode fazer, uma relação entre o mesmo sexo seria contra a necessidade universal, transgride a natureza tratar um macho como mulher e vice-versa; para que isso fosse possível foi preciso agir com violência; nenhum animal trataria um sexo como outro.

            Já para o discurso a favor dos rapazes, a natureza da procriação é um fato que não foi contra a natureza, ao contrário, o homem passou a ter curiosidade e a descobrir as coisas, logo a pederastia veio junto com a filosofia. A pederastia transmitiria saberes pelo ensino e pelas relações com o mestre, a pederastia seria o amor pelas belas almas com virtudes.

            A questão dos prazeres é discutida pelos dois discursos, o do amor pela mulher diz que há hipocrisia no discurso dos rapazes que diz ter amor pela alma e não pelo corpo, mas então por que eles só procuravam rapazes e não velhos cheios de saberes? O amor pela mulher também seria recíproco já que a mulher também sente prazer e o acompanha na necessidade do ser humano de não estar só. Ele diz também que se o amor entre homens fosse aceitável seria também aceito o amor pelas mulheres.

            Já no discurso pelos rapazes há a valorização do amor virtuoso ao invés do amor recíproco e o amor natural e belo, já que a mulher seria artificial com seus enfeites, tintas, maquiagens, roupas e palavras; por causa dessa “falsidade” feminina até mesmo a reciprocidade poderia ser discutida, pois não se saberia se realmente há essa reciprocidade. O rapaz seria natural, e por sua afeição por ser amado daria amor em troca. Esse amor conseguiria unir virtude e prazer (não sexual).

            No fim o amor dos rapazes prevalece, pois este seria o único ligado à filosofia, à virtude e à eliminação do prazer físico, mas fica a dúvida sobre como pode existir um amor que consiste em olhar e que não daria lugar aos aphodisia?

 

Uma nova erótica

 

            Essa nova época faz surgir uma nova erótica baseada nas narrativas romanescas que centra a sua atenção na relação moça x rapaz apaixonados (e fiéis) simetricamente. A virgindade é posta como um escolha de vida que espera o amor.

            Cada um se reserva um para o outro até o momento em que o amor e a virgindade encontram sua realização no casamento.

            “Começa assim a desenvolver-se uma Erótica diferente daquela que teve seu ponto de partida no amor pelos rapazes, mesmo se, tanto numa como na outra, a abstenção dos prazeres sexuais desempenha um papel importante: ela se organiza em torno da relação simétrica e recíproca entre o homem e uma mulher, em torno do alto valor atribuído à virgindade e da união total em que vem a completar-se.”

            O adultério era juridicamente condenado e moralmente reprovado a título de justiça que  era feita por um homem àquele cuja mulher ele desencaminhava. O que o constitui era apenas o fato da mulher ser casada. Seria um dano aos direitos do marido e não um dano ao seu casamento, seria um rompimento nas relações entre os homens.

            Apesar desse conceito de adultério existiam reflexões sobre uma fidelidade conjugal simétrica aonde nem a mulher poderia ter um amante, nem o homem. A serviçal-escrava não seria aceita, como o era, como objeto sexual, mesmo que esta não fosse casada.

            Musonius acha que o homem, por legitimidade e natureza, tem mais direitos que a mulher, mas nas relações de prazeres não, justamente para afirmar a superioridade do homem, pois se a mulher é mais capaz de se dominar ela seria mais forte que o que a dirige.

            (Princípio formal de uma lei de dupla interdição)

            A renúncia aos prazeres extraconjugais diz respeito por parte do marido a afeto, ao mesmo tempo que a mulher deve não observá-las se acontecem.

            As relações entre os esposos devem ser “honestas”, com comedimento e respeito. O marido não deve ser “negligente nem rigoroso”, o bom marido deve demonstrar atenção e comedimento e a esposa pudor e delicadeza, demonstrando em partes iguais afeição e temor.

            A mulher deve esquecer as faltas do marido contra ela e atribuir isso à doença, inexperiência ou erros acidentais.

            Os “Preceitos conjugais” colocam um fidelidade recíproca, mas a mulher deve respeito ao marido, e este, procurando outros prazeres comete uma falta (talvez bem freqüente).

            Plutarco diz que o marido não deve ter relações com outras mulheres não só porque isso ameaça a posição da esposa, e sim porque isso a faz sofrer. Mas também aconselha as mulheres a terem tolerância , isso provaria sua afeição.

            O marido não deve tratar sua esposa como amante, pois iniciando a própria mulher em prazeres muito intensos, corre-se o risco de lhe dar lições de ela fará mau uso. Eles devem encontrar um meio termo entre austeridade excessiva e conduta próxima a dos devassos. Não pode-se ter relações com a mesma mulher como esposa e como amante. Comportar-se com sua mulher é tratá-la como adúltera.

            O princípio do casamento é a descendência, útil para a cidade, então buscar no casamento prioritariamente o prazer seria infringir a lei, infringir esse princípio.

            Deve-se tratar a mulher com moderação e respeito, falar-lhe com educação e de maneira legítima e honrosa. Isso por causa das finalidades do casamento:

·      A procriação: e por isso não se deveria ter relações sexuais nas regras (pois estas expulsariam o sêmen) nem na gravidez (não só porque se é estéril, mas porque pode prejudicar o embrião), mas não houve interrogações (como na pastoral cristã) sobre relações sexuais em casos de esterilidade reconhecida, menopausa e sobre as intenções que os parceiros têm.

·      Uma vida comum e inteiramente compartilhada que daria a obrigação de fazer da esposa sua companheira e assim deve-se respeito.

            Os prazeres uniriam os esposos, mas estes com certa austeridade. Plutarco diz que a esposa não deve ser como as outras, mas escondida pela noite e sem que se possa ver o seu corpo, ela deve fazer brilhar o que há de virtuoso nela.

            A esposa não deve tomar a iniciativa (coisa de adúltera), mas também não deve se mostrar aborrecida quando o marido a toma.

            Plutarco dá importância aos perigos para o casamento das primeiras relações sexuais do casal, pois a esposa pode ter más experiências (quanto a isso ele aconselha as mulheres a não se preocupar, pois os benefícios podem vir depois), mas também se se tem um prazer exagerado, pois este pode expor a afeição ao desaparecimento quando esse prazer acaba. O amor não deve sua vitalidade a isso e sim ao caráter dos esposos.

            Três traços fundamentais do casamento: monopolístico (fidelidade), conjunções sexuais sem economia do prazer e a finalidade da procriação.

            Em Platão, inserir todo o prazer no casamento encontra justificativa na necessidade de trazer filhos para a cidade e educá-los. Para o cristianismo a relação sexual no casamento dá uma legitimidade às marcas do pecado, mas deve-se perguntar se ela o inocenta inteiramente. Para Musonius, Sêneca, Plutarco ou Hierocles o vínculo entre o casamento e os aphrodisia ligam-se pela natureza, razão e essência.

            A obrigação de manter os prazeres no quadro do casamento é para Platão, Isócrates e Aristóteles uma forma de domínio de si mesmo e como cidadão, para a Pastoral Cristã um dever para a sua salvação e para os estóicos uma maneira de honrar-se a si mesmo.

 

 

Os Rapazes

 

            Na atualidade a reflexão sobre o amor pelos rapazes perdeu em intensidade e seriedade. Isso não quer dizer que essa prática desapareceu ou ficou desqualificada, o que mudou foi o modo pelo qual se interroga sobre ele.

            Alguns dizem respeito da cultura romana, que protegia mais os adolescentes e a maneira de educação que não permitia a relação com os adolescentes. O amor masculino se praticava com os jovens escravos.

            A educação deveria velar para que em idades tenras os jovens ainda encontrem na pureza do mestre uma proteção contra toda ofensa, e que o mestre adote para com seus alunos os sentimentos de um pai e se torne representante daqueles que confiam-lhe seus próprios filhos.

            A valorização do casamento e do vínculo afetivo entre esposos fez com que essa relação de amor entre homens cessasse de constituir o cerne de uma discussão teórica e moral intensa.

            Na antigüidade clássica é em torno da questão do prazer que se desenvolve a reflexão sobre a pederastia, e é em torno dessa mesma questão que ela entrará em regressão. É o casamento que vai constituir o foco mais ativo para a definição de uma estilística da vida moral.

 

Plutarco

 

            O Diálogo sobre o amor de Plutarco se abre e conclui sobre o signo do casamento. O tema do diálogo é a força do amor e do vínculo conjugal em suas mútuas relações.

            Existem duas vias a se percorrer: a do amor pelos rapazes ou a do amor pelas mulheres, a escolha entre os rapazes ou o casamento.

            Nele se demonstra a situação em que a mulher que persegue o rapaz é mais velha, mais rica, tem um status social mais importante, o que deixa o rapaz em uma situação incômoda, já que a preeminência do marido era estatutária nas relações matrimoniais. Ela também é muito virtuosa e moral, mas o rapta. Todas essas características são iguais a de um amor pederástico, então a escolha não seria pela maneira de amor, e sim pela forma do amor (homem ou mulher).

            O objetivo do diálogo é “formar uma concepção de amor único; e esta não rejeitará os valores próprios ao amor pederástico, ao contrário, ela os incluirá numa forma mais ampla, mais completa e tal que, finalmente, só a relação com mulheres e, mais precisamente, com a esposa, poderá instaurá-la.”

            Há o esforço de se constituir uma Erótica unitária crítica ao dualismo que é defendido pelos partidários do amor pelos rapazes, que dizem que este é natural, pois as mulheres seriam artificiais com seus perfumes e enfeites e porque a natureza nos leva a ter um apetite pelo sexo oposto como o de um animal por comida e assim o limitaria a uma necessidade e não a um amor verdadeiro que desdenha a necessidade e visa bem mais alto. O papel do prazer também é levado em conta, pois segundo eles a atração pelas mulheres não pode se desligar dele e já o dos rapazes só é verdadeiro se dele se afastar. A relação pelas mulheres é marcada pelo natural para conservar a espécie como a todos os animais e porque o prazer/apetite leva a violência e a ser sem freios e se transformam assim em desejos, ultrapassando assim os limites racionais e prende a alma as volúpias físicas. O amor pelos rapazes estaria ligado a uma amizade e uma virtude.

            Já os partidários do amor das mulheres denunciam que o amador de rapazes gosta de dar um ar de filósofo e sábio, mas só espera uma oportunidade para gozar dos corpos desejados, ou os prazeres são incompatíveis com a amizade e o amor (nesse caso esse decaem da dignidade do amor) ou se aceita que as volúpias físicas ocorram na amizade e no amor e então não há razão de excluir destes a relação com as mulheres e esse amor (mulher ou rapazes) seria uma coisa só.

            O diálogo elogia o amor que é divino, e este inclui todos os fatores que os amantes de rapazes reivindicam como caráter próprio para o amor pelas mulheres e, principalmente, ao próprio vínculo conjugal. A beleza, a naturalidade, a amizade com a sua própria mulher.

            O amor entre os rapazes seria imperfeito comparado com o dos esposos, pois o amor tem que dar prazer também, e não seria o que aconteceria ao amor dos rapazes que ou seria violento ou consentido diminuiria o “passivo”. No amor entre os esposos a mulher consente (há charis), o prazer e a amizade são recíprocos, essa relação sexual é que trará o bom entendimento do casal.

            A dupla atividade de amar faz com quer um aceite o amor do outro, e é razão de fidelidade a medida que ama o outro. Esse amor se torna ativo para os dois.

            Ao amor dos rapazes falta isso: a graça do consentimento, do prazer que se integra na amizade, falta-lhe estabilidade ao casal, falta a dupla atividade de amar.

           

Luciano

 

            Esse diálogo demonstra mais uma vez a dúvida entre o amor pelos rapazes ou pela mulher, finalizando a favor do dos rapazes, um discurso mais pensado do que o das mulheres e envolve mais uma vez a questão dos prazeres.

            O discurso pelo amor pela mulher, se embasa na natureza da procriação que só o homem com a mulher pode fazer, uma relação entre o mesmo sexo seria contra a necessidade universal, transgride a natureza tratar um macho como mulher e vice-versa; para que isso fosse possível foi preciso agir com violência; nenhum animal trataria um sexo como outro.

            Já para o discurso a favor dos rapazes, a natureza da procriação é um fato que não foi contra a natureza, ao contrário, o homem passou a ter curiosidade e a descobrir as coisas, logo a pederastia veio junto com a filosofia. A pederastia transmitiria saberes pelo ensino e pelas relações com o mestre, a pederastia seria o amor pelas belas almas com virtudes.

            A questão dos prazeres é discutida pelos dois discursos, o do amor pela mulher diz que há hipocrisia no discurso dos rapazes que diz ter amor pela alma e não pelo corpo, mas então por que eles só procuravam rapazes e não velhos cheios de saberes? O amor pela mulher também seria recíproco já que a mulher também sente prazer e o acompanha na necessidade do ser humano de não estar só. Ele diz também que se o amor entre homens fosse aceitável seria também aceito o amor pelas mulheres.

            Já no discurso pelos rapazes há a valorização do amor virtuoso ao invés do amor recíproco e o amor natural e belo, já que a mulher seria artificial com seus enfeites, tintas, maquiagens, roupas e palavras; por causa dessa “falsidade” feminina até mesmo a reciprocidade poderia ser discutida, pois não se saberia se realmente há essa reciprocidade. O rapaz seria natural, e por sua afeição por ser amado daria amor em troca. Esse amor conseguiria unir virtude e prazer (não sexual).

            No fim o amor dos rapazes prevalece, pois este seria o único ligado à filosofia, à virtude e à eliminação do prazer físico, mas fica a dúvida sobre como pode existir um amor que consiste em olhar e que não daria lugar aos aphrodisia?

 

Uma nova erótica

 

            Essa nova época faz surgir uma nova erótica baseada nas narrativas romanescas que centra a sua atenção na relação moça x rapaz apaixonados (e fiéis) simetricamente. A virgindade é posta como uma escolha de vida que espera o amor.

            Cada um se reserva um para o outro até o momento em que o amor e a virgindade encontram sua realização no casamento.

            “Começa assim a desenvolver-se uma Erótica diferente daquela que teve seu ponto de partida no amor pelos rapazes, mesmo se, tanto numa como na outra, a abstenção dos prazeres sexuais desempenha um papel importante: ela se organiza em torno da relação simétrica e recíproca entre o homem e uma mulher, em torno do alto valor atribuído à virgindade e da união total em que vem a completar-se.” Pg 131