OBRAS COMPLETAS DE SIGMUND FREUD. Tradução direta do alemão por Luis Lopez-Ballesteros. Madrid: Biblioteca Nueva, 1995.


PREFACIO PARA UN LIBRO DE AUGUST AICHHORN - 1925


De todas las aplicaciones que el psicoanálisis ha tenido, ninguna despertó tanto interés ni inspiró tantas esperanzas, y en consecuencia, atrajo tantos colaboradores capaces como la teoría y la práctica de la educación infantil. Es fácil comprenderlo, pues el niño se ha convertido en el principal objeto de la investigación psicoanalítica y ha reemplazado en tal sentido al neurótico, con el cual aquélla inició su labor. El análisis demostró que en el enfermo, como en el soñante y en el artista, sobrevive el niño apenas modificado; reveló también las energías y las tendencias instintivas que estampan al pequeño ser su sello característico; por fin, trazó las vías evolutivas que de aquél llevan a la madurez del adulto. Nada extraño tenía, pues, la esperanza de que la labor psicoanalítica en el niño fuese provechosa para la actividad pedagógica que lo guía, lo estimula y lo encauza en su camino a la madurez. Mi aporte personal a esta aplicación del psicoanálisis ha sido muy escaso. Desde un principio hice mío el dicho de las tres profesiones imposibles -educar, curar, gobernar-, y por otra parte, la segunda de ellas me tenía suficientemente embargado. Mas esto no me impide reconocer el alto valor social que puede reclamar la labor de mis amigos pedagogos.

Nota 636

El presente libro de A. Aichhorn concierne a una parte del magno problema: a la conducción pedagógica de los menores desamparados. Antes de trabar conocimiento con el psicoanálisis, el autor había actuado durante largos años en su cargo oficial de director de reformatorios municipales. Su actitud ante sus pupilos se alimentó en una cordial simpatía por el destino de esos desventurados y fue felizmente guiada por una comprensión intuitiva de sus necesidades psíquicas. El psicoanálisis poco pudo enseñarle en lo que a la práctica se refiere, pero le ofreció una clara visión teórica de los justificados que eran sus métodos, permitiéndole fundamentarlos ante los demás. No se puede pretender de todo educador semejante don de comprensión intuitiva. Las experiencias y los resultados de Aichhorn nos ofrecen, a mi juicio, dos advertencias. Ante todo, la de que el educador debe poseer formación psicoanalítica, pues de lo contrario el objeto de sus esfuerzos, el niño, seguirá siendo para él un enigma inaccesible. La mejor forma de alcanzar esta instrucción consiste en someterse a un análisis, experimentándolo en carne propia. La enseñanza teórica no penetra a suficiente profundidad ni nos facilita una convicción.

La segunda advertencia tiene un tono más bien conservador, pues nos dice que la labor pedagógica sería algo sui generis, que no podría ser confundido con la influenciación psicoanalítica ni sustituido por ella. El psicoanálisis del niño puede ser aplicado por la educación como un recurso auxiliar, pero no es apropiado para sustituirla, pues no sólo lo prohiben razones prácticas, sino que lo contraindican consideraciones teóricas. La relación entre la educación y el tratamiento psicoanalítico seguramente será sometida, en un futuro no lejano, a minuciosos estudios. En esta ocasión me limitaré a algunas insinuaciones. No debemos dejar que nos confunda la afirmación -justificada, por otra parte- de que el psicoanálisis del neurótico adulto equivaldría a su reeducación. Sucede, simplemente, que el niño -ni siquiera el descarriado o el desamparado- todavía no es un neurótico y que la reeducación es cosa muy distinta de la educación de un ser aún inmaduro. La posibilidad de que el análisis ejerza su influencia reposa sobre condiciones muy particulares que pueden condensarse en lo que denominamos «situación analítica»; exige el desarrollo de determinadas estructuras psíquicas y una actitud particular frente al analista. Cuando éstas faltan -como en el niño, en el menor desamparado y, por lo general, también en el criminal impulsivo- debe aplicarse algo distinto del análisis, por más que coincida con éste en cuanto a su objetivo. Los capítulos teóricos del presente libro suministrarán al lector una orientación elemental frente a tan dispares alternativas. Por fin, no dejaré de agregar una conclusión que ya no concierne a la pedagogía, pero sí es importante para la posición del educador. Una vez que éste haya aprendido el psicoanálisis por la experiencia en la propia persona, adquiriendo la capacidad de aplicarlo como coadyuvante de su labor en casos mixtos o limítrofes, no cabe duda de que debería permitírsele el ejercicio del análisis y no tratar de impedírselo por motivos mezquinos.


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REFÁCIO A JUVENTUDE DESORIENTADA, DE AICHHORN (1925)


NOTA DO EDITOR INGLÊS


PREFACE TO AICHHORN’S VERW AHRLOSTE JUGEND


(a) EDIÇÕES ALEMÃS:

1925 Em August Aichhorn, Verwahrloste Jugend, 5-6, Leipzig, Viena e Zurique: Internationaler Psychoanalytischer Verlag. (1931, 2ª ed.)

1928 G.S., 11, 267-9.

1948 G.W., 14, 565-7.


(b) TRADUÇÕES INGLESAS:

1935 Em Aichhorn, Wayward Youth, v-vii, Nova Iorque: Viking Press. (Reimpresso em 1936, Londres: Putnam.) (Trad. não especificada.)

1950 C.P., 5, 98-100. (Sob o título ‘Psycho-Analysis and Delinquency’.) (Trad. de James Strachey.)

1951 Em Aichhorn, Wayward Youth, vii-ix, Londres: Imago Publisching Co. (Reimpressão revista da edição de 1935, mas com o Prefácio de Freud traduzido por James Strachey.)


A presente tradução inglesa constitui versão muito ligeiramente corrigida da publicada em 1950.


Um estudo biográfico de August Aichhorn (1878-1949), da autoria do Dr. K. R. Eissler, aparece na edição de 1951 da tradução inglesa de Wayward Youth. O livro de Aichhorn foi publicado pela primeira vez em julho de 1925. Freud fez outra breve referência a ele em uma nota de rodapé ao Capítulo VII de O Mal-Estar na Civilização (1930a).

Um estudo mais amplo das relações entre a psicanálise e a educação foi realizado por Freud em uma longa passagem no meio da Conferência XXXIV de suas New Introductory Lectures (1933a).


PREFÁCIO A JUVENTUDE DESORIENTADA, DE AICHHORN


Nenhuma das aplicações da psicanálise excitou tanto interesse e despertou tantas esperanças, e nenhuma, por conseguinte, atraiu tantos colaboradores capazes, quanto seu emprego na teoria e prática da educação. É fácil compreender por quê, de vez que as crianças se tornaram o tema principal da pesquisa psicanalítica e substituíram, assim, em importância, os neuróticos com os quais ela iniciou seus estudos. A análise demonstrou como a criança continua a viver, quase inalterada, no doente, bem como naquele que sonha e no artista; lançou luz sobre as forças motivadoras e tendências que estampam seu selo característico sobre a natureza infantil e traçou os estádios através dos quais a criança chega à maturidade. Não é de admirar, portanto, que tenha surgido a expectativa de que o interesse psicanalítico nas crianças beneficiaria o trabalho da educação, cujo objetivo é orientar e assistir as crianças em seu caminho para diante e protegê-las de se extraviarem.


Minha cota pessoal nessa aplicação da psicanálise foi muito leve. Em um primeiro estádio, aceitei o bon mot que estabelece existirem três profissões impossíveis - educar, curar e governar -, e eu já estava inteiramente ocupado com a segunda delas. Isto, contudo, não significa que desprezo o alto valor social do trabalho realizado por aqueles de meus amigos que se empenham na educação.

O presente volume da autoria de August Aichhorn interessa-se por um setor do grande problema: a influenciação educacional de delinqüentes juvenis. O autor trabalhou por muitos anos em posição oficial da competência como diretor de instituições municipais para delinqüentes, antes de ter-se familiarizado com a psicanálise. Sua atitude para com seus encargos originam-se de uma cálida simpatia com a sorte desses infelizes e foi corretamente guiada por uma percepção intuitiva de suas necessidades mentais. A psicanálise praticamente pouco pôde ensinar-lhe algo que fosse novo, porém lhe trouxe uma clara compreensão interna (insight) teórica da justificativa de seu modo de agir e colocou-o em posição de explicar seu fundamento a outras pessoas.


Não devemos presumir que esse dom de compreensão intuitiva seja encontrado em todos aqueles que se interessaram pela educação de crianças. Segundo me parece, duas lições se pode derivar da experiência e do sucesso de August Aichhorn. Uma é que toda pessoa desse tipo deveria receber uma formação psicanalítica, de vez que sem esta as crianças, o objeto de seus esforços, permanecerão sendo um problema inacessível para ela. Uma formação desse gênero é mais bem executada se a própria pessoa se submete auma análise e a experimenta em si mesma; a instrução teórica na análise fracassa em penetrar bastante fundo e não traz convicção.


A segunda lição tem uma aura um tanto conservadora. Afirma-se no sentido de que o trabalho da educação é algo sui generis: não deve ser confundido com a influência psicanalítica e não pode ser substituído por ela. A psicanálise pode ser convocada pela educação como meio auxiliar de lidar com uma criança, porém não constitui um substituto apropriado para a educação. Tal substituição não só é impossível em fundamentos práticos, como também deve ser desaconselhada por razões teóricas. A relação entre a educação e o tratamento psicanalítico provavelmente logo será o tema de uma investigação pormenorizada. Fornecerei aqui apenas algumas sugestões.


Não devemos deixar-nos desorientar pela afirmação - incidentalmente uma afirmação perfeitamente verídica - de que a psicanálise de um neurótico adulto é equivalente a uma pós-educação. Uma criança, mesmo uma criança desorientada e delinqüente, ainda não é um neurótico, e a pós-educação é algo inteiramente diferente da educação dos imaturos. A possibilidade de influência analítica repousa em precondições bastante definidas, que podem ser resumidas sob a expressão ‘situação analítica’; ela exige o desenvolvimento de determinadas estruturas psíquicas e de uma atitude específica para com o analista. Onde estas faltam - como no caso de crianças, delinqüentes juvenis e, via de regra, criminosos impulsivos - algo diferente da análise tem de ser utilizado, embora algo que seja uníssono com a análise em seu intuito. Os capítulos teóricos do presente volume fornecerão ao leitor uma apreensão preliminar da multiplicidade das decisões envolvidas.


Encerrarei com outra inferência, desta vez uma inferência importante não para a teoria da educação, mas para a condição daqueles que estão empenhados na educação. Se um deles aprendeu a análise por experimentá-la em sua própria pessoa, e está em posição de poder empregá-la em casos fronteiriços e mistos, a fim de auxiliá-lo em seu trabalho, obviamente deverá ter o direito de praticar a análise; e não se deve permitir que motivos mesquinhos tentem colocar obstáculos em seu caminho.