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O significado de Zona de Desenvolvimento
Proximal na Teoria Histórico Cultural
Para entender a relação entre desenvolvimento e
aprendizagem, em Vigotsky, torna-se necessária a compreensão do
conceito de zona de desenvolvimento
proximal.
Segundo este autor, a Psicologia sempre esteve
preocupada em detectar o nível de desenvolvimento real do
indivíduo, ou seja, aquele que revela a possibilidade de uma atuação
independente do sujeito. Um exemplo desta preocupação pode ser encontrada
entre os psicólogos que utilizam estes testes, ou que se apoiam em
escalas, visando detectar o nível de desenvolvimento do
indivíduo.
Durante os testes ou observações que fazem, estes
profissionais assumem uma posição neutra, distante, sem oferecer qualquer
tipo de ajuda. Medem o desempenho observado ao final do processo,
procurando compatibilizar erros e acertos, mas não consideram o processo
vivenciado pelo indivíduo na resolução de problemas.
Do mesmo modo,
a escola tende a valorizar, ainda hoje, apenas o nível de desenvolvimento
real dos alunos, seja durante as aulas, seja nos momentos de avaliação.
Não é difícil encontrar professores que, ao fazerem uma análise da turma,
argumentam:
Muitos professores, ao aplicarem suas provas, exigem
que os alunos as realizem sozinhos, sem discutirem as questões com ele,
professor, ou com colegas. Este tipo de avaliação leva em conta apenas o
produto, ou seja, o que os alunos
conseguem responder e não como conseguiram chegar às
respostas. Perde-se, assim, a oportunidade de observar que muitas questões
não respondidas, ou que apresentam respostas "erradas", se realizadas com
a mediação do professor, ou a de colegas mais experientes, teriam tido
respostas positivas.
Daí porque Vigotsky aponta a existência de um
outro nível de desenvolvimento - o proximal ou potencial
- que, tanto quanto o nível real, deve ser considerado na prática
pedagógica.
Quando alguém não consegue realizar sozinho determinada
tarefa, mas o faz com a ajuda de outros parceiros mais experientes, está
nos revelando o seu nível de desenvolvimento proximal, que já contém
aspectos e partes mais ou menos desenvolvidas de instituições, noções e
conceitos.
Portanto, o nível de desenvolvimento mental de um aluno,
não pode ser determinado apenas pelo que consegue
produzir de forma independente; é necessário conhecer o que consegue
realizar, muito embora ainda necessite do auxílio de outras pessoas para
fazê-lo.
O conhecimento do processo que a criança realiza
mentalmente é fundamental. O desempenho correto nem sempre significa uma
operação mental bem realizada. O acerto pode significar, apenas, uma
resposta mecânica. Daí a importância do professor conhecer o
processo que a criança utiliza para chegar às respostas. Do mesmo
modo, conhecendo esse processo, e intervindo, provocando, estimulando ou
apoiando quando a criança demonstra dificuldade num determinado ponto,
torna-se possível trabalhar funções que ainda não estão de todo
consolidadas.
Quando não consideramos estas funções que se
encontram em processo de consolidação, deixamos de atuar na zona de
desenvolvimento proximal, que é a distância entre o nível de
desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento
potencial.
Através de experiências de aprendizagem compartilhadas,
atua-se nesta zona de desenvolvimento proximal, de modo que funções ainda
não consolidadas venham a amadurecer.
Para Góes (1991:20),
"A boa aprendizagem é aquela que consolida e sobretudo cria zonas
de desenvolvimento proximal sucessivas."
Desta forma,
verificamos o quanto a aprendizagem interativa permite que o
desenvolvimento avance. Ressaltando a importância das trocas
interpessoais, na constituição do conhecimento, Vigotsky mostra, através
do conceito de zona de desenvolvimento proximal, o quanto a aprendizagem
influencia o desenvolvimento.
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