A criança e a física moderna – Jean Piaget

Átomo
Tradução: A tradução do texto a seguir, realizada por Paulo Francisco Slomp, destina-se aos estudos desenvolvidos na disciplina Psicologia da Educação II.

Autor: Jean Piaget

Fonte: PIAGET, Jean. The child and modern physics. In: Scientific American. 1957, vol. 196, no 3, p. 46-51. Publicação original em língua inglesa, 1957.

Um psicólogo suiço realizou experiências com bebês, incluindo os seus, e chegou a conclusão que a visão deles da realidade tem muito em comum com a dos físicos modernos.

Cientistas americanos me convidaram para discutir algumas experiências descritas em meu livro “A construção do real na criança” e eu fiquei muito satisfeito. Estas observações foram realizadas com crianças muito jovens, durante os primeiros 18 ou 24 meses de vida, esclarecendo de forma notável como nós formamos alguns conceitos fundamentais do mundo físico, tais como a existência de objetos, espaço e causalidade. Surpreendentemente elas também nos conduzem diretamente a algumas questões filosóficas e psicológicas básicas da atualidade do pensamento físico.

Os físicos contemporâneos abandonaram algumas intuições sobre a natureza do mundo físico. Eles renunciaram, por exemplo, ao conceito de permanência dos objetos no domínio sub-microscópico: a partícula não existe se não puder ser localizada; se ela não puder ser localizada em uma posição específica, ela perde sua designação como um objeto e deve ser descrita em outros termos. Agora, por uma coincidência extremamente curiosa, foi descoberto que o bebê de poucos meses age em relação aos objetos de forma muito semelhante a um físico. Os bebês acreditam na existência de um objeto contanto que possam localizá-lo, e deixam de supor que ele existe quando estiver encoberto ou escondido. A grande diferença entre o bebê e o físico, naturalmente, é a capacidade de localizar os objetos.

Podemos exemplificar com o caso de um bebê de cinco ou seis meses, ou seja, na idade em que começa a coordenar a visão com a prensão, podendo então pegar os objetos que vê. Colocamos frente a ele um objeto que desperte a sua atenção, por exemplo, um relógio de pulso. Ele principia a pegá-lo. Quando o seu braço começa a alcançar o relógio, nós cobrimos o relógio com um pedaço de pano. Um bebê neste estágio do desenvolvimento recolherá sua mão como se o objeto tivesse se tornado inacessível. Não que a criança seja dissuadida pelo pano como um obstáculo, pois se nós colocarmos o pano sobre seu rosto ela o removerá facilmente. Nem tampouco o pano diminui o interesse pelo objeto. Realizei esta experiência com a mamadeira de meu filho quando ele tinha sete meses e estava sendo alimentado. Na hora da alimentação apresentei à criança a mamadeira com leite. Ela ficou ao alcance da mão do bebê, porém a encobri com meu braço. Quando a mamadeira ficava parcialmente encoberta, o bebê podia alcançá-la. Mas quando meu braço encobria totalmente a mamadeira, o bebê começava a chorar, como se ela tivesse deixado completamente de ter existência.

Pode-se então formar a hipótese de que a criança, nesse nível do desenvolvimento, ainda não possui a noção de que os objetos são permanentes. Entretanto, as observações precedentes estão abertas a muitas outras possíveis interpretações. Devemos prosseguir a análise do comportamento nesse estágio quando a criança inicia a procurar objetos escondidos. Cedo ou tarde ela descobrirá que quando um objeto desaparece sob um lenço ela pode ainda procurá-lo e o identificar pela protuberância formada no lenço, e pegá-lo. O que ocorre quando a criança começa a procurar objetos encobertos? Ela chega imediatamente ao conceito de que um objeto foi movimentado a um lugar específico por uma seqüência de deslocamentos? Se não, que tipo de conceito de existência de objetos ela possui?

(…)


* O texto integral da tradução encontra-se disponível somente aos alunos matriculados na disciplina EDU01012 Psicologia da Educação II.


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2 pensamentos em “A criança e a física moderna – Jean Piaget”

  1. Olá, gostaria de paranebiza-los primeiramente pelo blog que disponibiliza uma “fonte rica” em conhecimento. A disponibilização de artigos é um tipo de ação que tenho como ideologia, que conhecimento deve ser de direito e acessíveis a todos. Achei muito bom a introdução disponível desse artigo que mostra a permanência dos objetos para a criança no estádio sensório-motor é comparado a idéia do princípio da incerteza de Heisenberg na Física Moderna. Uma analogia usada por Piaget que me ajudou a entender melhor a idéia de permanencia na visão de mundo da criança nos primeiros meses. No entanto, fico na inquietitude de ler o artigo na integra, será que vocês não poderiam forncer o artigo?

  2. Oi. Sou aluno da UFRGS e estou cursando a cadeira de psicologia da educação 2 (FIS01012)no segundo semestre de 2011. Estou fazendo o curso de licenciatura em física noturno e fiquei interessado no assunto. Como faço para obter o texto na íntegra? Muito obrigado.

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