{"id":108,"date":"2008-06-11T16:50:33","date_gmt":"2008-06-11T19:50:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/?page_id=108"},"modified":"2008-11-11T10:59:01","modified_gmt":"2008-11-11T13:59:01","slug":"patria-e-estrangeiro","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/piaget\/patria-e-estrangeiro\/","title":{"rendered":"A id\u00e9ia de p\u00e1tria e de rela\u00e7\u00e3o com o estrangeiro &#8211; Piaget"},"content":{"rendered":"<p><strong>Autor:<\/strong><em> Jean Piaget<\/em><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> A tradu\u00e7\u00e3o do texto a seguir, realizada pelas alunas Carla Maria Fernandes Corral e Patr\u00edcia Vasconcellos Comim, \u00e9 fruto de uma atividade volunt\u00e1ria proposta na disciplina Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o B e destina-se aos estudos desenvolvidos nesta disciplina.<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Paulo Francisco Slomp.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> PIAGET, Jean. Le d\u00e9veloppement, chez l&#8217;enfant, de l&#8217;id\u00e9e de patrie et des relations avec l&#8217;\u00e9tranger. avec la collab. d&#8217;Anne-Marie Weil. In: Bulletin international des sciences sociales. 1951, vol. 3, no 3, p. 615-621. Publicado tamb\u00e9m em: Revue europ\u00e9enne des sciences sociales. 1976, vol. 14, no 38-39, p. 124-147.<\/p>\n<p><strong>T\u00edtulo:<\/strong> <strong>O desenvolvimento, na crian\u00e7a, da Id\u00e9ia de p\u00e1tria e de rela\u00e7\u00f5es com o estrangeiro<\/strong><\/p>\n<p>O estudo psicol\u00f3gico e sociol\u00f3gico dos estados de tens\u00e3o sup\u00f5e o conhecimento de certos dados de psicologia infantil. Pode-se, inicialmente, perguntar se, em raz\u00e3o de seu modo pr\u00f3prio de forma\u00e7\u00e3o, os comportamentos intelectuais e afetivos que caracterizam a afei\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria e as rela\u00e7\u00f5es iniciais com o estrangeiro n\u00e3o cont\u00e9m o germe das inadapta\u00e7\u00f5es internacionais ulteriores. Deve-se, em seguida, pesquisar, mesmo que o ponto de vista precedente pare\u00e7a, ao primeiro momento, desmentido pelos fatos, porque a crian\u00e7a n\u00e3o adquire, no curso de seu desenvolvimento, um esp\u00edrito de objetividade e de reciprocidade suficiente para resistir mais tarde aos fatores de tens\u00e3o ou de inadapta\u00e7\u00e3o que a influenciar\u00e3o como adolescente ou como adulto.<\/p>\n<p>\u00c9 a este duplo ponto de vista que nos colocaremos na an\u00e1lise que se seguir\u00e1. Fomos surpreendidos, desde o in\u00edcio de nossa pesquisa, pelo fato de que, se a crian\u00e7a n\u00e3o parece testemunhar, durante os primeiros per\u00edodos de seu desenvolvimento, de tend\u00eancias particulares lhe predispondo ao nacionalismo, a descoberta progressiva de sua p\u00e1tria e da p\u00e1tria dos outros sup\u00f5e, em compensa\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o laboriosa de um instrumento de coordena\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo intelectual e afetivo, muito mais complexo do que pareceria ao primeiro contato e, por conseguinte, fr\u00e1gil e exposto a todos os desvios ulteriores. \u00c9, portanto, de um certo interesse para o estudo de tens\u00f5es sociais &#8212; e internacionais em geral &#8212; procurar seguir de perto como se elabora este instrumento de coordena\u00e7\u00e3o e no que ele consiste, pois \u00e9 da sua solidez ou da sua menor resist\u00eancia que depender\u00e3o definitivamente os desvios ulteriores.<\/p>\n<p>Nossa pesquisa \u00e9 sustentada somente por entrevistas com crian\u00e7as habitantes de Genebra, que s\u00e3o estrangeiras ou su\u00ed\u00e7as, e pode-se sempre reservar a parte do ambiente adulto na interpreta\u00e7\u00e3o de fatos recolhidos. Mas, esta reserva feita, e esperando confirma\u00e7\u00e3o de outros ambientes, encontramo-nos em presen\u00e7a de um paradoxo que, mesmo sendo ele particular a uma regi\u00e3o da Europa, n\u00e3o \u00e9 menos esclarecedor.<\/p>\n<p>Este paradoxo \u00e9 o seguinte: longe de constituir os primeiros dados, o sentimento e mesmo a no\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria p\u00e1tria somente aparecem na crian\u00e7a normal relativamente tarde, sem que nada pare\u00e7a conduzi-la necessariamente a um sociocentrismo patri\u00f3tico. Ao contr\u00e1rio, para chegar na consist\u00eancia intelectual e afetiva de sua p\u00e1tria, a crian\u00e7a \u00e9 obrigada a realizar todo um trabalho de descentra\u00e7\u00e3o (em rela\u00e7\u00e3o a sua cidade, seu cant\u00e3o, etc.) e de coordena\u00e7\u00e3o (com outras perspectivas al\u00e9m da sua) &#8212; trabalho que a aproxima da compreens\u00e3o de outras p\u00e1trias e de outros pontos de vista al\u00e9m do seu. Para explicar a facilidade com a qual aparecem mais tarde as diversas formas de sociocentrismo nacionalista, \u00e9 preciso, portanto, admitir que intervenham em um dado momento influ\u00eancias exteriores \u00e0s tend\u00eancias que se manifestam durante o desenvolvimento da crian\u00e7a (mas ent\u00e3o, por que estas influ\u00eancias s\u00e3o aceitas?) ou ainda que os mesmos obst\u00e1culos que se opunham \u00e0s descentra\u00e7\u00f5es e \u00e0s coordena\u00e7\u00f5es iniciais (desde a forma\u00e7\u00e3o da id\u00e9ia de p\u00e1tria) reapare\u00e7am em todos os n\u00edveis e constituam a causa mais geral dos desvios e das tens\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 nesta segunda dire\u00e7\u00e3o que se orienta nossa interpreta\u00e7\u00e3o. O sujeito come\u00e7a a considerar como \u00fanicos poss\u00edveis os pontos de vista imediatos ligados a sua situa\u00e7\u00e3o e as suas atividades pr\u00f3prias: este estado de esp\u00edrito, que chamaremos de egocentrismo inconsciente da crian\u00e7a (ao mesmo tempo intelectual e afetivo) se op\u00f5e inicialmente \u00e0 compreens\u00e3o de sua pr\u00f3pria p\u00e1tria, bem como \u00e0 compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es objetivas com o estrangeiro. De outra parte, a vit\u00f3ria sobre o egocentrismo requer a elabora\u00e7\u00e3o de um instrumento de coordena\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo intelectual e afetivo, dif\u00edcil e lento de conquistar, que consiste essencialmente em rela\u00e7\u00f5es de &#8220;reciprocidade&#8221;. Mas a cada nova etapa desta constru\u00e7\u00e3o o egocentrismo reaparece sob novos aspectos sempre mais afastado do c\u00edrculo infantil inicial. Tais s\u00e3o as diversas formas de sociocentrismo, heran\u00e7as do egocentrismo primitivo e causas de desvios ou de tens\u00f5es ulteriores, mas cuja compreens\u00e3o sup\u00f5e a an\u00e1lise precisa dos estados iniciais e dos conflitos elementares entre o egocentrismo e a reciprocidade.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>* O texto integral da tradu\u00e7\u00e3o encontra-se dispon\u00edvel somente aos alunos matriculados na disciplina EDU01012 Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o II.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: xx-small\">Compare pre\u00e7os de livros de <a href=\"http:\/\/compare.buscape.com.br\/categorias?id=3482&amp;c=0&amp;raiz=3482ens=0&amp;kw=piaget&amp;lkout=1&amp;site_origem=1165663\" target=\"_blank\">Jean Piaget<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/faced\/slomp\" target=\"_blank\"><br \/>\n<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Jean Piaget Tradu\u00e7\u00e3o: A tradu\u00e7\u00e3o do texto a seguir, realizada pelas alunas Carla Maria Fernandes Corral e Patr\u00edcia Vasconcellos Comim, \u00e9 fruto de uma atividade volunt\u00e1ria proposta na disciplina Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o B e destina-se aos estudos desenvolvidos nesta disciplina. Supervis\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o: Paulo Francisco Slomp. Fonte: PIAGET, Jean. 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