{"id":114,"date":"2008-06-11T16:54:16","date_gmt":"2008-06-11T19:54:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/?page_id=114"},"modified":"2008-11-14T15:50:35","modified_gmt":"2008-11-14T18:50:35","slug":"criatividade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/piaget\/criatividade\/","title":{"rendered":"Criatividade &#8211; Jean Piaget"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fragmento de:<\/strong> &#8220;Criatividade&#8221; de Jean Piaget<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> PIAGET, Jean. Criatividade. In VASCONCELLOS, M\u00e1rio S\u00e9rgio (org). Criatividade: Psicologia, Educa\u00e7\u00e3o e Conhecimento do Novo. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2001. p\u00e1g 11-20.<\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Mario Elvira Bellotto<\/p>\n<p><strong>Revis\u00e3o t\u00e9cnica<\/strong>: M\u00e1rio S\u00e9rgio Vasconcelos.<\/p>\n<p><strong>Origem:<\/strong> Confer\u00eancia proferida em 1972, no simp\u00f3sio Creativity: Moving Force of Society, realizado na Johns Hopkins University, Baltimore, Maryland. O texto dessa confer\u00eancia foi publicado originalmente por Gallagher, J.M. &amp; Reid, D.K. The learning theory of Piaget and Inhelder. Monterrey, Calif\u00f3rnia, Brooks\/Cole, 1981, p.221-29.<\/p>\n<p>Existem dois problemas envolvidos em uma discuss\u00e3o sobre a criatividade. O primeiro problema \u00e9 o das origens ou causas da criatividade. O segundo \u00e9 o do mecanismo: como ele acontece? Qual o processo de um ato criativo? Como algu\u00e9m cria algo novo? Sem existir antes, como algo novo pode surgir?<\/p>\n<p>Gostaria primeiramente de dizer algumas palavras sobre as origens ou causas da criatividade. Est\u00e1 muito claro que a sua origem ainda \u00e9 coberta de mist\u00e9rios. De fato, alguns indiv\u00edduos s\u00e3o visivelmente mais criativos do que outros, mas isso com certeza n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de genialidade. Na verdade, a origem da criatividade permanece misteriosa, mesmo que esteja presente em todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 moda entre alguns psic\u00f3logos, quando eles se deparam com algo que \u00e9 dif\u00edcil de explicar, chama-lo de inato ou heredit\u00e1rio, como se esta fosse uma explica\u00e7\u00e3o. Mas absolutamente n\u00e3o \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o, e desse modo s\u00f3 transferem o problema para o campo da biologia. E, na biologia, estamos muito longe de ser capazes de explicar qualquer tipo de atitude mental, que dir\u00e1 a criatividade. Criatividade n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de precocidade em indiv\u00edduos que se tornaram muito criativos. Os indiv\u00edduos n\u00e3o s\u00e3o sempre precoces. Mozart, \u00e9 claro, \u00e9 um dos melhores exemplos de uma alma precoce e criativa. Mas muitos outros se tornaram criativos muito mais tarde em suas vidas; foi bem mais tarde que tiveram as id\u00e9ias mais originais.<\/p>\n<p>O melhor exemplo disso \u00e9 Kant. Por muitos anos, ele n\u00e3o foi um kantiano. A maior parte de sua vida passou como um disc\u00edpulo de Wolf, e foi s\u00f3 nos seus \u00faltimos anos que sua pr\u00f3pria originalidade emergiu. Ent\u00e3o, a princ\u00edpio, a origem da criatividade para mim permanece um mist\u00e9rio e n\u00e3o \u00e9 explic\u00e1vel. Mas, como disse um momento atr\u00e1s, todo indiv\u00edduo que realiza um trabalho e tem id\u00e9ias novas, mesmo que modestas, cria-as no curso de seus esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>Algumas palavras mais sobre a origem da criatividade. No percurso da minha vida, tenho criado uma ou duas id\u00e9ias e quando reflito sobre suas origens, penso que existem tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 trabalhar sozinho, ignorar qualquer um e suspeitar de qualquer influ\u00eancia de fora. Quando era estudante, tive um professor de f\u00edsica que dizia: &#8220;Sempre que voc\u00ea come\u00e7ar a trabalhar em um novo problema, n\u00e3o leia e leve em conta o que tem sido escrito sobre o assunto, fazendo as corre\u00e7\u00f5es que julgar necess\u00e1rias&#8221;. Temo ter levado o conselho muito a s\u00e9rio, isto \u00e9, devo ter lido muito pouco. Mas para consolar-me, ou deixar de lado qualquer sentimento de culpa que possa ter, gosto de pensar na fala de Freud: &#8220;A maior puni\u00e7\u00e3o que a divindade envia para algu\u00e9m que escreve \u00e9 ter de ler os trabalhos de outros&#8221;.<\/p>\n<p>A segunda condi\u00e7\u00e3o que acho necess\u00e1ria \u00e9 ler uma grande quantidade de coisas em outras \u00e1reas, e n\u00e3o apenas ler trabalhos da pr\u00f3pria \u00e1rea. Para um psic\u00f3logo, por exemplo, \u00e9 importante ler biologia, epistemologia, l\u00f3gica, para que se possa promover uma vis\u00e3o interdisciplinar. N\u00e3o ler somente no seu pr\u00f3prio campo, mas ler muito nas \u00e1reas pr\u00f3ximas e relacionadas.<\/p>\n<p>E um terceiro aspecto, e a\u00ed penso em meu caso, \u00e9 que sempre tive na cabe\u00e7a um advers\u00e1rio, isto \u00e9, uma escola de pensamentos cujas id\u00e9ias algumas pessoas consideram erradas. Talvez cometa injusti\u00e7as e as deforme tornando-as advers\u00e1rias, mas sempre tomo as id\u00e9ias de algu\u00e9m como um contraste.<\/p>\n<p>Meus principais contraditores s\u00e3o os positivistas l\u00f3gicos ou empiristas. Eles t\u00eam sido meus advers\u00e1rios por toda a vida. Por exemplo, a atividade do sujeito, o sujeito do conhecimento, \u00e9 minimizada no positivismo l\u00f3gico, embora do meu ponto de vista a atividade do sujeito seja realmente o centro do desenvolvimento da intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>A meu ver, conhecimento \u00e9 uma estrutura\u00e7\u00e3o da realidade, e n\u00e3o simplesmente uma c\u00f3pia. O desenvolvimento da intelig\u00eancia n\u00e3o \u00e9 simples quest\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas, mas uma constru\u00e7\u00e3o por parte do sujeito. Ent\u00e3o, como disse, em todo o meu trabalho o advers\u00e1rio tem sido o empirismo e o positivismo l\u00f3gico. Posso n\u00e3o ser importante para o meu advers\u00e1rio, mas ele tem um papel importante para mim.<\/p>\n<p>Agora gostaria de continuar com o segundo aspecto que mencionei, que \u00e9 o mecanismo da criatividade. Acho que o estudo da psicologia da intelig\u00eancia pode nos ensinar muito sobre esta quest\u00e3o. O desenvolvimento da intelig\u00eancia \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Cada est\u00e1gio do desenvolvimento produz algo radicalmente novo, muito diferente do que existia antes. Desse modo, todo o desenvolvimento \u00e9 caracterizado pelo aparecimento de estruturas totalmente novas.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>O texto integral est\u00e1 dispon\u00edvel na fonte indicada acima.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: xx-small\">Compare pre\u00e7os de livros de <a href=\"http:\/\/compare.buscape.com.br\/categorias?id=3482&amp;c=0&amp;raiz=3482ens=0&amp;kw=piaget&amp;lkout=1&amp;site_origem=1165663\" target=\"_blank\">Jean Piaget<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/faced\/slomp\" target=\"_blank\"><br \/>\n<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fragmento de: &#8220;Criatividade&#8221; de Jean Piaget Fonte: PIAGET, Jean. Criatividade. In VASCONCELLOS, M\u00e1rio S\u00e9rgio (org). Criatividade: Psicologia, Educa\u00e7\u00e3o e Conhecimento do Novo. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2001. p\u00e1g 11-20. Tradu\u00e7\u00e3o: Mario Elvira Bellotto Revis\u00e3o t\u00e9cnica: M\u00e1rio S\u00e9rgio Vasconcelos. 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