{"id":1503,"date":"2008-09-12T13:17:29","date_gmt":"2008-09-12T16:17:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/?page_id=1503"},"modified":"2008-11-10T15:22:02","modified_gmt":"2008-11-10T18:22:02","slug":"genese-das-estruturas-logicas-elementares-as-colecoes-figurais","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/piaget\/genese-das-estruturas-logicas-elementares-as-colecoes-figurais\/","title":{"rendered":"As cole\u00e7\u00f5es figurais &#8211; Piaget"},"content":{"rendered":"<p><strong>Autor:<\/strong> <em>Jean Piaget<\/em><\/p>\n<p><strong>Fonte: <\/strong>PIAGET, Jean INHELDER, B\u00e4rbel. <em>G\u00eanese das Estruturas L\u00f3gicas Elementares<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo I &#8211; As cole\u00e7\u00f5es figurais <\/strong><\/p>\n<p>Sendo o nosso problema, portanto, apurar como se constitui uma classifica\u00e7\u00e3o, seja a partir do esquematismo sens\u00f3rio-motor, em geral, seja a partir, eventualmente, das estruturas perceptivas, compete-nos, em primeiro lugar, tentar explicar uma rea\u00e7\u00e3o muito generalizada das crian\u00e7as e que, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 sobremaneira instrutiva quanto ao modo de forma\u00e7\u00e3o das classifica\u00e7\u00f5es: a crian\u00e7a da primeira etapa n\u00e3o disp\u00f5e os elementos em cole\u00e7\u00f5es e subcole\u00e7\u00f5es baseadas apenas em semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as, independentemente da configura\u00e7\u00e3o espacial de tais conjuntos, mas re\u00fane-os em &#8220;cole\u00e7\u00f5es figurais&#8221;, que ficam a meio-caminho entre um objeto espacial e uma classe.<\/p>\n<p><strong>\u00a71. Defini\u00e7\u00e3o de &#8220;cole\u00e7\u00f5es figurais&#8221; e posi\u00e7\u00e3o dos problemas.<\/strong><\/p>\n<p>Como admitimos na nossa Introdu\u00e7\u00e3o, uma classe comporta duas esp\u00e9cies de caracteres ou rela\u00e7\u00f5es, ambas necess\u00e1rias e suficientes para a sua constitui\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>1)As qualidades comuns aos seus membros e aos das classes de que ela faz parte, assim como as diferen\u00e7as espec\u00edficas que distinguem seus pr\u00f3prios membros dos das outras classes (compreens\u00e3o).<\/p>\n<p>2) As rela\u00e7\u00f5es da parte com o todo (depend\u00eancia, perten\u00e7a e inclus\u00e3o) determinadas pelos quantificadores &#8220;todos&#8221;, &#8220;alguns&#8221; (incluindo &#8220;um&#8221;) e &#8220;nenhum&#8221;, aplicados aos membros da classe considerada e aos das classes de que ela faz parte, mas s\u00f3 se qualificadas em 1) (extens\u00e3o da classe).<\/p>\n<p>Por exemplo, os gatos t\u00eam em comum v\u00e1rias qualidades que &#8220;todos&#8221; os gatos possuem e das quais algumas lhes s\u00e3o espec\u00edficas, ao passo que outras pertencem tamb\u00e9m a outros animais etc.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o interv\u00e9m nessa defini\u00e7\u00e3o da classe, que se aplicar\u00e1 \u00e0s classifica\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as a partir de certo n\u00edvel de idade, qualquer propriedade ou rela\u00e7\u00e3o que se refira a uma configura\u00e7\u00e3o espacial: os gatos podem ser agrupados ou dispersados no espa\u00e7o, de um modo qualquer, sem que isso altere alguma coisa \u00e0s propriedades 1) e 2) dessa classe. Sem d\u00favida, as rela\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o caracterizadas em 2) podem dar lugar a uma estrutura\u00e7\u00e3o de natureza topol\u00f3gica e, por conseq\u00fc\u00eancia, espacial, mas ent\u00e3o \u00e9 utilizando o isomorfismo que se podem estabelecer na estrutura alg\u00e9brica os encaixamentos em jogo e certas estruturas topol\u00f3gicas de envolvimento, sem que a interven\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o seja necess\u00e1ria para a descri\u00e7\u00e3o completa das classes.<\/p>\n<p>Falaremos, pelo contr\u00e1rio, de &#8220;cole\u00e7\u00f5es figurais&#8221; quando a crian\u00e7a disp\u00f5e os elementos a classificar agrupando-os segundo as configura\u00e7\u00f5es espaciais que comportam uma significa\u00e7\u00e3o, do ponto de vista das propriedades 1) ou 2). Por exemplo, a crian\u00e7a colocar\u00e1 um tri\u00e2ngulo por cima de um quadrado, achando que essas duas formas est\u00e3o aparentadas, na medida em que o tri\u00e2ngulo recorda o telhado de uma casa e o quadrado o corpo do edif\u00edcio; nesse caso, o tri\u00e2ngulo deve realmente ser colocado sobre o quadrado e n\u00e3o em qualquer outro lugar, o que confere um significado espec\u00edfico a configura\u00e7\u00e3o espacial, do ponto de vista das rela\u00e7\u00f5es 1). Em outros exemplos, o &#8220;alguns&#8221; e o \u201ctodos\u201d depender\u00e3o da configura\u00e7\u00e3o espacial das cole\u00e7\u00f5es justapostas ou reunidas etc., a qual adquirir\u00e1 assim uma significa\u00e7\u00e3o do ponto de vista das rela\u00e7\u00f5es 2).<\/p>\n<p>Mas logo se p\u00f5em duas quest\u00f5es pr\u00e9vias: uma \u00e9 a quest\u00e3o de saber se a crian\u00e7a compreendeu bem as instru\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o classificar os objetos segundo as suas semelhan\u00e7as e n\u00e3o servir-se deles para construir conjuntos significativos ou quaisquer agregados; a outra consiste em saber se as configura\u00e7\u00f5es espaciais utilizadas t\u00eam apenas um sentido simb\u00f3lico ou se interv\u00eam efetivamente na constitui\u00e7\u00e3o da &#8220;cole\u00e7\u00e3o figural&#8221;, como forma elementar da classe.<\/p>\n<p>Quanto ao primeiro ponto (compreens\u00e3o das instru\u00e7\u00f5es dadas), n\u00e3o \u00e9 este o lugar para discutir a escolha das melhores formula\u00e7\u00f5es propostas \u00e0 crian\u00e7a (&#8220;juntar o que \u00e9 semelhante&#8221; ou &#8220;juntar o que condiz&#8221; etc.) nem a sua compreens\u00e3o pelo sujeito; digamos simplesmente, desobrigados de justificarmos em seguida, que, sem poder ainda compreender o que \u00e9 uma classifica\u00e7\u00e3o, no sentido de que essa no\u00e7\u00e3o adquirir\u00e1 a partir dos 7-8 anos, a crian\u00e7a de 2-5 anos interpreta as nossas instru\u00e7\u00f5es segundo o significado que, ao n\u00edvel de idade considerado, mais se aproximar do que ela apreendeu dessa estrutura operante.<\/p>\n<p>Quanto ao significado simb\u00f3lico ou efetivo das configura\u00e7\u00f5es espaciais que interv\u00eam nas cole\u00e7\u00f5es figurais, \u00e9 preciso dissipar, a tal respeito, um equ\u00edvoco poss\u00edvel. Com efeito, \u00e9 evidente que toda a representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de uma classifica\u00e7\u00e3o feita por um adulto (l\u00f3gico ou n\u00e3o) recorre ao espa\u00e7o, quer se trate de &#8220;\u00e1rvores&#8221; taxon\u00f4micas ou simples c\u00edrculos de Euler. Quando se traduz, por exemplo, uma rela\u00e7\u00e3o de inclus\u00e3o A &lt; B por dois c\u00edrculos, um dos quais (B) cont\u00e9m o outro (A), recorre-se a uma figura espacial: por uma parte, o c\u00edrculo A est\u00e1 situado dentro do B para exprimir o fato de que A faz parte de B; e, por outra parte, B \u00e9 representado como sendo maior do que A porque o compreende, mas al\u00e9m disso abrange tamb\u00e9m outros B n\u00e3o-A. Do mesmo modo, quando a crian\u00e7a de um n\u00edvel que pode ser superior no das cole\u00e7\u00f5es figurais representa as suas classes por meio de &#8220;pilhas&#8221; ou agregados de coisas, essas pilhas s\u00e3o exteriores umas \u00e0s outras, as &#8220;subpilhas&#8221; s\u00e3o interiores \u00e0quelas, e cada objeto pertence a uma das pilhas ou subpilhas, na medida em que lhe \u00e9 interior etc.; pode haver a\u00ed uma simples representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, com tradu\u00e7\u00e3o dos c\u00edrculos de Euler em agregados diversos. (&#8230;)<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>O texto integral est\u00e1 dispon\u00edvel na fonte indicada acima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Jean Piaget Fonte: PIAGET, Jean INHELDER, B\u00e4rbel. G\u00eanese das Estruturas L\u00f3gicas Elementares. Rio de Janeiro: Zahar, 1975. 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