{"id":1956,"date":"2008-09-19T17:49:21","date_gmt":"2008-09-19T20:49:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/?page_id=1956"},"modified":"2008-11-14T15:46:45","modified_gmt":"2008-11-14T18:46:45","slug":"as-oscilacoes-do-pendulo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/piaget\/as-oscilacoes-do-pendulo\/","title":{"rendered":"As oscila\u00e7\u00f5es do p\u00eandulo e as opera\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o &#8211; Piaget"},"content":{"rendered":"<p><strong>Autor: <\/strong><em>Jean Piaget<\/em> (com a colabora\u00e7\u00e3o de Andre MORF, F. MAIRE e C. L\u00c9VY)<br \/>\n<strong>Fonte:<\/strong> INHELDER, B\u00e4rbel e PIAGET, Jean. Da l\u00f3gica da crian\u00e7a \u00e0 l\u00f3gica do adolescente. S\u00e3o Paulo:<br \/>\nPioneira, 1976. p\u00e1g. 49-58, cap\u00edtulo 5.<\/p>\n<p>* Nota da editor da vers\u00e3o eletr\u00f4nica: Consulte o texto original, conforme indica\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica acima, para suprir a aus\u00eancia das nota\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas adequadas, devido ao uso da formata\u00e7\u00e3o &#8220;somente texto&#8221; no presente arquivo.<\/p>\n<p>Acabamos de ver como, diante de uma situa\u00e7\u00e3o experimental em que interv\u00eaem numerosos fatores, o sujeito consegue separ\u00e1-los e determinar suas respectivas a\u00e7\u00f5es. Agora, vamos estudar as rea\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a e do adolescente a uma situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga (a t\u00e9cnica consiste apenas em apresentar um p\u00eandulo sob a forma de um peso suspenso por uma corrente; o sujeito tem os meios para fazer variar o comprimento da corrente, os pesos dos objetos suspensos, a amplitude, etc. &#8212; o problema \u00e9 encontrar os fatores que condicionam a freq\u00fc\u00eancia das oscila\u00e7\u00f5es), mas na qual apenas um dos fatores poss\u00edveis \u00e9 causal, enquanto os outros s\u00e3o inoperantes e devem dar lugar, depois de sua dissocia\u00e7\u00e3o, a uma exclus\u00e3o. Esse \u00e9 o caso do p\u00eandulo, no qual os fatores poss\u00edveis, considerando-se a situa\u00e7\u00e3o experimental, s\u00e3o o comprimento da haste, o peso, a altura da queda (= amplitude da oscila\u00e7\u00e3o) e o impulso dado pelo sujeito. Como s\u00f3 o primeiro desses fatores \u00e9 efetivo, o problema consiste em dissociar os tr\u00eas outros e exclu\u00ed-los, quando pedimos aos sujeitos que fa\u00e7am variar e expliquem a freq\u00fc\u00eancia das oscila\u00e7\u00f5es de um p\u00eandulo.<\/p>\n<p><strong>O Est\u00e1dio 1: N\u00e3o-diferencia\u00e7\u00e3o entre as A\u00e7\u00f5es do Sujeito e os Movimentos do P\u00eandulo<\/strong><\/p>\n<p>O n\u00edvel pr\u00e9-operat\u00f3rio 1 \u00e9 interessante porque as a\u00e7\u00f5es materiais do sujeito superam inteiramente as opera\u00e7\u00f5es mentais e s\u00e3o relativamente confundidas com os movimentos observados na situa\u00e7\u00e3o experimental: na realidade, quase todas as explica\u00e7\u00f5es sup\u00f5em, de uma forma ou de outra, que o impulso dado pelo sujeito seja a causa real das varia\u00e7\u00f5es na freq\u00fc\u00eancia das oscila\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>O problema do p\u00eandulo utiliza um aparelho simples, formado por uma corrente, que pode ser encurtada ou alongada, e um conjunto de pesos diferentes. As outras vari\u00e1veis que inicialmente poderiam ser consideradas importantes s\u00e3o as seguintes: a altura do ponto em que se solta o peso e a for\u00e7a do impulso dado pelo sujeito.<\/p>\n<p>HEN (6;0) d\u00e1 \u201cimpulsos\u201d com for\u00e7as diferentes: \u201cDesta vez vai depressa. . . Esta vez vai andar mais depressa. &#8212; \u00c9 verdade? &#8212; \u00c9 sim (n\u00e3o apresenta leitura objetiva da experi\u00eancia.) A seguir, coloca um peso grande com uma corrente curta: \u201cIsto vai mais depressa\u201d (d\u00e1 impulso.). Isto vai ainda mais depressa. &#8212; E para ir muito depressa? &#8212; A gente precisa tirar todos os pesos e deixar a corrente andar sozinha (faz isso, mas com impulso). Eu tiro todos, agora vai mais depressa (novos impulsos).\u201d Quanto \u00e0 altura: \u201cSe a gente coloca alto, vai muito depressa (d\u00e1 um grande impulso) &#8230;\u201d Depois, volta ao peso: \u201cSe a gente coloca um peso pequeno, vai andar mais depressa.\u201d Pedimos que, em conclus\u00e3o, diga se acredita ter realmente mudado as velocidades: \u201cN\u00e3o, a gente n\u00e3o pode fazer isso, sim, pode mudar a velocidade.\u201d<\/p>\n<p>DUC (7;3) \u00e9 um pouco mais adiantado pois chega a algumas correspond\u00eancias (n\u00e3o sistem\u00e1ticas) entre o comprimento da corrente e o aumento de freq\u00fc\u00eancias. Mas n\u00e3o pode se impedir de, a cada instante, dar impulso, e conta mal as oscila\u00e7\u00f5es, sempre influenciado por suas predi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Vemos portanto que, na aus\u00eancia de seria\u00e7\u00f5es e de correspond\u00eancias exatas, o sujeito n\u00e3o chega a ler objetivamente a experi\u00eancia, nem a ficar em afirma\u00e7\u00f5es n\u00e3o contradit\u00f3rias entre si. Verifica-se, principalmente, que o sujeito interv\u00e9m a todo instante nos movimentos do p\u00eandulo, sem ser capaz de dissociar o impulso que d\u00e1 os movimentos independentes de sua a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Figura: O problema do p\u00eandulo utiliza um aparelho simples, formado por uma corrente, que pode ser encurtada ou alongada, em um conjunto de pesos diferentes. As outras vari\u00e1veis que inicialmente poderiam ser consideradas importantes s\u00e3o as seguintes: a altura do ponto em que se solta o peso e a for\u00e7a do impulso dado pelo sujeito.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1dio II: Seria\u00e7\u00f5es e Correspond\u00eancias  sem Dissocia\u00e7\u00e3o de Fatores<\/strong><\/p>\n<p>Os sujeitos do est\u00e1dio II s\u00e3o capazes de seriar os comprimentos, as alturas, etc., e de julgar objetivamente a diferen\u00e7as de freq\u00fc\u00eancia. Chegam assim a correspond\u00eancias exatas do ponto de vista da experi\u00eancia bruta, mas n\u00e3o chegam a dissociar os fatores, a n\u00e3o ser o que se refere ao impulso.<\/p>\n<p>No n\u00edvel II A, n\u00e3o existe ainda seria\u00e7\u00e3o exata de pesos:<\/p>\n<p>JAC (8;0) depois de algumas tentativas em que fazia variar o comprimento da corrente: &#8212; \u201cQuanto menos est\u00e1 alta (isto \u00e9, quanto menor o comprimento da corrente), mais depressa vai.\u201d Ao contr\u00e1rio, o peso d\u00e1 lugar a rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o-coerentes: \u201cCom os grandes (= os pesados) cai melhor, vai mais depressa\u201d, por exemplo, \u201cn\u00e3o \u00e9 aquele (500 g), \u00e9 aquele (100 g) que vai mais lentamente\u201d, mas depois de nova tentativa, diz do peso 100 g: \u201cEste vai mais depressa. &#8212; Que \u00e9 preciso para que v\u00e1 mais depressa? &#8212; Colocar dois pesos. &#8212; Ou ent\u00e3o? &#8212; N\u00e3o por nenhum; vai mais depressa quando est\u00e1 mais leve\u201d e \u201cvai mais depressa se voc\u00ea deixar mais alto\u201d, mas neste caso JAC tamb\u00e9m encurtou a corrente.<\/p>\n<p>A n\u00e3o ser no que se refere ao peso, as seria\u00e7\u00f5es s\u00e3o portanto exatas, o que permite ao sujeito descobrir, a partir desse n\u00edvel, a correspond\u00eancia inversa entre o comprimento da corrente e a freq\u00fc\u00eancia das oscila\u00e7\u00f5es. No entanto, como n\u00e3o sabe dissociar os fatores, o sujeito conclui que o primeiro fator n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico que atua. E se tamb\u00e9m atribui um papel ao peso e \u00e0 altura da queda, isso se deve ao fato de fazer variar diversas condi\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Apesar dos not\u00e1veis progressos no n\u00edvel II B, devidos a uma seria\u00e7\u00e3o exata dos efeitos do peso (na experi\u00eancia bruta), os fatores nem sempre podem ser separados.<\/p>\n<p>BEA (10;2) faz variar, sem ordem, o comprimento da corrente (de acordo com as unidades 2, 4, 3, etc.), mas conclui por uma correspond\u00eancia inversa e correta: \u201cEla vai mais Ientamente quando \u00e9 mais comprida.\u201d Quanto aos pesos, compara 100 g com comprimento de 2 ou de 5 com 50 g com um comprimento 1, e conclui novamente por uma correspond\u00eancia inversa entre o peso e a freq\u00fc\u00eancia das oscila\u00e7\u00f5es. Depois, faz variar a altura da queda sem mudar o peso e nem o comprimento (sem inten\u00e7\u00e3o de igualar, mas por simplifica\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios movimentos), e conclui: \u201cAs duas alturas v\u00e3o com a mesma velocidade.\u201d Enfim, varia o impulso, sempre sem qualquer modifica\u00e7\u00e3o, e conclui igualmente: \u201c\u00c9 a mesma coisa.\u201d<\/p>\n<p>CRO (10;2) tamb\u00e9m n\u00e3o pode dissociar peso e altura, mas al\u00e9m disso faz variar, ao mesmo tempo, a altura da queda. Come\u00e7a com uma corrente longa e 100 g; depois, encurta a corrente e pega 200 g que deixa cair de mais alto: \u201cVoc\u00ea encontrou qualquer coisa? &#8212; Que o pequeno (100 g) vai mais lentamente e que quanto mais alto est\u00e1 (200 g com corrente curta), mais depressa vai.\u201d Mas depois coloca 50 g sobre a mesma corrente curta: \u201cO peso pequeno vai ainda mais depressa.\u201d No entanto, o sujeito despreza este \u00faltimo caso: \u201cPara ir mais depressa, \u00e9 preciso puxar a corrente (diminuir seu comprimento) e o pequeno vai menos depressa porque \u00e9 menos pesado.\u201d Depois: \u201cVoc\u00ea ainda est\u00e1 querendo saber o que \u00e9 preciso fazer para que v\u00e1 mais depressa? &#8212; O peso pequeno vai mais depressa. &#8212; Como \u00e9 que voc\u00ea prova isso? &#8212; \u00c9 preciso puxar a corrente (diminuir seu comprimento).<\/p>\n<p>PER (10;7) \u00e9 um caso not\u00e1vel de n\u00e3o-separa\u00e7\u00e3o de fatores: faz variar simultaneamente o peso e o impulso, depois o peso, o impulso e o comprimento, depois o impulso, o peso e a altura, etc., e inicialmente apresenta a seguinte conclus\u00e3o: \u201c\u00c9 mudando o peso e o impulso, mas n\u00e3o a corrente. &#8212; Como \u00e9 que voc\u00ea sabe que a corrente n\u00e3o faz nada? &#8212; Porque \u00e9 a mesma corrente (nas \u00faltimas tentativas n\u00e3o variou o comprimento, e combinou-a anteriormente com o impulso, o que complica a leitura da experi\u00eancia). &#8212; Mas ela mudou de velocidade? &#8212; Isso depende, \u00e0s vezes \u00e9 a mesma coisa&#8230; Mudou, mas n\u00e3o muito&#8230; Isso depende tamb\u00e9m da altura que a gente coloca: quando a gente deixa l\u00e1 embaixo, quase n\u00e3o tem velocidade.\u201d Depois conclui pela a\u00e7\u00e3o dos quatro fatores: \u201c\u00c9 mudando o peso, o impulso, etc. Com a corrente curta, vai mais depressa,\u201d mas tamb\u00e9m \u201cmudando o peso, dando um impulso mais forte\u201d e \u201cem altura a gente pode colocar mais alto ou mais baixo.\u201d \u201cComo \u00e9 que voc\u00ea pode provar isso? &#8212; \u00c9 preciso tentar, dando impulso, abaixando ou levantando a corrente, mudando a altura e o peso tudo simultaneamente!)\u201d<\/p>\n<p>MAT (10;6) chega at\u00e9 a considerar a varia\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de fatores como princ\u00edpio:<\/p>\n<p>\u201cComo \u00e9 que voc\u00ea sabe que com o peso vai mais depressa?\u201d &#8212; \u201cQuando a gente coloca um peso grande vai mais depressa. &#8212; Voc\u00ea verificou isso? &#8212; Sim, elevando a corrente (= diminuindo o comprimento), depois a gente coloca o peso grande ao mesmo tempo.\u201d<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>O texto integral est\u00e1 dispon\u00edvel na fonte indicada acima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Jean Piaget (com a colabora\u00e7\u00e3o de Andre MORF, F. MAIRE e C. L\u00c9VY) Fonte: INHELDER, B\u00e4rbel e PIAGET, Jean. Da l\u00f3gica da crian\u00e7a \u00e0 l\u00f3gica do adolescente. S\u00e3o Paulo: Pioneira, 1976. p\u00e1g. 49-58, cap\u00edtulo 5. * Nota da editor da vers\u00e3o eletr\u00f4nica: Consulte o texto original, conforme indica\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica acima, para suprir a aus\u00eancia &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/piaget\/as-oscilacoes-do-pendulo\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;As oscila\u00e7\u00f5es do p\u00eandulo e as opera\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o &#8211; Piaget&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":1063,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"class_list":["post-1956","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1956","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1956"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1956\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1988,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1956\/revisions\/1988"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1063"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}