{"id":2254,"date":"2009-07-16T16:04:51","date_gmt":"2009-07-16T19:04:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/?page_id=2254"},"modified":"2009-07-16T16:04:51","modified_gmt":"2009-07-16T19:04:51","slug":"o-papel-do-meio-ambiente","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/behaviorismo\/o-papel-do-meio-ambiente\/","title":{"rendered":"O papel do meio ambiente"},"content":{"rendered":"<p><strong>Autor:<\/strong> B. F. Skinner<br \/>\n<strong>T\u00edtulo:<\/strong> O papel do meio ambiente<br \/>\n<strong>Fonte:<\/strong> SKINNER, Burrhus Frederic. O Papel do Meio Ambiente. In: As conting\u00eancias do refor\u00e7o. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, Cole\u00e7\u00e3o Os Pensadores, vol. 51, 1975. Pg. 09 &#8211; 27<br \/>\n<strong>Dispon\u00edvel em:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.terapiaporcontingencias.com.br\/pdf\/skinner\/opapel_do_meio_ambiente_textos.pdf\">http:\/\/www.terapiaporcontingencias.com.br\/pdf\/skinner\/opapel_do_meio_ambiente_textos.pdf<\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 tempos atr\u00e1s, pensava-se o meio ambiente como simples lugar onde animais e homens viviam e se comportavam. Poderiam se comportar de maneiras distintas, em lugares diversos, mas n\u00e3o seria porque os lugares fossem diferentes. O ambiente era cen\u00e1rio imprescind\u00edvel, que talvez favorecesse ou dificultasse o comportamento, mas n\u00e3o era o que determinava a sua ocorr\u00eancia ou a sua forma. Um papel mais ativo s\u00f3 foi sugerido no s\u00e9culo XVII, quando Descartes antecipou a no\u00e7\u00e3o de reflexo, e n\u00e3o foi sen\u00e3o no s\u00e9culo XIX que os reflexos foram isolados e estudados. Nessa \u00e9poca os fisi\u00f3logos come\u00e7aram a denominar de stimulus, termo latino para \u201caguilh\u00e3o\u201d, a a\u00e7\u00e3o do meio ambiente. \u00c0 medida que os reflexos foram sendo descobertos e estudados, o termo adquiriu outras conota\u00e7\u00f5es, e seu uso foi ampliado quando Pavlov demonstrou de que maneira novos est\u00edmulos podiam ser condicionados. A descoberta dos tropismos veio apoiar, particularmente nos escritos de Jacques Loeb, o ponto de vista de que, de uma maneira ou de outra, o meio for\u00e7ava o organismo a se comportar.<\/p>\n<p>Tais foram os antecedentes dos quais nasceu a psicologia do est\u00edmulo-resposta. John B. Watson usou o princ\u00edpio do reflexo condicionado reunido com a no\u00e7\u00e3o anterior de h\u00e1bito. Sustentava que animais e homens adquiriam novos comportamentos atrav\u00e9s do condicionamento e continuavam a se comportar enquanto os est\u00edmulos apropriados estivessem agindo. Esta posi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi desenvolvida sistematicamente por Clark Hull. E. B. Holt sumariou-a assim: \u201cSomos, de fato, cutucados ou aguilhoados pela a vida afora\u201d. N\u00e3o era f\u00e1cil, entretanto, demonstrar que isso se aplicava a todos os comportamentos. Nem identificar est\u00edmulos correspondentes para todas as respostas. Algumas condi\u00e7\u00f5es ambientais relevantes, tais como falta de alimento, n\u00e3o agiam como se fossem est\u00edmulos. O conceito original foi sendo substitu\u00eddo por algo muito menos preciso, chamado de \u201csitua\u00e7\u00e3o estimuladora global\u201d. De outro lado, igualmente perturbador, era o fato de que v\u00e1rios est\u00edmulos pareciam n\u00e3o ter efeito, embora obviamente atingissem a superf\u00edcie do organismo. Inventou-se, ent\u00e3o, um novo tipo de est\u00edmulo, chamado \u201cpista\u201d ou \u201cind\u00edcio\u201d, que tinha a curiosa propriedade de ser eficaz, apenas quando o organismo necessitava dele. (Os et\u00f3logos resolvem um problema similar da mesma forma, quando atribuem o comportamento n\u00e3o aprendido a mecanismos \u201cgatilho\u201d, est\u00edmulos que agem apenas quando o organismo est\u00e1 carregado ou pronto para responder.).<\/p>\n<p>Essa psicologia ficou sendo uma colcha de retalhos, destinada a salvar a f\u00f3rmula est\u00edmulo-resposta e teve o efeito de levar a determina\u00e7\u00e3o do comportamento de volta para o interior do organismo. Quando n\u00e3o se podiam encontrar est\u00edmulos externos, havia que inventar est\u00edmulos internos.<\/p>\n<p>Se a falta de alimento, no ambiente, n\u00e3o pode ser considerado um est\u00edmulo, era o caso de imaginar que, ao menos, gerava um \u201cimpulso\u201d que espica\u00e7asse o organismo por dentro. (A descoberta dos espasmos de fome parecia confirmar esta vis\u00e3o, mas uma estimula\u00e7\u00e3o compar\u00e1vel pelas ves\u00edculas seminais dilatadas, que Watson pensou pudesse explicar o comportamento sexual, era menos plaus\u00edvel.) Vari\u00e1veis emocionais levaram a cria\u00e7\u00e3o de outros est\u00edmulos internos: o medo, por exemplo, tornou-se um impulso adquirido. At\u00e9 mesmo os instintos tornaram-se est\u00edmulos, ponto de vista defendido, o que \u00e9 muito curioso por Freud.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tiveram que ser inventados processos e mecanismos interiores. Se um est\u00edmulo consp\u00edcuo parecesse n\u00e3o ter efeito, era porque um porteiro central \u2013 uma esp\u00e9cie de dem\u00f4nio de Maxwell \u2013 havia se recusado a deix\u00e1-lo entrar. Quando o organismo parecia comportar-se apropriadamente em rela\u00e7\u00e3o a est\u00edmulos h\u00e1 muito desaparecidos, dizia-se que respondia a c\u00f3pias desses est\u00edmulos que tinham ficado armazenados em sua mem\u00f3ria. Muitas destas atividades centrais eram vers\u00f5es mal disfar\u00e7adas dos processos mentais que a psicologia de est\u00edmulo-resposta tinha prometido exorcizar. De fato, continuaram a ser chamadas de mentais (ou, em mudando a moda, cognitivas), numa formula\u00e7\u00e3o similar, derivada da teoria de informa\u00e7\u00e3o. Substituam-se est\u00edmulos por entrada e resposta por sa\u00edda, e certos problemas dimensionais estar\u00e3o simplificados. Isto promete, mas n\u00e3o prometeu o suficiente, porque processos centrais ainda s\u00e3o necess\u00e1rios. As sa\u00eddas seguem-se \u00e0s entradas s\u00f3 depois de a entrada ter sido \u201cselecionada\u201d, \u201ctransformada\u201d, \u201carmazenada\u201d, \u201crecuperada\u201d etc.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: x-small\">O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: B. F. Skinner T\u00edtulo: O papel do meio ambiente Fonte: SKINNER, Burrhus Frederic. O Papel do Meio Ambiente. In: As conting\u00eancias do refor\u00e7o. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, Cole\u00e7\u00e3o Os Pensadores, vol. 51, 1975. 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