{"id":2256,"date":"2009-07-16T17:55:16","date_gmt":"2009-07-16T20:55:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/?page_id=2256"},"modified":"2021-03-13T23:52:42","modified_gmt":"2021-03-14T02:52:42","slug":"freud-e-a-educacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/psicanalise\/freud-e-a-educacao\/","title":{"rendered":"Freud e a Educa\u00e7\u00e3o &#8211; Kupfer"},"content":{"rendered":"<p><strong>Autor:<\/strong> Maria Cristina Kupfer<br \/>\n<strong>T\u00edtulo:<\/strong> Freud e a Educa\u00e7\u00e3o<br \/>\n<strong>Fonte:<\/strong> KUPFER, Maria Cristina. Freud e a Educa\u00e7\u00e3o. O mestre do imposs\u00edvel. S\u00e3o Paulo: Scipione, 1992.<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo 2<br \/>\nUma hist\u00f3ria de casamentos desfeitos: A aplica\u00e7\u00e3o da Psican\u00e1lise \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Foram pelo menos tr\u00eas as dire\u00e7\u00f5es tomadas pelos te\u00f3ricos interessados no casamento da Psican\u00e1lise com a Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira foi a tentativa de criar uma nova disciplina, a Pedagogia Psicanal\u00edtica, empreendida principalmente por Oskar Pfister e Hans Zulliger, na Su\u00ed\u00e7a, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>A segunda consistiu no esfor\u00e7o a que se dedicaram alguns analistas para transmitir a pais e professores a teoria psicanal\u00edtica, imaginando que estes, de posse desse conhecimento, pudessem evitar que as neuroses se instalassem em seus filhos e alunos. Anna Freud, a filha de Freud, foi a principal representante desse grupo, n\u00e3o tendo medido esfor\u00e7os no sentido de levar aos professores o modo psicanal\u00edtico de ver a crian\u00e7a. Na Inglaterra, Melanie Klein e seus disc\u00edpulos dedicaram-se tamb\u00e9m a obras de divulga\u00e7\u00e3o da Psican\u00e1lise para pais.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica liter\u00e1ria passou a adotar referenciais psicanal\u00edticos, o cinema nutriu-se intensamente de alus\u00f5es ao inconsciente, \u00e0s identifica\u00e7\u00f5es e a outros temas psicanal\u00edticos. E, atrav\u00e9s de um movimento de troca, matem\u00e1ticos, ling\u00fcistas, f\u00edsicos, forneceram novas bases te\u00f3ricas em que a moderna Psican\u00e1lise se apoiou.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa \u00faltima vertente que o presente livro espera poder incluir os educadores. Pois, embora o &#8220;derramamento&#8221; da Psican\u00e1lise sobre a cultura tenha sido amplo, n\u00e3o chegou a atingir de modo significativo os educadores brasileiros.<\/p>\n<p>Antes de abordar, com alguma aten\u00e7\u00e3o, cada uma dessas dire\u00e7\u00f5es, ser\u00e1 necess\u00e1rio registrar alguma coisa sobre a difus\u00e3o das id\u00e9ias freudianas na \u00e9poca em que elas estavam em constru\u00e7\u00e3o, ou seja, nas primeiras quatro d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX. \u00c9 a partir dessa difus\u00e3o que se formou a id\u00e9ia que se tem hoje, vulgarmente, da Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p><strong>A difus\u00e3o das id\u00e9ias freudianas<\/strong><\/p>\n<p>O leitor familiarizado com os textos de divulga\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias freudianas ter\u00e1 certamente reconhecido nas puls\u00f5es parciais um parentesco com as conhecidas fase oral, anal e f\u00e1lica. De modo geral, o que se transmite \u00e9 que Freud \u00e9 o respons\u00e1vel pela descri\u00e7\u00e3o do desenvolvimento afetivo-emocional das crian\u00e7as. Esse desenvolvimento, ainda segundo os textos de divulga\u00e7\u00e3o, come\u00e7aria com uma fase oral, onde predominam os interesses ligados \u00e0 boca (amamenta\u00e7\u00e3o, suc\u00e7\u00e3o), uma fase anal, onde os interesses se ligam ao prazer de defecar e de manipular as fezes, e uma fase f\u00e1lica, em que a crian\u00e7a passa a se interessar pela exist\u00eancia do p\u00eanis. Tais fases se relacionam \u00e0 predomin\u00e2ncia de uma determinada puls\u00e3o parcial, respons\u00e1vel pela emerg\u00eancia do interesse a ela correspondente.<\/p>\n<p>De fato, as bases para a descri\u00e7\u00e3o das fases de desenvolvimento s\u00e3o freudianas, mas sua formula\u00e7\u00e3o se deve na verdade a um de seus disc\u00edpulos, Karl Abraham. No entanto, a id\u00e9ia de uma descri\u00e7\u00e3o do desenvolvimento afetivoemocional est\u00e1 distante do pensamento de Freud. Talvez essa categoria, a do desenvolvimento emocional, tenha sido criada para marcar uma oposi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s descri\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas basicamente cognitivas ou intelectuais. Querse entender como uma crian\u00e7a? Leia-se Piaget. Quer-se entender o que \u00e9 que sente uma crian\u00e7a, ou por que \u00e9 agressiva? Leia-se Freud.<\/p>\n<p>Freud n\u00e3o pretendeu descrever nada parecido com o \u201cdesenvolvimento emocional de uma crian\u00e7a\u201d. No entanto, \u00e9 assim que sua teoria est\u00e1 identificada em nosso meio. Naturalmente, deve-se esperar que em toda divulga\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias haja uma perda de exatid\u00e3o. Um corpo que se desloca acaba por perder acelera\u00e7\u00e3o em decorr\u00eancia da a\u00e7\u00e3o do atrito. Embora natural, tal constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve impedir-nos de tentar resgatar essa exatid\u00e3o.<\/p>\n<p>Freud queria, de fato, que sua teoria constitu\u00edsse, entre outras coisas, um modelo da constru\u00e7\u00e3o dos processos atrav\u00e9s dos quais um indiv\u00edduo se torna um ser sexuado. J\u00e1 que uma de suas descobertas mais importantes foi a id\u00e9ia de que a sexualidade se constr\u00f3i, n\u00e3o sendo determinada pela Biologia \u2013 os homossexuais est\u00e1 a\u00ed para comprov\u00e1-lo \u2013, ent\u00e3o era natural que ele se interessasse em descrever essa constru\u00e7\u00e3o. Para isso, lan\u00e7ou m\u00e3o de grandes conjuntos conceituais. Entre eles, destacam-se a teoria das puls\u00f5es e o complexo de \u00c9dipo.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\">O texto integral encontra-se na fonte indicada acima.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Maria Cristina Kupfer T\u00edtulo: Freud e a Educa\u00e7\u00e3o Fonte: KUPFER, Maria Cristina. Freud e a Educa\u00e7\u00e3o. O mestre do imposs\u00edvel. S\u00e3o Paulo: Scipione, 1992. 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