{"id":2286,"date":"2009-09-14T14:37:49","date_gmt":"2009-09-14T17:37:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/?page_id=2286"},"modified":"2009-09-16T16:19:15","modified_gmt":"2009-09-16T19:19:15","slug":"ensino-e-aprendizagem-de-ortografia-na-escola","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/piaget\/ensino-e-aprendizagem-de-ortografia-na-escola\/","title":{"rendered":"Ensino e aprendizagem de ortografia na escola"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fonte:<\/strong> Jornal Di\u00e1rio do Grande ABC. Encarte: Di\u00e1rio na Escola. Sexta-feira, 17 de setembro de 2004.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/arquivos\/diario-abc-entrevista-ortografia.pdf\">https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/arquivos\/diario-abc-entrevista-ortografia.pdf<\/a><\/p>\n<p>O educador Paulo Francisco Slomp \u00e9 psic\u00f3logo, p\u00f3s-Graduado em Psicologia Piagetiana, mestre em Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o, professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisador da \u00e1rea da alfabetiza\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, Slomp fala sobre reflex\u00e3o e an\u00e1lise da nossa l\u00edngua, sobre a postura dos professores diante da l\u00edngua falada e da escrita, sobre a aquisi\u00e7\u00e3o da ortografia e da gram\u00e1tica por parte dos alunos e sobre a psicog\u00eanese da ortografia.<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1rio na Escola \u2013 Na sua opini\u00e3o, qual \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o dos professores a respeito da aquisi\u00e7\u00e3o do sistema de escrita? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Francisco Slomp <\/strong>\u2013 Segundo conversas informais com mestres das s\u00e9ries iniciais do ensino fundamental, pude perceber a exist\u00eancia de uma concep\u00e7\u00e3o da l\u00edngua escrita que a coloca como um c\u00f3digo de transcri\u00e7\u00e3o da l\u00edngua falada.<br \/>\nCom meus alunos universit\u00e1rios, no trabalho de forma\u00e7\u00e3o de professores, tamb\u00e9m observo a presen\u00e7a dessa no\u00e7\u00e3o. Talvez possamos dizer que o senso comum carrega consigo essa id\u00e9ia. As verbaliza\u00e7\u00f5es que encontramos manifestam a concep\u00e7\u00e3o de que seria necess\u00e1rio primeiramente ensinar as crian\u00e7as a falar certo e, ap\u00f3s essa prepara\u00e7\u00e3o, elas estariam em condi\u00e7\u00f5es de escrever corretamente. Assim, juntamente com educadora Miriam Lemle (doutora em Ling\u00fc\u00edstica e professora de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Univeridade Federal do Rio de Janeiro), poder\u00edamos dizer que estamos em presen\u00e7a de um equ\u00edvoco ling\u00fc\u00edstico, de um desrespeito humano e de um erro pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1rio na Escola \u2013 O que \u00e9 necess\u00e1rio considerar no trabalho com l\u00edngua escrita?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Francisco Slomp <\/strong>\u2013 Devemos levar em considera\u00e7\u00e3o que a l\u00edngua falada se modifica bem mais rapidamente durante o passar do tempo do que a l\u00edngua escrita. Isso as deixa cada vez mais distantes uma da outra. \u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m diferenciar as caracter\u00edsticas que a l\u00edngua falada assume em diferentes contextos e classes sociais. J\u00e1 a l\u00edngua escrita \u00e9 mais resistente a mudan\u00e7as hist\u00f3ricas e de contextos sociais. Isso nos leva a compreens\u00e3o de que o escrito \u00e9 muito diferente do oral. Essa concep\u00e7\u00e3o exposta acima, por vezes encontra difus\u00e3o e, em outras ocasi\u00f5es, encontra resist\u00eancia por parte de proposi\u00e7\u00f5es que circulam pela grande imprensa, ou inclusive nos meios acad\u00eamicos, para que seja realizada uma reforma ortogr\u00e1fica onde o crit\u00e9rio central seja a transforma\u00e7\u00e3o da escrita em uma transcri\u00e7\u00e3o da fala, objetivando uma pretensa simplifica\u00e7\u00e3o e maior acessibilidade. Mas devemos ser cr\u00edticos e perguntar: L\u00edngua falada por quem? De qual comunidade? De qual per\u00edodo hist\u00f3rico? Ou seja, uma an\u00e1lise um pouco mais ampla e aprofundada indica que o objetivo de transformar a escrita em transcri\u00e7\u00e3o da fala agravaria a situa\u00e7\u00e3o que essa  proposta pretende sanar.<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1rio na Escola \u2013 O baixo desempenho ortogr\u00e1fico dos estudantes \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o permanente entre os educadores. Observa-se, nos \u00faltimos anos, entre os professores das s\u00e9ries iniciais, um sentimento de inseguran\u00e7a quanto ao ensino da ortografia. A que isso se deve?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Francisco Slomp <\/strong>\u2013 A vulgariza\u00e7\u00e3o da proposta de ensino construtivista pode ter contribu\u00eddo para a constitui\u00e7\u00e3o do engano de que n\u00e3o devemos corrigir os erros das crian\u00e7as, pois elas pr\u00f3prias devem construir o seu conhecimento. Tal postura sup\u00f5e id\u00e9ias espontaneistas. Mas a escola n\u00e3o deve adotar uma postura espontaneista e deixar as coisas acontecerem sozinhas.<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1rio na Escola \u2013 Como trabalhar ortografia sem submet\u00ea-la \u00e0 fon\u00e9tica? Como trabalh\u00e1-la como uma fase do processo de produ\u00e7\u00e3o de texto e n\u00e3o como uma tarefa em si mesma?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Francisco Slomp <\/strong>\u2013 A escrita ortogr\u00e1fica tradicionalmente \u00e9 encarada como algo resultante de um esfor\u00e7o de memoriza\u00e7\u00e3o e obtida a custa de repeti\u00e7\u00e3o. Ou seja, a aquisi\u00e7\u00e3o da ortografia, nessa concep\u00e7\u00e3o mecanicista, decorre da forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos criados pela repeti\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es. O ensino \u00e9 entendido como um mero treinamento, devendo seguir uma escala onde as dificuldades v\u00e3o sendo acrescentadas: limitar, na primeira s\u00e9rie, o treino de palavras com mais de duas s\u00edlabas; utilizar inicialmente palavras compostas de s\u00edlabas formadas por apenas uma vogal e uma consoante; depois disso, passar a treinar palavras com \u201ch\u201d; a seguir palavras com \u201csc\u201d etc. Em oposi\u00e7\u00e3o a essa proposta encontramos uma concep\u00e7\u00e3o onde a crian\u00e7a \u00e9 vista como um ser ativo que reflete, compara, classifica, formula hip\u00f3teses e submete o mundo a diversos processos de racioc\u00ednio l\u00f3gico. Assim, a \u00eanfase fica deslocada da memoriza\u00e7\u00e3o acr\u00edtica para uma busca da compreens\u00e3o significativa. O professor Artur Gomes de Morais, da Universidade de Pernambuco, \u00e9 um dos autores que t\u00eam realizado pesquisas a partir desta segunda concep\u00e7\u00e3o. Ele destaca que os professores podem se valer de regularidades ortogr\u00e1ficas que facilitam bastante a aprendizagem. Tamb\u00e9m produziu experimentos onde as crian\u00e7as, quando lhes s\u00e3o oferecidas oportunidades de reflex\u00e3o, manifestam um bom conhecimento ortogr\u00e1fico, sendo capazes de corrigir com elevado grau de acerto a sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o escrita.<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1rio na Escola \u2013 \u00c9 poss\u00edvel falar em psicog\u00eanese da ortografia nas crian\u00e7as? O senhor poderia explicar isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Paulo Francisco Slomp <\/strong>\u2013 Psicog\u00eanese, como a divis\u00e3o da palavra indica, \u00e9 o termo empregado para designar o estudo da origem e forma\u00e7\u00e3o ou desenvolvimento dos processos mentais que resultam em aprendizagem ou conhecimento. A psic\u00f3loga e pesquisadora argentina Em\u00edlia Ferreiro fez importantes descobertas na \u00e1rea da psicog\u00eanese da l\u00edngua escrita.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Obs.: A fonte eletr\u00f4nica original da entrevista foi desativada <a href=\"http:\/\/www.diarionaescola.com.br\">www.diarionaescola.com.br<\/a>. H\u00e1 uma c\u00f3pia em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.redeinformacao.com.br\/biblioteca\/arquivos\/Escola_17_09_2490.pdf\">http:\/\/www.redeinformacao.com.br\/biblioteca\/arquivos\/Escola_17_09_2490.pdf<\/a>&gt;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Jornal Di\u00e1rio do Grande ABC. Encarte: Di\u00e1rio na Escola. Sexta-feira, 17 de setembro de 2004. https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/arquivos\/diario-abc-entrevista-ortografia.pdf O educador Paulo Francisco Slomp \u00e9 psic\u00f3logo, p\u00f3s-Graduado em Psicologia Piagetiana, mestre em Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o, professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisador da \u00e1rea da alfabetiza\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-alfabetiza\u00e7\u00e3o. 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