{"id":351,"date":"2008-08-08T17:45:25","date_gmt":"2008-08-08T20:45:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/?page_id=351"},"modified":"2021-11-18T18:09:51","modified_gmt":"2021-11-18T21:09:51","slug":"o-ato-de-ler-evolui","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/piaget\/o-ato-de-ler-evolui\/","title":{"rendered":"Emilia Ferreiro &#8211; O ato de ler evolui"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista com Emilia Ferreiro<br \/>\n<strong> Fonte:<\/strong> <a title=\"Revista Escola\" href=\"http:\/\/revistaescola.abril.com.br\/edicoes\/0143\/aberto\/mt_246953.shtml\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">http:\/\/revistaescola.abril.com.br\/edicoes\/0143\/aberto\/mt_246953.shtml<\/a><\/p>\n<p>Para a psicoling\u00fcista argentina, o que se espera de um leitor muda com o tempo. Na era da internet, seletividade e rapidez s\u00e3o caracter\u00edsticas essenciais<\/p>\n<p>Nos anos 70, ela revolucionou a alfabetiza\u00e7\u00e3o ao explicar como as crian\u00e7as aprendem. Passou a defender a utiliza\u00e7\u00e3o de textos variados, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0s cartilhas. Ap\u00f3s a pol\u00eamica inicial, suas teses se tornaram refer\u00eancia internacional. A fama n\u00e3o a desviou, no entanto, da preocupa\u00e7\u00e3o em desvendar o processo de aquisi\u00e7\u00e3o da leitura e da escrita. Aos 64 anos, Emilia Ferreiro agora avalia a interfer\u00eancia das inova\u00e7\u00f5es trazidas pela internet. &#8220;Todo profissional deve querer saber sempre mais&#8221;, ensina. &#8220;Se n\u00e3o h\u00e1 inquietude, repetimos coisas que podem estar ultrapassadas.&#8221; Em abril, a psicoling\u00fcista argentina (que vive no M\u00e9xico) passou pelo Brasil e concedeu a seguinte entrevista a NOVA ESCOLA.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NOVA ESCOLA<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>No livro Cultura Escrita e Educa\u00e7\u00e3o, a senhora afirma que adora pesquisar e descobrir que entendeu algo que a intrigava. O que a deixa intrigada atualmente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia Ferreiro<\/strong>&lt; Continuo tentando compreender melhor o funcionamento dos sistemas e das tecnologias de escrita. Indaga\u00e7\u00f5es surgem a respeito dos modos de comunica\u00e7\u00e3o e estilos que est\u00e3o sendo criados. Um exemplo \u00e9 o chat, que parece um interc\u00e2mbio informal, cara a cara, s\u00f3 que por texto. Outro \u00e9 o e-mail, que n\u00e3o \u00e9 uma carta em papel nem um telegrama. Essas novas formas de di\u00e1logo possuem propriedades que n\u00e3o conhecemos. S\u00e3o temas a ser pesquisados, assim como a interface entre a aquisi\u00e7\u00e3o da escrita com letras e com n\u00fameros&#8230;<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Como isso se d\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; As duas s\u00e3o ensinadas simultaneamente porque a escola e o ambiente pedem. J\u00e1 conhecemos bastante o sistema de aquisi\u00e7\u00e3o da leitura com letras e a maneira de escrever n\u00fameros em situa\u00e7\u00f5es vinculadas a representa\u00e7\u00f5es de quantidade. Quero averiguar como se descobre quando usar um ou outro. Quando escrevo casa, leio casa e posso traduzir para house, se souber ingl\u00eas. No entanto, se escrevo 5, posso ler cinco ou five. Nesse caso n\u00e3o est\u00e1 escrito o nome do n\u00famero mas o sentido que ele passa. E esse sentido pode ser passado em qualquer l\u00edngua. N\u00e3o posso redigir a palavra casa com n\u00fameros, mas a palavra cinco posso escrever tamb\u00e9m com um algarismo. \u00c9 interessante ver como crian\u00e7as muito pequenas, de 4 ou 5 anos, lidam com isso.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>O professor deve tentar desvendar problemas em seu dia-a-dia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; N\u00e3o. O of\u00edcio do pesquisador e o do professor s\u00e3o distintos. Digo isso porque exer\u00e7o os dois. Quando estou ensinando, minha atitude sobre os problemas \u00e9 diferente da que tenho quando estou pesquisando. \u00c9 importante ensinar os alunos a pesquisar, mas isso \u00e9 parte de meu trabalho de professora.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Mas n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m papel do docente buscar novos conhecimentos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; Com certeza. S\u00f3 que isso \u00e9 diferente de pesquisar. Querer saber sempre mais deve ser pr\u00f3prio de qualquer profissional. Um m\u00e9dico tamb\u00e9m tem de se atualizar e n\u00e3o se contentar com o que aprendeu na universidade. Se n\u00e3o h\u00e1 uma certa inquietude em continuar descobrindo coisas novas terminamos repetindo as antigas \u2014 e o que era v\u00e1lido h\u00e1 vinte anos n\u00e3o continua necessariamente bom hoje.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>O significado de saber ler e escrever tamb\u00e9m muda com o tempo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; Usamos esses mesmos verbos na Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica, na Idade M\u00e9dia, na revolu\u00e7\u00e3o industrial ou na era da internet. Por isso, temos a impress\u00e3o de que designam a mesma coisa. O real significado, no entanto, vem se modificando. Ambos t\u00eam a ver com marcas visuais, mas o que se espera do leitor \u00e9 determinado socialmente, numa certa \u00e9poca ou cultura. Na Antig\u00fcidade cl\u00e1ssica n\u00e3o se esperava o mesmo que no s\u00e9culo XVIII, nem o que se espera agora.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>O que determina a efici\u00eancia de um leitor na era da internet?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; O trabalho na internet exige rapidez na leitura e muita seletividade, porque n\u00e3o se pode ler tudo o que est\u00e1 na tela. E a capacidade de selecionar n\u00e3o \u00e9 algo que, h\u00e1 alguns anos, fosse uma exig\u00eancia importante na forma\u00e7\u00e3o do leitor. No contexto escolar, n\u00e3o tinha lugar preponderante mesmo. Na rede mundial de computadores, as p\u00e1ginas est\u00e3o cheias de coisas que n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o que procuro e existe a possibilidade de um texto me conduzir a outros por meio de um click. Al\u00e9m disso, quando tenho um livro em m\u00e3os e o abro em qualquer p\u00e1gina, sei claramente se \u00e9 o come\u00e7o, o meio ou o fim. Quando abro uma p\u00e1gina na internet nem sempre tenho no\u00e7\u00e3o de onde estou.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Mas os jovens t\u00eam facilidade para se adaptar a essas mudan\u00e7as&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; Eles aprenderam a usar a internet sozinhos e rapidamente, sem instru\u00e7\u00e3o escolar nem paraescolar. Eles conhecem essa tecnologia melhor que os adultos \u2014 os alunos sabem mais do que seus mestres. Essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de grande potencial educativo, porque o professor pode dizer: &#8220;Sobre isso eu n\u00e3o sei nada. Voc\u00ea me ensina?&#8221; A possibilidade de uma rela\u00e7\u00e3o educativa realmente dial\u00f3gica \u00e9 fant\u00e1stica. Mas o docente n\u00e3o est\u00e1 acostumado a fazer isso e, num primeiro momento, fica com muito medo de n\u00e3o poder ensinar. Em casa, ele recorre aos filhos. No espa\u00e7o p\u00fablico, na escola, ele tem mais dificuldades.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Al\u00e9m da quest\u00e3o tecnol\u00f3gica, existe a da l\u00edngua. A senhora acha que quem n\u00e3o souber ingl\u00eas ser\u00e1 um analfabeto nesta era da internet?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; \u00c9 preciso aprender o ingl\u00eas, sem d\u00favida, mas n\u00e3o s\u00f3 esse idioma. Nestes tempos de globaliza\u00e7\u00e3o, vemos ao mesmo tempo um movimento de homogeneiza\u00e7\u00e3o (de um lado) e grupos que manifestam um desejo de manter a pr\u00f3pria identidade (de outro). As duas coisas est\u00e3o funcionando simultaneamente. No in\u00edcio da internet t\u00ednhamos a impress\u00e3o de que ela seria uma das tantas maneiras de converter o ingl\u00eas na \u00fanica l\u00edngua de comunica\u00e7\u00e3o. Hoje a situa\u00e7\u00e3o mudou bastante. H\u00e1 cada vez mais uma diversidade de idiomas na rede. Temos duas dire\u00e7\u00f5es a seguir: consultar somente sites na nossa l\u00edngua ou tomar consci\u00eancia de que a rede nos d\u00e1 acesso, por exemplo, a jornais escritos em pa\u00edses distintos \u2014 e procurar entend\u00ea-los.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Voltando \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o, o livro Psicog\u00eanese da L\u00edngua Escrita foi lan\u00e7ado no Brasil em 1985 e causou uma revolu\u00e7\u00e3o. Como a senhora avalia a repercuss\u00e3o da teoria ali contida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; As mudan\u00e7as educativas s\u00e3o lentas. \u00c9 muito f\u00e1cil transformar uma escola pequena, privada, que tenha desejo de evolu\u00e7\u00e3o. Mas num sistema educativo municipal ou estadual \u00e9 mais dif\u00edcil. Tendo em conta a complexidade da realidade brasileira e levando em considera\u00e7\u00e3o que a difus\u00e3o da teoria n\u00e3o foi similar em todas as regi\u00f5es, eu diria que j\u00e1 aconteceram muitas coisas por aqui.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Quais as mais significativas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; No Brasil havia uma esp\u00e9cie de obsess\u00e3o em montar turmas homog\u00eaneas. Tenho a impress\u00e3o de que esse n\u00e3o \u00e9 mais um problema. E se isso realmente aconteceu, \u00e9 um grande avan\u00e7o. A homogeneidade \u00e9 um mito que nunca se alcan\u00e7a. Eu posso aplicar uma prova, dizer que vinte estudantes s\u00e3o iguaizinhos e coloc\u00e1-los todos juntos para trabalhar. Daqui a uma semana eles n\u00e3o ser\u00e3o mais iguais, porque os ritmos de desenvolvimento s\u00e3o muito variados. Uma coisa s\u00e3o os ritmos individuais, outra, as etapas de desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s etapas de desenvolvimento, voc\u00ea cr\u00ea que sua import\u00e2ncia j\u00e1 foi assimilada?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; Num primeiro momento, houve apenas a troca de r\u00f3tulos. Os fracos passaram a ser chamados de pr\u00e9-sil\u00e1bicos. Os que estavam no meio do processo eram os sil\u00e1bicos e os que eram fortes foram classificados como alfab\u00e9ticos. Alguns anos depois ficou mais claro que os r\u00f3tulos novos permitiam ver de outra maneira o progresso das crian\u00e7as, mostravam que elas estavam aprendendo. \u00c9 desesperador estar diante de um aluno e dizer &#8220;ele n\u00e3o sabe&#8221;, &#8220;ele ainda n\u00e3o sabe&#8221;. Quando se pode visualizar as mudan\u00e7as como um progresso na aprendizagem, tudo muda. Primeiro porque o esfor\u00e7o de aprender \u00e9 reconhecido; segundo porque h\u00e1 a satisfa\u00e7\u00e3o de ver avan\u00e7os onde antes n\u00e3o se enxergava nada.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Ainda hoje chegam cartas \u00e0 reda\u00e7\u00e3o de NOVA ESCOLA perguntando qual a idade ideal para iniciar a alfabetiza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; Constatei que, atuando de forma inteligente, pode-se alfabetizar aos 5 anos, aos 6 ou aos 7. \u00c9 preciso oferecer oportunidade para os menores. Alguns v\u00e3o aprender muito, outros nem tanto. A id\u00e9ia de que eu, adulto, determino a idade com que algu\u00e9m vai aprender a escrever \u00e9 parte da onipot\u00eancia do sistema escolar que decide em que dia e a que horas algo vai come\u00e7ar. Isso n\u00e3o existe. As crian\u00e7as t\u00eam o mau costume de n\u00e3o pedir permiss\u00e3o para come\u00e7ar a aprender.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>O que um alfabetizador n\u00e3o pode deixar de fazer em classe?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; Ler em voz alta. Especialmente se as turmas forem pobres, vindas de lugares em que h\u00e1 poucas pessoas letradas. Essa poder\u00e1 ser a primeira vez que ela passa por uma experi\u00eancia assim. O texto, no entanto, tem de ser bom e lido com convencimento. Esse aluno de 6 ou 7 anos vai presenciar um ato quase m\u00e1gico. Vai escutar um idioma conhecido e ao mesmo tempo desconhecido, porque a l\u00edngua, quando escrita, \u00e9 diferente. Essa maneira de trabalhar \u00e9 muito melhor do que usar as cartilhas e as fam\u00edlias sil\u00e1bicas.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>As cartilhas, ali\u00e1s, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o usadas como antigamente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; Certa vez um editor brasileiro me acusou de estar arruinando o neg\u00f3cio de cartilhas, e parece que ele tinha raz\u00e3o. Se tenho mesmo rela\u00e7\u00e3o com a queda na produ\u00e7\u00e3o desses livros, estou muito orgulhosa. Eles eram de p\u00e9ssima qualidade, horr\u00edveis, assustadores. Eram pura bobagem. Apesar disso, h\u00e1 vinte anos parecia um sacril\u00e9gio, no Brasil, dizer que a fam\u00edlia sil\u00e1bica n\u00e3o era a melhor maneira de trabalhar. Tenho a impress\u00e3o de que isso mudou e de que esse \u00e9 um caminho sem volta. Para ensinar a ler e escrever \u00e9 necess\u00e1rio utilizar diferentes materiais. Um livro s\u00f3 n\u00e3o basta. \u00c9 preciso utilizar livro, revista, jornal, calend\u00e1rio, agenda, caderno, um conjunto de superf\u00edcies sobre as quais se escreve. A maneira como um jornal \u00e9 redigido n\u00e3o \u00e9 a mesma que se encontra num livro de Geografia ou Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Como deve agir o professor em \u00e1reas rurais, onde o contato com a l\u00edngua escrita \u00e9 muito menor?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; Ele n\u00e3o pode desperdi\u00e7ar nem um minuto do tempo em que sua turma est\u00e1 na escola, porque cada minuto \u00e9 muito precioso. Terminado o per\u00edodo da aula, o contato com a escrita quase desaparece, sobretudo se for numa regi\u00e3o em que n\u00e3o haja maquin\u00e1rios sofisticados, que exigem a leitura de manuais, ou onde materiais impressos praticamente n\u00e3o existam.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Como a senhora avalia a alfabetiza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&lt; A Am\u00e9rica Latina est\u00e1 conseguindo levar praticamente todas as crian\u00e7as para a escola, mas nem todas continuam estudando nem aprendem algo que justifique sua perman\u00eancia ali.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>Ou seja, ainda h\u00e1 o risco de o continente continuar formando analfabetos funcionais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&gt; Esse problema ocorre no mundo inteiro, ainda que com nomes diferentes. Na Fran\u00e7a, por exemplo, h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o entre o iletrado e o analfabeto. Este n\u00e3o teve uma escolaridade suficientemente prolongada. O primeiro teve essa oportunidade, mas n\u00e3o pratica nem a leitura nem a escrita. Ent\u00e3o, poucos anos mais tarde, l\u00ea com dificuldade e evita escrever. Pa\u00edses que j\u00e1 resolveram o problema da escolaridade obrigat\u00f3ria t\u00eam iletrados; os que n\u00e3o possibilitaram \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a escolaridade b\u00e1sica t\u00eam analfabetos.<\/p>\n<p><strong><span class=\"DestCor\"><strong>NE<\/strong><\/span><\/strong>&gt; <strong>O Brasil encontrou o caminho para combater esse problema?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Emilia<\/strong>&gt; No Brasil, aparentemente, est\u00e1 em curso uma mudan\u00e7a sens\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o. Muito mais crian\u00e7as e jovens em idade escolar est\u00e3o nas salas de aula. Esse \u00e9 o primeiro passo. Agora, vem o mais importante: desafio da qualidade, da aprendizagem. N\u00e3o basta ocupar todas as carteiras. \u00c9 preciso ensinar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Emilia Ferreiro Fonte: http:\/\/revistaescola.abril.com.br\/edicoes\/0143\/aberto\/mt_246953.shtml Para a psicoling\u00fcista argentina, o que se espera de um leitor muda com o tempo. Na era da internet, seletividade e rapidez s\u00e3o caracter\u00edsticas essenciais Nos anos 70, ela revolucionou a alfabetiza\u00e7\u00e3o ao explicar como as crian\u00e7as aprendem. 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