{"id":93,"date":"2008-06-11T16:37:08","date_gmt":"2008-06-11T19:37:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/?page_id=93"},"modified":"2020-02-09T20:52:23","modified_gmt":"2020-02-09T23:52:23","slug":"afetividade-e-inteligencia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/psicoeduc\/piaget\/afetividade-e-inteligencia\/","title":{"rendered":"Afetividade e intelig\u00eancia &#8211; Jean Piaget"},"content":{"rendered":"<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: <\/strong>A tradu\u00e7\u00e3o do texto a seguir, realizada pela aluna Magda Medeiros Schu, \u00e9 fruto de uma atividade volunt\u00e1ria proposta na disciplina Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o B e destina-se aos estudos desenvolvidos nessa disciplina.<\/p>\n<p><strong>Supervis\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Professor Paulo Francisco Slomp.<\/p>\n<p><strong>Fonte: <\/strong>PIAGET, Jean. The relation of affetivity to intelligence in the mental development of the child. [transl. by Pitsa Hartocollis]. In <em>Bulletin of the Menninger Clinic.<\/em> &#8211; 1962, vol. 26, no 3. Three lectures presented as a series to the Menninger school of psychiatry March, 6, 13 and 22, 1961. Publica\u00e7\u00e3o original em l\u00edngua inglesa, 1962.<\/p>\n<p><strong>A RELA\u00c7\u00c3O DA AFETIVIDADE COM A INTELIG\u00caNCIA NO DESENVOLVIMENTO MENTAL DA CRIAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p><em>Autor: Jean Piaget<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 incontest\u00e1vel que o afeto desempenha um papel essencial no funcionamento da intelig\u00eancia. Sem afeto n\u00e3o haveria interesse, nem necessidade, nem motiva\u00e7\u00e3o; e conseq\u00fcentemente, perguntas ou problemas nunca seriam colocados e n\u00e3o haveria intelig\u00eancia. A afetividade \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria na constitui\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia mas, na minha opini\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>Podemos considerar de duas maneiras diferentes as rela\u00e7\u00f5es entre afetividade e intelig\u00eancia. A verdadeira ess\u00eancia da intelig\u00eancia \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o progressiva das estruturas operacionais e pr\u00e9-operacionais. Na rela\u00e7\u00e3o entre intelig\u00eancia e afeto, podemos postular que o afeto faz ou pode causar a forma\u00e7\u00e3o de estruturas cognitivas. Muitos autores tem apresentado tal tese, por exemplo, Charles Odier em seu estudo das rela\u00e7\u00f5es entre psican\u00e1lise e meus estudos em psicologia infantil. Odier sustentou que o esquema do objeto permanente &#8211; as descobertas que o bebe faz sobre a perman\u00eancia do objeto quando ele desaparece do seu campo visual &#8211; \u00e9 causado por sentimento, por rela\u00e7\u00f5es objetais. Ou seja, isto \u00e9 devido \u00e0s rela\u00e7\u00f5es afetivas da crian\u00e7a com o objeto ou pessoa envolvida. Em outras palavras, as rela\u00e7\u00f5es afetivas da crian\u00e7a com o objeto-m\u00e3e, ou outras pessoas, s\u00e3o respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o da estrutura cognitiva.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo franc\u00eas Wallon acha que a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 a fonte do conhecimento. Um estudioso de Wallon, Malrieux, chega at\u00e9 a dizer que a estimativa de dist\u00e2ncia, ou a percep\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncia, \u00e9 devida ao desejo de alcan\u00e7ar objetos distantes, e n\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria dist\u00e2ncia dos objetos.<\/p>\n<p>Uma segunda interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 que o afeto explica a acelera\u00e7\u00e3o ou retardamento da forma\u00e7\u00e3o das estruturas; acelera\u00e7\u00e3o no caso de interesse e necessidade, retardamento quando a situa\u00e7\u00e3o afetiva \u00e9 obst\u00e1culo para o desenvolvimento intelectual, como no excelente estudo de Spitz sobre hospitalismo. Nessa interpreta\u00e7\u00e3o, a afetividade explica a acelera\u00e7\u00e3o ou retardamento mas n\u00e3o a causa da forma\u00e7\u00e3o da estrutura. Embora uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, a afetividade n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o suficiente na forma\u00e7\u00e3o da estrutura, que na cogni\u00e7\u00e3o, \u00e9 aut\u00f4noma. Por exemplo, numa estrutura aritm\u00e9tica como 7+5=12, a compreens\u00e3o da igualdade pode ser retardada por certas situa\u00e7\u00f5es afetivas, ou pode ser acelerada onde o interesse estiver envolvido. Em ambos os casos, o sujeito acabar\u00e1 por aceitar que 7+5=12. Isto mostra a estrutura independente do afeto, mesmo que sua constru\u00e7\u00e3o possa ser motivada, e por conseq\u00fc\u00eancia acelerada ou retardada por sentimentos, interesse e afeto.<\/p>\n<p>O afeto pode levar a erros, e por causa de certos problemas afetivos, uma crian\u00e7a pode aceitar por um momento que 7+5=11, ou 13 e n\u00e3o 12. Mas isto n\u00e3o \u00e9 uma estrutura equilibrada. Mesmo que o afeto leve a desvios moment\u00e2neos, fatores puramente cognitivos corrigir\u00e3o eventualmente cada estrutura, independentemente do afeto.<\/p>\n<p>Das duas interpreta\u00e7\u00f5es, eu escolho a segunda e tentarei demonstrar geneticamente que a afetividade pode levar a acelera\u00e7\u00e3oou retardamento, mas n\u00e3o \u00e9 a causa da forma\u00e7\u00e3o das estruturas cognitivas. Considerando primeiroque a afetividade precede as fun\u00e7\u00f5es das estruturas cognitivas, mostrarei que os est\u00e1gios da afetividades correspondem exatamente aos est\u00e1gios de desenvolvimento das estruturas; ou seja, que h\u00e1 correspond\u00eancia e n\u00e3o sucess\u00e3o.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<hr \/>\n<h4><em>* O texto integral da tradu\u00e7\u00e3o encontra-se dispon\u00edvel somente aos alunos matriculados na disciplina EDU01012 Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o II.<\/em><\/h4>\n<hr \/>\n<p><a name=\"magda\"><\/a><span style=\"font-size: medium; color: #800040;\"><strong>Magda Medeiros Schu<\/strong><\/span> foi quem traduziu o texto acima.<\/p>\n<ul>\n<li>A\u00ed vai o recado dela (janeiro de 1997):<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><span style=\"font-size: medium;\">&#8220;<\/span>Estou cursando Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na UFRGS e tenho 21 anos. Al\u00e9m de estudar, trabalho como professora das s\u00e9ries iniciais do I Grau. Valorizo bastante a educa\u00e7\u00e3o, pois acredito que atrav\u00e9s dela a realidade \u00e9 transformada. Considero que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo din\u00e2mico, cont\u00ednuo e sempre novo. N\u00f3s professores desempenhamos um importante papel ao interagirmos em diversos meios s\u00f3cio-culturais.<span style=\"font-size: medium;\">&#8220;<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"right\"><a href=\"mailto:schu@vortex.ufrgs.br\"><em>Clique aqui<\/em><\/a><em> para enviar um e-mail pra Magda.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: xx-small;\">Compare pre\u00e7os de livros de <a href=\"http:\/\/compare.buscape.com.br\/categorias?id=3482&amp;c=0&amp;raiz=3482ens=0&amp;kw=piaget&amp;lkout=1&amp;site_origem=1165663\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jean Piaget<\/a><br \/>\n<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradu\u00e7\u00e3o: A tradu\u00e7\u00e3o do texto a seguir, realizada pela aluna Magda Medeiros Schu, \u00e9 fruto de uma atividade volunt\u00e1ria proposta na disciplina Psicologia da Educa\u00e7\u00e3o B e destina-se aos estudos desenvolvidos nessa disciplina. 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