Clube da Luta

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O Duplo

O personagem principal de o Clube da Luta é encenado pelo ator Edward <a class="inlineAdmedialink" href="#">Norton</a>( não é dito o nome do personagem no filme). Esse personagem é um burocrata que sacrifica sua vida dentro de um escritório onde ganha muito dinheiro, o qual é utilizado para construir um mundo vazio e consumista.

Ele trabalha em uma companhia de seguros que faz de tudo para lucrar, passando por cima de qualquer preceito ético. O personagem encontra-se completamente enredado nas malhas do consumo, é escravizado pela abundância que sua rica sociedade lhe permite( permite? Impõe?); em seu trabalho , ele é uma máquina tecnocrata do sistema: simplesmente cumpre, preenche tabelas, não é um sujeito. Assim, o personagem de Norton se vê participando de um sistema o qual o oprime e no qual não se encaixa, não se sente parte. Sofre muito com isso, sente-se vazio. Não consegue dormir, tem de insônia.

Então, aparece uma possível válvula de escape: ele começa a conviver com pessoas que , como ele, vivem à margem do sistema, freqüentadores de grupos de auto-ajuda. Ele se vê nessas pessoas, elas não vivem e não fazem parte do sistema e estão fora da máquina social. No grupo de câncer nos testículos, por exemplo, ele conhece Bob, que é um homem que devido às mudanças hormonais causadas pela doença teve o desenvolvimento de seios. O personagem principal diz sentir-se livre ao entrar em contato com essas pessoas – ele se vê nelas, e, finalmente, começa a conseguir dormir à noite.

Ele começa a notar, entretanto, uma outra pessoas que, tal como ele, freqüenta muitos grupos. Então, ele vê em outro a imoralidade que de fato ele mesmo pratica fingindo fazer parte dos grupos. Desse momento em diante seu sintoma de insônia retorna. Pronto. Neste ponto o desespero e o tormento voltam. O que fazer? Numa viajem de trabalho ele conhece Tyler Durden, uma pessoa simplesmente incrível. Tyler tem tudo e é tudo que o personagem de Norton gostaria de ser: ele é livre, faz muito sexo, não tem preocupações, tem idéias incríveis de como burlar e atrapalhar o sistema capitalista, possui um estilo de vida invejável. Acontece que Tyler Durden não existe, aliás, existe enquanto alucinação, existe dentro do personagem de Norton. Fragmentado, o personagem principal cria um duplo seu para que este junte as peças fragmentadas de seu ego; ocorre aqui, com a alucinação esquizofrênica de um outro que age e fala por ele, uma tentativa de restabelecimento e reconstrução do eu.

Segue uma das falas de Tyler Durden:

“Eu vejo aqui os homens mais fortes e inteligentes que já viveram. Vejo todo esse potencial esperdiçado. Toda uma geração de frentistas, garçons e escravos de colarinho branco. A propaganda põe a gente para correr atrás de carros e roupas. Trabalhando em empregos que odiamos para comprar coisas que a gente não precisa. Somos os filhos do meio da história. Sem propósito ou lugar. Não temos uma Grande Guerra Mundial. Não temos uma Grande Depressão. Nossa grande guerra é a espiritual. Nossa grande depressão são nossas vidas. Fomos criados pela televisão para acreditar que seremos milionários e estrelas de <a class="inlineAdmedialink" href="#">cinema</a>. Mas não seremos. Aos poucos estamos percebendo isso. E estamos realmente furiosos.”

A psicanálise nos diz que o psicótico tenta construir uma neo-realidade que esteja de acordo com suas exigências internas. O elemento da realidade que foi rejeitado, no plano da significação, tentará retornar, para ser restituído sobre uma forma alucinatória.

Os elementos rejeitados voltam, no caso em <a class="inlineAdmedialink" href="#">quest</a>ão, em forma de um duplo, um outro eu que ainda é o eu. Ocorre uma clivagem do ego, uma determinada percepção da realidade exterior é rejeitada e substituída por uma alucinação.

O personagem, na sua dor, expõe sua fragmentação em palavras: “sou o canal bilial irado de Jack” (há uma identificação do personagem principal com o personagem Jack, que é o antigo dono da casa em que ele vive, e com o qual teve contato através de anotações do mesmo). Essa fragmentação é verbalizada pelo personagem em pedaços do corpo.

Lacan explica a constituição do sujeito psíquico com base num modelo que aborda a passagem da fragmentação da imagem do corpo à constituição da imagem de totalidade do mesmo. Daí, poderíamos deduzir que houve alguma falha nessa faze da constituição do personagem de Norton. Assim, poderíamos pensar que nesta fase, a do estádio do espelho, não fora feita a amarragem central entre algum significante e significado; essa amarragem fora foracluída, fenômeno típico da estrutura psicótica.



Pedro Augusto Papini


Dos grupos de apoio ao clube da luta

Fight Club (com a tradução literal para o português: Clube da Luta) é um filme dirigido por David Fincher no qual o personagem central retrata um típico indivíduo insatisfeito com a civilização à qual pertence. Um indivíduo que, mesmo tendo condições de usufruir de toda a tecnologia e de todo o conforto de que a sociedade dispõe, é um indivíduo que sofre. Se mostra a princípio em plena sintonia com as regras da sociedade e mesmo assim não é feliz. O filme trata de uma pessoa comum, que aos poucos vai mostrando toda a sua complexidade. Trabalhava como investigador de seguros, trabalho que consistia em fazer uma conta para saber o que era mais favorável financeiramente para a empresa, sem poder se importar com as vidas que podiam depender disso, era consumista, ia cada vez mais aumentando seus bens para viver confortavelmente em um apartamento. Só que nem tudo estava bem, sofria de insônia e, ao procurar ajuda médica e dizer que estava sofrendo, o médico diz apenas que ele precisa dormir naturalmente e que se quisesse ver sofrimento de verdade deveria assistir uma sessão em um grupo de apoio para homens com câncer nos testículos.

Ele foi lá conferir de perto e, de alguma forma, ao experimentar a vulnerabilidade abraçando um outro homem que chorava, ele também chorou. Tendo contato com suas emoções, finalmente conseguiu dormir. E começou a ir atrás de outros grupos, freqüentando todos os dias com o mesmo propósito. Até que uma mulher, Marla Singer, que não possuía aquelas doenças assim como ele, passa a freqüentar os mesmos grupos que ele. Dessa forma, ele não mais conseguia se deixar levar pela liberdade do grupo e voltou a ter insônia.

Então, para piorar a situação, ele perde seu apartamento em uma explosão, simbolizando uma quebra com tudo aquilo que considerava de valor, uma quebra consigo mesmo e sua existência. Desenvolve uma dupla personalidade, e o outro – Tyler Durden – era tudo aquilo que ele gostaria de poder ser, esperto, capaz e livre de todas as maneiras que ele mesmo não era.

Na verdade, sua vida tinha três tempos: sua vida como a conhecia, como trabalhador e consumista; os momentos em que via e se relacionava diretamente com seu outro lado na figura de Tyler Durden; e um terceiro, totalmente desconectado de sua consciência, encarnado de vez em Tyler que, trazendo à tona seu lado animal, revoltado, sexual, poderoso e agressivo acabou por conquistá-lo totalmente. Sua agressividade reprimida finalmente aparece e então é fundado o Clube da Luta, um escape da sua rotina e muito melhor do que os grupos de apoio.

O clube, que a princípio era simplesmente lutas entre dois homens, passa a se expandir para o vandalismo – dos mais inteligentes, irônicos e bem planejados aos mais displicentes. E além do incrível acréscimo no número de membros, ele cresce fisicamente e migra para outros estados. Tyler é quem entra em cena sempre, comandando um verdadeiro exército para o que ele chamou de Plano Destruição e, mesmo tendo admiração do personagem principal, este não concorda com muita coisa, principalmente quando se dá conta que ele mesmo é o Tyler e decide abortar todos os planos.

Logo no começo do filme, ele nos é apresentado sentado no vaso sanitário encomendando móveis para seu apartamento e admitindo ter se tornado escravo do consumismo instintivo caseiro. Se fazia perguntas como “Que tipo de porcelana me define como pessoa?” procurando uma identidade através de suas aquisições, procurando uma forma de se sentir completo. Mais tarde, quando Tyler entra em cena, solta frases muito reveladoras e muito interessantes, visto que é da mesma pessoa que estamos falando, como quando da perda do apartamento e vendo o “real” personagem se lastimar sobre suas coisas, ele diz que somos todos subproduto de uma obsessão por um estilo de vida e que as coisas que você possui acabam por possuir você. O que é muito verdadeiro na nossa sociedade desde muito tempo e quem vive essa situação geralmente não se dá conta, embora pareça óbvio visto de fora. Criam-se necessidades que nós nem mesmo temos e mesmo assim precisamos suprir de alguma forma. Nos grupos de apoio, onde ele pode se soltar, vendo aqueles homens e mulheres que, assim como ele, sofriam, ele encontrou uma estranha liberdade na perda da esperança. Se conectando com suas emoções mais íntimas, se sentia melhor e podia dormir bem à noite, assim acabou se viciando de verdade em freqüentar reuniões de apoio, pois sentia que renascia a cada vez.

Após a fundação do Clube da Luta, nos é revelado que ele, antes de se descobrir, quando voltava para casa com raiva ou deprimido, ia direto fazer uma faxina em seu apartamento, polindo seus móveis escandinavos, ou seja, passou muito tempo reprimindo essa agressividade que tinha dentro de si e talvez nem tivesse acesso. Ao descobrir as lutas, lutar se tornou o máximo para ele, pois se sentia poderoso e levava isso para sua rotina normal, mesmo que não pudesse falar sobre isso com ninguém. Começou a enfrentar a autoridade do seu chefe, por exemplo, e sentia que podia lidar com qualquer coisa que aparecesse. Nas lutas, se sentia vivo como nunca, perdendo ou ganhando, a idéia era de auto-destruição. O importante não era vencer e nem mesmo bater. Era sentir alguma coisa, no caso a dor imposta pelo adversário. Tudo no filme leva à auto-destruição, desde uma vez que ele perde sua mala com suas camisas Calvin Klein e suas gravatas Armani até a explosão do seu apartamento, mais tarde revelada que fora Tyler (ou seja, ele mesmo) o responsável. A idéia era chegar ao fundo do poço para ter contato consigo mesmo, conhecer suas emoções mais remotas, saber o que queria de sua vida e ter de verdade uma vida. Conhecer a liberdade ao perder tudo.

Uma passagem interessantíssima ressalta esse ponto de destruição e descoberta de si. Algumas vezes no clube eram dadas tarefas para serem cumpridas e uma que Tyler sugeriu para si mesmo foi um sacrifício humano. O que de mais óbvio se pensa, ele vai matar alguém. E é exatamente isso que ele faz, mas não o corpo da pessoa, e sim a mente, a noção de vida e de realidade que ela tinha. A idéia era libertar alguém assim como ele fora liberto ao perder tudo o que considerava precioso e descobriu ser inútil. Raymond trabalhava numa loja de conveniências, morava num apartamento apertado, gostaria de ser veterinário, mas deixou os estudos e acabou levando uma vida que não queria, assim como incontáveis pessoas no mundo todo. Ao pensar que seria morto e com a promessa de Tyler de que iria mesmo morrer se não começasse a se esforçar para ser veterinário – ou seja, fazer aquilo que ele realmente queria, seguir o plano que ele mesmo tinha feito para si – Raymond teve um empurrãozinho, mesmo que o método tenha sido insano, para ter a vida que queria. Por que nós precisamos dessas motivações? Por que não podemos simplesmente seguir com aquilo que queremos, sem aceitar imposições de realidades que não precisamos e nem queremos? Raymond teve assim a sua chance de renascer.

O Clube da Luta era composto de homens comuns oriundos dos mais diversos empregos, das mais diversas famílias. Todos compartilhavam esse lado agressivo e, com certeza, todos estavam insatisfeitos com a realidade. Realidade essa descrita por Tyler no filme como sendo de homens guiados pela propaganda para correr atrás de carros e roupas, trabalhar em empregos que odeiam para comprar coisas que das quais nem precisam. Uma geração sem peso na história, sem propósito ou lugar. Homens que atualmente não tem de ir a guerras ou presenciar a grande depressão, a guerra é a espiritual e a depressão são suas vidas. Pessoas criadas através da TV para acreditar que um dia seriam milionárias, estrelas de cinema e astros do rock, mas não são e aos poucos se dão conta disso e ficam muito muito iradas. Bom, homens dessas qualidades não eram muito difíceis de se tornarem bombas-relógio, principalmente considerando que Tyler entendia de explosivos. A maneira como todos se submetiam às suas ordens era incrível. Para participar do chamado Projeto Destruição, os indivíduos deixavam inclusive de ter nomes próprios, ou seja, um total detrimento de um indivíduo por uma causa. Bem como funciona um exército, aliás se bem me lembro, para ter meu certificado de reservista precisei jurar que, em caso de guerra, estou disposto a fazer de tudo por meu país, até mesmo com o sacrifício de minha própria vida.

Os homens perceberam que todas as suas descobertas, sendo científicas, tecnológicas e de controle sobre a natureza não exerceram influência sobre a satisfação, ou seja, não os tornou mais felizes. Mesmo estando a civilização hoje no auge da evolução tecnológica, nós os homens não estamos felizes. Assim como o personagem, estamos insatisfeitos enquanto sociedade e nos sentimos inadequados a ela.


Daniel Thiesen Ramos

Clube da Luta e o Duplo:

Clube da Luta (Figth Club), filme dirigido por David Fincher, protagonizado por Edward Norton (cujo personagem não é nomeado), Brad Pitt (Tyler Durden) e Helena Bonham Carter (Marla Singer) conta a história de um homem com uma vida profissional bem sucedida, mas que enfrenta problemas na sua vida pessoal. Durante alguns momentos da história a personagem de Edward Norton parece ter resolvido os seus conflitos e viver uma vida plena, porém somos surpreendidos com a apresentação de desorganizações ainda maiores e graves. No começo, a personagem principal nos é apresentada como um homem que trabalha para uma companhia de seguros inescrupulosa, que prioriza o lucro. Ele parece ocupar um cargo bem remunerado, visto que mora em um condomínio pomposo e seu principal hobby é mobiliar o apartamento, em que mora, com móveis importados e, que, pela forma como são ofertados pela mídia, parecem trazer sensações de completude, prazer e traduzir a personalidade de quem as possui. Uma das cenas ilustra essa situação ao mostrá-lo olhando uma revista e perguntando-se qual daquelas poltronas poderia traduzir melhor a sua personalidade. Embora parecesse ter tudo, sofre de insônia crônica. A fim de resolver esse problema procura um médico, expressa seu sofrimento e lhe pede remédios para dormir, o médico, por sua vez, responde lhe dizendo que só precisa dormir e, para tanto não seria necessária droga alguma, ele recomenda ao seu paciente que se desejasse ver um tormento real deveria assistir a uma reunião de um grupo de auto-ajuda para homens que tem ou tiveram câncer nos testículos. Desesperado, acata a sugestão do médico. Após os usuais desabafos, os homens formam duplas e conversam entre si sobre as situações que vivem, nesse momento “Jack” (como a personagem principal é identificada, em alguns momentos, recebe esse rótulo porque ele reflete a banalidade da sua vida) chora, libertando-se, assim, das suas angústias. Naquela mesma noite ele dorme como há muito não conseguia. Encantado com a cura para o seu sofrimento, passa a frequentar grupos de apoio todos os dias da semana, torna-se dependente desses para viver de forma saudável. Afirma, com relação aos grupos, que: “toda a tarde eu morria e, toda a tarde eu nascia de novo”. Sua vida segue um curso satisfatório, até que, Marla Singer aparece, entre outros, no grupo do câncer de testículo. Ela, assim como ele, não sofre de nenhuma das patologias que são abordadas nas reuniões grupais. Isso o incomoda profundamente, pois, a imoralidade dela, reflete a dele. A personagem volta a sofrer de insônia crônica, ele e Marla Singer acabam por dividir os grupos que frequentam para que eles não se encontrem em nenhum deles. A personagem de Edward Norton conhece Tyler Durden – um homem que personaliza todos os desejos e, tudo aquilo que a personagem sem nome não é - em um dos vôos que faz a trabalho. Esse encontro acontece logo após o primeiro perguntar-se se seria possível, após acordar tantas vezes em lugares e horários diferentes, se poderia acordar, algum dia, sendo outra pessoa. Logo depois de chegar, a personagem sem nome recebe a notícia que seu apartamento pegou fogo, fazendo com que ele perdesse tudo que tinha. Essa cena marca a destruição da antiga vida, repleta de bens materiais, na qual era escravo do consumo. Buscando explicitar os seus sentimentos, liga para o seu mais novo amigo, Tyler Durden. Eles saem, bebem e, ao final da noite, Tyler pede-lhe que o dê um soco, nesse momento, surge o Clube da Luta. A personagem que nunca havia se sentido realmente viva, que não se autorizava como sujeito perante sua vida, passa a assumir essa posição após a primeira luta. Como se o único sentimento que o fizesse sentir vivo fosse a dor. O Clube da Luta, inicialmente composto por Tyler Durden e seu amigo conquista novos adeptos a cada sábado. Homens esses que também se sentiam marginalizados, excluídos do sistema, não inseridos em muitos contextos sociais. Também estavam insatisfeitos com suas vidas medíocres, seus trabalhos que, apesar da dedicação que pudessem ter, não conseguia ofertar-lhes aquilo que desejavam. O Clube e seu funcionamento eram regidos por oito regras, sendo as duas primeiras: não falar sobre o clube; as demais: “Quando alguém gritar "pára!", sinalizar ou desmaiar, a luta acaba; Somente duas pessoas por luta;Uma luta de cada vez; Sem camisa, sem sapatos;As lutas duram o tempo que for necessário; e, por fim: Se for a sua primeira noite no Fight Club, você tem que lutar!”. Essas serviam, pelo o que percebi, para, em última análise, estabelecer o poder de Durden perante todos aqueles homens. As regras e a forma como são impostas podem estar relacionadas às fantasias de controle da personagem. Uma das frases que achei mais significativas sobre o Clube e o seu funcionamento é de “Jack”, ele afirme sentir-se mais vivo no Clube que em qualquer outro lugar, porém ele só existe entre as horas em que começa a termina. Ou seja, aquilo que se é no Clube e ele próprio só existe entre as horas de luta, quando essas acabavam volta-se a vida cotidiana. Para mim, essa sensação de alívio é bastante semelhante à experimentada por “Jack” nos grupos de apoio.

O filme aproxima-se do final e, “Jack” indignado com as proporções que o Clube da Luta está tomando, a partir da liderança de Tyler Durden, mostra o seu descontentamento. O Clube transformara-se em uma espécie de organização que busca destruir as marcas emblemáticas do capitalismo, isso recebe o nome de Projeto Destruição. “Jack” não aprova os rumos do Clube, muitos menos que Tyler os mantenha em segredo. É no momento em que “Jack” viaja o país atrás de Tyler é que descobre que, na verdade Tyler nada mais é que o seu duplo, não existe fora da personagem de Norton. Tyler apenas existe enquanto alucinação, uma produção compensatória da realidade de “Jack”. Esse, esquizofrênico, sofre uma clivagem no ego, na qual, parte da realidade é substituída por uma alucinação que melhor se relacione com os desejos íntimos da personagem de Norton. Tyler, o duplo, criado pela personagem de Norton é uma alucinação, pois, só existe enquanto produção imaginária do seu criador. Usando a psicanálise como referencial teórico, é possível afirmar que os psicóticos tendem a construir uma realidade outra, essa deve ser consonante com as exigências internas da pessoa. Pedro Augusto Papini, em seu trabalho realizado sobre o mesmo filme, afirma: “O elemento da realidade que foi rejeitado, no plano da significação, tentará retornar, para ser restituído sobre uma forma alucinatória.”

Carolina Tombini Ponzi

Referências:

FINCHER, David, Fight Club, 1999.

PAPINI, A. Pedro, O Duplo. Disponível em: http://www6.ufrgs.br/psicopatologia/wiki/index.php/Clube_da_Luta

RAMOS, T. Daniel, Dos Grupos de Apoio ao Clube da Luta. Disponível em:
http://www6.ufrgs.br/psicopatologia/wiki/index.php/Clube_da_Luta


O clube da luta texto 4