{"id":1396,"date":"2022-10-24T16:34:54","date_gmt":"2022-10-24T19:34:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/?p=1396"},"modified":"2023-12-17T23:11:11","modified_gmt":"2023-12-18T02:11:11","slug":"pode-ser-que-contenha-spoiler-critica-do-espetaculo-pode-ser-que-seja-o-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/pode-ser-que-contenha-spoiler-critica-do-espetaculo-pode-ser-que-seja-o-sol\/","title":{"rendered":"Pode ser que contenha spoiler: cr\u00edtica do espet\u00e1culo Pode ser que seja o sol"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>BABY (Lentamente.) &#8211; Eu acho&#8230; eu acho que a gente s\u00f3 pode dizer uma coisa. <\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>(AS BATIDAS AUMENTAM MAIS.) <\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>BABY \u2014 Eu acho que a gente s\u00f3 pode dizer que n\u00f3s n\u00e3o temos culpa. Que nenhum de n\u00f3s tem culpa de nada. A \u00fanica coisa que n\u00f3s estamos tentando fazer \u00e9 encontrar o jeito de dar um passo al\u00e9m do fim do mundo.<\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"RIGHT\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>Caio Fernando de Abreu. Pode ser que seja s\u00f3 o leiteiro l\u00e1 fora (1973).<\/i><\/span><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"> A pe\u00e7a <i>Pode ser que seja o sol<\/i><a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a> (carinhosamente chamado pelos atores de \u201cO Leiteiro&#8221;) \u00e9 uma encena\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a <i>Pode ser que seja s\u00f3 o leiteiro l\u00e1 fora<\/i>, de Caio Fernando Abreu (1973). Foi escrita na \u00e9poca da ditadura militar no Brasil, momento em que o escritor e dramaturgo vivia em Londres com grupos de jovens hippies, que buscavam fugir do <i>status quo<\/i> e do contexto pol\u00edtico-social dos anos 70.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><i><span style=\"font-size: small;\">Segundo texto veiculado pelo jornal Correio da Bahia, de 3 de julho de 1992, que divulga a estreia da pe\u00e7a no estado, o t\u00edtulo da obra de Caio foi inspirado em uma declara\u00e7\u00e3o feita pelo governador do extinto estado da Guanabara (atual munic\u00edpio do Rio de Janeiro), Negr\u00e3o de Lima, em 1968. J\u00e1 em pleno per\u00edodo ditatorial, o governador afirmou que em seu governo, quando batessem \u00e0 porta, as pessoas podiam ficar tranquilas, porque seria apenas o leiteiro<a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a>.<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1411\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/imagem-pode-ser-que-seja-o-sol-1.jpg\" alt=\"\" width=\"876\" height=\"876\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/imagem-pode-ser-que-seja-o-sol-1.jpg 876w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/imagem-pode-ser-que-seja-o-sol-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/imagem-pode-ser-que-seja-o-sol-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/imagem-pode-ser-que-seja-o-sol-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/imagem-pode-ser-que-seja-o-sol-1-750x750.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 876px) 100vw, 876px\" \/><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: xx-small;\">Imagem de divulga\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo no facebook do TPE. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/TPEteatropesquisaextensao\/photos\/a.150657462246980\/1238518383460877\/\">https:\/\/www.facebook.com\/TPEteatropesquisaextensao\/photos\/a.150657462246980\/1238518383460877\/<\/a>&gt;<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"> A escrita dramat\u00fargica de Caio, no contexto de <i>Pode ser que seja s\u00f3 o Leiteiro l\u00e1 fora,<\/i> buscava retratar o medo das pessoas que viviam em um contexto de viol\u00eancia e terror estatal \u2013 contexto que se expandiu nas d\u00e9cadas seguintes, com os desdobramentos da Guerra Fria e da amea\u00e7a iminente de guerras nucleares que assombravam o mundo<a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a>.<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><i><span style=\"font-size: small;\">Podemos inferir que as personagens de Possa Ser que seja s\u00f3 o leiteiro l\u00e1 fora (1973) s\u00e3o jovens burgueses, visto o n\u00edvel intelectual, o apre\u00e7o pela l\u00edngua inglesa, entre outros. Jovens que, no intento de romper com o capitalismo, deixaram as mordomias de suas casas e foram viver em grupos com ideias comuns, na tentativa de sobreviver ao fim do mundo (ditadura militar)<a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a>.<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1405\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/caio-fernando-abreu-_-livro.png\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/caio-fernando-abreu-_-livro.png 1920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/caio-fernando-abreu-_-livro-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/caio-fernando-abreu-_-livro-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/caio-fernando-abreu-_-livro-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/caio-fernando-abreu-_-livro-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/caio-fernando-abreu-_-livro-750x422.png 750w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><span style=\"font-size: xx-small;\">(<\/span><span style=\"font-size: xx-small;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=i&amp;url=https%3A%2F%2Fvos.social%2Fvoos-literarios%2Fcaio-fernando-abreu-alteridade-e-identidade%2F&amp;psig=AOvVaw0T_OMKIleBPXZC4GLVKuP1&amp;ust=1664298483920000&amp;source=images&amp;cd=vfe&amp;ved=0CA0QjhxqFwoTCIDnvJP5svoCFQAAAAAdAAAAABAH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Caio Fernando Abreu: Alteridade e Identidade \u2013 V\u00f3s<\/a>)<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A pe\u00e7a, nesse sentido, \u00e9 bastante datada, procurando retratar o momento de jovens em um per\u00edodo muito espec\u00edfico da hist\u00f3ria, trazendo peculiaridades da \u00e9poca, com personagens caricatos que se utilizam muito de g\u00edrias, modos de se expressar e vestir ligados \u00e0quele contexto pol\u00edtico-social: a hist\u00f3ria conflituosa de jovens que vivem em grupo, quando acabam atingidos por uma tempestade e t\u00eam que buscar abrigo para passar a noite. Uma pe\u00e7a metaf\u00f3rica, por assim dizer, em que tal busca representa a procura das personagens por um lugar seguro contra as mazelas do mundo, um espa\u00e7o de resist\u00eancia e sobreviv\u00eancia a tudo de ruim que pode acontecer. Um \u201cabrigar-se\u201d, que faz com que dentro deste \u201clugar aparentemente seguro\u201d sejam trazidas \u00e0 tona as suas verdades mais \u00edntimas. <span style=\"font-size: medium;\">Assim, desenvolvem-se os conflitos durante a pe\u00e7a, que se passa toda em um mesmo lugar: a casa bagun\u00e7ada e desorganizada, que serve de palco central da pe\u00e7a.<\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><i>Sala de uma casa abandonada. Na verdade, parece mais um quarto de despejo, atulhado de objetos fora de uso: colch\u00f5es furados, guarda-roupas, espelhos quebrados, cadeiras rasgadas, lixo, enfim, e at\u00e9 mesmo objetos absurdos que ficam ao gosto do diretor<a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote5sym\" name=\"sdfootnote5anc\"><sup>5<\/sup><\/a><\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i>.<\/i><\/span><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> Nesse lugar tempor\u00e1rio, as personagens sentem-se confort\u00e1veis para discorrer a respeito de seus pensamentos e vis\u00f5es de mundo, bem como seus planos para o futuro, apesar de constantemente se perguntarem o que acontece l\u00e1 fora, se algu\u00e9m da casa ou da pol\u00edcia vai chegar para expuls\u00e1-los<\/span>.<\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: small;\">Assim, quando ouvem batidas na porta, assustam-se, considerando que possa ser a pol\u00edcia, os vizinhos, os reis magos, extraterrestres, sobreviventes de uma explos\u00e3o ou simplesmente o leiteiro: \u201cNesse momento ouvem-se batidas muito fortes na porta. Ningu\u00e9m se move. Um pequeno intervalo e as batidas se repetem, cada vez mais fortes\u201d. (ABREU, 2009, p. 93)<a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote6sym\" name=\"sdfootnote6anc\"><sup>6<\/sup><\/a>.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1402\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-monica-scaled-1.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1440\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-monica-scaled-1.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-monica-scaled-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-monica-scaled-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-monica-scaled-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-monica-scaled-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-monica-scaled-1-2048x1152.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-monica-scaled-1-750x422.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: xx-small;\">(Site UFRGS)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Ao final da pe\u00e7a, a chegada de uma nova personagem \u2013 que aparece trazendo not\u00edcias a respeito do mundo exterior \u2013 provoca uma reviravolta: o mundo l\u00e1 fora n\u00e3o existe mais, uma explos\u00e3o acabou com tudo e n\u00e3o haver\u00e1 mais amanhecer. Todavia, ap\u00f3s o choque, h\u00e1 um breve per\u00edodo de recolhimento, com um futuro esperan\u00e7oso de uma das personagens: \u201cA \u00fanica coisa que estamos tentando fazer \u00e9 encontrar um jeito de dar um passo al\u00e9m do fim do mundo.\u201d<a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote7sym\" name=\"sdfootnote7anc\"><sup>7<\/sup><\/a> Em outras palavras, o mundo n\u00e3o acabou, o dia amanhece e as personagens sobrevivem para viver mais uma noite.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><i>Pode ser que seja o sol<\/i> \u00e9 o trabalho de uma das turmas da disciplina de Atua\u00e7\u00e3o III, no curso de Teatro da UFRGS, orientada pela professora Patr\u00edcia Leonardelli (que tamb\u00e9m assina a dire\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo). A obra, portanto, foca-se bastante no trabalho de atua\u00e7\u00e3o do seu elenco, preocupada em atender a demanda da disciplina, mas acaba deixando alguns detalhes de lado, como transi\u00e7\u00f5es de cena, movimenta\u00e7\u00f5es e deslocamentos, cen\u00e1rio, luz e som.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A disciplina de Atua\u00e7\u00e3o III \u00e9 oferecida pelo Departamento de Arte Dram\u00e1tica \/ DAD, e faz parte da Etapa 03 dos cursos de Bacharelado e Licenciatura em Teatro. Normalmente, ao final da disciplina, s\u00e3o apresentadas cenas curtas criadas pelos alunos. Neste caso, a turma decidiu encenar um texto completo e que contemplasse, ao mesmo tempo, todos alunos. Por isso mesmo, na primeira apresenta\u00e7\u00e3o da montagem, v\u00e1rios personagens eram interpretados por dois ou mais alunos, escolha que foi mantida parcialmente para a temporada no TPE.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><i>Pode ser que seja o sol<\/i> buscou manter o texto na \u00edntegra com algumas pequenas modifica\u00e7\u00f5es e cortes, trazendo o enredo para o contexto atual. As mudan\u00e7as, no entanto, s\u00e3o t\u00edmidas e, j\u00e1 num primeiro momento, percebe-se como o texto de Caio se encontra defasado historicamente, perdendo parte de sua pot\u00eancia por estar muito vinculado a um per\u00edodo espec\u00edfico da hist\u00f3ria. As personagens do texto acabam sendo um pouco estereotipadas, j\u00e1 que \u201cestere\u00f3tipos comunicam instantaneamente de modo a passarem uma informa\u00e7\u00e3o rapidamente para o p\u00fablico<a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote8sym\" name=\"sdfootnote8anc\"><sup>8<\/sup><\/a>\u201d. Desta forma, as personagens representam tribos no per\u00edodo dos anos 1970 e 1980: temos os hippies, o roqueiro, o grunge niilista, o mochileiro&#8230; Essas tribos n\u00e3o existem mais com a mesma conota\u00e7\u00e3o hoje em dia, o que nos faz refletir a aproxima\u00e7\u00e3o com o contexto atual. <\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"> O ritmo inicial da pe\u00e7a \u00e9 leve e logo o p\u00fablico tem a chance de se aproximar de Baby, representado por Ren\u00ea de Palma, um rockeiro otimista que, com suas tiradas afiadas, faz o p\u00fablico rir. O jogo de cena de Baby com Jo\u00e3o (Clarissa Machado) e L\u00e9o (John Pereira) introduz o espet\u00e1culo de maneira divertida, o que amorna um pouco depois, pois o ritmo fica um pouco mais lento. A chegada de Mona (M\u00f4nica Riveiro) devolve ritmo da pe\u00e7a, apesar de sua entrada ser levemente alongada \u2013 estranhamente, as personagens que est\u00e3o em cena nem a olham, ficando um pouco deslocada sua chegada. Mona \u00e9 uma das personagens que conduz a trama, e tira muitas risadas do p\u00fablico com seu jeito viajado e suas teorias esot\u00e9ricas. Destaque para o trecho no qual analisa os amigos Baby e Leo em cena: o trio se conecta com o espectador e h\u00e1 um jogo de cena divertido.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080; font-size: 12pt;\"> Baby tem dois mon\u00f3logos com textos muito tocantes, e que evocam muito sentimento. Em um momento, em seu di\u00e1logo com L\u00e9o, diz para que este olhe no fundo dos olhos dele e veja se n\u00e3o se enxerga, afirmando que n\u00e3o precisa ter medo. Ao final da pe\u00e7a, Baby vem para a boca de cena, olha nos olhos do p\u00fablico e diz que todos s\u00f3 estavam a procura de uma maneira de sobreviver ao fim do mundo.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1401\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-john-e-renAa-1200x675-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-john-e-renAa-1200x675-1.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-john-e-renAa-1200x675-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-john-e-renAa-1200x675-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-john-e-renAa-1200x675-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-john-e-renAa-1200x675-1-750x422.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: xx-small;\">(Foto: Vivian Azevedo)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;\"> Outros pontos de destaque s\u00e3o algumas escolhas de encena\u00e7\u00e3o que discordam da inten\u00e7\u00e3o do dramaturgo. No texto original, por exemplo, Mona oferece um \u201cch\u00e1 de ervas do Nepal\u201d \u00e0s personagens, com o intuito de resolver um conflito desenrolado pela cena. Na rubrica, Caio Fernando diz: \u201cO AUTOR ACHA IMPORTANTE ESCLARECER QUE, A PARTIR DE AGORA, NADA MAIS TEM EXPLICA\u00c7\u00c3O<a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote9sym\" name=\"sdfootnote9anc\"><sup>9<\/sup><\/a>\u201d. Tal mudan\u00e7a n\u00e3o fica clara na montagem, com as personagens continuando na mesma energia e inten\u00e7\u00e3o de antes, n\u00e3o acentuando a virada, a transforma\u00e7\u00e3o das personagens. Por si s\u00f3, isso n\u00e3o seria um problema, pelo contr\u00e1rio: denotaria uma grande criatividade e originalidade do grupo. No entanto, tal escolha acaba prejudicando o pr\u00f3prio desenrolar da trama e o desenvolvimento das personagens, pois o texto segue por um caminho mais ca\u00f3tico, e as personagens n\u00e3o acompanham.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1403\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-09-26-at-14.11.47.jpeg\" alt=\"\" width=\"879\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-09-26-at-14.11.47.jpeg 879w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-09-26-at-14.11.47-300x150.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-09-26-at-14.11.47-768x384.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-09-26-at-14.11.47-750x375.jpeg 750w\" sizes=\"(max-width: 879px) 100vw, 879px\" \/><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: xx-small;\">Cena do ch\u00e1 de ervas de Mona. Imagem do espet\u00e1culo apresentado no dia 14 de setembro de 2022. Foto:Juliana Strehlau)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080; font-size: 12pt;\"> Seguindo no ritmo da entrada das personagens em cena, Rosinha (Gabriela Moraes), no texto de Caio, tem poucas falas e, assim como Jo\u00e3o, pai do seu filho, s\u00e3o personagens planos, que ficam um pouco apagados perto dos outros, mais en\u00e9rgicos e com mais nuances. Certamente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil manter nove pessoas em cena, mas, talvez, poderia-se agu\u00e7ar mais sua vida em cena se tivessem mais di\u00e1logos ou aprofundassem suas inten\u00e7\u00f5es. Outras encena\u00e7\u00f5es tiveram decis\u00f5es mais enf\u00e1ticas, como do grupo Teatro Of\u00eddico, que retirou uma personagem sem grandes perdas para a montagem<a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote10sym\" name=\"sdfootnote10anc\"><sup>10<\/sup><\/a>. <\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080; font-size: 12pt;\"> Uma considera\u00e7\u00e3o, dando outro <i>spoiler <\/i>da pe\u00e7a: Rosinha est\u00e1 gr\u00e1vida e acaba por ter um parto prematuro de seu filho no meio de uma confus\u00e3o de um barulho que seria uma explos\u00e3o. Na primeira vez que assisti a pe\u00e7a, a cena n\u00e3o d\u00e1 a entender que este beb\u00ea teria nascido morto, a n\u00e3o ser depois, com a fala das personagens&#8230; J\u00e1 na segunda apresenta\u00e7\u00e3o, fica claro o ocorrido e os atores fizeram a encena\u00e7\u00e3o com o jogo de um pano vermelho. Por\u00e9m, \u00e9 um tema bem delicado e que passa batido, logo em seguida, com Rosinha sorrindo e pedindo para que Baby cante uma m\u00fasica&#8230; Por mais \u201cdoid\u00f5es\u201d que estariam nessa cena, eventualmente sob efeitos de alucin\u00f3genos, quem passa por uma situa\u00e7\u00e3o semelhante sabe que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim passar por cima disso, e \u00e9 um sofrimento a ser considerado.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> O desenvolvimento do espet\u00e1culo se d\u00e1 com a entrada e sa\u00edda de personagens, que vem com for\u00e7a com a entrada de Alice Cooper (Dara Deon) e Angel (Lucas Leal), que novamente d\u00e3o ritmo para a pe\u00e7a e ganham o espectador. De certa forma, o grupo tenta fazer a atualiza\u00e7\u00e3o da personagem Alice Cooper (inspirada no \u00edcone do rock dos anos 1970), originalmente pensada para ser feita por um homem, e que aqui \u00e9 a<\/span><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">presentada como uma personagem n\u00e3o-bin\u00e1ria. A mudan\u00e7a, no entanto, acaba puramente simb\u00f3lica, com a personagem mantendo o nome original de Alice, e com o figurino ainda sendo aquele t\u00edpico dos metaleiros glam (com pe\u00e7as de couro por todo o corpo)<\/span>.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"> Em geral, as transi\u00e7\u00f5es das personagens se d\u00e3o de forma bem marcada, ficam evidentes suas posi\u00e7\u00f5es para falar mon\u00f3logos ou dar espa\u00e7o para o colega falar, aproveitando o grande palco da Sala Qorpo Santo.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">A \u00faltima personagem a entrar em cena \u00e9 Carlinha Baixo-astral, o duplo de Mona (a rainha do alto-atral). Ela anuncia o prel\u00fadio do fim do mundo por uma bomba nuclear e, nessa encena\u00e7\u00e3o, \u00e9 interpretada por duas atrizes<span style=\"font-size: medium;\">: Alicia Froener e Alycia Cavalli, que fazem um trabalho em equipe dando mais uma movimenta\u00e7\u00e3o para ao final do espet\u00e1culo. Elas d\u00e3o falas em conjunto e mostram uma personagem que varia um pouco do paz e amor da maioria do grupo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1400\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-alicia-scaled-1.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1440\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-alicia-scaled-1.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-alicia-scaled-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-alicia-scaled-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-alicia-scaled-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-alicia-scaled-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-alicia-scaled-1-2048x1152.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pode-ser-que-seja-o-sol-alicia-scaled-1-750x422.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/span><\/p>\n<p align=\"CENTER\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><span style=\"font-size: xx-small;\">(Site da UFRGS)<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"> A montagem se encerra com as personagens dormindo, esperando por um novo dia. Logo em seguida, a atriz Gabriela surge cantando <i>Como nossos pais<\/i>, eternizada na voz de Elis Regina, com uma proje\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo ao fundo, mostrando imagens da recente demoli\u00e7\u00e3o da casa onde viveu Caio Fernando Abreu, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. Duas considera\u00e7\u00f5es particulares: a imagem da casa sendo destru\u00edda \u00e9 bastante forte, mas n\u00e3o havia indicativo algum que se trata da casa de Caio, dificultando a compreens\u00e3o imediata da plateia. E, apesar da letra da can\u00e7\u00e3o ser linda e da cantora ter uma voz linda, a cena acaba sendo uma finaliza\u00e7\u00e3o um tanto clich\u00ea.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"> Com <i>Pode ser que seja o sol <\/i>e tantos outros espet\u00e1culos,<i> <\/i>eventos e festivais como a Mostra TPE e Mostra DAD, ambos do Departamento de Arte Dram\u00e1tica da UFRGS, s\u00e3o \u00f3timas oportunidades para os artistas estudantes se experimentarem e desenvolverem seus trabalhos em contato direto e prolongado com o p\u00fablico. Assim como \u00e9 importante para o p\u00fablico acompanhar de perto (de forma regular e gratuita) o que est\u00e1 sendo produzido em uma universidade p\u00fablica e de qualidade como a UFRGS.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> &#8230;&#8230;&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Sinopse<a class=\"sdfootnoteanc\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote11sym\" name=\"sdfootnote11anc\"><sup>11<\/sup><\/a>: Selecionado para o m\u00eas de Setembro da\u00a0<b>Mostra TEATRO, PESQUISA E EXTENS\u00c3O 2022<\/b>, &#8221; Pode ser que seja o Sol&#8221; trata-se de uma livre adapta\u00e7\u00e3o da obra \u201cPode ser que seja s\u00f3 o leiteiro l\u00e1 fora\u201d, de Caio Fernando de Abreu. Sete pessoas encontram uma casa aparentemente abandonada e resolvem passar a noite nela. Nesse curto per\u00edodo discutem sobre a vida, seus desejos e medos\u2026 Por\u00e9m, quanto mais as horas se passam a ilus\u00e3o come\u00e7a a tomar conta do ambiente, e as verdades se distorcem em uma explos\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es que constr\u00f3i um caminho sem volta atrav\u00e9s da imagina\u00e7\u00e3o daquelas pessoas. O pudor do corpo perde o sentido e fica apenas o desejo de ser o que quiser e a liberdade em ser o que se pode ser, mesmo que isso traga consequ\u00eancias negativas para eles.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong><span style=\"font-size: small;\">Dire\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><span style=\"font-size: small;\">: Patricia Leonardelli<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong><span style=\"font-size: small;\">Elenco<\/span><\/strong><span style=\"font-size: small;\">: Alicia Froener, Alycia Cavalli, Gabriela Moraes, Clarissa Machado, Dara Deon, John Pereira, Lucas Leal, M\u00f4nica Rivero e Ren\u00ea de Palma.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong><span style=\"font-size: small;\">Produ\u00e7\u00e3o e Figurinos<\/span><\/strong><span style=\"font-size: small;\">\u00a0: O grupo<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong><span style=\"font-size: small;\">Ilumina\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><span style=\"font-size: small;\">: Bathista Freire<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong><span style=\"font-size: small;\">Fotos<\/span><\/strong><span style=\"font-size: small;\">: Vivian Azevedo\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong><span style=\"font-size: small;\">Sonoplastia<\/span><\/strong><span style=\"font-size: small;\">: Pati de La Rocha<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong><span style=\"font-size: small;\">Dias 14, 21 e 28 de Setembro, \u00e0s 19h30<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: small;\">Sala Qorpo Santo &#8211; Campus Central UFRGS\u00a0 &#8211; Rua Paulo Gama, s\/n<\/span><\/span><\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><span style=\"font-size: xx-small;\">Pe\u00e7a apresentada no m\u00eas de setembro de 2022 pelos alunos do Departamento de Artes Dram\u00e1ticas (DAD) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na sala Qorpo Santo, participando da mostra TPE \u2013 Teatro, Pesquisa e Extens\u00e3o desta Universidade.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"font-size: xx-small; color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a><i>Refugiados em si mesmos: O isolamento humano na dramaturgia de Caio Fernando Abreu<\/i>. Twyne Soares Ramos. 2016. Pg. 59. <\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a><span style=\"font-size: xx-small;\"><i>A alteridade masculina em Possa ser que seja s\u00f3 o leiteiro l\u00e1 fora (1973)<\/i><\/span><span style=\"font-size: xx-small;\"> de Caio Fernando Abreu. <\/span><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/repository.ufrpe.br\/browse?type=author&amp;value=Silva%2C+Jefferson+Jos\u00e9+Rodrigues+da\"><span style=\"font-size: xx-small;\">Silva, Jefferson Jos\u00e9 Rodrigues da<\/span><\/a><span style=\"font-size: xx-small;\">. UFRPE, 2018. Pg 16<\/span><span style=\"font-size: xx-small;\">. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a> <span style=\"font-size: xx-small;\"><i>A alteridade masculina em Possa ser que seja s\u00f3 o leiteiro l\u00e1 fora (1973)<\/i><\/span><span style=\"font-size: xx-small;\"> de Caio Fernando Abreu. <\/span><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/repository.ufrpe.br\/browse?type=author&amp;value=Silva%2C+Jefferson+Jos\u00e9+Rodrigues+da\"><span style=\"font-size: xx-small;\">Silva, Jefferson Jos\u00e9 Rodrigues da<\/span><\/a><span style=\"font-size: xx-small;\">. UFRPE, 2018 <\/span><span style=\"font-size: xx-small;\">. Pg 18.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote5\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: xx-small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote5anc\" name=\"sdfootnote5sym\">5<\/a><i>Pode ser que seja s\u00f3 o leiteiro l\u00e1 fora. Pe\u00e7a em um ato<\/i>. ABREU, Caio Fernando (1973). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/toaz.info\/doc-view&gt;<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote6\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: xx-small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote6anc\" name=\"sdfootnote6sym\">6<\/a><i>Refugiados em si mesmos: O isolamento humano na dramaturgia de Caio Fernando Abreu<\/i>. Twyne Soares Ramos. FURG, 2016.Pg. 77. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote7\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: xx-small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote7anc\" name=\"sdfootnote7sym\">7<\/a><i>Pode ser que seja s\u00f3 o leiteiro l\u00e1 fora. Pe\u00e7a em um ato<\/i>. ABREU, Caio Fernando (1973). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/toaz.info\/doc-view&gt;<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote8\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: xx-small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote8anc\" name=\"sdfootnote8sym\">8<\/a>Estere\u00f3tipo e Stanislavski na constru\u00e7\u00e3o da personagem Carla em 3&#215;4 (2015). Da Silva, Yasmin Barroso.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote9\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: xx-small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote9anc\" name=\"sdfootnote9sym\">9<\/a> Pode ser que seja s\u00f3 o leiteiro l\u00e1 fora. Pe\u00e7a em um ato. ABREU, Caio Fernando (1973). Dispon\u00edvel em &lt;<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/toaz.info\/doc-view\">https:\/\/toaz.info\/doc-view<\/a>&gt; pg. 17.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote10\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"color: #808080; font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><span style=\"font-size: xx-small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote10anc\" name=\"sdfootnote10sym\">10<\/a>Cr\u00edtica de Rodrigo Monteiro em <i>24 de jan. De 2011 no <\/i>http:\/\/teatropoa.blogspot.com\/2011\/01\/pode-ser-que-seja-so-o-leiteiro-la-fora.html<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote11\">\n<p class=\"sdfootnote\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; color: #808080;\"><span style=\"font-size: xx-small;\"><a class=\"sdfootnotesym\" style=\"color: #808080;\" href=\"#sdfootnote11anc\" name=\"sdfootnote11sym\">11<\/a>https:\/\/www.sympla.com.br\/evento\/pode-ser-que-seja-o-sol-mostra-tpe-2022\/1675171<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; color: #000000;\"><em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQorpo Qr\u00edtico \u2013 Vol. 04, n. 10, julho a outubro de 2022. ISSN 2675-4207.\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BABY (Lentamente.) &#8211; Eu acho&#8230; eu acho que a gente s\u00f3 pode dizer uma coisa. (AS BATIDAS AUMENTAM MAIS.) BABY \u2014 Eu acho que a gente s\u00f3 pode dizer que n\u00f3s n\u00e3o temos culpa. Que nenhum de n\u00f3s tem culpa de nada. 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