{"id":1709,"date":"2023-11-26T16:29:32","date_gmt":"2023-11-26T19:29:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/?p=1709"},"modified":"2023-12-17T22:19:27","modified_gmt":"2023-12-18T01:19:27","slug":"rhinocerontes-um-alerta-contra-o-desembalar-do-fascismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/rhinocerontes-um-alerta-contra-o-desembalar-do-fascismo\/","title":{"rendered":"Rhinocerontes: um alerta contra o desembalar do fascismo!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Existe uma lei b\u00e1sica em nossa sociedade atual: o ente originador do pensamento dominante n\u00e3o \u00e9 o povo, enquanto o ente dominado, sim. O prussiano Karl Marx (1818 &#8211; 1883) explicaria melhor essa senten\u00e7a. Afinal, a ideia acima n\u00e3o passa de uma de suas investiga\u00e7\u00f5es mais not\u00f3rias. Falo do conceito de Ideologia e, claro, de Aliena\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o que tais tipologias t\u00eam de relacional com uma cr\u00edtica? Esta \u00e9 uma cr\u00edtica teatral, n\u00e3o? Vou explicar.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No pensamento sociol\u00f3gico, a imag\u00e9tica coletiva \u00e9 fruto das escolhas e conting\u00eancias de uma classe dominante, que, dispondo da posse dos meios de produ\u00e7\u00e3o e de gera\u00e7\u00e3o informacional, conduz a sociedade para qualquer lado que desejar &#8211; obviamente, sempre para o lado mais pr\u00f3ximo da preserva\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do capitalismo. \u00c9 um processo simples, quando refletimos pelo ponto de vista da l\u00f3gica. N\u00e3o existe cren\u00e7a ou perspectiva por gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, tudo \u00e9 semeado, viabilizado por outrem ou por alguma institui\u00e7\u00e3o. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, dessa ideologia emanada da classe dominante, nasce a aliena\u00e7\u00e3o. E essa tipologia final carece de pouca explica\u00e7\u00e3o: alienar-se \u00e9 estranhar-se. E o que acontece quando um ser humano se aliena?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1733\" aria-describedby=\"caption-attachment-1733\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1733 size-medium\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/rhinos-1-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/rhinos-1-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/rhinos-1-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/rhinos-1-768x768.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/rhinos-1-750x750.jpeg 750w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/rhinos-1.jpeg 912w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1733\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: Adri Marchiori<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A hist\u00f3ria dos \u00faltimos cem anos responde essa pergunta com um eco que nos assombra at\u00e9 o presente momento. Quando esse processo de aliena\u00e7\u00e3o acontece, assistimos o florescer de estruturas estatais totalit\u00e1rias, de regimes fascistas, de \u00f3dio ao outro. \u00c9 nesse mar tempestuoso que escutamos \u201cdireitos humanos para quem \u00e9 direito\u201d ou \u201ca maioria tem que curvar-se \u00e0 minoria\u201d. \u00c9 nesse mar que emergem conflitos territoriais que s\u00e3o reduzidos a discursos islamof\u00f3bicos e a solu\u00e7\u00f5es que envolvem o bombardeamento de faixas territoriais ilegalmente cercadas. Nesse cen\u00e1rio, a ideia de comunidade, que sustentou o ser humano das \u00e9pocas comunais at\u00e9 a funda\u00e7\u00e3o dos burgos, cede frente a ideia de extin\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o se tolera. Nesse cen\u00e1rio, os rinocerontes tomam a cidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1715\" aria-describedby=\"caption-attachment-1715\" style=\"width: 384px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1715\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-1-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"384\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-1-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-1-750x500.jpeg 750w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-1.jpeg 1368w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1715\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: Adri Marchiori<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Confesso que quando comecei a assistir Rhinocerontes, da Cia. Teatrof\u00eddico, n\u00e3o esperava que minha mente fosse inundada por esses pensamentos. Eu sabia do que se tratava e qual texto a pe\u00e7a tomava para si. Conhecia um pouco do escrito de Ionesco, mas acima de tudo conhecia distopias. Havia devorado as an\u00e1lises de Silvia Federici, Hannah Arendt e Jason Stanley. Tinha me divertido com as fic\u00e7\u00f5es de Ray Bradbury, George Orwell e Philip Dick. No que se referia a avisos dos riscos nefastos da vit\u00f3ria do pensamento dominante, me sentia uma forquilha. E a\u00ed est\u00e1 o problema: nem as forquilhas s\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">indubitavelmente funcionais. Quando se olha demais para os sintomas, esquecemos da doen\u00e7a e da sua capacidade de dominar o corpo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Rhinocerontes n\u00e3o esquece disso. Com dire\u00e7\u00e3o de Eduardo Kraemer, adapta\u00e7\u00e3o dramat\u00fargica do grupo, opera\u00e7\u00e3o de luz de Rubens Koshimizu, tendo no elenco Renato del Camp\u00e3o, Diego Stefani, Pingo Alabarce, Bibi Dias e Alexandre Farias, bem como os dadianes Juliana Strehlau (que tamb\u00e9m auxilia na adapta\u00e7\u00e3o do texto, ao recriar uma cena de sua personagem) e Jo\u00e3o Petrillo, a obra recorda do b\u00e1sico e do fundamental quando conversamos sobre Ideologia e Aliena\u00e7\u00e3o. Instrumentalizando o Teatro do Absurdo, a pe\u00e7a foge dos recursos comuns da intelectualidade, que tende a delimitar as formas f\u00edsicas do problema e n\u00e3o apresenta solu\u00e7\u00e3o, quase que em um devaneio no qual o bem vence o mal e pronto. N\u00e3o h\u00e1 mais nada a resolver. N\u00e3o h\u00e1 mais risco. Todos podem ir para casa, abra\u00e7arem suas esposas e esposos, beijarem-se.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 12pt;\">Rhinocerontes caminha na contram\u00e3o. Com uma est\u00e9tica que circula entre o passado internacional e o presente nacional, bem como a partir de uma ret\u00f3rica escatol\u00f3gica conhecida por muitos de n\u00f3s, a obra finca a bandeira no ch\u00e3o e proclama: nada mudou, o mal caminha entre nossa gente, desembalado. E negar n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o aconselhada.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1721\" aria-describedby=\"caption-attachment-1721\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1721 size-medium\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.04-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.04-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.04-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.04-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.04-750x500.jpeg 750w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.04.jpeg 1368w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1721\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: Adri Marchiori<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Os tr\u00eas atos da pe\u00e7a superam a si mesmos e at\u00e9 a pr\u00f3pria liturgia dram\u00e1tica. N\u00e3o s\u00e3o apenas atos escritos ou mecanismos de transi\u00e7\u00e3o temporal, eles servem para expandir a hist\u00f3ria, dar corpo a ela e absorver a plat\u00e9ia. Primeiro, na rua, em frente ao Ocidente Bar, a desconfian\u00e7a pairante, a falta de cren\u00e7a no mal, o desaviso, a frivolidade. N\u00e3o \u00e9 um rinoceronte. N\u00e3o pode ser. Depois, a queda do v\u00e9u, o interior do Ocidente, o mal em gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecido, mas n\u00e3o repelido, h\u00e1 estranheza e at\u00e9 comicidade. D\u00favida. Continuamos a recusar a maior verdade: estamos sendo dominados lentamente. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, ainda dentro do local, o t\u00e9rmino, a invas\u00e3o de dentro para dentro, a domina\u00e7\u00e3o. Precisamos superar a descren\u00e7a e aceitar que o mal triunfou, que perdemos, que nossos valores n\u00e3o nos protegeram de nossa tend\u00eancia de manada. Tr\u00eas atos lindamente constru\u00eddos, a partir de uma cenografia criativa (sem reservas em usar o ambiente e os itens do dia-a-dia para dar corpo \u00e0s cenas) e ilumina\u00e7\u00e3o asfixiante que zomba de nossas lembran\u00e7as. Ent\u00e3o, o mal estava a\u00ed o tempo todo? Somente eu que n\u00e3o enxerguei?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1710 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-02-at-14.22.27.jpeg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"1600\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-02-at-14.22.27.jpeg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-02-at-14.22.27-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-02-at-14.22.27-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-02-at-14.22.27-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-02-at-14.22.27-750x1000.jpeg 750w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"RHINOS entrada Ato II\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JTTkjwEPtgU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-size: 14pt;\">No fim, as armas est\u00e3o em punho. Nossos traumas coletivos ressurgem e respondem positivamente \u00e0s quest\u00f5es anteriores. O mal sempre esteve aqui. Sempre esteve. N\u00f3s n\u00e3o enxergamos. Confundimos derrota no campo de batalha com derrota simb\u00f3lica, discursiva. S\u00edmbolos e discursos n\u00e3o morrem quando uma grande guerra se encerra. Para morrer, eles precisam ser enfraquecidos, desarticulados, esvaziados de qualquer sentido. Essa \u00e9 a mensagem de Rhinocerontes. Ou eliminamos os s\u00edmbolos e discursos que tentam apropriar-se de n\u00f3s, ou em breve, quando a poeira baixar, escutaremos novamente o desembalar do rinoceronte.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1720\" aria-describedby=\"caption-attachment-1720\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1720 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.53-1024x683.jpeg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.53-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.53-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.53-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.53-750x500.jpeg 750w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.59.53.jpeg 1368w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1720\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: Maria Bufrem<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1716\" aria-describedby=\"caption-attachment-1716\" style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1716 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12.jpeg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1008\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12.jpeg 1600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-300x189.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-1024x645.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-768x484.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-1536x968.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-15.41.12-750x473.jpeg 750w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1716\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: Adri Marchiori<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Sinopse:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A montagem da Cia Teatrof\u00eddico conduz o espectador por 3 cen\u00e1rios diferentes de um universo dist\u00f3pico no pr\u00e9dio do Ocidente Bar: o primeiro ato se passa na rua em frente ao bar onde mesas est\u00e3o dispostas e os atores criam o ambiente que o texto prop\u00f5e(sinopse acima) numa contracena\u00e7\u00e3o de rua onde o p\u00fablico est\u00e1 dentro da cena e participa como figurante dos acontecimentos. O car\u00e1ter \u00e9 c\u00f4mico\/dram\u00e1tico onde as atua\u00e7\u00f5es grandiloquentes beiram o rid\u00edculo como forma de criticar uma sociedade autorit\u00e1ria, fascista e opressora. A hist\u00f3ria de B\u00e9renger, um homem negro comum, funcion\u00e1rio mediano e que sofre racismo o tempo todo conduz as cenas com vigor e estranhamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No segundo ato, o p\u00fablico \u00e9 conduzido para o interior do pr\u00e9dio onde assiste a pe\u00e7a no mezanino, vendo a encena\u00e7\u00e3o de cima pra baixo numa arena que representar\u00e1 um escrit\u00f3rio de uma editora de livros. A atmosfera opressora, decadente, estilizada por m\u00e1quinas e contadores de tempo faz o contraponto mais relaxado do primeiro ato.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No terceiro ato, o p\u00fablico \u00e9 levado ao terceiro andar da casa onde entram nos quartos de Jean e B\u00e9renger revelando as intimidades destes\u00a0 personagens. Os quartos s\u00e3o intimistas, pouco iluminados com proje\u00e7\u00f5es de um mundo em caos nas janelas, um mundo onde todos j\u00e1 se transformaram em rinocerontes e atinge o cl\u00edmax quando B\u00e9renger se nega a ir com a manada. Poucos elementos cenogr\u00e1ficos numa encena\u00e7\u00e3o vigorosa, \u00e0s vezes violenta e densa mais uma vez contrap\u00f5e os atos anteriores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A encena\u00e7\u00e3o como um todo vai do macro, onde os personagens vibram com as energias da rua at\u00e9 o mais \u00edntimo de um quarto que desnuda e revela a alma desses seres atordoados e perdidos em meio \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia e o descaso de um sistema falido.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><b>Ficha t\u00e9cnica:<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><b>Rhinocerontes<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Roteiro escrito pelo grupo livremente inspirado em Ionesco<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Dire\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o: Eduardo Kraemer<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Atua\u00e7\u00e3o: Renato Del Camp\u00e3o, Diego Stefani, Pingo Alabarce, Juliana Strehlau, Jo\u00e3o Petrillo, Bibi Dias e Alexandre Farias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Figurinos e cen\u00e1rios: Diego Steffani<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Maquiagem: Maria Bufrem<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Proje\u00e7\u00f5es: Jana Castoldi<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Opera\u00e7\u00e3o de luz: Rubens Koshimizu<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Montagem de som: Felipe Messa<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Bilheteria: Thuanie Cigaran<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; color: #000000;\"><em>Qorpo Qr\u00edtico &#8211; Vol. 05, n. 13, agosto a novembro de 2023. ISSN 2675-4207.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe uma lei b\u00e1sica em nossa sociedade atual: o ente originador do pensamento dominante n\u00e3o \u00e9 o povo, enquanto o ente dominado, sim. O prussiano Karl Marx (1818 &#8211; 1883) explicaria melhor essa senten\u00e7a. Afinal, a ideia acima n\u00e3o passa de uma de suas investiga\u00e7\u00f5es mais not\u00f3rias. 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