{"id":3123,"date":"2026-09-02T22:01:53","date_gmt":"2026-09-03T01:01:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/?p=3123"},"modified":"2026-09-02T23:24:23","modified_gmt":"2026-09-03T02:24:23","slug":"a-arte-de-escreve-sobre-arte-um-mapa-para-questionar-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/a-arte-de-escreve-sobre-arte-um-mapa-para-questionar-caminhos\/","title":{"rendered":"A arte de escrever sobre arte: um mapa para questionar caminhos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">A revista Qorpo Qr\u00edtico \u00e9, pra mim, muito mais do que um espa\u00e7o para publica\u00e7\u00f5es. Atrav\u00e9s dela, me desafio, me motivo a pesquisar e aprender. Ah, e a QQ tamb\u00e9m \u00e9 um \u00f3timo assunto em rodas de conversa, filas de teatro e intervalos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Eventualmente, algu\u00e9m demonstra interesse em publicar por aqui, \u00e0s vezes tamb\u00e9m noto inseguran\u00e7as em meio a d\u00favidas pr\u00e1ticas. <\/span><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Ent\u00e3o, escrevo com o objetivo de inspirar\/encorajar\/guiar quem quer come\u00e7ar a escrever cr\u00edticas, ou pra quem simplesmente estiver afim de ler sobre a arte de escrever sobre arte.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Em primeiro lugar, quando a gente come\u00e7a a escrever cr\u00edticas tem uma quest\u00e3o de se sentir apto a escrev\u00ea-la, que eu eu j\u00e1 tratei num texto dispon\u00edvel clicando <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/quem-sou-eu-pra-criticar-essa-peca-uma-celebracao-reflexiva-pela-centesima-publicacao-da-qq\/\">aqui<\/a>. Em suma, n\u00e3o acredito que seja uma quest\u00e3o exclusivamente individual. Creio que \u00e9 sintom\u00e1tica do momento em que a cr\u00edtica se encontra: aquele cr\u00edtico num pedestal, que imaginamos deter toda a cultura n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica pessoa que pode escrever. Assim como aquele texto que sozinho vai determinar se a obra \u00e9 \u201cboa\/ruim\u201d tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico caminho que existe.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Escrever dessa forma \u00e9 parte de uma cultura que fomenta e espera por essa avalia\u00e7\u00e3o, e isso, de maneira alguma, \u00e9 um dem\u00e9rito. (Tamb\u00e9m n\u00e3o quero invalidar coment\u00e1rios sobre aqueles aspectos da obra que n\u00e3o fluem, at\u00e9 porque os fa\u00e7o) O ponto \u00e9 que encarar essa como a \u00fanica possibilidade inibe algumas pessoas que poderiam estar canalizando suas ideias em cr\u00edticas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Ok, a gente j\u00e1 entende que o nosso olhar \u00e9 interessante e que podemos escrever uma cr\u00edtica, mas a\u00ed bate a d\u00favida: por onde come\u00e7ar?\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Bom, eu comecei escrevendo cr\u00edticas como uma forma de lidar com aquela vergonha terr\u00edvel de algu\u00e9m ler o que a gente escreve. Me inscrevi na disciplina Semin\u00e1rio em Teatro I (no Departamento de Arte Dram\u00e1tica da UFRGS, ministrada pelo prof. Henrique Saidel) e encarei o desafio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Escrevi minha primeira cr\u00edtica e senti que estava tudo p\u00e9ssimo. Na hora de ler em voz alta para os colegas, minha voz quase n\u00e3o saiu. Por\u00e9m, meu escrito foi a porta de entrada para uma discuss\u00e3o muito interessante sobre a pe\u00e7a que o inspirou. A \u00fanica coisa que estava realmente errada ali era a percep\u00e7\u00e3o que eu tinha do meu trabalho, uma distor\u00e7\u00e3o bastante comum.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Daquele dia em diante, parei de pensar a escrita como uma reda\u00e7\u00e3o a ser corrigida e procurei encarar cada processo como uma aventura. Confesso que, por muitas vezes, desejei ter um mapa. J\u00e1 adianto que esse texto n\u00e3o cont\u00e9m mapa algum, talvez um di\u00e1rio de bordo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Atrav\u00e9s da pesquisa, da leitura, da escrita, e da troca de ideias, transformei e ampliei a maneira como vejo esse tipo de texto. Desse repert\u00f3rio, destaco o trabalho do cr\u00edtico Carlos Alberto Pereira dos Santos, as aulas do prof. Henrique Saidel, as ideias de Cec\u00edlia Almeida Salles, e tamb\u00e9m os portais <a href=\"https:\/\/www.horizontedacena.com\/\">Horizonte da Cena<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.farofacritica.com.br\/criticas\">Farofa Cr\u00edtica<\/a>, <a href=\"https:\/\/olharesdacena.blogspot.com\/?utm_source=ig&amp;utm_medium=social&amp;utm_content=link_in_bio&amp;fbclid=PAcGRvZgJleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZA85MzY2MTk3NDMzOTI0NTkAAafTVvc2TpqC4bIyKddFEPmgMBU_My0w0TAmU4aKECjXvmETJME9ymkAjgwNZw_aem_xjXQHMnEUOF55t8XYiXtXw\">Olhares da Cena<\/a>, entre muitos outros.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Foi assistindo a uma palestra de Carlos Alberto que reconheci: a cr\u00edtica em artes \u00e9 um g\u00eanero que pode ser atravessado por diferentes abordagens, um terreno amplo, talvez por isso a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o saber por onde come\u00e7ar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Conhecer e experimentar essas possibilidades me ajudou muito a vencer bloqueios criativos e a construir textos mais interessantes. Compartilho algumas delas, acompanhadas de exemplos pr\u00e1ticos, em trechos de cr\u00edticas dispon\u00edveis aqui no site. N\u00e3o se trata de uma classifica\u00e7\u00e3o definitiva ou de um conjunto de regras para escrever cr\u00edticas, mas de algumas perspectivas que encontrei pelo caminho e que hoje me ajudam a pensar meus pr\u00f3prios textos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\"><strong>Descritiva<\/strong> &#8211; como o nome j\u00e1 indica \u00e9 aquele trecho\/texto dedicato a contextualizar o leitor em rela\u00e7\u00e3o aos acontecimentos do evento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">[&#8230;]<\/span>as performances do evento \u201cSunday Bumday\u201d, realizado no \u00faltimo domingo 20\/10, que trouxe uma s\u00e9rie de apresenta\u00e7\u00f5es curtas de pole dance, variando entre 2 a 5 minutos, cada uma revelando a singularidade e a pot\u00eancia expressiva de cada performer. No palco, presenciei a entrega perform\u00e1tica de Le Dall Agnol, Toni, Paulo, Maria Eduarda, Am\u00e9lia, Violeta, Letycye, Nina, Perla, Ginger Ale e Vi Batista.[&#8230;]Os performers da noite usaram o espa\u00e7o de diferentes maneiras: alguns adotaram uma entrada mais formal, vinda da \u00e1rea que servia de coxia (um corredor estreito \u00e0 esquerda da plateia), enquanto outros apareceram da pr\u00f3pria plateia ou exploraram o sof\u00e1 que compunha o ambiente do bar. [&#8230;]<\/p>\n<p>Trecho da Qr\u00edtica &#8220;Sunday Bumday ou como encerrar bem o final de semana&#8221; de \u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/tag\/kynae-narciso\/\" rel=\"tag\">Kyna\u00ea Narciso<\/a> disponivel <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/sunday-bumday-ou-como-encerrar-bem-o-final-de-semana\/?fbclid=PAT01DUAUFVzZwZG9mAmV4dG4DYWVtAjEwAHNydGMGYXBwX2lkDzU2NzA2NzM0MzM1MjQyNwABp2xMbEznSnKnGdgCprcoKxwPT263VlyvWH8XN0kUVwd1afeKAmyIyfnuNZyv_aem_7oL2v4LOTB4GmSISt7DWcw\">AQUI<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\"><strong>Jornal\u00edstica<\/strong> &#8211; trecho\/texto focado nos acontecimentos e quest\u00f5es do contexto da obra, que podem atravessar a maneira como ela \u00e9 produzida e percebida.<\/span><\/p>\n<p>Assim como muitos dos trabalhos produzidos no curso de teatro da UFRGS, a Mostra Dad \u00e9 um evento aberto ao p\u00fablico, onde s\u00e3o apresentados os espet\u00e1culos de conclus\u00e3o de alguns dos est\u00e1gios. Amigos, familiares, funcion\u00e1rios do departamento e a comunidade em geral v\u00eam assistir, em uma troca que contribui para forma\u00e7\u00e3o dos alunos e refor\u00e7a o pilar de extens\u00e3o da universidade. No final de agosto, estava marcada a estreia de \u201cMissa do Pecado\u201d, que foi adiada devido amea\u00e7as direcionadas a alunes e professores, que aconteceram antes mesmo de qualquer apresenta\u00e7\u00e3o[\u2026] Com a transfer\u00eancia para outubro, a expectativa do p\u00fablico aumentou, lotando os tr\u00eas hor\u00e1rios. Minutos antes do espet\u00e1culo come\u00e7ar, j\u00e1 entramos no clima, somos recebidos por duas performers (Marina Lopes e Pamela Walter), animadas elas entregam senhas e deboche.[\u2026]<\/p>\n<p>Trecho da Qr\u00edtica &#8220;INCENSUR\u00c1VEL&#8221; de \u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/tag\/mariana-bruni\/\" rel=\"tag\">Mariana Bruni<\/a>, dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/incensuravel\/?fbclid=PAT01DUAUFjo9wZG9mAmV4dG4DYWVtAjEwAHNydGMGYXBwX2lkDzU2NzA2NzM0MzM1MjQyNwABp4UquSBbo7As2N8NN6koT8CR72rf41dpPhEwlpYJVGu-rOOkF2IgPrwltvOD_aem_zJqL1CcCnpjglQxMSZC3Ug\">AQUI<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\"><strong>Est\u00e9tica<\/strong>&#8211; Quando o texto se deixa afetar esteticamente pelo espet\u00e1culo. Por exemplo: usar caixa alta para tratar de um espet\u00e1culo com muitos gritos; ou fazer poesias para falar de um trabalho completamente recitado (como na passagem abaixo)<\/span><\/p>\n<p>[\u2026]Aqui a po\u00e9tica est\u00e1 na voz, no corpo, na intera\u00e7\u00e3o, no tempo,\u00a0nos sil\u00eancios<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">no cantar junto,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o estalado do dedo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ora descompasso<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">onde compasso<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o movimento<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o momento<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o corpo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ouvido<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">osso<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o\u00f4o<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o\u00f4o<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">osso<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ouvido<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o corpo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o momento<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o movimento<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">onde compasso<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ora descompasso<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o estalado do dedo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">nos atores, que atentam a precis\u00f5es m\u00e9tricas mantendo o brilho no olhar. O resultado \u00e9 uma experi\u00eancia viva, que vai al\u00e9m do recitar ou demonstrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ent\u00e3o afinal,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">o que a poesia pode ser?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Em\u00a0<i>a noite do Chacal<\/i>,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">a poesia \u00e9 ser.<\/p>\n<p>Qr\u00edtica &#8220;O que pode ser a poesia?&#8221; de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/tag\/mariana-bruni\/\" rel=\"tag\">Mariana Bruni<\/a>, dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/o-que-pode-ser-a-poesia\/?fbclid=PAT01DUAUFT2pwZG9mAmV4dG4DYWVtAjEwAHNydGMGYXBwX2lkDzU2NzA2NzM0MzM1MjQyNwABp-WJDsCjoQRU7Cv0GijQmvVbdrZT8OxyelekEFF5fO7qEBeiaTH0JoYGxO6T_aem_MofgZ86TnSKFYeRrIHNbMw\">AQUI<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\"><strong>Mapeamento<\/strong> &#8211; Abordar as ra\u00edzes do processo criativo. Seja relacionando a obra aos procedimentos que a constitu\u00edram ou investigando as principais refer\u00eancias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>[\u2026]O Coletivo Gompa tem surpreendido a cidade de Porto Alegre ao produzir nos \u00faltimos anos um teatro inteligente, instigante, feroz e profundamente vinculado \u00e0s quest\u00f5es sociais, mesmo que de forma metaf\u00f3rica, como \u00e9 o caso de\u00a0<i>Instinto<\/i>, de 2023. Estreado no mesmo ano, o espet\u00e1culo\u00a0<i>Meretrizes<\/i>\u00a0surgiu de um processo diametralmente oposto, mas com um resultado igualmente impactante, que nos faz rever conceitos e preconceitos relativos \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste trabalho extremamente bem articulado, a diretora Camila Bauer e a atriz Liane Venturella se uniram numa pesquisa de campo realizada entre as profissionais do sexo da capital riograndense. Durante aproximadamente um ano, entrevistaram e registraram experi\u00eancias, conhecendo e conversando pessoalmente com mais de trinta mulheres cuja profiss\u00e3o de acompanhante ou prostituta as torna uma esp\u00e9cie de p\u00e1rias sociais. Com respeito e cuidado, constru\u00edram a partir desses relatos uma obra s\u00f3lida e consistente, feita de faces distintas de mulheres reais e fragmentos de suas vidas. [\u2026]<\/p>\n<p>Qr\u00edtica &#8220;Meretrizes \u2013 a Arte da Putaria&#8221; de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/tag\/paulina-nolibos\/\" rel=\"tag\">Paulina N\u00f3libos <\/a>dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/meretrizes-a-arte-da-putaria\/?fbclid=PAT01DUAUFTjFwZG9mAmV4dG4DYWVtAjEwAHNydGMGYXBwX2lkDzU2NzA2NzM0MzM1MjQyNwABp1IFH3o89vom6J5w_y58JGx2CPdrGR3FdS9Zajk-oAcCRt03e08dMenQyCcu_aem_Ww7vVfgLLubif8Ql-JNBfw\">AQUI<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\"><strong>Afeto<\/strong> &#8211; Comentar sobre como a obra reverberou em si, ou nos outros.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Quando comecei a assistir e fazer teatro, sentia um poder enorme sobre o potencial do teatro amador de ser mais que um momento, uma pe\u00e7a, existia ali uma vontade coletiva e uma felicidade, a qual com o decorrer dos tempos, aprendendo e me entranhando mais nas veias do teatro, sentia que ia se perdendo essa alegria, virando algo mec\u00e2nico e cheio de signos precisos para atingir precisos pontos. O teatro profissional perdia uma das coisas mais primorosas do teatro; o \u201camador\u201d, no sentido primordial da palavra, daquele que ama o que faz e, com isso, parece ter havido um tratado mundial secreto ao qual n\u00e3o se fala e n\u00e3o se pensa sobre, que para ser profissional, precisa deixar de ser amador, \u201caquele que ama o que faz\u201d. Mas, sentado naquela sala pequena, sentado no ch\u00e3o, com 4 atores, quatro cadeiras e uma mesa enorme, me arrependi docemente de ter tido aquela impress\u00e3o de perda do \u201camadorismo\u201d, pois o que vi naquela sala resgata todo aquele frescor maravilhoso de um teatro feito com amor, mas n\u00e3o s\u00f3 disso, como tamb\u00e9m de v\u00edsceras, de discursos, de pot\u00eancia, de impacto, um impacto que me faz sentir vivo. [\u2026]<\/p>\n<p>Qr\u00edtca &#8220;Os preciosos estilha\u00e7os de um CORPO QUEBRADO&#8221; de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/tag\/airton-terres\/\" rel=\"tag\">Airton Terres <\/a>dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/os-preciosos-estilhacos-de-um-corpo-quebrado\/?fbclid=PAT01DUAUFjSJwZG9mAmV4dG4DYWVtAjEwAHNydGMGYXBwX2lkDzU2NzA2NzM0MzM1MjQyNwABp3DaMhf-qevRrp7KYqA2R0wIKxv0NNouqsUbvRj8gD_5tSx7IZjBUvadOfw1_aem_OuVtkdERVBKXJTHTcErCMg\">AQUI<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Ouuun! Que fofuchooooo! Nesses, sempre levo a Bel (minha filha) junto pra poder dizer aqui se funciona. E olha que ela interagiu, hein? E quando perguntaram a ela sobre o tema da pe\u00e7a, ela prontamente disse: sobre bailarinas\u2026<\/p>\n<p>E como Brincavam, Rolavam, Giravam, Viajavam, Pensavam e Tinham At\u00e9 Crises de Identidade essas LetraSSSS\u2026[\u2026]<\/p>\n<p>Qr\u00edtica &#8220;Sobre letras bailarinas&#8221; de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/tag\/clarissa-brittes\/\" rel=\"tag\">Clarissa Brittes <\/a>dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/sobre-letras-bailarinas\/?fbclid=PAT01DUAUFjllwZG9mAmV4dG4DYWVtAjEwAHNydGMGYXBwX2lkDzU2NzA2NzM0MzM1MjQyNwABpxqGCqQLO-QhTlkKK9uOPxo60jffrNcbWCuMMOqZaZB841V9dletctFWmJ9i_aem_WN35ui0opmhMRybUztH6jw\">AQUI<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\"><strong>Paralelo<\/strong> &#8211; Fazer compara\u00e7\u00f5es com outras obras, trazer cita\u00e7\u00f5es e estabelecer rela\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>[\u2026] Sinto como se todas as mem\u00f3rias que guardei com carinho em minha caixa pessoal estivessem acontecendo ao mesmo tempo em que me recordo delas. Me apoiando em Leda Maria e sua no\u00e7\u00e3o de tempo espiralar, que me \u00e9 particularmente cara, penso e sinto que o (nada) simples prisma de questionar a si mesmo sobre uma sele\u00e7\u00e3o pontual de mem\u00f3rias que carrega consigo, faz com que tais momentos passados coexistam com o presente. \u00c9 como se tudo que vivi se entrela\u00e7asse com o que vivo agora, e com o que viverei a seguir. [\u2026]<\/p>\n<p>Qr\u00edtica &#8220;Mem\u00f3rias, caixas de sapatos e cora\u00e7\u00f5es&#8221; de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/tag\/douglas-lunardi\/\" rel=\"tag\">Douglas Lunardi<\/a> dispon\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/memorias-caixas-de-sapatos-e-coracoes\/?fbclid=PAT01DUAUFSflwZG9mAmV4dG4DYWVtAjEwAHNydGMGYXBwX2lkDzU2NzA2NzM0MzM1MjQyNwABp2wMoy3M1efWpLjhpO_NXBOWCMsg1N3HrbALE91y0XHWP2U33U5bZOseNp4i_aem_UNnwP-MseYPL0COB-PXO1A\">AQUI<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\"><em>Recomendo fortemente a leitura de Carlos Alberto Pereira dos Santos, em especial o livro H\u00famus 5.<\/em> <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Claro que um \u00fanico texto pode mesclar alguns dos vieses citados. \u00c9 comum come\u00e7ar contextualizando o leitor ao descrever o evento e depois deixar-se afetar por ele, por exemplo. Minha inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 criar caixinhas, mas abrir possibilidades.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Para esse texto eu usei a narrativa, listei as abordagens em uma descri\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m coloquei links para outros textos, pensando em torn\u00e1-lo um caminho com v\u00e1rias ramifica\u00e7\u00f5es (tal qual o g\u00eanero textual abordado). A metalinguagem est\u00e1 presente do t\u00edtulo ao fim, tornando esse um texto onde a maneira de escrever \u00e9 contagiada pelo conte\u00fado. Enfim, espero agu\u00e7ar olhares, despertar curiosidade e estender a conversa sobre tudo o que acontece quando uma obra de arte mexe com a gente.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Acredito de verdade que um trabalho art\u00edstico s\u00f3 existe quando toca algu\u00e9m, e que esse contato \u00e9 t\u00e3o importante quanto a obra em si, sendo um universo que pode ser expandido atrav\u00e9s de muitas manifesta\u00e7\u00f5es. Uma delas, a escrita. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; font-family: tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14pt;\">Se quiser trilhar esse caminho, na Qorpo Qr\u00edtico as ideais s\u00e3o trocadas em uma revis\u00e3o que busca aliar cuidado, \u00e9tica e criatividade \ud83d\ude42<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Qorpo Qr\u00edtico \u2013 Vol. 8, n. 22 \u2013 agosto a novembro de 2026. ISSN 2675-4207<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3124\" aria-describedby=\"caption-attachment-3124\" style=\"width: 444px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3124 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Copia-de-Porque-lutar-25-e1788401843373.png\" alt=\"\" width=\"444\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Copia-de-Porque-lutar-25-e1788401843373.png 444w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Copia-de-Porque-lutar-25-e1788401843373-300x297.png 300w\" sizes=\"(max-width: 444px) 100vw, 444px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3124\" class=\"wp-caption-text\">Imagem ilustrativa para destaque. Fragmento do texto.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista Qorpo Qr\u00edtico \u00e9, pra mim, muito mais do que um espa\u00e7o para publica\u00e7\u00f5es. Atrav\u00e9s dela, me desafio, me motivo a pesquisar e aprender. 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