{"id":582,"date":"2020-02-29T13:11:11","date_gmt":"2020-02-29T16:11:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/?p=582"},"modified":"2020-06-29T11:08:39","modified_gmt":"2020-06-29T14:08:39","slug":"perigoso-e-nao-se-levantar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/perigoso-e-nao-se-levantar\/","title":{"rendered":"PERIGOSO \u00c9 N\u00c3O SE LEVANTAR"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_583\" aria-describedby=\"caption-attachment-583\" style=\"width: 488px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-583\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Perigoso-01.png\" alt=\"\" width=\"488\" height=\"488\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Perigoso-01.png 488w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Perigoso-01-150x150.png 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Perigoso-01-300x300.png 300w\" sizes=\"(max-width: 488px) 100vw, 488px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-583\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Giuliano Lucas.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">J\u00e1 era madrugada quando abri o arquivo no computador para continuar a escrita desse texto. Ao lado do arquivo aberto, uma nova aba pesquisava escritos de uma mulher que me era, at\u00e9 ent\u00e3o, pouco conhecida. \u201cVoc\u00ea pode me riscar da Hist\u00f3ria, com mentiras riscadas no ar. Pode me jogar contra o ch\u00e3o de terra, mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar\u201d. As palavras emergiam de um poema da doutora e multiartista norte-americana Maya Angelou (1928-2014), refer\u00eancia na luta pelos direitos civis da popula\u00e7\u00e3o negra. Nascida em Saint Louis, Missouri, Maya Angelou consagrou-se como uma artista polivalente, trabalhando com teatro, cinema, televis\u00e3o e dan\u00e7a, al\u00e9m de ser autora de uma s\u00e9rie de livros reconhecidos internacionalmente e ter trabalhado como professora de Hist\u00f3ria na Wake Forest University. Usando a poesia como m\u00e9todo de emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, Angelou levou a voz dos oprimidos (e todas as suas belezas silenciadas pelo poder institu\u00eddo) aos ouvidos dos mais diferentes pa\u00edses e grupos sociais, imprimindo complexidade aos debates raciais ao ultrapassar barreiras geogr\u00e1ficas e possibilitar novas narrativas acerca das quest\u00f5es identit\u00e1rias. <\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Cheguei at\u00e9 Maya Angelou por meio da men\u00e7\u00e3o de uma amiga, Silvana Rodrigues, atriz e diretora de Teatro, que a citou como uma de suas refer\u00eancias fundamentais na constru\u00e7\u00e3o de sua pe\u00e7a de conclus\u00e3o de curso, no ano passado. <i>Perigoso<\/i>, espet\u00e1culo apresentado na Mostra do Departamento de Arte Dram\u00e1tica da UFRGS, em novembro de 2019, \u00e9, de fato, um trabalho por onde perpassa muito a voz, a luta e a escritura po\u00e9tica de Maya Angelou. Mas n\u00e3o s\u00f3. Trata-se de um trabalho intenso, apurado, por onde ecoam diferentes vozes, dores, ess\u00eancias e experi\u00eancias de si e do outro, sempre pautadas pelo olhar sens\u00edvel da equipe e de uma dire\u00e7\u00e3o preocupada em estabelecer um movimento de troca entre o ator em cena e o p\u00fablico que o assiste, sem que esse p\u00fablico seja passivo ou indiferente ao que \u00e9 discutido. <\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\"><i>Perigoso, <\/i>espet\u00e1culo resultante dos est\u00e1gios em Dire\u00e7\u00e3o e Interpreta\u00e7\u00e3o Teatral de Silvana Rodrigues e Fabr\u00edcio Zavareze, respectivamente, \u00e9 um trabalho necess\u00e1rio. Mas, al\u00e9m disso, \u00e9 um trabalho que sabe, por si mesmo, da import\u00e2ncia de sua necessidade, de sua fun\u00e7\u00e3o e de sua exist\u00eancia. E, sabendo-se importante (e de fato sendo), ressignifica discursos e leva para a cena signos, imagens e situa\u00e7\u00f5es que reverberam profundamente o sentido ilimitado de se produzir e se fazer Teatro. Digo isso, porque trabalhos como <i>Perigoso <\/i>redimensionam a l\u00f3gica c\u00eanica ao levar para o palco quest\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m da pe\u00e7a em si, sendo, contudo, Teatro em todos os seus sentidos. E <i>Perigoso <\/i>faz desse espa\u00e7o, o do Teatro, uma constru\u00e7\u00e3o inteligente de possibilidades muito bem articuladas para dar conta do tanto que precisa ser dito pelos artistas que o realizam \u2013 e o fazem de maneira profundamente singular nas quest\u00f5es plurais que abordam. <\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">J\u00e1 no in\u00edcio do espet\u00e1culo, quando o p\u00fablico est\u00e1 adentrando a sala, uma grande cruz pendurada na parede, ao fundo, impele o nosso olhar. E impele porque sabemos que uma imagem t\u00e3o forte n\u00e3o estaria ali por acaso. E, diante daquela cruz que preenche o espa\u00e7o, esperando o espet\u00e1culo acontecer (mesmo sabendo que ele j\u00e1 acontecia), o meu olhar se dirigiu para a imagem e o inevit\u00e1vel conte\u00fado simb\u00f3lico nela contida. Lembrei-me de hist\u00f3rias, situa\u00e7\u00f5es, polifonias discursivas e sil\u00eancios diversos. Estavam todos ali, dan\u00e7ando, ainda que n\u00e3o verbalizados. Lembrei-me que, durante a minha inf\u00e2ncia, abundaram hist\u00f3rias sobre a face ben\u00e9fica do Cristo crucificado, mas tamb\u00e9m da natureza do mal a ele imposto e a funcionalidade da justi\u00e7a eterna presente no inferno. \u201cDeus fez homem e mulher, macho e f\u00eamea\u201d, \u201cDeus ajuda quem cedo madruga\u201d, \u201cA recompensa vir\u00e1 no reino dos c\u00e9us aos obedientes\u201d, \u201cCada um tem o seu lugar na terra e \u00e9 assim que deve ser\u201d. As hist\u00f3rias que o ator contava em cena, inevitavelmente se misturavam com as minhas e com tantas outras ali presentes. Durante toda a pe\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Sentado no Teatro diante daquela cruz, lembrei-me de in\u00fameros discursos, vozes, sujeitos e grupos sociais. Narrativas sobre a natureza pecaminosa da homossexualidade, por exemplo, eram recorrentes no meio em que eu vivia. Mas n\u00e3o s\u00f3. Tamb\u00e9m eram abundantes os discursos sobre a cor da pele e o lugar social institu\u00eddo por essa caracter\u00edstica. Sobre a inferioridade f\u00edsica e intelectual da mulher. Sobre a necessidade do supl\u00edcio. Sobre a inevitabilidade do fracasso de todo aquele que n\u00e3o seguisse os des\u00edgnios divinos de uma pretensa l\u00f3gica onipresente no mundo. Era perigoso fraquejar diante da ordem institu\u00edda. Era perigoso se render \u00e0s vontades exteriores ao que sempre nos disseram ser o correto, o leg\u00edtimo, o bom e o aceit\u00e1vel. Havia um padr\u00e3o de vida a ser seguido e, consequentemente, uma conduta a ser corrigida todos os dias. E isso, certamente, afetava a todos e todas, ainda que indiretamente. Negros, mulheres, gays, travestis, ind\u00edgenas e os ciganos que todo ano acampavam em um campo aberto pr\u00f3ximo da casa onde eu morava: todos esses sujeitos eram respons\u00e1veis por sua dor e pelo lugar que ocupavam no mundo. Era perigoso ressignificar. Era perigoso subverter. Sentado no Teatro, assistindo <i>Perigoso, <\/i>pude lembrar disso. <\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Volto para o espet\u00e1culo. Ali, diante da cruz, o ator entra em cena e \u00e9 afogado em um balde d\u2019\u00e1gua. Uma. Duas. Tr\u00eas vezes. Tenta falar algo, mas o f\u00f4lego lhe falta. Fabr\u00edcio Zavareze interpreta a si mesmo? Estamos diante de um ator ou de um personagem sendo afogado, preso, violentado? H\u00e1 uma permissividade dram\u00e1tica nessa a\u00e7\u00e3o constante? Em um primeiro momento, tentei realizar, como diretor e dramaturgo, uma leitura pr\u00e1tica da cena e de como ela se ligaria ao que viria em seguida. Dei-me conta logo a seguir, no entanto, que essa certeza n\u00e3o importava tanto assim. O todo que logo nos seria apresentado era muito maior. E a n\u00e3o import\u00e2ncia dessa certeza residia justamente no fato do simb\u00f3lico ser t\u00e3o forte e a situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o expressiva que ali poderia estar o Fabr\u00edcio ator ou o Fabr\u00edcio personagem: o impacto seria praticamente o mesmo. Vivemos em uma sociedade que afoga sujeitos, diariamente. \u00c9 preciso lembrar-se disso e levantar para respirar. <\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Personificados que somos a vida inteira pelos poderes, tamb\u00e9m nos moldam os discursos e as representa\u00e7\u00f5es sociais que ditam o car\u00e1ter da realidade concreta na qual estamos atrelados. Do meio circundante que afeta decis\u00f5es, performances, olhares e recuos. Do preconceito, do medo, da visibilidade ou invisibilidade di\u00e1ria que nos ronda. Ser afogado, na cena inicial, torna-se, assim, um simulacro do racismo, da homofobia, da instabilidade pol\u00edtica que n\u00e3o escolhemos viver, mas sob a qual somos esmagados historicamente. A for\u00e7a motriz propulsora da segrega\u00e7\u00e3o \u00e9, em muitos casos, aquela que se esconde onde na maioria das vezes nega estar: na constru\u00e7\u00e3o de um personagem negro pautada no estere\u00f3tipo; na fala de um acad\u00eamico que desqualifica certas produ\u00e7\u00f5es de acordo com o seu entendimento de \u201crelev\u00e2ncia intelectual\u201d; no Teatro branco e europeu que dizemos ser universal, mas n\u00e3o \u00e9, pois n\u00e3o agrega a todos e todas. Portanto, assistindo ao espet\u00e1culo e me encontrando diante de um p\u00fablico diverso, sabia estar assistindo a um solo, uma esp\u00e9cie de mon\u00f3logo, mas que trazia muitas vozes e hist\u00f3rias em sua configura\u00e7\u00e3o c\u00eanica do in\u00edcio ao fim. Como a obra de Maya Angelou.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Ao longo da pe\u00e7a, a atua\u00e7\u00e3o de Fabr\u00edcio Zavareze, somando-se com as escolhas precisas da dire\u00e7\u00e3o de Silvana Rodrigues, nos fornece um apanhado de situa\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias e a\u00e7\u00f5es que ramificam e discutem lugares socialmente demarcados a partir de diferentes possibilidades de linguagem. Ora com momentos c\u00f4micos e leves, ora expondo os fatos de maneira mais incisiva, <i>Perigoso <\/i>fala dos racismos e das viol\u00eancias di\u00e1rias que permeiam um tecido social onde todos est\u00e3o inclu\u00eddos \u2013 mesmo os exclu\u00eddos \u2013 embora de formas e em lugares diferentes. Com uma dramaturgia constru\u00edda durante o seu processo de ensaio, a pe\u00e7a estabelece uma liga\u00e7\u00e3o direta com o espectador ao quebrar a quarta parede praticamente o tempo inteiro, falando diretamente com o p\u00fablico sobre os assuntos abordados atrav\u00e9s de uma atua\u00e7\u00e3o muito bem colocada e da presen\u00e7a en\u00e9rgica e cativante do ator, que preenche cada especificidade que o texto pede. Desse modo, tanto a plateia racializada como a n\u00e3o racializada, percebe onde o espet\u00e1culo quer chegar \u2013 e, principalmente, onde ele de fato chega. Ningu\u00e9m sai passando mal do Teatro, mas certamente todos saem refletindo sobre o que assistiram. <\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Assim, mesmo com o uso de alguns recursos clich\u00eas em sua composi\u00e7\u00e3o e elementos amplamente utilizados em pe\u00e7as solo, tais como o uso do microfone, a configura\u00e7\u00e3o de um programa de audit\u00f3rio, o ato de pergunta do artista e de uma subsequente resposta do p\u00fablico, bem como a busca por um espectador para ir at\u00e9 o palco \u201cajudar o apresentador\u201d, <i>Perigoso <\/i>consegue transpassar sua ess\u00eancia reflexiva para quem assiste, sem cair no marasmo comum a esse tipo de \u201cencena\u00e7\u00e3o show\u201d. Trazendo as viv\u00eancias dos artistas envolvidos na montagem, sem ancorar-se apenas em suas dores (mas falando inevitavelmente nelas), a pe\u00e7a consegue ser leve, engra\u00e7ada, e, ainda assim, adentrar profundamente naquilo que quer discutir. Como na cena onde o ator utiliza uma repeti\u00e7\u00e3o de linguagem, dizendo chegar \u00e0 sua \u201cafrocasa\u201d para tomar o seu \u201cafrobanho\u201d, pegar o seu \u201cafrocaderno\u201d, etc., como meio de ironizar o fato de que, em um pa\u00eds racista como o nosso, a cor da pele parece estar sempre \u00e0 frente dos elementos art\u00edsticos que comp\u00f5em o seu trabalho. Ele percebe isso o tempo inteiro. N\u00f3s que perguntamos percebemos?<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\"><i>Perigoso <\/i>\u00e9 daquelas pe\u00e7as onde n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel destacar uma cena, pois todas s\u00e3o inevitavelmente importantes. \u00c9 como um \u00e1lbum musical contempor\u00e2neo de um artista negro ou lgbt, onde se diz tanto sobre tudo o que se calou durante muito tempo, que destacar uma faixa representativa do todo \u00e9 tarefa das mais dif\u00edceis. Como em uma cena da pe\u00e7a, onde o artista negro, pobre e filho de trabalhador, n\u00e3o consegue escapar do que precisa dizer e, ainda assim, n\u00e3o obt\u00e9m compreens\u00e3o efetiva de uma sociedade discriminat\u00f3ria e de racismo velado, onde brancos ainda det\u00e9m grande parte da fala, dos espa\u00e7os de poder e dos meios de produ\u00e7\u00e3o art\u00edsticos. \u00c9 \u201carte negra\u201d porque a cultura brasileira historicamente legitimada demarcou a diferen\u00e7a na classe, no discurso e na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica pautando-se na cor da pele. \u00c9 \u201carte negra\u201d porque ainda lhes falta espa\u00e7o e representatividade. \u00c9 \u201carte negra\u201d porque precisa ser. <\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Assistir um trabalho t\u00e3o contundente como essa pe\u00e7a, nos faz questionar sobre o qu\u00e3o perigoso \u00e9 atentar contra tudo o que est\u00e1 estabelecido. Maya Angelou sabia disso e os artistas de <i>Perigoso<\/i>, ao falar sobre o que os alimenta e os move,<i> <\/i>sabem tamb\u00e9m. \u00c9 perigoso se colocar, transgredir, imaginar outras formas de cantar, se relacionar, fazer Teatro. \u00c9 perigoso estabelecer novas narrativas, possibilitar novas vis\u00f5es em um mundo t\u00e3o acostumado a agarrar-se em velhos padr\u00f5es de conhecimento, discurso e comportamento. A plateia racializada entende de imediato o espet\u00e1culo, porque \u00e9 sua pele que transpira em cada uma das cenas. Minorias pol\u00edticas talvez se identifiquem com algumas a\u00e7\u00f5es e falas do ator porque sabem identificar o ru\u00eddo do preconceito e da exclus\u00e3o. Por\u00e9m, \u00e9 sempre perigoso falar e lidar com o outro lado: aquele que bate e esconde a m\u00e3o. Mais perigoso que isso, no entanto, \u00e9 n\u00e3o se levantar para dizer tudo o que precisa ser dito.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">E <i>Perigoso <\/i>diz muito, ressignificando o que precisa dizer da melhor forma poss\u00edvel. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">*<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em><span style=\"color: #808080;\"><strong><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt;\">Ficha T\u00e9cnica<\/span><\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Dire\u00e7\u00e3o: Silvana Rodrigues<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Elenco: Fabr\u00edcio Zavareze<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Dramaturgia: Fabr\u00edcio Zavareze e Silvana Rodrigues<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Figurino: Fabr\u00edcio Zavareze<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Cria\u00e7\u00e3o e Opera\u00e7\u00e3o de Luz: Kevin Brezolin<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Trilha Pesquisada: Silvana Rodrigues<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Opera\u00e7\u00e3o de Som: Eslly Ram\u00e3o<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Contrarregragens C\u00eanicas: Thainan Rocha<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Produ\u00e7\u00e3o: Silvana Rodrigues<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Orienta\u00e7\u00e3o: Henrique Saidel e Ana Cec\u00edlia Reckziegel<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><em><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 8pt;\">Qorpo Qr\u00edtico \u2013 Vol. 02, n. 03, fevereiro a maio de 2020. <span style=\"color: #000000; font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 8pt;\">ISSN 2675-4207.<\/span><\/span><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; J\u00e1 era madrugada quando abri o arquivo no computador para continuar a escrita desse texto. 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