{"id":594,"date":"2020-03-26T11:51:04","date_gmt":"2020-03-26T14:51:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/?p=594"},"modified":"2020-06-29T11:09:09","modified_gmt":"2020-06-29T14:09:09","slug":"um-olhar-para-a-subjetividade-em-por-de-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/um-olhar-para-a-subjetividade-em-por-de-dentro\/","title":{"rendered":"Um olhar para a subjetividade (em) Por de Dentro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_596\" aria-describedby=\"caption-attachment-596\" style=\"width: 1728px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-596\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-Quadrada.jpg\" alt=\"\" width=\"1728\" height=\"1728\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-Quadrada.jpg 1728w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-Quadrada-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-Quadrada-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-Quadrada-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-Quadrada-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-Quadrada-750x750.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 1728px) 100vw, 1728px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-596\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Fernanda Reis.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Uma performance que se autodenomina sem pretens\u00e3o alguma: sem grandes digress\u00f5es metalingu\u00edsticas sobre este ou aquele te\u00f3rico das artes c\u00eanicas; sem li\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou filos\u00f3ficas; sem t\u00e9cnicas revolucion\u00e1rias; sem tantas coisas que costumamos encontrar no teatro contempor\u00e2neo, em Porto Alegre. \u00c9 assim que uma garota mineira, que vem parar na Sala Alziro Azevedo para contar sua hist\u00f3ria, que poder\u00e1 ou n\u00e3o comover o p\u00fablico, apresenta a pe\u00e7a, citando tudo o que n\u00e3o haver\u00e1 nela. Poder\u00edamos nos perguntar por que parar para ouvir sobre uma menina comum. Existe a possibilidade de um tema distante das viv\u00eancias de um grupo de amigos que tenha ido assistir se tornar o assunto da sa\u00edda do teatro, \u00e9 claro, pois relatos individuais tamb\u00e9m suscitam quest\u00f5es compartilhadas pela sociedade, mas este n\u00e3o \u00e9 o objetivo primeiro da pe\u00e7a, seria apenas uma consequ\u00eancia. Talvez seja esta a proposta de <em>Por de Dentro<\/em>: ir al\u00e9m do sens\u00edvel partilh\u00e1vel para uma camada mais profunda. A pe\u00e7a n\u00e3o tem um cunho social expl\u00edcito, mas a autofic\u00e7\u00e3o de Naiany Agarb evoca diferentes sentimentos, inquieta\u00e7\u00f5es e perguntas em cada indiv\u00edduo que se disp\u00f5e a prestigi\u00e1-la, nas sutilezas, e que podem ter desdobramentos, reflex\u00f5es muito particulares.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">O come\u00e7o de uma jornada pela subjetividade da jovem se d\u00e1 quando ela conta sobre como saiu da terra natal, com o prop\u00f3sito de \u201cser os olhos da m\u00e3e\u201d, de lhe dizer o que existe fora de l\u00e1. Ocorre que, ao expandir seus horizontes nessa aventura, muda o olhar da garota para si mesma e para as viv\u00eancias do passado no lugar de origem. Nem todas as transforma\u00e7\u00f5es, nem todas as descobertas s\u00e3o compartilh\u00e1veis com a m\u00e3e, ou porque s\u00e3o dif\u00edceis de descrever, ou muito \u00edntimas. Algumas experi\u00eancias podem soar familiares para certos espectadores, como um trauma de inf\u00e2ncia, a mudan\u00e7a para outra cidade, a manifesta\u00e7\u00e3o da sexualidade, ou as descobertas numa viagem para um destino de contato com a natureza, como a praia. Para outros, elas podem n\u00e3o ter tanto significado, mas ainda assim, da maneira como s\u00e3o relatadas, demonstram que existe uma pot\u00eancia na vida comum para transformar pequenos acontecimentos, dores individuais e h\u00e1bitos de uma cultura compartilhada em outra regi\u00e3o do pa\u00eds em temas po\u00e9ticos. Eleger apenas um deles e discorrer sobre ele seria assinalar o meu punctum, evocando ideias barthesianas<sup>1<\/sup>, ou seja, aquilo que atinge a minha subjetividade e que para muitos outros espectadores pode n\u00e3o ter a mesma import\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Falando sobre a experi\u00eancia sens\u00edvel compartilhada, ent\u00e3o, eu gostaria de comentar brevemente sobre elementos da montagem da pe\u00e7a. O figurino \u00e9 simples, composto por pe\u00e7as casuais, e a troca de roupa \u00e9 incorporada \u00e0 cena (n\u00e3o como uma quebra do pathos, mas como uma gradual transi\u00e7\u00e3o entre cenas, uma coreografia). Tamb\u00e9m n\u00e3o vemos uma produ\u00e7\u00e3o de cabelo e maquiagem elaborada, constru\u00edda especialmente para a pe\u00e7a, ao contr\u00e1rio: pele limpa e cabelo curto deixam \u00e0 mostra a apar\u00eancia real da atriz. O que temos diante de n\u00f3s \u00e9 sua presen\u00e7a modesta e alguns objetos que fazem parte do cen\u00e1rio, modificado por ela mesma (com o aux\u00edlio tamb\u00e9m de t\u00e9cnicas de ilumina\u00e7\u00e3o, determinantes para criar a ambi\u00eancia de tens\u00e3o ou de festa, de acordo com cada cena) conforme ela nos narra suas experi\u00eancias, com muita delicadeza, imagina\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes beirando \u00e0 brincadeira de uma crian\u00e7a que utiliza objetos diversos com criatividade, improvisando seu brinquedo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_597\" aria-describedby=\"caption-attachment-597\" style=\"width: 2592px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-597\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-02.jpg\" alt=\"\" width=\"2592\" height=\"1728\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-02.jpg 2592w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-02-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-02-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-02-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Por-de-dentro-02-750x500.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 2592px) 100vw, 2592px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-597\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Fernanda Reis.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Nesse sentido, a performance de Naiany Agarb, que d\u00e1 a ver sua subjetividade, ao encontro da minha subjetividade como espectadora, me lembra do car\u00e1ter l\u00fadico que est\u00e1 na ess\u00eancia do teatro, que \u00e9 uma atividade festiva, de brincadeira, que o deus do teatro \u00e9 Dion\u00edsio, o mesmo das festas e do vinho. Ao mesmo tempo, \u00e9 uma conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, lembrando que, n\u00e3o \u00e0 toa, Shakespeare \u00e9 conhecido como O Bardo. Duas palavras-chave para a montagem poderiam ser: presen\u00e7a e jogo. Naiany Agarb conta sua hist\u00f3ria utilizando poucos artif\u00edcios al\u00e9m da for\u00e7a de sua presen\u00e7a, da quebra da quarta parede, do contato visual, da express\u00e3o corporal. E assim, tentando sair pela tangente, evitando falar do que mais me comoveu na pe\u00e7a e compartilhar minha percep\u00e7\u00e3o segundo a vida privada, escrevendo sobre a forma, sem querer exponho tamb\u00e9m minha subjetividade quanto \u00e0 recep\u00e7\u00e3o das escolhas est\u00e9ticas, dos componentes estruturais da pe\u00e7a, como estudante das rela\u00e7\u00f5es entre arte e linguagem. Por enquanto, na escrita, fa\u00e7o o movimento contr\u00e1rio da atriz, que precisou de coragem para compartilhar um pouco do pr\u00f3prio \u00edntimo para criar uma pe\u00e7a no entrelugar da fic\u00e7\u00e3o e da biografia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 8pt; color: #808080;\"><sup>1<\/sup> BARTHES, Roland. <em>A C\u00e2mara Clara: Notas sobre Fotografia.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o de J\u00falio Casta\u00f1on Guimar\u00e3es. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">*<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Ficha t\u00e9cnica:<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Dire\u00e7\u00e3o: Naiany Agarb<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Atua\u00e7\u00e3o: Naiany Agarb<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Dramaturgia: Vulpe Lisboa<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Ilumina\u00e7\u00e3o: Ana Carolina de David<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Orienta\u00e7\u00e3o: Luciana \u00c9boli<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><em><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 8pt;\">Qorpo Qr\u00edtico \u2013 Vol. 02, n. 03, fevereiro a maio de 2020. <span style=\"color: #000000; font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 8pt;\">ISSN 2675-4207.<\/span><\/span><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Uma performance que se autodenomina sem pretens\u00e3o alguma: sem grandes digress\u00f5es metalingu\u00edsticas sobre este ou aquele te\u00f3rico das artes c\u00eanicas; sem li\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou filos\u00f3ficas; sem t\u00e9cnicas revolucion\u00e1rias; sem tantas coisas que costumamos encontrar no teatro contempor\u00e2neo, em Porto Alegre. \u00c9 assim que uma garota mineira, que vem parar na Sala Alziro Azevedo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"gallery","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[21],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Um olhar para a subjetividade (em) Por de Dentro - qorpo qr\u00edtico<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/um-olhar-para-a-subjetividade-em-por-de-dentro\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Um olhar para a subjetividade (em) Por de Dentro - qorpo qr\u00edtico\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"&nbsp; 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