{"id":898,"date":"2020-07-23T11:40:35","date_gmt":"2020-07-23T14:40:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/?p=898"},"modified":"2020-07-23T11:43:59","modified_gmt":"2020-07-23T14:43:59","slug":"a-batalha-sem-fim-contra-moinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/a-batalha-sem-fim-contra-moinhos\/","title":{"rendered":"A batalha sem fim contra moinhos"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_908\" aria-describedby=\"caption-attachment-908\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-908\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/DE-LA-MANCHA-CREDITO-FOTOGRAFIA-TOM-PERES-141-860x620-1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"620\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/DE-LA-MANCHA-CREDITO-FOTOGRAFIA-TOM-PERES-141-860x620-1.jpg 620w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/DE-LA-MANCHA-CREDITO-FOTOGRAFIA-TOM-PERES-141-860x620-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/DE-LA-MANCHA-CREDITO-FOTOGRAFIA-TOM-PERES-141-860x620-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-908\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Tom Peres.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Vivemos em uma \u00e9poca de <i>re-acontecimentos, <\/i>ou melhor, de remontagens.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Constantemente nos deparamos com adapta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que, \u00e0s vezes, s\u00e3o gritantemente espec\u00edficas e, outras, soam apenas como d\u00e9j\u00e0 vus.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Nos \u00faltimos tempos, \u00e9 percept\u00edvel que uma recapitula\u00e7\u00e3o feroz de obras antigas tem atingido tanto as telas de cinema quanto os palcos. H\u00e1 poucos trabalhos autorais, muitas c\u00f3pias e menos ainda, originalidade. Parece que n\u00e3o existe nada novo, nenhuma ideia nova al\u00e9m dos mesmos velhos contos com os mesmos velhos cen\u00e1rios. Algo como <i>reciclagem cultural. <\/i>J\u00e1 perguntava Renato Russo: quais s\u00e3o as palavras que nunca foram ditas? Dif\u00edcil responder j\u00e1 que, como n\u00e3o foram ditas, \u00e9 imposs\u00edvel cit\u00e1-las.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Podemos ver esse efeito de <i>reciclagem <\/i>no cinema, mas esse fen\u00f4meno tamb\u00e9m acompanha o teatro \u2013 principalmente por essa arte ser antecessora ao v\u00eddeo. Alguns elementos batidos tornaram-se piadas art\u00edsticas, tantas vezes foram usados!, como por exemplo, o vers\u00e1til e conhecido cubo, o varal \u201cinovador\u201d com uma variante infinita de coisas penduradas no mesmo, o cabide repleto de figurinos que v\u00e3o sendo vestidos pelas personagens no decorrer da pe\u00e7a, entre tantos outros conhecidos dos frequentadores de teatro.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">S\u00e3o tantas repeti\u00e7\u00f5es que \u00e0s vezes temos a impress\u00e3o de estar assistindo \u00e0 mesma pe\u00e7a em looping, como um castigo<i> post mortem &#8211; <\/i>porque todos sabemos: <i>Teatro, quando \u00e9 bom \u00e9 \u00f3timo; quando \u00e9 ruim\u2026 c&#8217;est la merde.<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Por\u00e9m, como \u00e9 poss\u00edvel inovar se praticamente todos as hist\u00f3rias j\u00e1 foram contadas? Como gerar arrebatamento no p\u00fablico se tudo j\u00e1 foi visto, ouvido, sentido?<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">A quest\u00e3o primordial, e que talvez nos escape entre os dedos por justamente ser t\u00e3o antiga, \u00e9 um dos principais preceitos da arte. A arte \u00e9, por si s\u00f3, uma recria\u00e7\u00e3o do real num plano do imagin\u00e1rio. Recriar!<i> <\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Em um de seus romances, C. S. Lewis escreveu: <i>nada acontece duas vezes da mesma maneira. <\/i>N\u00e3o \u00e9 apenas<i> o que <\/i>\u00e9 retrato mas, sim, <i>como <\/i>\u00e9 retratado. A originalidade da cria\u00e7\u00e3o aparece na maneira como damos vida a um elemento da realidade. Esse car\u00e1ter <i>interpretativo <\/i>do real \u00e9 uma dos grandes poderes do teatro.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Na pe\u00e7a <i>De La Mancha: o Cavaleiro Trapalh\u00e3o, <\/i>um infantil produzido pela Rococ\u00f3 Produ\u00e7\u00f5es Art\u00edsticas e Culturais, \u00e9 f\u00e1cil nos enganarmos pensando que veremos mais uma das milhares de adapta\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria de Miguel Cervantes, <i>Dom Quixote<\/i>. Tamb\u00e9m erramos quando prevemos uma pe\u00e7a de puro entretenimento para as crian\u00e7as, com um engra\u00e7ado e iludido homem que pensa ser cavaleiro, que luta com moinhos acreditando serem drag\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Ainda que o p\u00fablico consiga dar estrondosas gargalhadas, o elemento mais interessante da pe\u00e7a \u00e9 a s\u00e1tira crua, despida de disfarces apaziguadores, que o diretor Guilherme Ferr\u00eara construiu em cima do mito de Dom Quixote De La Mancha. Ao inv\u00e9s de simpatizar com a figura querida de um quase esquizofr\u00eanico homem que acredita ser cavaleiro, nos surpreendemos com um sentimento de asco que surge em n\u00f3s mesmos, ao nos deparamos com o t\u00edpico homem machista que v\u00ea a si mesmo como um her\u00f3i, um messias, que quer destruir monstros amea\u00e7adores, que n\u00e3o existem em lugar algum sen\u00e3o na cabe\u00e7a dele pr\u00f3prio. Mais que isso, nos sentimos com um misto de n\u00e1usea e <i>\u201czoeira\u201d <\/i>enquanto assistimos a personagem deturpar a realidade apenas para satisfazer seu ego masculino sedento por gl\u00f3rias, exigindo a diminui\u00e7\u00e3o dos outros perante sua presen\u00e7a rid\u00edcula.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\"><i>Seria c\u00f4mico se n\u00e3o fosse tr\u00e1gico<\/i>, dizem. O ator Henrique Gon\u00e7alves contracenando com o pr\u00f3prio diretor e dramaturgo Guilherme Ferr\u00eara, a dupla que se desdobra em v\u00e1rias personagens, prova que \u00e9 poss\u00edvel trabalhar com a comicidade e a trag\u00e9dia em un\u00edssono, fazendo-nos divertir com fatos que quando vividos em sociedade, ou no <i>mundo real, <\/i>geram um enfurecimento coletivo.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">O cen\u00e1rio, composto por v\u00e1rios tons de s\u00e9pia, uma vers\u00e3o quase futurista da hist\u00f3ria de Cervantes, passa a ideia de um livro infantil com recortes que se moldam acima das p\u00e1ginas durante o seu manuseio. A op\u00e7\u00e3o do grupo de utilizar poucos elementos que v\u00e3o se transformando no decorrer da conta\u00e7\u00e3o, d\u00e1 um al\u00edvio conhecido naqueles que j\u00e1 passaram pela experi\u00eancia de assistir uma pe\u00e7a com cacarecos desnecess\u00e1rios, que perdem a serventia e s\u00e3o perdidos no esquecimento. \u00c9 tudo muito bem pensado e utilizado.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">J\u00e1 a ilumina\u00e7\u00e3o, assinada por Roger Santos, beira uma antiguidade propositada, trazendo tons de \u00e2mbar que comp\u00f5em em sintonia com o s\u00e9pia. Um artif\u00edcio de ilumina\u00e7\u00e3o que vale destacar \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de um pequeno \u201cteatro de sombras\u201d utilizado em algumas partes da hist\u00f3ria, que permite ludicidade e uma quebra aliviante da narrativa.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">A composi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica escolhida pelo grupo est\u00e1 em total sintonia, expondo elementos que parecem ter sa\u00eddo de um mesmo universo fantasioso e se instaurado no palco de um teatro.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Outro ponto genial, extremamente louv\u00e1vel e acess\u00edvel, s\u00e3o as camadas de compreens\u00e3o que os atores criam em cena. Ainda que seja uma pe\u00e7a infantil que permite \u00e0s crian\u00e7as n\u00e3o apenas se divertirem mas questionarem-se acerca da figura de Quixote (se ele deveria ser um personagem bom, por que parece mau?) a montagem tamb\u00e9m \u00e9 um convite ao p\u00fablico adulto que acompanha a montanha-russa de decep\u00e7\u00f5es que foi prevista em outubro de 2018, e que se concretizou num governo proporcionador de di\u00e1sporas desde janeiro deste ano.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">\u00c9 muito f\u00e1cil repetir hist\u00f3rias, \u00e9 em viv\u00ea-las e acrescentar novas perspectivas \u00e0s mesmas que est\u00e1 a dificuldade.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Colocar a sua pr\u00f3pria perspectiva \u00e9 sempre muito arriscado contudo, tamb\u00e9m \u00e9 um compromisso que os artistas t\u00eam ao assinar sua autoria numa obra.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">A pergunta \u00e9: eu consigo ver al\u00e9m do que j\u00e1 foi exposto no muro? Passaremos o resto dos nossos dias pintando quadros que retratam os mesmos moinhos ou nos arriscaremos e experimentaremos desenhar drag\u00f5es?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_909\" aria-describedby=\"caption-attachment-909\" style=\"width: 696px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-909\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/De-la-mancha-Tom-Peres.jpeg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/De-la-mancha-Tom-Peres.jpeg 696w, https:\/\/www.ufrgs.br\/qorpoqritico\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/De-la-mancha-Tom-Peres-300x148.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-909\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Tom Peres.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 8pt; color: #808080;\">* Cr\u00edtica escrita no segundo semestre de 2019, durante a disciplina de \u201cSemin\u00e1rio em Teatro I &#8211; Cr\u00edtica Teatral\u201d do Departamento de Arte Dram\u00e1tica da UFRGS.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Ficha T\u00e9cnica<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Adapta\u00e7\u00e3o e Dire\u00e7\u00e3o: Guilherme Ferr\u00eara<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Elenco: Guilherme Ferr\u00eara e Henrique Gon\u00e7alves<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Trilha Sonora Original: Pedro Borghetti e <\/span><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Guilherme Ceron<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Produ\u00e7\u00e3o Musical: Guilherme Ceron | Toca do <\/span><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Graxaim<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Provoca\u00e7\u00e3o coreogr\u00e1fica: Jo\u00e3o Raphael de Paula<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Ilumina\u00e7\u00e3o: Roger Santos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Sonoplastia: Vinicius Soares<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Figurino: L\u00facia Machado<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Maquiagem: Suzana Machado<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Cenografia: Rococ\u00f3 Produ\u00e7\u00f5es<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Adere\u00e7os de arame: Jairo Teixeira artes\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Fotografias: Tom Peres<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Viodeomaker: Julio Estevan<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Identidade Visual: J\u00e9ssica Barbosa<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Apoio Cultural: Riatit\u00e1 Flamenco<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Assistente de Produ\u00e7\u00e3o: Alessandra Bier<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 10pt; color: #808080;\">Produ\u00e7\u00e3o e Realiza\u00e7\u00e3o: Rococ\u00f3 Produ\u00e7\u00f5es Art\u00edsticas e Culturais<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #333333;\"><em><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 8pt;\">Qorpo Qr\u00edtico \u2013 Vol. 02, n. 04, junho a setembro de 2020. <span style=\"color: #000000; font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 8pt;\">ISSN 2675-4207.<\/span><\/span><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Vivemos em uma \u00e9poca de re-acontecimentos, ou melhor, de remontagens. 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