{"id":466,"date":"2023-02-23T17:50:23","date_gmt":"2023-02-23T17:50:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/questaodegenero\/?page_id=466"},"modified":"2023-03-16T14:42:12","modified_gmt":"2023-03-16T14:42:12","slug":"engajamento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/questaodegenero\/engajamento\/","title":{"rendered":"Engajamento"},"content":{"rendered":"\n<p>Convivemos com a possibilidade de se navegar por diversas plataformas de m\u00eddia que oferecem o conte\u00fado <em>que se deseja da maneira que se deseja<\/em>. O consumidor, nesse contexto, passa a ser interagente e n\u00e3o mais um simples receptor, controlando quais produtos midi\u00e1ticos ir\u00e1 consumir. O uso simult\u00e2neo da televis\u00e3o com a internet, por exemplo, \u00e9 cada vez mais uma realidade. Segundo pesquisa do IBOPE, 88% dos internautas brasileiros fazem uso dessa pr\u00e1tica. Na mesma pesquisa foi aferido que 10% desses internautas est\u00e3o utilizando a internet para buscar informa\u00e7\u00f5es sobre um comercial visto na televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da simples busca e complementa\u00e7\u00e3o, a internet tamb\u00e9m permite atrav\u00e9s de ferramentas, tais como as redes sociais, que diferentes grupos de pessoas interajam sem que precisem estar fisicamente pr\u00f3ximas. Com isso, as informa\u00e7\u00f5es t\u00eam potencializadas seu potencial de alcance sendo rapidamente disseminadas para um grande n\u00famero de pessoas. Os sites de redes sociais s\u00e3o, nesse sentido, um espa\u00e7o privilegiado de repercuss\u00e3o, no qual o receptor passa a interagente e tamb\u00e9m produtor de conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que a Publicidade contempor\u00e2nea se insere. Dessa forma, fica evidente que a publicidade tradicional, baseada nos pilares da m\u00eddia de massa, do p\u00fablico consumidor passivo e do discurso de marca incontest\u00e1vel est\u00e1 em franca mudan\u00e7a<em>. <\/em>O desafio, a partir disso, \u00e9 identificar estrat\u00e9gias publicit\u00e1rias que possam superar o modelo tradicional, oferecendo uma proposta multiplataforma e apostando em um consumidor participativo e engajado. Existe, portanto, uma mudan\u00e7a no consumo de m\u00eddia e consequentemente da rela\u00e7\u00e3o marca e consumidor. Estas quest\u00f5es influenciam n\u00e3o s\u00f3 na modifica\u00e7\u00e3o do formato da publicidade como tamb\u00e9m no seu conte\u00fado, pois, ao que parece, estamos diante de um contexto em que a publicidade n\u00e3o termina mais no impacto dentro das m\u00eddias tradicionais, mas, sim, ao ser repercutida nas plataformas digitais, em especial, nas ferramentas de rede social.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, podemos dizer que ocorreu um aumento do poder do consumidor em negociar com o anunciante, principalmente daqueles que fazem parte de grupos alocados em minorias sociais. Essas minorias n\u00e3o podem mais simplesmente ser ignoradas, inclusive na Publicidade uma vez que reverberam seus discursos atrav\u00e9s da apropria\u00e7\u00e3o dessas novas m\u00eddias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CULTURA DE CONVERG\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Henry Jenkins (2009) prop\u00f5e a ideia de cultura da converg\u00eancia para definir o est\u00e1gio atual no qual a sociedade se encontra, para o autor, essa sociedade contempor\u00e2nea se sustentaria em tr\u00eas fatores:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\">\n<li>a <em>converg\u00eancia entre os meios de comunica\u00e7\u00e3o, <\/em>aqui definida n\u00e3o s\u00f3 como o fluxo de conte\u00fados entre v\u00e1rias m\u00eddias, mas tamb\u00e9m como a coopera\u00e7\u00e3o entre esses mercados midi\u00e1ticos e o comportamento fluido do p\u00fablico consumidor que migra entre elas em busca de uma experi\u00eancia satisfat\u00f3ria e completa;<\/li>\n\n\n\n<li>a <em>cultura participativa<\/em>, ou seja, a atual mudan\u00e7a de posicionamento do consumidor que agora participa e interage com as marcas e plataformas;<\/li>\n\n\n\n<li>a <em>intelig\u00eancia coletiva <\/em>que surge atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o entre os membros desse p\u00fablico, agora atuante, se tornando, segundo Jenkins (2009) uma fonte alternativa de poder midi\u00e1tico.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Quando falamos em cultura, devemos compreender a multiplicidade que a palavra acarreta, tendo ci\u00eancia de que ela \u00e9 formada por uma rede de estruturas complexas e que n\u00e3o adv\u00e9m de uma s\u00f3 \u00e1rea. \u00c9 importante frisar isso, para que n\u00e3o se pense erroneamente que a cultura da converg\u00eancia deriva somente de quest\u00f5es relacionadas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e ao uso de tecnologias ou ainda as de ordem mercadol\u00f3gicas. Mais do que isso, faz parte da sua estrutura principalmente as quest\u00f5es relacionadas ao ser humano e suas rela\u00e7\u00f5es. Para Jenkins (2009, p 30)<\/p>\n\n\n\n<p>A converg\u00eancia n\u00e3o ocorre por meio de aparelhos, por mais sofisticados que venham a ser. A converg\u00eancia ocorre dentro dos c\u00e9rebros de consumidores individuais e em suas intera\u00e7\u00f5es sociais com outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, a Cultura da Converg\u00eancia seria uma mudan\u00e7a natural (e inevit\u00e1vel) de paradigmas, ou seja, uma <em>transi\u00e7\u00e3o cultural <\/em>que tem como marco as novas m\u00eddias interativas que possibilitam a participa\u00e7\u00e3o daqueles que as consomem, se diferenciando das m\u00eddias tradicionais justamente devido a esses dois atributos \u2013 a interatividade e a perspectiva de participa\u00e7\u00e3o. Apesar disso, essa cultura n\u00e3o est\u00e1 totalmente consolidada. Para Jenkins (2009, p.343): \u201cA cultura da converg\u00eancia \u00e9 o futuro, mas est\u00e1 sendo moldada hoje\u201d. E, ainda segundo o autor, quando ela de fato estiver estabilizada, deve-se esperar um aumento do poder dos consumidores caso os mesmos \u201c[&#8230;] se reconhecerem e utilizarem esse poder tanto como consumidores quanto como cidad\u00e3os, como plenos participantes de nossa cultura.\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Convivemos com a possibilidade de se navegar por diversas plataformas de m\u00eddia que oferecem o conte\u00fado que se deseja da maneira que se deseja. O consumidor, nesse contexto, passa a ser interagente e n\u00e3o mais um simples receptor, controlando quais produtos midi\u00e1ticos ir\u00e1 consumir. 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