A Rádio Web Saúde UFRGS recomenda a todos a visita à exposição fotográfica Abordagem interdisciplinar: paisagens, pessoas e vidas rurais – região sudeste rio-grandense no Museu da UFRGS. Trabalho realizado pelo Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Meio Ambiente e Desenvolvimento (GRIMAD) e do Grupo de Estudos em Saúde Coletiva (GESC). 

A mostra fotográfica está exposta no Mezanino do Museu da UFRGS naAvenida Osvaldo Aranha, 277 – Porto Alegre – RS. A visitação é do dia 16 de setembro a 19 de outubro de 2013, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h (último sábado de cada mês: das 9h às 13h). A entrada é franca! Vale à pena conferir!

Relato da aluna de Doutorado em Enfermagem, da UFRGS, participante da Exposição – Andréia Burile.
“No primeiro momento, quero agradecer a oportunidade de falar um pouco mais de nossa exposição fotográfica “Abordagem interdisciplinar: paisagens, pessoas e vidas rurais – região sudeste rio-grandense”. A Mostra tem como objetivo ilustrar paisagens, pessoas e vidas rurais da região sudeste rio-grandense e procura por meio das imagens problematizar o rural não apenas como espaço agrário, mas como um cenário constituído por paisagens e pessoas que conformam esse espaço e são por ele constituídas.

As imagens foram capturadas pelos pesquisadores do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Meio Ambiente e Desenvolvimento (GRIMAD) e do Grupo de Estudos em Saúde Coletiva (GESC) durante as pesquisas realizadas no âmbito do Programa Interdisciplinar de Pesquisa (PROINTER) do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR/UFRGS) na metade sul de nosso estado.

A minha trajetória no grupo iniciou em 2010 quando ingressei no mestrado, na Escola de Enfermagem da UFRGS. Como projeto de pesquisa fui estudar homens em situação de adoecimento crônico, residentes no espaço rural, e para isso me desloquei até a comunidade Rincão dos Maia, em Canguçu, RS. A comunidade já tinha subsidiado outros estudos do GESC e ofertou um cenário importante para localizar homens a partir de suas referências de adoecimento, pois eu não queria buscá-los pelos serviços de saúde, uma vez que isso se constituiria um viés para meu estudo.

Por ter família no interior do estado e familiares que trabalham no meio rural, este espaço sempre me despertou interesse em função da pouca visibilidade dada, seja nas políticas públicas, meios acadêmicos ou até mesmo na mídia. Acredito que os modos de vida no espaço rural são singulares e precisam ser considerados e compartilhados. Esses dias, eu conversava com uma amiga que é professora, e ela espantada contava-me que muitos de seus alunos não conheciam uma propriedade rural. Penso que é essencial, no mundo em que vivemos ofertar oportunidades de ver outros modos de vida, para assim fomentar a prática da alteridade com o Outro.

Quando capturamos as imagens não tínhamos a pretensão de montar uma exposição fotográfica. Essa idéia só surgiu quando organizamos a Primeira Jornada de Estudos Rurais e Saúde, em julho 2012, para compilar e divulgar nossos trabalhos para a comunidade em geral. Nesta data, o professor Roberto Verdum, vinculado ao Instituto de Geociências, Departamento de Geografia da UFRGS, integrante também do PROINTER lançou a idéia e a partir daí começamos nos organizar para concretizar a exposição. Nosso grupo trabalha fortemente com a idéia de que ao produzirmos ciência estamos assumindo um compromisso não apenas com nossos pares na Universidade, mas também, e principalmente, com a sociedade. Em nossas pesquisas, temos ofertado devolutivas aos participantes de nossos estudos, além disso, organizamos atividades de extensão subsidiadas por estes trabalhos.

Com relação as minhas fotografias… Tudo começou quando, ao realizar as visitas aos participantes de minha pesquisa, eles me mostravam fotos deles e de outras pessoas que já tinham desenvolvido alguma ação na comunidade. Ali, vi a oportunidade de ter memórias do tempo em que estive no Rincão dos Maia e ao mesmo tempo ofertar uma lembrança dos encontros. Em cada visita e pelos caminhos que me levavam aos entrevistados fui fotografando tudo que me despertava atenção. Uma das fotos que mais gosto é a foto da divulgação em que capturei dois netos de um entrevistado de minha pesquisa brincando com os cabritinhos no quintal- pensei como a infância no rural é diferente da urbana. Não raras vezes me deparo com crianças da idade deles fixadas em seus celulares e tablets. Lá, eles correm, brincam, inventam brinquedos e brincadeiras… tudo é mais livre. Claro, é preciso pontuar que nas grandes cidades o fenômeno da violência limita os espaços que as crianças podem circular.


Para não me estender demais, quero convidar todos e todas à conhecerem nossa exposição fotográfica no museu da UFRGS. As imagens serão expostas até o dia 19 de outubro e a entrada é franca! Vale à pena conferir! Abraços,

Organizadores: Roberto Verdum, Tatiana Engel Gerhardt, Marta Julia Marques Lopes, Vilma Constância Fiovarante dos Santos, Eliziane Ruiz, Joannie Fachinelli, Andreia Burille, Cristiane Tonezer, Francis dos Santos, Ana Carrion, Joana Cicconeto, Deise Lisboa Riquinho e Potiguara de Oliveira Paz”.

Escrito por Rossana Mativi.