Principais Dúvidas – 0800 AEDES

15/01/2016

SOBRE OS CRIADOUROS

Lagos, açudes e banhados são possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti?

Não. Entretanto outras espécies de mosquitos apresentam criadouros em lagos e açudes. Nos casos de suspeita da presença de larvas, deve-se realizar a coleta de pequena quantidade de água com uma jarra/concha e observar a presença de larvas. Se houver presença de larvas fazer a denúncia no nosso site (se for no estado do Rio Grande do Sul) ou contatar a Vigilância Sanitária do município.

Ralos da rua e ralos do banheiro podem ser criadouros do mosquito Aedes aegypti? Quais são as precauções?

Qualquer local que armazene água, deve ser considerado um depósito. Se o depósito for imóvel e impossível de ser eliminado, deve-se evitar que o mosquito possa colocar os ovos. No caso de ralos de ruas ou banheiros, sempre que houver a presença do acúmulo de água, além da limpeza periódica, as tampas devem ser teladas.

Tenho bromélias no jardim, como faço para prevenir o desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti?

Sempre que acumulam água (normalmente quando estão em jardins, expostas as chuvas), as bromélias tornam-se criadouros naturais para o mosquito Aedes aegypti. Elas devem ser lavadas com jatos de água, pelo menos uma vez por semana, com troca da água e sempre que possível podem ser limpas de forma manual.

Bebedouros de galinha podem ser criadouros do mosquito Aedes aegypti?

Qualquer local que armazene água, deve ser considerado um depósito. A água deve ser trocada e as paredes limpas semanalmente com esponja e sabão.

Quais os cuidados devo ter com a água da piscina?

As piscinas devem ser tratadas uma vez por semana e a manutenção do motor deve estar em dia. As piscinas que não estão em uso devem ser cobertas, mantendo-se o cuidado de não deixar água ou folhas acumuladas em cima da capa ou tela.

Trocar a água dos recipientes todos os dias evita a proliferação do mosquito Aedes aegypti?

Sim. A limpeza e a troca da água dos recipientes com esponja e sabão neutro no mínimo uma vez por semana evita a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Utilizar inseticidas para matar os mosquitos que moram na nossa casa é suficiente para eliminar o Aedes aegypti?

Não! A eliminação de todos os mosquitos adultos não é suficiente para garantir que não nasçam novos mosquitos. Os mosquitos adultos, fêmeas e machos, repousam dentro de armários, embaixo das camas e em locais sombrios dentro das nossas casas. Porém, eliminar os mosquitos adultos, não garante que novos mosquitos não possam nascer.

A fêmea do Aedes aegypti realiza a colocação de ovos em mais de um depósito e prefere depósitos artificias com água limpa e perto do local do seu nascimento. Ou seja, no domicílio ou peridomicílio dos seres humanos.

Os ovos são colocados na linha d’água, podem ressecar e permanecer viáveis por mais de um ano. Nessa condição podem ser transportados, e essa é a explicação mais aceita para a disseminação do Aedes aegypti. Portanto, a melhor estratégia é não ter depósitos com água e assim dificultar a oviposição do mosquito.

Se na sua casa ou trabalho existem depósitos de água que não podem ser eliminados, eles devem ser limpos semanalmente com água e sabão.

Não existe erro nessa sequência:

  • Não deixe o mosquito nascer! Evite depósitos com água acumulada, que sirvam de criadouro, e mantenha limpos os que não podem ser eliminados.
  • Não deixe o mosquito chegar perto! Utilize telas em janelas e portas, utilize ventiladores e ar-condicionado, utilize repelentes ambientais e tópicos, utilize roupas longas.
  • Elimine os mosquitos que moram na sua casa ou trabalho: utilize corretamente os inseticidas. Todos os produtos devem ser autorizados pela Anvisa. E atenção: você deve ler e seguir as normas registradas nas embalagens dos inseticidas.

 

SOBRE REPELENTES

Afinal, por que tirar os repelentes antes de dormir?

Por risco de toxicidade e/ou ausência de efeito. A justificativa para tirar o repelente antes de dormir tem por base: evitar contaminar lençóis e roupas de cama e assim impedir uma fonte contínua de exposição ao produto (1). A barreira repelente emana até no máximo 4 cm da pele, ou seja, o uso do repelente não é efetivo sob roupas pessoais ou roupas de cama, pelo impedimento da formação da barreira (2).

A falsa sensação de proteção poderia diminuir os cuidados associados, sempre recomendados. Além disso, reduzir o tempo de exposição ao produto repelente diminui os riscos de efeitos colaterais, como toxicidade.

Importante: os repelentes são apenas mais uma alternativa de proteção (3). Devem ser reservados para os momentos de maior risco de picadas do mosquito, quando a proteção precisa ser otimizada. Na hora de dormir a proteção mais recomendada é o uso de mosquiteiros, repelentes ambientais, como os elétricos,janelas teladas, ventiladores e ar-condicionado.

A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige para comprovação de eficácia de produtos repelentes no Brasil estudos efetuados de acordo com as diretrizes da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos da América (EPA), entre outros. Conforme recomendação do EPA(4), quando em ambiente fechado o produto repelente deve ser retirado da pele com água e sabão. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças também dos Estados Unidos (CDC) (5), também recomenda a limpeza da pele e roupas com água e sabão.

As diferentes formulações de repelentes comercializadas no Brasil são seguras para o uso e consideradas efetivas internacionalmente.

Publicações científicas recentes afirmam que o grau de toxicidade dos repelentes é baixíssimo. Em alguns países, a legislação é mais restrita, limitando concentrações ou número de aplicações diárias conforme a faixa etária. O composto mais utilizado é o DEET.

Para crianças de dois a doze anos, a concentração máxima permitida é de 10%, limitada em três aplicações diárias e evitando uso prolongado, mais um motivo para retirar antes da hora de dormir(3,6). Nos adultos, as formulações acima de 30% são permitidas desde que sejam realizados estudos em relação aos riscos e números de aplicações diárias. DEET é absorvido rapidamente pela pele humana e também por via inalatória, variando conforme temperatura e condições individuais específicas.

O produto é eliminado principalmente por via urinária. Relatos de encefalopatia, crises convulsivas e rash cutâneo (manchas vermelhas) são cada vez menos frequentes.

O mecanismo de ação repelente destes produtos se dá por meio de sua interação com receptores nas antenas do mosquito, gerando o efeito desejado. A aplicação do produto cria uma barreira de cerca de 4 cm de distância da pele exposta. Essa barreira é que afasta o mosquito quando esse se aproxima.

A efetividade está relacionada com a concentração dos produtos. De forma geral, para adultos, se aceita que existindo necessidade de proteção prolongada, é mais interessante maior concentração e um número menor de aplicações, ao invés do aumento do número de aplicações.

SOBRE AS DOENÇAS

Uma pessoa infectada pelo Zika Vírus pode passar a doença para outra pessoa?

Sim! Até o momento já foi confirmada a transmissão sexual de homem sintomático para mulher. Os casos relatados até o momento são em homens sintomáticos. Outras formas de transmissão por contato direto: beijo, compartilhar talheres, por exemplo, ainda não foram confirmados.

Uma pessoa infectada pela Dengue pode passar a doença para outra pessoa?

Não, o vírus da Dengue utiliza como vetor o mosquito. Quando os mosquitos estão contaminados, transportam o vírus durante toda sua vida podendo assim contaminar as pessoas. Não há relato de transmissão direta (ser humano para ser humano).

Se eu for viajar para outro município, como saber se tem casos de Dengue ou Zika Vírus lá?

O Ministério da Saúde publica semanalmente o Boletim Epidemiológico sobre casos de Dengue, Chikungunya e Zika Vírus nos municípios e estados. Acesse na página inicial do site.

Deixar locais com água para atrair o mosquito Aedes aegypti é uma estratégia para acabar com o mosquito?

Não! Depósitos de água que sirvam como criadouros intencionais para as fêmeas do mosquito Aedes aegypti não devem ser estimulados para a população em geral. Essa técnica é utilizada para vigilância, em locais nos quais não há presença do Aedes aegypti. São chamadas armadilhas e não devem ser utilizadas quando a presença do mosquito é conhecida.

A fêmea do Aedes aegypti realiza a colocação de ovos em mais de um depósito. Ela prefere depósitos artificias com água limpa, perto do local do seu nascimento, ou seja, no domicílio ou peridomicílio dos seres humanos. A melhor estratégia é não ter depósitos com água, dificultando a oviposição.

Se, em sua casa ou trabalho, existem depósitos de água que não podem ser eliminados, eles devem ser limpos semanalmente com água e sabão.

Não existe erro nessa sequência:

  • Não deixe o mosquito nascer! Evite depósitos com água acumulada que sirvam de criadouro e mantenha limpos os que não podem ser eliminados.
  • Não deixe o mosquito chegar perto! Utilize telas em janelas e portas, utilize ventiladores e ar-condicionado, utilize repelentes ambientais e tópicos, utilize roupas longas.
  • Elimine os mosquitos que moram na sua casa ou trabalho: utilize corretamente os inseticidas. Todos os produtos devem ser autorizados pela ANVISA e obedecidas as normas da embalagem.

 

Principais Dúvidas –  CURSO Aedes:

09/03/2016

Gostaria de saber como o mosquito da Dengue pode evoluir tanto nos últimos
anos?

RESPOSTA:

O processo evolutivo na natureza é constante. O mosquito Aedes aegypti foi descrito pela primeira vez por Linnaeus, em 1762, nesse momento, foi classificado como do gênero Culex (gênero do pernilongo comum). Após novas avaliações, ele foi categorizado como do gênero Aedes. O mosquito Aedes aegypti deve ser capaz de transmitir pelo menos 30 vírus diferentes para os seres humanos.

Nesses últimos anos, não houve uma modificação importante no Aedes aegypti, ele é um mosquito caracteristicamente bem adaptado ao ambiente humano. Exatamente por isso ele não emite zumbido, a picado é pouco indolor e as vezes até pouco pruriginosa (pouca coceira). Entretanto existem diversos vírus presentes na natureza, em mosquitos selvagens e em mamíferos. No momento que esses vírus conseguem infectar um mosquito como Aedes aegypti e a picado do mosquito passa a ser uma forma de transmissão de uma doença viral que ainda não existe em determinada população humana, os problemas de saúde na sociedade ficam evidentes.

Colocar sal na água onde há impossibilidade de remoção do depósito. Vocês poderiam me dizer algo sobre isso. 

RESPOSTA:

O sal de cozinha, assim como a água sanitária são larvicidas clássicos, bem conhecidos e muito utilizados. Realmente eles são efetivos. A dificuldade da utilização da água sanitária e do sal é a concentração e a reaplicação. Lembrando que os depósitos devem ser sempre eliminados e o uso de substâncias utilizadas apenas em situações extremas, como no caso de fontes, por exemplo.

Se o morador atentar para possíveis focos apenas uma vez
por semana ele está dando tempo para que o mosquito complete o
ciclo, pois dependendo das condições do ambiente em menos de uma
semana ele já está na forma adulta?

RESPOSTA:

O estágio de evolução do mosquito passa por ovo – larva – pupa – mosquito adulto. A fêmea coloca os ovos na parede interna do depósito e depois de aproximadamente 48 horas – dois dias – o embrião está maduro. As fases de larva, quatro estágios, em condições ótimas, podem não exceder cinco dias. A fase de pupa em condições ótimas dura entre dois a três dias. E então se tem mosquito adulto.

Assim, se considerarmos o estágio desde o dia de colocação dos ovos até o final da pupa, provavelmente, teremos mais que sete dias. Considerando a orientação de limpeza semanal, sempre aos sábados, teremos apenas seis dias sem limpeza. Ou seja, não há tempo suficiente para desenvolvimento do mosquito.

Tenho uma dúvida a respeito da transmissão do Zika Vírus. Eu aprendi que a forma infectante (promastigota), é no ciclo biológico no mosquito Aedes. Porque a transmissão por relação sexual e outras formas de transmissão estão surgindo?

O Zika Vírus é uma doença viral. Como todas as doenças virais, pode ter várias formas de contágio: através de relação sexual,como o HIV e a Hepatite B; através de transfusão sanguínea, como HIV e a Hepatite B; através do ar ou em gotículas de saliva, vírus da Varicela, Influenza da Gripe; através da picada de insetos,caso da Dengue). Como o Zika é um vírus pouco conhecido, ainda não temos certeza sobre as formas de contágio, ou seja, se além da picada do mosquito, ele poderia ser transmitido pessoa a pessoa ou através da transfusão de sangue.

RESPOSTA:

Em relação ao promastigota: doenças como Leishmaniose são causadas por protozoários flagelados (e não por vírus). Esses protozoários também utilizam o mosquito no seu ciclo biológico. A forma promastigota é a forma flagelada e extracelular do protozoário.

O mosquito não é domestico, na verdade ele é silvestre e se adaptou a zona urbana? 

RESPOSTA:

Consideramos animais domésticos, animais adaptados ao convívio humano. O Aedes aegypti é um inseto com características comportamentais adaptadas aos seres humanos: não emite zumbido, picada provoca pouca ou nenhuma dor ou coceira, preferência por sangue humano para o repasto, preferência por objetos e depósitos artificiais para ovoposição. Além disso, encontramos o macho, que não apresenta necessidade de aproximação com o homem, também habitando domicílios humanos, o que caracteriza seu comportamento doméstico.

Diferente dos mosquitos do gênero Culex (pernilongo comum) que realiza ‘visitas’ ao domicilio ou o Aedes albopictus que permanece ainda em ambientes mais naturais, o Aedes aegypti mora com os seres humanos, nesse sentido, o termo doméstico é aplicado adequadamente.