{"id":1239,"date":"2023-05-10T08:00:00","date_gmt":"2023-05-10T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/?p=1239"},"modified":"2023-11-20T12:32:42","modified_gmt":"2023-11-20T15:32:42","slug":"voce-tem-fome-de-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/voce-tem-fome-de-que\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea tem fome de qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A letra da m\u00fasica <em>Comida<\/em> de 1987 da banda Tit\u00e3s nos remete a uma reflex\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es entre necessidade \u2013 desejo \u2013 vontade. O questionamento, em forma de melodia, introduz a pergunta: \u201cvoc\u00ea tem fome de qu\u00ea, voc\u00ea tem sede de qu\u00ea? \u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consumos exagerados \u2013 n\u00e3o apenas de alimentos, mas de subst\u00e2ncias psicoativas, compras, s\u00e9ries, jogos, entre outros \u2013 aparecem como uma resposta r\u00e1pida e aparentemente f\u00e1cil para aplacar outras faltas, vazios e sofrimentos de outra ordem, que n\u00e3o da necessidade fisiol\u00f3gica. Quando exagerado e compulsivo, o h\u00e1bito causa preju\u00edzos f\u00edsicos e mentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde muito pequenos, os seres humanos s\u00e3o ensinados a \u201cresolver\u201d suas dores e anseios por meio da alimenta\u00e7\u00e3o. Quem nunca viu uma m\u00e3e amamentar sua prole assim que escuta seu choro? Quando um beb\u00ea chora, instintivamente associamos \u00e0 fome. Beb\u00ea e crian\u00e7as pequenas ainda n\u00e3o conseguem expressar pela linguagem seus inc\u00f4modos, os quais podem ser de v\u00e1rias ordens, n\u00e3o apenas pela falta de alimento. Buscar \u201ctraduzir\u201d o sofrimento da crian\u00e7a significa compreendermos que ela n\u00e3o chora apenas quando tem fome, nem tampouco somente a comida garante o al\u00edvio dos desconfortos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, imaginem algu\u00e9m que cresce tendo por refer\u00eancia o alimento como a \u00fanica forma de atenuar o sofrimento? Certamente, o sistema de recompensa \u00e9 ativado e o comer emocional se torna um h\u00e1bito. Quem n\u00e3o tem aquele parente ou amigo que come\u00e7a a mordiscar pipoca, doces e outras guloseimas de alta densidade cal\u00f3rica quando est\u00e3o nervosos ou ansiosos, sendo que rec\u00e9m haviam realizado uma grande refei\u00e7\u00e3o? Isso sem falar em outras formas de adi\u00e7\u00e3o como cigarro, bebidas e outras drogas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O comer emocional, enquanto pr\u00e1tica repetitiva, pode se tornar um h\u00e1bito, um mecanismo de fuga emocional em que o indiv\u00edduo obt\u00e9m prazer para escapar de sua dor, podendo trazer preju\u00edzos como o ganho de peso indesejado, baixa autoestima, entre outros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferente do comer emocional, o Transtorno de Compuls\u00e3o Alimentar (TCA) se caracteriza como transtorno justamente pela ocorr\u00eancia peri\u00f3dica de seus sintomas e pela sua gravidade. Apesar de ser o transtorno alimentar mais presente na popula\u00e7\u00e3o, o TCA \u00e9 o menos estudado. Ele consiste de epis\u00f3dios de compuls\u00e3o alimentar pelo menos uma vez na semana por, pelo menos, tr\u00eas meses sem o uso de m\u00e9todos compensat\u00f3rios como a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos extenuantes ou indu\u00e7\u00e3o do v\u00f4mito, com acentuado estresse e desconforto causado pelo epis\u00f3dio, al\u00e9m da sensa\u00e7\u00e3o de falta de controle em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, para que o TCA seja diagnosticado tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rios que estejam presentes pelo menos tr\u00eas ou mais dos seguintes comportamentos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Comer muito mais r\u00e1pido do que o normal<\/li>\n\n\n\n<li>Comer at\u00e9 se sentir desconfortavelmente cheio<\/li>\n\n\n\n<li>Comer grandes quantidades de alimento quando n\u00e3o se sentindo fisicamente com fome<\/li>\n\n\n\n<li>Comer sozinho por vergonha<\/li>\n\n\n\n<li>Sentir-se nauseado, deprimido ou culpado depois de comer excessivamente<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso do TCA, o tratamento se d\u00e1 pela Psicoterapia, uma das formas de aprender a lidar com as emo\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de tratamento com uso de medicamentos. Se voc\u00ea identificou algum sinal de comer emocional ou de transtorno de compuls\u00e3o alimentar em voc\u00ea ou em algum conhecido seu, busque ajuda! Quanto antes tratar, melhor ser\u00e1 a qualidade de vida das pessoas que s\u00e3o acometidas por esses epis\u00f3dios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, lidar com as emo\u00e7\u00f5es pode ser um indicativo para nos conscientizarmos de que o alimento sirva apenas ao seu prop\u00f3sito de nutrir o corpo, propiciar momentos de prazer e fazer parte de momentos compartilhados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <em>hit<\/em> \u201cVoc\u00ea tem fome de qu\u00ea, voc\u00ea tem sede de qu\u00ea?\u201d, vem seguido de respostas: \u201cA gente n\u00e3o quer s\u00f3 comida, a gente quer comida, divers\u00e3o e arte\u201d, o que nos d\u00e1 pistas para pensarmos que precisamos \u2013 e desejamos \u2013 outras coisas, pois somos seres sedentos e famintos de rela\u00e7\u00f5es sociais, lazer, conhecimento, movimento, express\u00f5es art\u00edsticas e culturais. S\u00e3o in\u00fameras as possibilidades, mas precisamos ter acesso a elas e\/ou nos permitir experiment\u00e1-las. Ler, caminhar, contemplar a natureza, aprender algo novo, visitar um museu, dan\u00e7ar, dar e receber um abra\u00e7o, cultivar as amizades e at\u00e9 mesmo, fazer uma nova receita! Mas, e voc\u00ea, tem fome e sede de qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto elaborado por Luciana Francisca de Oliveira (Psic\u00f3loga CRPRS 13818) e Fabiana Tanabe (Nutricionista CRN 2 9727).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ATTIA, E. e WALSH, B.T.&nbsp; Transtorno de compuls\u00e3o alimentar. <em>In<\/em>: Manual MSD, vers\u00e3o para profissionais da sa\u00fade. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.msdmanuals.com\/pt-br\/profissional\/transtornos-psiqui%C3%A1tricos\/transtornos-alimentares\/transtorno-de-compuls%C3%A3o-alimentar&gt;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARVALHO, R.V.C. Autocuidado na obesidade em pessoas com e sem compuls\u00e3o alimentar. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia. Florian\u00f3polis: 2022.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A letra da m\u00fasica Comida de 1987 da banda Tit\u00e3s nos remete a uma reflex\u00e3o sobre as rela\u00e7\u00f5es entre necessidade \u2013 desejo \u2013 vontade. O [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1238,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[58,57,55],"tags":[115,109,97],"class_list":["post-1239","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","category-qualidade-de-vida","category-saude-mental","tag-alimentacao","tag-qualidade-de-vida","tag-saude"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/pexels-mikhail-nilov-6740527-scaled.jpg?fit=2560%2C1674&ssl=1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1239"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1240,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239\/revisions\/1240"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/saberviver\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}