Durante a semana do XVIII Salão de Extensão UFRGS, ficaram expostos diversos trabalhos na área intitulada “Mostra Interativa”. Os trabalhos são frutos da comunidade extensionista da Universidade.
Em um estande localizado em frente ao Instituto de Letras/UFRGS, a Mostra reuniu 19 trabalhos de diversas áreas. O projeto “Clínica Psicose” é um deles. Ministrado pela responsável administrativa da clínica, Déborah Minuz, e pela estudante de Artes Visuais Luana Coutinho, apresentou-se a Atividade de Extensão “Oficinas Terapêuticas: Cerâmica e Psicanálise”, do Departamento de Artes Visuais, vinculado ao Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Clínica da Psicose. Dentro desse núcleo existem oficinas, onde os pacientes participam o dia inteiro das atividades terapêuticas de Música, Escrita, Rádio, Imagem, Cerâmica, e Oficina de Passagem (realizada com adolescentes).
O núcleo de extensão se instaurou na clínica em 2009 e levou para a mostra sua oficina de cerâmica com o objetivo de expor e demonstrar, para os visitantes, como se constitui o trabalho articulado de diversas áreas do conhecimento no âmbito da saúde mental, disponibilizando, durante sua realização, os instrumentos (argila e ferramentas utilizadas para o trabalho cerâmico) e trabalhos desenvolvidos pelos participantes da oficina de cerâmica como exemplificação material do movimento proposto.
Além de todos os trabalhos que são realizados na clínica, quando o dia das oficinas chega, pode-se dizer que iniciou o momento da convivência. Com lanche entre uma atividade e outra, conversas e troca de saberes, a estudante Luana frisa que a extensão é, além de tudo, ouvir e estar presente. “Sempre no horário do lanche fica um bolsista acompanhando os pacientes, porque como a gente lida com essa questão da psicanálise é muito importante ter sempre alguém por perto para ouvi-los. Então aquele horário também é um momento de extensão”, frisou.
O intuito das oficinas é ocupar os pacientes e ex-pacientes da Clínica Psicose, fazendo com que eles percam a necessidade de estar em uma internação, de ficar em um lugar fechado apenas “sobrevivendo”. Ensinar e criar relações coletivas dentro do espaço clínico se tornou muito mais importante com a criação deste projeto.
“Múltiplas Áfricas” também foi um trabalho que se destacou na Mostra. Coordenado por José Rivair Macedo, professor do IFCH, e apresentado pela intercambista e estudante de Medicina Maurícia Gaelle Ngolo, o projeto tem o intuito de expandir a ação de extensão Semana da África. Na ocasião, foram expostas ao público as diversas faces do continente africano. A atividade foi apresentada por alunos do Programa de Estudantes Convênio de Graduação da UFRGS (PEC-G), que mostraram ao público um pouco das suas origens, culturas, estilos, artes, cores, sabores, política econômica e geográfica. Em cada dia da semana, o público foi contemplado por um país diferente, do Gabão à Namíbia.
Os estudantes se fizeram presente na Mostra de Extensão para falar sobre o seu país, República do Congo, e sobre a parte que os grandes meios de comunicação não falam e nem mostram para a sociedade. A ideia da atividade era proporcionar aos visitantes um lugar onde eles pudessem ouvir os intercambistas e entender que não é só de guerras que vive a nação. Em sua fala, Maurícia explicou que o Congo é um país pequeno, porém farto em mineração, pois dispõe de muitas fontes econômicas e, além disso, é rico culturalmente. A estudante ressaltou que na capital política existem muitos atrativos turísticos. “Talvez no vídeo seja difícil de mostrar, mas o nosso país é bem construído, tem seus pontos turísticos, seu memorial, e além disso existem as cidades que têm uma enorme área ecológica, é como um Parque Nacional”, ressaltou.
A preocupação dos estudantes e conterrâneos do Continente Africano é com a desconstrução da imagem ruim que a sociedade sustenta, pois existem milhares de encantos que as pessoas não reconhecem. Por isso, junto com as fotos e explicações deste trabalho, os responsáveis pelo projeto fizeram questão de incluir um vídeo mostrando o dia-a-dia de algumas cidades dos países Africanos. Vídeos que mostram a humildade e a força do povo que lá habita.
Foto: Elias Santos


