Primeiros Socorros Psicológicos

 

     Os Primeiros Socorros Psicológicos (PSP) são uma resposta de suporte às pessoas em situação de sofrimento e com necessidade de apoio. Os PSP podem ser realizados por qualquer pessoa que se disponibilize e esteja em condições psicológicas e físicas para auxiliar, desde que tenha orientações básicas de PSP. Não é algo que apenas profissionais fazem, também não é um atendimento psicológico profissional, nem a definição de um tratamento. Os PSP abrangem uma infinidade de situações, desde desastres naturais e atentados em comunidades, passando por acidentes, perda de entes queridos, violência, até crises individuais.

     Os PSP consistem em oferecer apoio e cuidado práticos não invasivos; avaliar necessidades e preocupações; ajudar as pessoas a suprir suas necessidades básicas (por exemplo, alimentação, água e informação); escutar as pessoas, sem pressioná-las a falar; confortar as pessoas e ajudá-las a se sentirem calmas; ajudar as pessoas na busca de informações, serviços e suportes sociais; e proteger as pessoas de danos adicionais.

     Apesar de os PSP serem mais difundidos em situações de eventos traumáticos, principalmente desastres, eles também podem ser aplicados em crises cotidianas. Seja qual for a situação – de catástrofes a uma crise individual – os PSP seguem sempre cinco princípios básicos, que devemos ter em mente quando estamos diante de alguém em sofrimento psíquico

 

SEGURANÇA: este princípio fala de duas seguranças. A primeira delas é a sua própria. Para ajudar os outros, tenha certeza de que você e sua família estão em segurança. Em segundo lugar, ajude o outro a se sentir seguro e garanta que o ambiente a sua volta seja seguro.

CALMA: Quando estamos diante de alguém em situação de crise, essa pessoa está experimentando medo, ansiedade, desorganização, confusão, etc. Então, a primeira coisa a fazer é agir com calma e promover um senso de calma. Considere como ajudar a pessoa a identificar estratégias de enfrentamento efetivas usadas no passado e outras novas que pode ajudá-la a se sentir calma.

CONEXÃO: Pessoas em crise precisam de orientação de onde buscar ajuda, se apoiar em pessoas que confie. Então, ajude a fazer as conexões necessárias, seja buscando familiares e amigos, pessoas de confiança, seja ajudando a encontrar os recursos necessários para auxílio, tais como grupos de apoio, rede de saúde, etc. Lembre-se, ninguém é super-herói sozinho, quanto mais conexões com a rede de apoio melhor.

SENSO DE AUTOEFICÁCIA E EFICÁCIA COMUNITÁRIA: Em uma situação de crise, as pessoas se sentem vulneráveis. Mas não devemos tirar a autonomia nem o senso de auto-eficácia delas. Novamente, você não é super-herói e não há uma resposta pronta para uma situação de crise. Ajude as pessoas a usar suas próprias forças (todos tem suas qualidades), a aprender novas estratégias para enfrentar sua situação e a reconstruir seu caminho dentro da própria comunidade.

ESPERANÇA: Quando alguém está sentindo que “seu mundo está falhando”, pense em como promover o senso de esperança. Ajude a pessoa a se engajar com proatividade em atividades construtivas e promova expectativas positivas quanto ao que vai acontecer na próxima hora, dia ou semanas.

 

Pensando nestes cinco princípios, devemos nos perguntar, portanto, o que fazer ou não. Segue abaixo um quadro retirado da Organização Mundial da Saúde. Primeiros Cuidados Psicológicos: guia para trabalhadores de campo. OMS: Genebra (2015).

 

E quando devemos aplicar os PSP?

     Bem, os PSP não devem ser aplicados quando a pessoa está em risco de vida iminente, ferida, ou com dor física. Neste caso, os cuidados médicos são prioridade e os PSP ficarão para um segundo momento. De maneira geral, os PSP podem ser aplicados em qualquer situação de crise, num período de até 72 horas após o evento agudo da crise. Entendemos crise como qualquer momento de desorganização aguda. Podemos encarar a crise também como um momento de perigo e risco, mas que também é uma oportunidade de mudança. Mantenha em mente estes dois aspectos da crise, para ficar atento aos cuidados que se fazem urgentes, mas também às potencialidades do momento para auxiliar a pessoa a construir outros caminhos.

 

Como abordar uma pessoa em crise?

     Mantenha sempre uma postura acolhedora e disponível. Demonstre uma abertura verdadeira para escutar. Mais importante do que saber o diagnóstico da pessoa, é entender o que a faz sofrer, portanto demonstre disponibilidade emocional para escutar sobre esse sofrimento. Lembre-se que nossos sentimentos e julgamentos não devem determinar nossa maneira de agir. Neste momento, devemos colocar nossas ideologias e crenças um pouco em suspenso, pois estamos diante de alguém que está sofrendo. Isso é mais importante. E se a situação nos produz medo, insegurança e angústia, como enfrentar? Não se envergonhe de pedir ajuda, chame alguém de sua confiança para te auxiliar.

     Lembre-se! Mantenha a calma e busque manter a pessoa em segurança. Faça as conexões necessárias. Promova o senso de autoeficácia e de esperança.

 

Autora: Mariana Valls Atz, Psicóloga.