Procurando Psicoterapia

 

Quando buscar ajuda?

     Em alguns momentos da vida podemos nos sentir sobrecarregados e necessitando de ajuda para lidar com os problemas, sentimentos e situações que parecem estar fora do nosso controle – problemas no namoro ou casamento, uma situação familiar, a perda do emprego, a morte de uma pessoa amada, depressão, estresse ou ansiedade. Estas sobrecargas podem ser bastante prejudiciais e por isso a ajuda de um profissional capacitado pode auxiliar na hora de lidar com todas essas questões.

 

Considere a necessidade de terapia se:

    • Você sente uma sensação intensa e frequente de desamparo e tristeza, e seus problemas não parecem estar melhorando apesar de seus esforços e ajuda de familiares e amigos;
    • Você está sentindo dificuldade em realizar suas atividades diárias: por exemplo, você não consegue se concentrar em tarefas do trabalho ou faculdade, prejudicando seu desempenho;
    • Você se preocupa excessivamente, espera o pior ou está constantemente no limite; 
    • Suas ações são prejudiciais a você e a outros: por exemplo, você está bebendo álcool demais, abusando de substâncias ou tornando-se crítico e agressivo demais.

 

Como funciona a psicoterapia?

     Psicólogos especializados em psicoterapia estudaram para avaliar a saúde mental dos pacientes e ajudá-los no tratamento. Através de um esforço colaborativo entre o indivíduo e o psicólogo se cria um ambiente acolhedor para falar a respeito das preocupações e sentimentos, trabalhando para transformar aquilo que esteja prejudicando seu bem-estar e promover saúde mental. Além disso, a confidencialidade na psicoterapia é levada muito a sério, só sendo quebrada em casos raros em que há risco ao paciente ou a outras pessoas.

 

Como posso encontrar um psicólogo?

     Você pode encontrar um psicólogo de diversas formas: através do SUS ou seu plano de saúde, perguntando ao seu médico ou profissional de saúde de confiança, buscando indicação de familiares ou amigos, em serviços-escola universitários ou em clínicas de formação em psicoterapia etc. Mais locais disponíveis aqui

 

O que considerar na busca por um psicólogo?

     Como dissemos, a psicoterapia é um esforço conjunto entre paciente e psicólogo, por isso é importante que a escolha seja bem feita. Em primeiro lugar é importante estar certo sobre as credenciais do profissional (por exemplo, contatando o Conselho Regional de Psicologia ou verificando na página deste órgão), depois disso, o ponto mais importante é que você se sinta confortável e tranquilo com a pessoa com quem irá falar. É importante que você possa esclarecer todas as suas dúvidas a respeito da psicoterapia!

     Vale lembrar que não existe problema em trocar de profissional caso você sinta que não está confortável, existem diferentes profissionais e linhas teóricas na Psicologia, portanto é importante buscar aquela com a qual você se sinta mais à vontade.

 

Como posso saber se a terapia está funcionando?

     Ao começar a psicoterapia, é importante que você converse com o seu terapeuta a respeito de suas expectativas e do que esperar desse processo. É natural que uma grande variedade de emoções seja sentida ao longo da terapia, já que tratar de experiências difíceis pode ser doloroso e desafiador. Os psicólogos são treinados para lidar com os sentimentos que surgirem, oferecendo um espaço acolhedor e seguro ao paciente.

 

 

Mitos a respeito da psicologia

     
    1. Psicólogo é para “gente louca ou fraca” .

    A Psicologia, além de auxiliar no tratamento de psicopatologias, também pode ser procurada por aqueles que buscam ajuda para lidar com questões pessoais, como dificuldades, conflitos, mudanças e necessidade de autoconhecimento. Consideramos que as pessoas não são definidas pelas patologias que estão trazendo sofrimento, e que a busca por um psicólogo consiste no reconhecimento da existência do problema e na coragem em buscar ajuda para superá-lo. Não se trata de uma fraqueza, mas sim de um compromisso com seu bem-estar.

     

           2. Psicoterapia é a mesma coisa que autoajuda.

    A autoajuda tende a discutir assuntos bastante abrangentes, e, por não considerar cada indivíduo particularmente, sugere caminhos mais genéricos àqueles que a buscam, não levando em conta diferenças e contextos individuais.

    Já na psicoterapia, o paciente é guiado por um profissional através de técnicas e teorias científicas comprovadas que auxiliam na construção de seu caminho único, considerando sua individualidade e autonomia enquanto sujeito.

     

           3. Um psicólogo não pode me ajudar se nunca passou pelo que passei.

    É comum que algumas pessoas acreditem que somente aqueles que já passaram por algo semelhante a si poderão oferecer ajuda. Entretanto, todas as experiências são únicas e vivenciadas diferentemente por cada um, e os psicólogos são ensinados através da graduação, supervisões, estágios e atendimentos para compreenderem as mais diversas realidades e situações vivenciadas pelas pessoas. É importante lembrar que a psicoterapia não se baseia na vida do psicólogo, mas sim nas técnicas utilizadas para auxiliar nas dificuldades da vida do paciente.

     

         4. Para que ir ao psicólogo se posso desabafar com familiares e amigos?

    Com certeza, o apoio proporcionado por amigos e familiares é muito importante para auxiliar o indivíduo a enfrentar dificuldades em sua vida. Entretanto, além de ser um profissional habilitado, o psicólogo compreende os fatos a partir de uma visão menos enviesada e sem julgamentos ao paciente, possibilitando um melhor entendimento da situação.

    Apesar do trabalho do psicólogo ser comparado frequentemente a dar conselhos, isso não é verdade: apesar dos conselhos de pessoas próximas ser valioso, o que o psicólogo faz é diferente – na Psicologia, utilizamos técnicas para oferecer um caminho mais seguro para atingir os objetivos desejados, baseados em pesquisas científicas e anos de experiência.

     

           5. Estou tomando remédio prescrito pelo psiquiatra, não preciso ir ao psicólogo fazer psicoterapia.

    Estudos apontam que, quando o uso de remédios é aliado à psicoterapia, o tratamento é mais eficaz. Uma psicopatologia pode consistir em muito mais do que a questão biológica que é tratada pelo remédio, sendo necessária uma intervenção adicional para dar sentido às experiências de vida e vivências que possam ter sido traumáticas, além de auxiliar na transformação de crenças, hábitos, comportamentos e relações interpessoais que possam estar prejudicando a vida do paciente.

     

     

    Psicólogo x Psiquiatra x Psicanalista x Coach

     

     

       Psicologia: o psicólogo estuda os fenômenos psíquicos e de comportamento do ser humano por intermédio da análise de suas emoções, suas ideias e seus valores. Ele observa e analisa as atitudes, os sentimentos e os mecanismos mentais do paciente e procura ajudá-lo a identificar as causas das suas questões e a rever os seus comportamentos. Exige um curso de graduação com 5 a 6 anos de duração, em média.

        Psiquiatria: a Psiquiatria é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação das diferentes formas de sofrimentos mentais, assim como a Psicologia. Uma das diferenças entre as duas profissões é que, para ajudar no tratamento dessas doenças mentais, o psiquiatra pode recorrer ao uso de medicamentos, mas não é uma regra usar. Para se tornar um Psiquiatra, primeiro é preciso fazer a faculdade de Medicina, que tem uma duração média de 6 anos, e depois ingressar em uma residência por cerca de mais 3 anos.

         Psicólogo Clínico: atua na área específica da saúde, colaborando para a compreensão dos processos intra e interpessoais, utilizando enfoque preventivo ou curativo, isoladamente ou em equipe multiprofissional em instituições de tratamento clínico ou em outros contextos, como atendimento domiciliar, acompanhamento terapêutico, etc. Realiza pesquisa, diagnóstico, acompanhamento psicológico, e intervenção psicoterápica individual ou em grupo, através de diferentes abordagens teóricas.

         Psicanalista: é quem faz formação em psicanálise, método de terapia fundado por Sigmund Freud. Nele, o profissional se torna apto a realizar interpretações de ações do inconsciente, palavras e imaginação do indivíduo. Diferente das outras duas profissões citadas, o psicanalista pode adquirir sua formação após uma graduação de nível superior, que pode ou não ser em Psicologia ou Medicina.

         Coach:  assessoria pessoal e profissional que utiliza procedimentos orientados para que indivíduos, grupos e empresas alcancem resultados superiores e positivos.  O foco das estratégias de coaching abrange, entre outros fatores, o aprofundamento da autoconsciência do cliente (coachee), por meio de ações contínuas de aprendizado. Essas ações têm como base estudos de várias fontes. A formação de coach geralmente é dada por cursos com duração aproximada de 180 horas.

     

     

    Exemplos dos tipos de problemas que podem levar as pessoas a buscar pela ajuda de um psicólogo:

     

    ESTUDANTE

    Renato é um estudante de graduação e tem 19 anos. É natural do interior de outro estado e foi aprovado através do SISU para cursar uma graduação que considera sua segunda opção. No entanto, como acredita que já está perdendo tempo e que irá se formar “muito tarde”, optou por mudar-se para Porto Alegre e iniciar a graduação. Renato sempre morou com seus pais e seu irmão mais novo e era considerado um excelente aluno na escola. Os pais não têm curso superior, mas valorizam muito uma educação superior. Ele também gostava de praticar esportes e mantinha um grupo de amigos próximos. Renato está no segundo semestre do seu curso e atualmente mora com outros dois estudantes. Teve algumas dificuldade para se adaptar à nova rotina, pois nunca precisou cuidar da casa ou de suas roupas, nem preparar refeições. O convívio com os colegas de apartamento tem sido tranquilo, mas não tem um lugar organizado em que possa sentar para estudar. Sente falta de ter amigos mais próximos na faculdade e tem se sentido bastante sozinho, já que não consegue visitar a família com frequência. Na faculdade, teve dificuldade para se organizar com as disciplinas, pois eram muitas provas e trabalhos, e considerava que os professores não eram muito acessíveis. Em algumas semanas, tinha provas todos os dias, além de ter que fazer atividades da bolsa que conseguiu para lhe auxiliar financeiramente. Reprovou em algumas disciplinas, o que o deixou muito decepcionado, pois nunca havia tido dificuldade na escola e deixou de lado todas as suas atividades de lazer durante o semestre para se dedicar à faculdade. Iniciou o segundo semestre sentindo-se muito cansado e sem energia. Continua se sentindo muito sozinho e se preocupa por acreditar que todos os seus amigos estão progredindo na vida enquanto ele ainda está iniciando a faculdade. Tudo isso também faz com que se pergunte se está no curso certo, ou mesmo se é capaz de fazer uma faculdade e ser um bom profissional. Pensando em desistir do curso, Renato procurou na internet e encontrou um local para realizar uma orientação profissional. Após alguns encontros com o profissional do serviço, também foi considerada a possibilidade de Renato iniciar uma psicoterapia, já que as múltiplas demandas de um curso superior e a mudança de cidade estavam lhe causando um sofrimento importante.

     

     

    PÓS-GRADUANDA

    Joana é uma estudante de pós-graduação e tem 26 anos. É recém graduada e, durante sua trajetória acadêmica, sempre teve interesse pela pesquisa, tendo sido bolsista de iniciação científica por anos e participado de diversos grupos de estudos e projetos de extensão. Sempre foi sociável, gostando de estar entre amigos e família quando seus horários lhe permitiam descanso. Contudo, o convívio com seus entes queridos passou a inexistir quando, assim que concluiu a graduação, conseguiu uma bolsa para Mestrado em uma instituição renomada de ensino superior. Joana relata que se sente pressionada e sobrecarregada, que não consegue dormir direito à noite porque fica preocupada com a quantidade de atividades que precisa realizar em um curto período de tempo. Quando Joana não consegue entregar algum trabalho no prazo, sente-se humilhada pelo orientador. Com o passar do tempo, começou a ter crises de ansiedade constantes, trancando-se em casa por ter medo de sair e “passar vergonha” na rua, principalmente na frente de orientador e colegas. Seus familiares e amigos, preocupados com seu isolamento, conseguiram convencer Joana a procurar uma psicóloga, que pode acolhê-la e ajudá-la a lidar com questões que lhe geram sofrimento para que, assim, possa voltar a ter uma vida mais equilibrada e saudável.

     

    PROFESSORA

    Helen é uma mulher de 40 anos, casada e mãe de duas crianças. Há três anos foi aprovada e tomou posse como professora universitária de uma reconhecida instituição federal. Esse fato representou a concretização dos esforços de Helen durante a trajetória percorrida desde a sua graduação, quando já se envolvia, energicamente, com as atividades de pesquisa e extensão.  Atualmente não é diferente! Além de ministrar as aulas, Helen se dedica a grupos de pesquisa, projetos de extensão, orientação de alunos em trabalhos de conclusão de curso e ainda busca manter seu currículo Lattes sempre atualizado. Ou seja, é um compromisso pessoal ter no mínimo uma publicação científica por ano em um periódico internacional e com qualis A1 ou A2. O dia da Helen “não tem somente 24 horas”, pois ela consegue responder todos os e-mails, atender as 50 mensagens do WhatsApp recebidas, estar presente nos encontros dos grupos que coordena, revisar as versões dos TCCs que recebe dos seus orientandos, responder os pareceres de artigos enviados para as revistas e ainda consegue dar uma “passadinha” em casa e dar oi para o esposo e filhos. Helen sempre foi fascinada por essa diversidade de atividades que a academia possibilita ao professor, porém há alguns meses o “peso” de toda essa produtividade tem recaído sobre seus ombros. Helen tem se sentido diariamente cansada, sendo que na sexta-feira o cansaço beira a exaustão. A professora, mãe, mulher e esposa percebe que está mais irritada, sensível com alunos e família; tem evitado fazer programas ao final de semana que lhe tomem o tempo destinado para dar conta das atividades do trabalho. Também tem ficado doente com frequência, o que para Helen é estranho, pois sempre teve uma “saúde de ferro”. Na última semana, ela foi ao médico pedir algum remédio que lhe ajudasse a dormir, pois suas últimas noites haviam sido de insônia. O médico que a atendeu não receitou remédios para dormir. Ao invés disso, orientou que Helen procurasse um psicólogo, o qual poderia auxiliá-la a compreender os espaços que seus múltiplos papéis podem ter em sua vida e cotidiano.

     

    O que um psicólogo faz/não faz:

     

    Faz Não Faz
    Utiliza técnicas para que você possa melhor entender o problema e a forma de resolvê-lo. Dá muitos conselhos.
    Mantém o sigilo de todo e qualquer paciente, a não ser que haja risco de vida. Ele(a) fala sobre outros pacientes.
    O escuta sem tentar dizer como viver a sua própria vida ou o fazer sentir julgado. Ele(a) dá orientações específicas sobre como você deve proceder ou o faz se sentir julgado.
    Respeita a relação psicólogo-paciente, mantendo-a somente no contexto clínico. Tenta ser seu amigo fora do contexto clínico.
    Compreende que seu papel profissional não compreende empregar eventos de sua vida. Dá muitos exemplos sobre a própria vida.
    Utiliza somente técnicas permitidas  pelo Conselho Federal de Psicologia, além de atuar somente no que tem formação e experiência. Utiliza técnicas não aprovadas pelo CFP ou fora do âmbito científico (p. ex. Psicoterapia de vidas passadas ou qualquer associação com religião, técnicas holísticas ou místicas).

     

     

    Autores: Natália Faccio Baselides, Lucas Pimentel Ferreira, Amanda Dahmer Fischer, Denise Valem Yates, Andressa Sager e Franciele Assunção.

     

    Referências:

    https://www.psiconlinews.com/2017/11/9-mitos-sobre-psicologo-e-psicoterapia.html
    https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/pordentrodasprofissoes/qual-a-diferenca-entre-a-psicologia-e-a-psiquiatria/
    https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2008/08/atr_prof_psicologo.pdf
    https://www.sbcoaching.com.br/o-que-e-coaching
    Fonte: https://www.psicanaliseclinica.com/o-que-faz-um-psicanalista/