Transtorno de Humor Bipolar

 

O que é?

     A Transtorno de Humor Bipolar é um Transtorno de Humor marcado por flutuações de humor e energia, que afeta mais de 1% da população mundial, independente de nacionalidade, etnia ou status socioeconômico. É um transtorno psiquiátrico complexo, encontrado em todas as idades e sexos, e que, apesar de relativamente comum, muitas pessoas têm uma ideia equivocada do que realmente representa ter este transtorno. Aqueles com bipolaridade experimentam momentos, ou episódios, de alta energia, – conhecidos como mania ou euforia – e momentos/episódios de baixa energia – ou depressão – de maneira periódica. Essa variação é sentida e observada em níveis de energia, atividade, e humor.  No entanto, uma característica essencial é que as pessoas que sofrem deste transtorno passam grande parte do tempo com o humor normal e estável – também por isso a variação é chamada de episódio.

     Muitas vezes vulgarizamos a bipolaridade, dizendo que qualquer um que fique muito bravo, por exemplo, é bipolar, ignorando que flutuações de humor, especialmente em momentos estressantes, são normais na vida. Mas é importante entendermos que os sentimentos experimentados por aqueles que sofrem com a doença são extremamente intensos e persistem por mais de um dia. Na literatura científica, cada vez mais se entende a bipolaridade como um espectro, ou seja, que ela pode se apresentar em intensidades e de formas variadas. Temos que lembrar que a bipolaridade, normalmente, acompanha a pessoa por toda sua vida, e pode levar a prejuízos cognitivos, funcionais, na saúde geral do indivíduo, e aumento mortalidade, seja por morte ou suicídio . O transtorno é uma das causas principais de incapacitação entre jovens, e existem tipos diferentes de bipolaridade, cada uma com características específicas que podem ser melhor examinadas por um profissional da saúde mental.

     A pessoa passando por um episódio maníaco pode não ver o seu aumento de energia como algo ruim. Ele pode se manifestar não apenas por um crescimento da irritabilidade, mas também pela alta de atividade direcionada a um objetivo (faxinar toda a casa em um dia, envolver-se em muitas atividades concorrentes, desejo sexual aumentado), tagarelice, comportamentos de risco (gastar demais, fazer atividades perigosas), aumento significativo de autoestima (a pessoa se sente muito mais forte, inteligente ou bonita),  e sentimento de invencibilidade ou grandiosidade (se achar o melhor, que todos têm inveja de si, que nada pode acontecer consigo). Aumentos de nível de energia associados a mudanças claras no comportamento de uma pessoa devem ser observadas com cuidado.

 

 

Quais as causas da bipolaridade?

É impossível definir uma causa única para a bipolaridade. Há fortes fatores genéticos, além de aspectos fisiológicos, comportamentais e ambientais envolvidos. Ainda, o curso do transtorno é afetado pela quantidade de episódios que uma pessoa vivencia.

 

A bipolaridade pode vir acompanhada de outros transtornos?

Sim! Pessoas com bipolaridade podem ter, ao mesmo tempo, outros transtornos psiquiátricos. Os mais comuns são Transtorno de Ansiedade, Transtorno de Abuso de Substâncias, Fobias, TDAH, e Transtornos de Conduta.

 

Como é feito o diagnóstico de bipolaridade?

O diagnóstico é feito clinicamente através de entrevistas realizadas por profissionais das áreas de psiquiatria e/ou psicologia, e pode ser auxiliada pelo uso de inventários e questionários. O diagnóstico é o primeiro passo para iniciar um tratamento.

 

Existe tratamento?

Sim! Intervenções farmacológicas e psicoterápicas são indicadas em associação, tanto durante um episódio, quanto para prevenir que estes ocorram. Psicoeducação, que engloba a compreensão dos sintomas e prejuízos associados a bipolaridade, também é fundamental para o tratamento.

 

Se você acha que pode ter bipolaridade, busque ajuda de um profissional qualificado para uma avaliação!

 

Autora: Sophia Martínez

 

Referências:

American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing.
Bastos, A. G., Fleck, M. P. A. (2016). Psicodiagnóstico e alterações do humor. In Hutz, C. S., Bandeira, D. R., Trentini, C. M., Krug, J. S., Psicodiagnóstico. pp. 331-336. Porto Alegre: Artmed
Malhi, G.S., Bipolar disorders: key clinical considerations, The Lancet, V. 387, Issue 10027, 2016, Pp. 1492-1494, DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(15)01045-4.
Mitchell, P.B., Bipolar disorder: defining symptoms and comorbidities, The Lancet. 2016 Aug 27;388(10047):868-9. 1. V. 388, Issue 10047, 2016, Pp. 868-869 DOI: 10.1016/S0140-6736(16)31475-1

 

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