Transtorno do Espectro Autista na Idade Adulta

 

O que é?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba diferentes tipos de sinais e sintomas. Suas características principais são prejuízos na comunicação e interação social e interesses e padrões comportamentais restritos e repetitivos. Esses sintomas estão presentes desde a infância, entretanto, podem causar maior ou menor prejuízo dependendo da gravidade. Por esse motivo, algumas pessoas só recebem o diagnóstico de autismo na idade adulta. O diagnóstico tardio muitas vezes ocorre quando o indivíduo tem um filho diagnosticado com autismo e percebe semelhanças de seus sintomas com características que eram presentes durante sua própria infância.

O transtorno pode se manifestar de diversas maneiras, dependo de sua gravidade, do nível do desenvolvimento cognitivo e da idade da pessoa. É por esse motivo que usamos a nomenclatura “espectro”.

 

Quais as características/sintomas mais comuns desses adultos?

O grau de autismo de quem recebe o diagnóstico tardio normalmente é leve, não resultando em prejuízos muito graves no cotidiano, pois normalmente não apresentam Deficiência Intelectual ou déficit na linguagem. São pessoas que podem passar anos sentindo que não se encaixam na sociedade e atribuindo a diversos outros fatores que não o espectro. As características que apresentam usualmente se referem à timidez, ingenuidade, sensibilidade (restrições ao toque, luz, texturas, sons), dificuldade em lidar com muitos estímulos ao mesmo tempo, evitação de determinados locais. Comumente também são vistas como pessoas mais ríspidas ou que não gostam/querem conviver com os demais.

Os sintomas mais clássicos do Autismo são:

– Dificuldades na comunicação verbal e não verbal.
–   Dificuldade importante para desenvolver e manter relacionamentos.

– Padrões restritos de interesses e atividades.
– Gestos repetitivos ou expressões verbais atípicas.
– Apego a rotinas e/ou padrões ritualizados de comportamento.

 

Principais transtornos (tipo de autismo)

O Transtorno do Espectro Autista engloba transtornos anteriormente chamados de autismo infantil precoce, autismo infantil, autismo de alto funcionamento, autismo de Kanner, transtorno desintegrativo da infância, autismo atípico, transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação e transtorno de Asperger.

 

Existe tratamento?

O diagnóstico na idade adulta pode ser visto também como um alívio, pois finalmente a pessoa pode entender o que se passa com ela de um modo mais concreto. Apesar disso,  também gera um grande impacto sobre a autoimagem e autoestima, e é necessário que isso seja trabalhado juntamente com profissionais especializados.

Após o diagnóstico, os profissionais responsáveis darão o suporte necessário, seja emocional ou no auxílio do desenvolvimento de aspectos comportamentais e sensoriais. Desse modo, pode-se entender melhor o que se passa com o paciente e trabalhar as questões mais específicas que lhe causam prejuízo e desconforto no seu cotidiano.

Autismo não tem cura, mas o tratamento, seja com profissionais da área médica (psiquiatras ou neurologistas), psicólogos ou fonoaudiólogos, pode auxiliar na compreensão de suas características, no alívio de sintomas e no desenvolvimento de habilidades, assegurando uma melhor qualidade de vida.

Se tiver mais interesse em explorar essa temática, existem algumas produções interessantes que compreendem alguns aspectos do espectro, como o filme “O Cérebro de Hugo” e a série “Atypical”.

 

Referências

Ramos, J, Xavier, S, Morins, M (2012).Perturbações do espectro do autismo no adulto e suas comorbilidades psiquiátricas. Psilogos 10(2): 9-23. American Psychiatric Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition. Arlinton, VA: American Psychiatric Association.

 

Autoria: Laura Pooch e Flávia Wagner