{"id":1268,"date":"2025-04-09T12:49:59","date_gmt":"2025-04-09T15:49:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/?p=1268"},"modified":"2025-04-09T12:49:59","modified_gmt":"2025-04-09T15:49:59","slug":"o-terror-vai-ta-de-volta-como-boladin-211-colocou-o-funk-gaucho-em-evidencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/04\/09\/o-terror-vai-ta-de-volta-como-boladin-211-colocou-o-funk-gaucho-em-evidencia\/","title":{"rendered":"\u201cO terror vai t\u00e1 de volta\u201d: como Boladin 211 colocou o funk ga\u00facho em evid\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">Make Fabico Weird Again #1<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">por Kaian Borba de Lima<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Boladin 211 \u00e9 um cantor ga\u00facho de funk que vem conquistando ampla notoriedade no g\u00eanero, ultrapassando a marca de 5 milh\u00f5es de ouvintes mensais no Spotify (dezembro de 2024). Acumulando mais de 300 milh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es na plataforma, \u00e9 considerado o expoente do funk ga\u00facho e o cantor mais bem sucedido da hist\u00f3ria do estado dentro do g\u00eanero. \u00c9 muito raro que artistas do Rio Grande do Sul atinjam tamanho sucesso na cena do funk, fazendo com que Boladin seja um verdadeiro \u201cponto fora da curva\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Desta maneira, este artigo prop\u00f5e-se em realizar uma an\u00e1lise linear de sua <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/artist\/2xOLGU5UNLV3KQSFteF8ZW?si=_iNy0FDJQNSgfdLhwGgVuA\">discografia na plataforma<\/a>, considerando os lan\u00e7amentos realizados entre dezembro de 2021 e dezembro de 2024. O objetivo \u00e9 compreender como Boladin alcan\u00e7ou sucesso nacional e questionar o que dificulta a ascens\u00e3o de cantores do mesmo g\u00eanero no Rio Grande do Sul. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m busca explorar o impacto de Boladin 211 na cena atual do funk. Para tais fins, foram utilizados como base te\u00f3rica os textos \u201cO ancestral: entre o singular e o universal\u201d (FERREIRA-SANTOS, 2012), \u201cAspiro ao grande labirinto\u201d (OITICICA, 1986), \u201cTerrito\u0301rios resistentes: arte, som e sociedade\u201d (PROTO, 2020) e \u201cRupturas insta\u0301veis: entrar e sair da mu\u0301sica pop\u201d (SILVEIRA, 2013).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com base na an\u00e1lise realizada, foi percebido que o sucesso de Boladin 211 est\u00e1 diretamente atrelado \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o dos ouvintes ga\u00fachos, em um primeiro momento, e logo depois, \u00e0 originalidade do cantor em meio a tantos MC\u2019S do g\u00eanero. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m constatou-se que o sucesso e o impacto de Boladin est\u00e3o diretamente vinculados \u00e0 repopulariza\u00e7\u00e3o do funk 130BPM no pa\u00eds, processo esse que passa diretamente pelas m\u00e3os do cantor porto-alegrense.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Quem \u00e9 Boladin 211?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nascido como Bernardo Soares da Rosa, Boladin \u00e9 natural da Restinga Velha, periferia da zona sul de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. \u00c9 justamente de sua origem geogr\u00e1fica que vem o \u201c211\u201d no vulgo do cantor, em refer\u00eancia \u00e0 linha de \u00f4nibus 211 que conecta a Restinga ao centro da cidade. A Restinga \u00e9 um dos bairros mais humildes da cidade, sendo assim Boladin veio de uma realidade muito dif\u00edcil, rodeado pela pobreza e pela criminalidade. Devido ao seu sucesso extremamente recente, n\u00e3o existem muitas informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre sua inf\u00e2ncia e sobre seus primeiros passos dentro da m\u00fasica. Um dos poucos registros que se tem sobre Boladin \u00e9 uma <a href=\"https:\/\/youtu.be\/EphzveJtnKA?si=Wzuatsxz18M6uJIq\">entrevista com o artista no canal do YouTube d<\/a><a href=\"https:\/\/youtu.be\/EphzveJtnKA?si=Wzuatsxz18M6uJIq\">a Sobre Funk<\/a><u>.<\/u> Boladin relata que tinha o costume de cantar funk quando crian\u00e7a, mas que era de certa forma ridicularizado e desencorajado por pessoas pr\u00f3ximas. Assim, voltou a cantar apenas no final de sua adolesc\u00eancia, em busca de construir, atrav\u00e9s da m\u00fasica, um futuro melhor para sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>A discografia de Boladin 211<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O primeiro registro do cantor sob o nome art\u00edstico de \u201cBoladin 211\u201d \u00e9 de 30 de dezembro de 2021, com o lan\u00e7amento de sua primeira m\u00fasica, \u201cEstrat\u00e9gia Bem Sucedida\u201d nas plataformas de <em>streaming<\/em>. Mas, apesar de sua primeira faixa ter sido lan\u00e7ada no pen\u00faltimo dia de 2021, pode-se dizer que a carreira de Boladin come\u00e7ou efetivamente em 2022. O primeiro lan\u00e7amento de Boladin em 2022, viria a p\u00fablico no dia7 de abril, com o lan\u00e7amento de \u201cPrivadin na Laje\u201d, em parceria com DJ Cayoo, produtor musical de Belo Horizonte. Essa conex\u00e3o com o \u201cfunk de BH\u201d seria extremamente importante para a ascens\u00e3o de Boladin no futuro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vale ressaltar que, al\u00e9m de seus lan\u00e7amentos nas plataformas tradicionais de <em>streaming<\/em>, Boladin tamb\u00e9m postava na \u00e9poca algumas composi\u00e7\u00f5es no YouTube. O primeiro registro do cantor na plataforma \u00e9 de 3 de outubro de 2022, com uma faixa intitulada \u201cBoladin211 homenagem ao meu rlk vai na paz terror\u201d. Na can\u00e7\u00e3o, Boladin retrata seus sentimentos quanto ao falecimento de um amigo pr\u00f3ximo em um tiroteio. Aqui, j\u00e1 podemos perceber os primeiros ind\u00edcios do que viria a ser sua identidade musical: o tom de voz levemente \u201canasalado\u201d, o instrumental de funk 130BPM (majoritariamente percussivo) e os efeitos sonoros de tiros ao fundo da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O primeiro videoclipe do artista seria lan\u00e7ado no dia 11 de novembro de 2022, com o single \u201cEu vim da 211\u201d. Nesta m\u00fasica, Boladin canta sobre suas origens humildes no bairro da Restinga e sobre como a m\u00fasica mudou sua perspectiva e o impediu de sucumbir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do mundo do crime:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu vim da 211, onde v\u00e1rios \u2018menorzin\u2019 que se perdeu no crime<br \/>\nOnde v\u00e1rios pensou que eu ia ser traficante<br \/>\nDeus segue iluminando e hoje eu sigo firme\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Seu pr\u00f3ximo lan\u00e7amento seria \u201cG3z\u00e3o\u201d em parceria com MC Murillinho (tamb\u00e9m natural de Porto Alegre) e DJ Neeh, produtor que viria a assinar os maiores <em>hits<\/em> do artista. Na can\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ada em 25 de novembro de 2022, os artistas ostentam armas e dinheiro, tem\u00e1ticas que viriam a ser exploradas em grande parte da discografia de Boladin.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em 16 de dezembro, Boladin participou de \u201cSafadinha 2\u201d, m\u00fasica de MC Thony e DJ Neeh, ambos tamb\u00e9m naturais de Porto Alegre. Essa m\u00fasica \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o de \u201cSafadinha\u201d de MC Thony, MC Neguin WS e DJ Neeh e marca a primeira participa\u00e7\u00e3o de Boladin em uma m\u00fasica de outro artista. As colabora\u00e7\u00f5es de Boladin com outros artistas do funk, seriam pe\u00e7a fundamental para que sua carreira decolasse no futuro. Para fechar 2022, o cantor ainda lan\u00e7aria \u201cEu Puxei o Trem\u201d (com DJ Loirin) e \u201cCol\u00f4nia de F\u00e9rias\u201d. A primeira, com a sua est\u00e9tica cl\u00e1ssica: instrumental de funk 130BPM, com timbres de atabaque e efeitos sonoros de armas e tiros. J\u00e1 a segunda, \u00e9 uma das \u00fanicas m\u00fasicas em que Boladin se aventura a cantar em um instrumental de funk rasteiro<sup>[1]<\/sup>, juntamente com \u201cEu Vim da 211\u201d (2022) e \u201cNingu\u00e9m Deu Nada pra N\u00f3s\u201d (2024).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O ano de 2023 seria o ano em que Boladin 211 firmaria seu primeiro p\u00e9 na cena do funk brasileiro e come\u00e7aria a dar os primeiros ind\u00edcios de que havia chegado para ficar. O cantor passaria de 9 milh\u00f5es de <em>streams<\/em> em 6 m\u00fasicas lan\u00e7adas no Spotify em 2022, para 26 milh\u00f5es em 9 faixas lan\u00e7adas no ano de 2023. Isso representa um crescimento impressionante de cerca de 200% no n\u00famero de reprodu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Entre os nove lan\u00e7amentos de Boladin em 2023, os maiores destaques foram \u201cPalinha da de 30\u201d, \u201cLan\u00e7a da Barbie\u201d e \u201cVamo Sambar Lindona\u201d, a primeira com 6 milh\u00f5es de streams no Spotify e as demais com 4 milh\u00f5es cada. As tr\u00eas m\u00fasicas contam com produ\u00e7\u00e3o de DJ Neeh, sendo a \u00faltima com produ\u00e7\u00e3o adicional de DJ Yago. A \u00faltima m\u00fasica lan\u00e7ada por Boladin em 2023 seria \u201c51 \u00e9 o DDD dos cria\u201d, na qual o cantor faz refer\u00eancia \u00e0 sua cidade natal, Porto Alegre. As refer\u00eancias \u00e0 cultura da capital ga\u00facha seriam um fator crucial na ascens\u00e3o de Boladin, e isso se revelaria em seu primeiro lan\u00e7amento no ano seguinte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em 2024, Boladin 211 abriu o ano com o lan\u00e7amento de \u201cTraje do Colorado\u201d. Lan\u00e7ada em 26 de janeiro, a m\u00fasica atualmente conta com mais de 11 milh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es no Spotify, se tornando um dos maiores hits da carreira de Boladin e consolidando Boladin como o artista de funk mais popular do estado. A produ\u00e7\u00e3o da faixa n\u00e3o poderia ter ficado a cargo de outra pessoa: foi assinada por DJ Neeh, seu colaborador de longa data. O instrumental \u00e9 de funk 130BPM, com timbres de atabaque e efeitos sonoros de armas, como j\u00e1 havia se tornado caracter\u00edstico de suas m\u00fasicas. Na can\u00e7\u00e3o, assim como em grande parte de sua discografia, Boladin esbanja lux\u00faria, cantando sobre armas, dinheiro e mulheres. A linha que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 faixa faz alus\u00e3o ao Sport Club Internacional, equipe de futebol de Porto Alegre, da qual Boladin \u00e9 um torcedor ass\u00edduo. Em um pa\u00eds e, sobretudo, em um estado, onde a identifica\u00e7\u00e3o com o futebol \u00e9 muito forte, \u00e9 evidente que essa refer\u00eancia foi muito importante para a populariza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, que foi carinhosamente abra\u00e7ada pelos torcedores colorados:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cTraje do colorado, 211 embaixo do vulgo<br \/>\nE \u2018n\u00f3is\u2019 d\u00e1 continuidade, as \u2018piranha\u2019 t\u00e3o feliz<br \/>\nO DJ Neeh te convidou pro barraquin\u2019<br \/>\nO Boladin te convidou pro barraquin\u2019\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, \u201cTraje do Colorado\u201d marca a primeira vez em que Boladin utilizou a express\u00e3o \u201cterror\u201d<sup>[2]<\/sup>em uma de suas m\u00fasicas, algo que viria a se tornar marca registrada do cantor:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cEla gamou no jeit\u00e3o dos \u2018terror\u2019<br \/>\nQuando viu a G3 ela se impressionou<br \/>\nCom\u00e9rcio pesado, \u00e9 PT pra caralho<br \/>\nEla joga o cabelo quando v\u00ea o Boladin passando\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em fevereiro, Boladin lan\u00e7a \u201cAmigo Leal\u201d, faixa que acabou n\u00e3o obtendo o mesmo sucesso da anterior e tampouco das duas seguintes: \u201cFaz 10K e Dorme\u201d e \u201cMesmo Embalo\u201d. Estas duas m\u00fasicas marcam as primeiras colabora\u00e7\u00f5es de Boladin com MC Rick, cantor de funk de Belo Horizonte. Acumulando 15 milh\u00f5es de <em>plays<\/em> na primeira e 13 milh\u00f5es de <em>plays<\/em> na segunda, ambas foram muito bem recebidas pelo p\u00fablico e fizeram com que o Brasil todo voltasse seus olhares para Boladin. Em abril, o artista lan\u00e7aria \u201cPlano de Hoje\u201d, mas o melhor estava guardado para o m\u00eas de maio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No dia 10 do m\u00eas em quest\u00e3o, Boladin volta a colaborar com MC Rick lan\u00e7ando \u201cO Terror Vai T\u00e1 de Volta\u201d, emplacando outro <em>hit<\/em> que superava a marca de 10 milh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es. Entretanto, o ponto alto do ano de 2024 e de toda a carreira de Boladin, envolve novamente o funk mineiro e seria revelado ao p\u00fablico no dia 24 de maio: \u201cSorriso no Rosto\u201d, faixa do \u00e1lbum \u201cMenino Maluquinho\u201d de MC Leozin, com participa\u00e7\u00e3o de Boladin 211 e MC Rick. O <em>hit<\/em> alcan\u00e7ou a 21\u00aa posi\u00e7\u00e3o de m\u00fasica mais ouvida no pa\u00eds <a href=\"https:\/\/billboard.com.br\/billboard-brasil-hot-100\/\">(Billboard Brasil)<\/a> e atualmente conta com 57 milh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es no Spotify, sendo a mais bem sucedida de Boladin at\u00e9 aquele momento. O refr\u00e3o da m\u00fasica \u00e9 cantado pelo artista porto-alegrense e fez com que o mesmo \u201cfurasse a bolha\u201d e ganhasse destaque no Brasil todo:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu solto pela boca, ela passa e me olha<br \/>\nEu com a Glock de roupa, cumprindo meu posto<br \/>\nEu vi sorriso no rosto<br \/>\nEu vi sorriso no rosto\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ainda na onda do sucesso de \u201cSorriso no Rosto\u201d, Boladin faria participa\u00e7\u00e3o em outra m\u00fasica que o faria elevar ainda mais o patamar de sua carreira. \u201cSempre na Simplicidade\u201d foi lan\u00e7ada em 17 de julho de 2024 e junta os artistas MC LUUKY, MC Ryan SP, Boladin 211 e MC Vine7, em uma produ\u00e7\u00e3o de DJ Victor. A can\u00e7\u00e3o se consolidou como o maior hit de toda a carreira de Boladin, com mais de 63 milh\u00f5es de <em>plays<\/em>no Spotify e foi respons\u00e1vel por abrir diversas portas para o cantor. O trecho que cont\u00e9m o verso de Boladin viralizou nas redes sociais e gerou mais repercuss\u00e3o do que o pr\u00f3prio refr\u00e3o da m\u00fasica, cantado por MC LUUKY. Na passagem, Boladin foge das tem\u00e1ticas tradicionais de suas m\u00fasicas e despeja versos mais profundos e introspectivos, que falam da supera\u00e7\u00e3o do cantor:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cAbre ala,\u00a0 n\u00f3is t\u00e1 chegando, \u2018tamo tocando os cavalo<br \/>\nNo extremo da humildade, eu aprendi com os mais brabo<br \/>\nQue na guerra eles deram seu sangue, lutando pelo nosso quadrado<br \/>\nEssa vida \u00e9 uma roda gigante e eu vi v\u00e1rios que despencaram\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O enorme sucesso de \u201cSorriso no Rosto\u201d e \u201cSempre na Simplicidade\u201d, renderia visibilidade para Boladin n\u00e3o s\u00f3 por parte do p\u00fablico, mas tamb\u00e9m de outros artistas da cena do funk. Ainda em 2024, al\u00e9m de seus lan\u00e7amentos solo, Boladin tamb\u00e9m participaria de diversos projetos de artistas do funk brasileiro, em especial de Belo Horizonte e de S\u00e3o Paulo. Entre os principais sucessos, est\u00e3o: \u201cDeixa o Cavalo Correr\u201d (Oldilla, Gabb MC, MC LUUKY, MC Tato, MC Bruno MS, TrapLaudo e Boladin 211 &#8211; atualmente com 29 milh\u00f5es de <em>streams<\/em>) e \u201cS\u00f3 Menina Linda\u201d (MC LUUKY, MC Bruno MS, Boladin 211, MC Neg\u00e3o Original, MC GH do 7, MC Daniel, DJ Japa NK, DJ Japa NK, MC Ryan SP &#8211; atualmente com 19 milh\u00f5es de<em>streams<\/em>). A men\u00e7\u00e3o honrosa fica para a participa\u00e7\u00e3o de Boladin em \u201cHoje N\u00e3o Vou Dormir na Mans\u00e3o\u201d, faixa do \u00e1lbum \u201cBad Boys\u201d dos cantores MC IG e MC Ryan SP, dois dos artistas mais bem-sucedidos do Brasil na cena do funk.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Levando em considera\u00e7\u00e3o m\u00fasicas solo e participa\u00e7\u00f5es, Boladin 211 realizou 26 lan\u00e7amentos no ano de 2024, que totalizaram cerca de 266 milh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es, apenas no Spotify. Isso representa um crescimento total de mais de 900% no n\u00famero de reprodu\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a 2023. \u00c9 ineg\u00e1vel que Boladin se tornou um \u00edcone do funk, gerando um grande impacto na cena e moldando uma nova sonoridade. Boladin \u00e9 refer\u00eancia para MC\u2019s de todo o Brasil, em especial do sul do pa\u00eds, uma regi\u00e3o onde existem poucas oportunidades e poucos artistas do g\u00eanero realmente despontam.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O impacto de Boladin 211 na cena do funk<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pode-se dizer que o funk j\u00e1 passou por diversas fases, com diversas sonoridades diferentes. Desde o funk com instrumentais de <em>miami bass<\/em><sup>[3]<\/sup> dos anos 2000 e os hits massivos do Furac\u00e3o 2000, passando pelos anos 2010 e a fase do funk ostenta\u00e7\u00e3o com MC Daleste, at\u00e9 chegarmos nos anos 2020, em que existem incont\u00e1veis sonoridades de funk distribu\u00eddas pelo pa\u00eds. Destacam-se subg\u00eaneros como o mandela<sup>[4]<\/sup>, o funk de BH (citado anteriormente quando falado sobre as colabora\u00e7\u00f5es de Boladin com MC Rick) e tamb\u00e9m o rave funk<sup>[5]<\/sup>, popularizado pelo produtor musical paulista DJ GBR.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, poucas sonoridades do funk fizeram tanto barulho como a onda recente do funk rasteiro. Essa inclusive, tamb\u00e9m fortemente popularizada por DJ GBR, com o projeto \u201cLet\u2019s Go\u201d. A m\u00fasica de funk mais tocada de 2023 foi \u201cLet\u2019s Go 4\u201d, que conta com mais de 320 milh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es no Spotify e que, assim como as outras edi\u00e7\u00f5es do projeto, re\u00fane diversos MC\u2019s em uma m\u00fasica de mais de 10 minutos que \u00e9 cantada, \u00e9 claro, em um instrumental de funk rasteiro. Al\u00e9m disso, a m\u00fasica de funk mais tocada no ano anterior tamb\u00e9m havia sido um funk rasteiro. \u201cCasei Com a Putaria\u201d, colabora\u00e7\u00e3o de MC Paiva ZS e MC Ryan SP, foi lan\u00e7ada em 1 de julho de 2022 e conta com mais de 280 milh\u00f5es de <em>plays<\/em> no Spotify.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Fato \u00e9 que, nesta d\u00e9cada, o funk rasteiro tem dominado completamente a cena, fazendo com que o tradicional funk 130BPM tenha, de certa forma, \u201cca\u00eddo no esquecimento\u201d. A explica\u00e7\u00e3o mais plaus\u00edvel para isso \u00e9 que o p\u00fablico talvez estivesse cansado de ouvir m\u00fasicas sempre no mesmo tempo e estivesse buscando algo diferente. Mas, assim como o funk rasteiro rapidamente tomou o lugar do funk 130BPM, ele tamb\u00e9m teve seu lugar tomado novamente em uma velocidade impressionante. E isso est\u00e1 diretamente relacionado ao sucesso de Boladin 211.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como percebido atrav\u00e9s da an\u00e1lise de sua discografia, a grande maioria das m\u00fasicas de Boladin \u00e9 justamente de funk 130BPM. Sua sonoridade \u00e9 marcada, principalmente, por timbragem de atabaque, algo que esteve presente desde os prim\u00f3rdios do funk e que representou o seu apogeu. O maior <em>hit<\/em> da hist\u00f3ria do funk, por exemplo, \u00e9 \u201cBum Bum Tam Tam\u201d, de MC Fioti (2015), que \u00e9 cantada em um instrumental de funk 130BPM com atabaque. A rela\u00e7\u00e3o do ouvinte com os instrumentos de tambor, como \u00e9 o caso do atabaque, \u00e9 explicada por Marcos Ferreira-Santos em sua obra \u201cO ancestral: entre o singular e o universal\u201d:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na dan\u00e7a, sobretudo, podemos perceber como estas rela\u00e7\u00f5es profundas se d\u00e3o de maneira concreta: o tambor \u00e9 o arqu\u00e9tipo do \u201ctum-tum\u201d ancestral do cora\u00e7\u00e3o, diz Milton Nascimento. Neste ritmo ancestral, tern\u00e1rio, card\u00edaco, se juntam outros instrumentos org\u00e2nicos (instrumentos ac\u00fasticos feitos com materiais naturais: madeira, couro, bambus, etc) e a percuss\u00e3o mais antiga: o bater das palmas das m\u00e3os e o bater dos p\u00e9s no ch\u00e3o. O di\u00e1logo \u00e9 do corpo com os outros corpos com quem dan\u00e7amos, e destes corpos todos, com o corpo da terra-m\u00e3e (FERREIRA-SANTOS, 2012, p. 7).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Outro ponto importante nesse aspecto, \u00e9 destacado por Camila Proto em sua obra \u201cTerrit\u00f3rios Resistentes: arte, som e sociedade.\u201d. A autora aborda a anonimidade e a tematiza\u00e7\u00e3o do comum transindividual na m\u00fasica como forma de gerar identifica\u00e7\u00e3o com o ouvinte, com base em conceitos de H\u00e9lio Oiticica:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para Oiticica, a anonimidade seria ent\u00e3o essa condi\u00e7\u00e3o \u201cuniversal\u201d de um comum apropriado, desse imagin\u00e1rio que comp\u00f5e a vista da sociedade, em um resgate espec\u00edfico do popular que atravesse a compartimenta\u00e7\u00e3o cultural hegem\u00f4nica. Qual maior anonimidade sen\u00e3o que a repeti\u00e7\u00e3o r\u00edtmica do grave explorada pelo funk que aciona o mais \u00edntimo das mem\u00f3rias coletivas? (PROTO, 2020, p. 117)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s o sucesso dos primeiros <em>hits<\/em> solo de Boladin e de suas colabora\u00e7\u00f5es \u201cSorriso no Rosto\u201d e \u201cSempre na Simplicidade\u201d, percebe-se uma enorme repopulariza\u00e7\u00e3o do funk 130BPM. Entre as m\u00fasicas de funk mais tocadas de 2024, grande parte s\u00e3o de funk 130BPM, enquanto o funk rasteiro pouco figurou entre as mais tocadas neste ano, o que vai totalmente na contram\u00e3o dos anos anteriores. \u201cTHE BOX MEDLEY FUNK 2\u201d (THE BOX, MC Brinquedo, MC Cebezinho, MC Tuto, MC Laranjinha, DJ Oreia) foi o funk mais tocado do ano, com 190 milh\u00f5es de streams no Spotify. A m\u00fasica mais tocada do Brasil no momento (dezembro de 2024), de acordo com a <a href=\"https:\/\/billboard.com.br\/billboard-brasil-hot-100\/\">Billboard Brasil<\/a>, \u00e9 \u201cBarbie\u201d de MC Tuto e DJ Glenner, que acumula mais de 100 milh\u00f5es de <em>streams<\/em>. Ambas s\u00e3o funks 130BPM.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante ressaltar que Boladin 211 n\u00e3o foi o \u00fanico respons\u00e1vel pela volta da popularidade do funk 130BPM, mas \u00e9 ineg\u00e1vel que o cantor porto-alegrense teve um papel fundamental nessa hist\u00f3ria. O funk 130BPM \u00e9 causa e consequ\u00eancia na carreira de Boladin: foi respons\u00e1vel pela ascens\u00e3o do cantor e tamb\u00e9m gerou um enorme impacto no funk e ajudou a moldar a cena atual do g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Os desafios dos MC\u2019s ga\u00fachos de funk e o \u201cdiferencial\u201d de Boladin 211<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Apesar do sucesso geracional de Boladin 211, \u00e9 importante levar em considera\u00e7\u00e3o que \u201cnem tudo foram flores\u201d na vida do cantor. Assim como a grande maioria dos grandes MC\u2019s de funk, Boladin vem de uma realidade muito dif\u00edcil, tendo crescido na Restinga, uma das zonas mais pobres e com maior \u00edndice de criminalidade de Porto Alegre. \u00c9 o bairro com maior ind\u00edce de homic\u00eddios dolosos da cidade e est\u00e1 entre os dez bairros com maior \u00edndice de tr\u00e1fico de drogas, segundo dados da <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/sites\/default\/files\/usu_img\/observapoa\/Livros\/mapa_da_seguranca.pdf\">Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio Grande do Sul (SSP\/RS)<\/a>. Esse foi o primeiro e, muito provavelmente, o maior desafio da carreira de Boladin: crescer em um ambiente tenso e perigoso e, mesmo assim, ter a disciplina para, atrav\u00e9s da m\u00fasica, buscar uma realidade melhor para si e para os que o rodeiam.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, ter nascido fora do eixo RJ-SP dificulta em n\u00edveis estratosf\u00e9ricos a ascens\u00e3o de artistas de qualquer g\u00eanero, e com o funk isso \u00e9 ainda mais intenso. Historicamente, a cena do funk sempre se concentrou no centro do pa\u00eds tendo, mais recentemente, crescido consideravelmente em outras regi\u00f5es do pa\u00eds, em especial em Minas Gerais. Assim, sempre foi muito complicado para que artistas de outros estados se consolidassem na cena do funk, justamente por ainda n\u00e3o existir uma cena bem desenvolvida nesses lugares e nem mesmo estrutura para que isso aconte\u00e7a. Somado a isso, tamb\u00e9m existe o fato de que o Rio Grande do Sul \u00e9 um estado historicamente muito conservador e elitista e isso pode ser observado atrav\u00e9s de sua cena musical. G\u00eaneros urbanos, como o funk e o rap, ainda s\u00e3o muito pouco aceitos na regi\u00e3o e isso faz com que seja muito dif\u00edcil que cantores ga\u00fachos desses estilos musicais estabele\u00e7am carreiras de sucesso. Antes de Boladin 211, um dos \u00fanicos cantores de funk a, de fato, atingir sucesso nacional, havia sido MC Meno K. Em dezembro de 2020, o artista lan\u00e7ou a can\u00e7\u00e3o \u201cCamisa do Gr\u00eamio\u201d (produzida por DJ Neeh, assim como grande parte dos <em>hits <\/em>de Boladin), que se popularizou muito ao redor do pa\u00eds e atingiu 21 milh\u00f5es de <em>plays<\/em> no Spotify. Apesar dos desafios da pandemia, Meno K conseguiu emplacar diversas m\u00fasicas de sucesso desde ent\u00e3o e se consolidou como um artista de sucesso nacional na cena do funk. Al\u00e9m de Meno K, outros cantores ga\u00fachos que obtiveram algum destaque na cena do funk foram MC Felipinho e MC Tchescko, o \u00faltimo sendo respons\u00e1vel pelo <em>hit <\/em>de funk ostenta\u00e7\u00e3o \u201c\u00c9 Bem Assim Que A Gente T\u00e1\u201d, que atingiu sucesso nacional no ano de 2013. Estes tr\u00eas artistas, inclusive, s\u00e3o citados como refer\u00eancias por Boladin em sua <a href=\"https:\/\/youtu.be\/EphzveJtnKA?si=Wzuatsxz18M6uJIq\">entrevista no canal do YouTube da Sobre Funk<\/a>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assim, \u00e9 importante ressaltar que MC Meno K, MC Tchescko e MC Felipinho abriram caminho e foram extremamente importantes para que Boladin 211 pudesse ascender na cena do funk. Mas o sucesso atingido por estes artistas, n\u00e3o foi t\u00e3o grande e t\u00e3o repentino quanto o de Boladin, gerando um questionamento de qual seria ent\u00e3o o \u201cdiferencial\u201d que fez Boladin se tornar t\u00e3o bem-sucedido em um per\u00edodo t\u00e3o curto de tempo. Existem muitas respostas para este questionamento mas, a grande maioria delas, gira em torno de uma \u00fanica coisa: identidade. Boladin 211 \u00e9, sem d\u00favidas, um cantor com muita identidade e muita personalidade e isso provavelmente \u00e9 seu principal diferencial em rela\u00e7\u00e3o a outros cantores ga\u00fachos do g\u00eanero. \u00c9 muito comum perceber artistas da regi\u00e3o utilizando vocabul\u00e1rio, express\u00f5es, g\u00edrias e moldes est\u00e9ticos do funk carioca ou paulista. MC Meno K, por exemplo, antes de lan\u00e7ar \u201cCamisa do Gr\u00eamio\u201d, j\u00e1 havia lan\u00e7ado uma m\u00fasica intitulada \u201cCamisa do Flamengo\u201d, can\u00e7\u00e3o que, al\u00e9m de ter uma tem\u00e1tica que gira ao redor do clube de futebol carioca, \u00e9 cantada em um instrumental de funk 150BPM (t\u00edpico do funk carioca) e conta com um sotaque ligeiramente similar ao sotaque carioca por parte de Meno K. De certa forma, n\u00e3o se pode dizer que os artistas em quest\u00e3o est\u00e3o equivocados em realizar tais pr\u00e1ticas, visto que, como relatado por Fabr\u00edcio Silveira em sua obra \u201cRupturas inst\u00e1veis: Entrar e sair da m\u00fasica pop\u201d, um dos principais fatores para a populariza\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica, seria o seu potencial de \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A \u201ccultura pop\u201d \u00e9\u00a0 global ou quer globalizar-se, urgentemente. Nem suas imagens, nem seus produtos se encerram com facilidade em geografias r\u00edgidas, n\u00e3o se prendem aos Estados-Na\u00e7\u00e3o modernamente constitu\u00eddos, mas instauram comunidades, gostos e repert\u00f3rios (potencialmente) transnacionais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, Boladin vai na exata contram\u00e3o desse conceito, produzindo uma sonoridade extremamente individual e com vocabul\u00e1rio e tem\u00e1ticas, em sua maior parte, propriamente caracter\u00edsticos do Rio Grande do Sul. O cantor n\u00e3o est\u00e1 preocupado em se adequar a uma cena pr\u00e9-existente e amplamente dominada por artistas do centro do pa\u00eds, mas sim em criar sua pr\u00f3pria cena e refletir sua pr\u00f3pria vis\u00e3o de mundo em suas m\u00fasicas. A centraliza\u00e7\u00e3o das produ\u00e7\u00f5es culturais como um todo no eixo RJ-SP, ainda \u00e9 algo muito predominante nos dias atuais e, artistas como Boladin, s\u00e3o extremamente importantes para a valoriza\u00e7\u00e3o e visibilidade da cultura dos extremos do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong>Atrav\u00e9s desta pesquisa, foi poss\u00edvel imergir e analisar a fundo a trajet\u00f3ria de Boladin 211, observando detalhadamente os pontos altos de sua carreira e os fatores que o levaram a se tornar o cantor mais bem sucedido da hist\u00f3ria do funk ga\u00facho. O sucesso de Boladin \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e um enfrentamento \u00e0 invisibiliza\u00e7\u00e3o de artistas de fora do centro do pa\u00eds. Exala a identidade e o orgulho cultural ga\u00facho, em especial dos movimentos perif\u00e9ricos do estado. O Rio Grande do Sul possui in\u00fameros artistas de muito talento, mas que n\u00e3o recebem a devida aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Apesar de tantas conquistas e tanto sucesso, Boladin ainda tem apenas 20 anos, sendo apenas 3 deles como cantor. Pode-se dizer que Bernardo Soares da Rosa ainda tem \u201cmuito ch\u00e3o pela frente\u201d e muito para alcan\u00e7ar. Nos resta apenas aguardar para ver o que o futuro reserva para a carreira de Boladin 211. Que Boladin continue a prosperar e a evidenciar cada vez mais o funk do Rio Grande do Sul, abrindo portas para que outros artistas da regi\u00e3o tamb\u00e9m possam mudar sua realidade atrav\u00e9s da m\u00fasica. E independente do que aconte\u00e7a, nunca nos esque\u00e7amos: o terror sempre \u201cvai t\u00e1 de volta\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">FERREIRA-SANTOS, M. O ancestral: entre o singular e o universal. In: AMARAL, M. Culturas Juvenis. S\u00e3o Paulo: no prelo, 2012.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">OITICICA, H. Aspiro ao grande labirinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1986.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">PROTO, C. Territ\u00f3rios Resistentes: arte, som e sociedade. In: Jos\u00e9 Cl\u00e1udio S. Castanheira; Dulce Mazer; Pedro Silva Marra; Marcelo Bergamin Conter; C\u00e1ssio de Borba Lucas; Mario Arruda. (Org.). Poderes do Som: Pol\u00edticas, escutas e identidades. 1ed. Florian\u00f3polis: Insular Livros, 2020.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">SILVEIRA, F. Rupturas insta\u0301veis: entrar e sair da mu\u0301sica pop. Porto Alegre: Libretos, 2013.<\/p>\n<p><sup>[1]<\/sup> Subg\u00eanero do funk que consiste em instrumentais mais lentos, entre 80BPM E 100BPM, provocando uma sonoridade pr\u00f3xima do samba e do ax\u00e9.<\/p>\n<p><sup>[2]<\/sup> G\u00edria originada na periferia da zona sul de Porto Alegre e usada como sin\u00f4nimo de \u201cmoleque\u201d ou \u201crapaz\u201d. Similar \u00e0 express\u00e3o \u201cguri\u201d, amplamente utilizada no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p><sup>[3]<\/sup> Subg\u00eanero de <em>hip-hop<\/em> desenvolvido em Miami, que consistia em instrumentais produzidos em sintetizadores de bateria, as \u201c<em>drum machines\u201d<\/em>.<\/p>\n<p><sup>[4]<\/sup> Subg\u00eanero paulista de funk, que consiste em tem\u00e1ticas mais pesadas e instrumentais mais agressivos, geralmente com timbragem de berimbau.<\/p>\n<p><sup>[5]<\/sup> Subg\u00eanero que mistura elementos de funk e <em>techno<\/em>.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Texto realizado como atividade final para a disciplina Semin\u00e1rio de Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o, Ministrada pelo Prof. Marcelo Bergamin Conter. Publicada na edi\u00e7\u00e3o #1 da revista digital Make Fabico Weird Again.<\/em><em><br \/>\nFaculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o (Fabico), UFRGS, dezembro de 2024.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Make Fabico Weird Again #1 por Kaian Borba de Lima Boladin 211 \u00e9 um cantor ga\u00facho de funk que vem conquistando ampla notoriedade no g\u00eanero, ultrapassando a marca de 5 milh\u00f5es de ouvintes mensais no Spotify (dezembro de 2024). Acumulando &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/04\/09\/o-terror-vai-ta-de-volta-como-boladin-211-colocou-o-funk-gaucho-em-evidencia\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[519],"tags":[],"class_list":["post-1268","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-make-fabico-weird-again"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1268"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1268\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1409,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1268\/revisions\/1409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}