{"id":1288,"date":"2025-04-09T12:50:00","date_gmt":"2025-04-09T15:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/?p=1288"},"modified":"2025-04-09T12:50:00","modified_gmt":"2025-04-09T15:50:00","slug":"identidade-ritmada-de-festa-a-baile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/04\/09\/identidade-ritmada-de-festa-a-baile\/","title":{"rendered":"IDENTIDADE RITMADA \u2500\u2500 \u2726 de festa a baile"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Make Fabico Weird Again #1\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">por Larissa Lima da Silva<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa entrevista \u00e9 fruto da intera\u00e7\u00e3o de um dia acompanhando a rotina de uma DJ em Porto Alegre. A DJ Elle P[1] e eu, Larissa Lima, fot\u00f3grafa e estudante da disciplina de Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura, ministrada por Marcelo Conter \u2014 disciplina essa que motivou a ideia deste rico encontro.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1331\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/@larissalima.ph-dj-elle-p-.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"293\" \/><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>foto: dj elle p at festival chisme x @larissalima.ph<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desejo que voc\u00ea leitor seja atravessado por esse di\u00e1logo rico de intimidades e viv\u00eancias compartilhadas entre duas mulheres negras. Caracter\u00edstica essa que notei ser exce\u00e7\u00e3o no momento em que conduzia nosso di\u00e1logo, naquele espa\u00e7o majoritariamente branco que ocup\u00e1vamos, com nossos corpos, intelig\u00eancias e tecnologias por n\u00f3s dominadas[2]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2014 sejam as pickups por Elle P ou a c\u00e2mera e o intelecto acad\u00eamico por mim. Al\u00e9m disso, est\u00e1vamos conscientes de que nossas presen\u00e7as, por si s\u00f3, j\u00e1 diziam muito, antes mesmo das palavras a seguir serem pronunciadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conheci a DJ Elle P enquanto curtia um t\u00edpico s\u00e1bado com amigas no bar El Aguante[3]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, meses depois, chamei-a com a proposta: &#8220;Me d\u00e1 a honra de uma entrevista?!&#8221;. Foram alguns dias at\u00e9 receber uma mensagem dela me chamando para fotografar um set no Festival Chisme. Foi nesse quase causal duplo &#8220;sim&#8221; que, entre um set e outro, conversamos, passamos o dia e terminamos a noite. Ao todo, foram 12 horas na companhia uma da outra. Elle, que bom o nosso encontro. Vida longa \u00e0 nossa conex\u00e3o!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essencialmente, desejo que o leitor parta deste ponto crucial: a m\u00fasica, que me apresentou \u00e0 nossa DJ, esteve presente durante todo o dia, nas 12 horas que passamos juntas, seja como elemento principal ou como trilha sonora ao fundo. Seja pelo festival, r\u00e1dio de Uber, bar, casa noturna ou o setz\u00e3o sincero de funk sinistro ritmado pelo DJ Jorginho[4]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, seguido de um B2B Elle P + Faylon[5]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> que encerrou nossa noite com muita classe. Fa\u00e7o quest\u00e3o de cit\u00e1-los, uma vez que sou tamb\u00e9m apaixonada pelo set desses caras desde que os conhe\u00e7o de outros rol\u00eas, e tamb\u00e9m eram op\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis para este estudo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Digo isso para que, junto a mim, voc\u00ea perceba que toda experi\u00eancia de vida se relaciona \u00e0 m\u00fasica que ouvimos, que preferimos, e que a influ\u00eancia de tantos fatores transversais levam nossa DJ e tantos outros a alcan\u00e7arem os resultados que alcan\u00e7am no seu som.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Poeticamente, vejo algo dentro deles que forma sua pr\u00f3pria frequ\u00eancia interna. Essa frequ\u00eancia passa de sua alma e atravessa a ponta de seus dedos, por fim eletrocutando todo o ambiente e nos atingindo. \u00c9 assim que me sinto vendo Elle P, Jorginho e Faylon em todos os seus \u00e2ngulos \u2014 do palco, ao seu lado ou da plateia \u2014 mandando suas energias, que encontram aqueles que vibram na mesma frequ\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1335\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/@larissalima.ph-dj-jorginho-dj-faylon-Pito-.png\" alt=\"\" width=\"511\" height=\"287\" \/><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>foto: tocando o terror x @larissalima.ph<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O dia foi 30\/11\/24, e o programado era: \u00e0s 16h, set no Festival Chisme[6]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, que aconteceu no Jockey Club (local onde gravamos essa conversa); \u00e0s 23h, set no Atlanta[7]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">; e \u00e0s 2h, set B2B na festa de anivers\u00e1rio de 2 anos do Pito[8]<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, que rolou na quadra da escola de samba Fidalgos e Aristocratas. Alguns trechos dessa conversa\/entrevista foram rasurados para manter os limites estabelecidos por mim e em respeito \u00e0 minha entrevistada e aos estabelecimentos, por acaso, citados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, a proposta deste texto tamb\u00e9m \u00e9 tornar p\u00fablica a voz de duas mulheres negras \u2014 entrevistadora e entrevistada \u2014 com foco na entrevistada, que compartilhou suas viv\u00eancias com detalhes que emergiram dessa experi\u00eancia de troca quase que antropol\u00f3gica entre n\u00f3s. Nesse sentido, reafirmo nossas identidades com a certeza do valor de identifica\u00e7\u00e3o para outras\/es\/os como n\u00f3s. Por fim, encho os rodap\u00e9s de caminhos para que nossas refer\u00eancias sejam por voc\u00ea tamb\u00e9m acessadas.<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Que a conversa comece.<\/span><\/em><\/p>\n<p><b>Elle P:\u00a0<\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">(\u2026) Para mim, era muito distante. Eu morava no morro, n\u00e3o tinha independ\u00eancia financeira e ainda era menor de 18 anos. Hoje tenho 21, mas, na \u00e9poca, eu tinha uns 16 ou 17. Al\u00e9m disso, eles demoraram um pouco para come\u00e7ar o projeto da Natura Musical[9]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">, porque eu precisava ter 18 anos para participar. Eu ia fazer 18 em agosto e o projeto come\u00e7ava em julho, ent\u00e3o esperaram um pouco para que eu pudesse participar.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Larissa: T\u00e1, e a\u00ed voc\u00ea entrou na oficina?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>Elle P:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, eram workshops. Teve os workshops de discotecagem, e foi l\u00e1 que comecei a tocar e aprender. Claro, at\u00e9 hoje continuo aprendendo, mas aquele foi meu primeiro contato real com a discotecagem.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>Larissa: E da\u00ed eles esperaram para voc\u00ea tocar no Natura?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>Elle P:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o, o projeto Feijoada Turmalina[10]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"> foi financiado pelo Natura Musical. Eles foram selecionados e fizeram o projeto. Era uma oficina de discotecagem, mas tamb\u00e9m tinha produ\u00e7\u00e3o musical, marketing, gest\u00e3o de carreira e v\u00e1rias outras coisas que agora n\u00e3o lembro bem. Foi muito massa na \u00e9poca.\u00a0\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>Larissa: Como voc\u00ea ficou sabendo? Foi pela internet?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>Elle P:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, foi pela internet, acho que atrav\u00e9s deles e pela Suelen. Ela fazia parte desse coletivo e agora est\u00e1 em S\u00e3o Paulo. Voc\u00ea conhece a Suelen Mesmo[11]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">?\u00a0\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Conhe\u00e7o, n\u00e3o pessoalmente, mas j\u00e1 presenciei um set dela\u2026 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Ela \u00e9 minha maior refer\u00eancia como DJ. Foi um pouco por causa dela que comecei a tocar. Sempre quis, desde pequena, mas achava que isso era coisa s\u00f3 para homens ou para quem j\u00e1 tinha muita estrutura. Quando era pequena, eu dizia que seria &#8216;o&#8217; DJ Elle P da 23 (risos). Coitada, muita loucura, n\u00e9? (risos) \u00c9 engra\u00e7ado lembrar disso. Depois, um ano depois de come\u00e7ar a tocar, descobri que meu av\u00f4 tamb\u00e9m era DJ. Ele faleceu antes de eu nascer. Eu n\u00e3o sabia disso. S\u00f3 depois descobri que ele tamb\u00e9m era DJ e tocava em festas. Ele n\u00e3o tinha nome art\u00edstico nem nada, mas tocava em festas de Black Music, o que era muito legal. Descobrir isso foi incr\u00edvel, porque eu nunca soube antes. N\u00e3o foi algo que pensei, tipo: &#8216;Vou seguir os passos do meu av\u00f4&#8217;, porque eu nem sabia disso.\u00a0\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Como tu ficou sabendo? Isso veio \u00e0 tona depois?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, minha m\u00e3e e minha av\u00f3 come\u00e7aram a comentar. Minha m\u00e3e disse: &#8216;Ah, teu av\u00f4 tamb\u00e9m tocava!&#8217; Foi quando ela come\u00e7ou a perceber que eu estava levando a s\u00e9rio e que estava dando certo. Da\u00ed come\u00e7aram a falar mais sobre isso. Ele tinha muitos discos e tamb\u00e9m o toca-discos. Volta e meia, minha m\u00e3e me v\u00ea tocando ou estamos ouvindo m\u00fasica juntas, e ela comenta: &#8216;Ah, teu av\u00f4 tocava muito essa m\u00fasica&#8217;. Foi assim que descobri. Mas o que realmente me fez come\u00e7ar foi a Suelen e o projeto do Turmalina[12]<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>L: E, desde quando voc\u00ea come\u00e7ou at\u00e9 agora, voc\u00ea sente uma presen\u00e7a feminina mais forte nas lines?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, acho que sempre teve. Eu comecei h\u00e1 apenas dois anos, vou fazer tr\u00eas no ano que vem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (2025)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">, mas j\u00e1 tinham muitas mulheres na cena h\u00e1 10, 15 anos ou mais. O problema \u00e9 que isso n\u00e3o chega muito at\u00e9 n\u00f3s, porque os DJs mais divulgados s\u00e3o sempre os homens, como o Alok, o Pedro Sampaio, o Dennis DJ&#8230; Esses s\u00e3o os nomes do mainstream, mas sempre existiram muitas mulheres incr\u00edveis que eu n\u00e3o conhecia. Minha primeira refer\u00eancia foi a Suelen, que, inclusive, \u00e9 da Restinga, o mesmo bairro onde minha m\u00e3e nasceu. Isso me fez ver que era poss\u00edvel. Hoje, ela mora em S\u00e3o Paulo, mas \u00e9 daqui, cresceu e tocou aqui antes de ir para l\u00e1. Agora est\u00e1 trabalhando e morando l\u00e1. Enfim, aprendi muito com eles <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(Turmalina)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">. Depois de um tempo, esse ano, eles me chamaram para fazer parte do coletivo, mas isso levou um tempo. N\u00e3o era algo planejado ou esperado, porque fazer o workshop com eles n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00e3o direta com fazer parte do coletivo. Mas sempre tivemos muito carinho uns pelos outros, eu j\u00e1 dizia que era meu coletivo. Eles reconhecem o meu trabalho, e eu tamb\u00e9m admiro muito o deles. Fiquei muito feliz de verdade, foi um presente enorme. Eu sempre quis fazer parte desse coletivo, queria ser como eles desde o come\u00e7o. \u00c9 algo muito especial para mim. Claro, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque s\u00e3o muitas pessoas envolvidas, o que \u00e0s vezes gera desentendimentos, mas faz parte.<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: E al\u00e9m da Suelen, tem mais alguma DJ que voc\u00ea acompanha e que te inspira?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, v\u00e1rias! Tem a DJ Ray[13]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">, que \u00e9 de S\u00e3o Paulo. Ela toca um funkz\u00e3o porrad\u00e3o, \u00e9 incr\u00edvel, uma pretinha assim e ela \u00e9 DJ da J\u00falia Costa[14]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"> tamb\u00e9m. Eu tenho muita refer\u00eancia no rap, porque eu era rapper[15]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"> antes. Parei de cantar quando comecei a discotecar, porque acabei me dedicando mais a isso. Al\u00e9m disso, eu j\u00e1 estava meio cansada e travada com o rap.\u00a0\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Tu acha que as pessoas pr\u00f3ximas a ti s\u00e3o importantes para dar esse ar de que, tipo, \u00e9 poss\u00edvel? Mais do que ver s\u00f3 gente de fora, de longe?<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Sim, muito mais do que DJs internacionais. Eu gosto de algumas DJs internacionais, mas n\u00e3o tenho por nenhuma delas tanta admira\u00e7\u00e3o, carinho ou inspira\u00e7\u00e3o quanto tenho pela Su, pela DJ Ray e por outras DJs daqui, sabe? Ent\u00e3o, acho que me inspiro muito mais nas pessoas de perto. \u00c9 aquela coisa de ver que eu tamb\u00e9m posso ir longe, tanto quanto elas, ou at\u00e9 mais. Gosto de observar de onde essas pessoas vieram, quem \u00e9 parecida comigo, porque as viv\u00eancias de outros pa\u00edses s\u00e3o muito diferentes. Apesar de, \u00e0s vezes, parecerem semelhantes, a realidade \u00e9 outra. N\u00e3o me conecto muito com a cultura dos DJs l\u00e1 de fora. Acho que eles vivem bebendo das nossas coisas tamb\u00e9m, sabe? Tocam funk de anos atr\u00e1s e acham que est\u00e3o fazendo algo super inovador.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Eu tenho muita refer\u00eancia no funk de S\u00e3o Paulo, desde pequena. Mas, no geral, minhas maiores refer\u00eancias musicais s\u00e3o o samba, o rap e o funk. Cresci ouvindo esses tr\u00eas estilos. O rap veio mais por mim mesma, durante a adolesc\u00eancia e atrav\u00e9s dos meus amigos. J\u00e1 o samba e o funk vieram da minha fam\u00edlia, principalmente das minhas primas. Tem muitos funks que eu amo. Toco Mc Beyonc\u00e9, a Ludmilla, que eu amo demais. S\u00e3o m\u00fasicas que eu ouvia desde pequena, sabe? Muitas coisas que marcaram minha inf\u00e2ncia, at\u00e9 aquelas que eu n\u00e3o podia ouvir, que ouvia escondida da minha m\u00e3e. Agora eu toco esses funks nos meus sets.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sabe que tinha uma r\u00e1dio aqui perto, a Eldorado? Tinha o Bonde da Eldorado, e eu ficava ouvindo funk na minha caixinha que minha bisav\u00f3 me deu. Tem v\u00e1rias hist\u00f3rias assim, sabe? E isso tudo reflete no meu set. N\u00e3o importa o g\u00eanero: se for reggaeton, house, qualquer coisa, sempre vai ter um vocal de funk, um vocal de rap. N\u00e3o porque eu me obrigo, mas porque as minhas pesquisas e os sons que consumo naturalmente acabam sendo assim. Ontem mesmo fui no Expofavela, e a Negra Li[16] estava l\u00e1. Ela n\u00e3o cantou, fez uma palestra, mas fiquei muito emocionada. Meus olhos ficavam lacrimejando o tempo todo, sabe? Foi incr\u00edvel. A Negra Li sempre foi uma refer\u00eancia pra mim. Eu n\u00e3o cantava antes, mas lembro que meu pai me chamava de &#8220;minha Negra Li&#8221;. Acho que, pra ele, ela era a refer\u00eancia que ele tinha de uma mulher negra forte. Ele queria que eu me inspirasse. Minha m\u00e3e sempre me apoiou, dizia que eu era bonita, mas meu pai trazia essas refer\u00eancias de um jeito diferente, sabe? Como a Negra Li.<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: E a Negra Li \u00e9 t\u00e3o importante quanto, sei l\u00e1\u2026 o Mano Brown<\/strong>[17].<strong> Eles eram da mesma galera, cresceram juntos, n\u00e9&#8230;\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b><i>E:<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Sim, total. Eles furaram muitas bolhas. Eu gosto muito de Ant\u00f4nia[18]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">. Eu era pequena quando o filme saiu, mas assisti depois e vi tamb\u00e9m a s\u00e9rie toda. Inclusive, tem uma parte de uma m\u00fasica minha, acho que \u00e9 Jordan[19]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">, onde menciono Ant\u00f4nia. Me inspirei muito e me vi ali.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: E quando voc\u00ea vai escolher as m\u00fasicas para tocar, o p\u00fablico influencia nas escolhas? Como \u00e9 o processo? Tipo, hoje voc\u00ea tem tr\u00eas sets diferentes. O p\u00fablico dos dois \u00faltimos talvez sejam mais parecidos, mas o primeiro talvez n\u00e3o fosse\u2026\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, bastante. O p\u00fablico influencia muito na escolha das m\u00fasicas. Por exemplo, no Rap in Cena, no primeiro set, eu preparei as m\u00fasicas em casa, porque n\u00e3o tinha como organizar l\u00e1. Gostei muito, mas o segundo set foi muito mais improvisado e por isso mais certeiro, porque j\u00e1 estava no festival, observando a vibe de quem estava l\u00e1. Quando uso o computador, tenho mais liberdade para improvisar e testar m\u00fasicas na hora conforme olho o p\u00fablico e percebo como eles est\u00e3o. J\u00e1 em eventos que uso o CTJ, onde preciso entregar a playlist antes, isso \u00e9 mais limitado. Mesmo assim, improviso na ordem e escolho as m\u00fasicas que fazem mais sentido no momento. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1337\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/dj-elle-p-festival-chisme-@larissalima.ph_.png\" alt=\"\" width=\"511\" height=\"293\" \/><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>foto: talento e beleza x @larissalima.ph<\/em><\/p>\n<p><strong>L: Tu curte mais um freestyle ou quando j\u00e1 est\u00e1 com o set passadinho na cabe\u00e7a?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Gosto mais do freestyle. Raramente consigo seguir um set planejado. J\u00e1 tentei fazer algo na ordem pr\u00e9- montada, mas percebi que n\u00e3o funcionava bem no momento, porque tinha pensado em uma coisa que era subindo, acelerando e eu ainda estava no come\u00e7o. Prefiro ajustar na hora, de acordo com a energia do p\u00fablico e o clima do evento. Mesmo para festival grande porque tu nunca sabe o que vai acontecer, ent\u00e3o eu vou pensando muito na vibe que quero criar, no hor\u00e1rio do dia, e observo o p\u00fablico. Ao mesmo tempo que o DJ observa a vibe, ele tamb\u00e9m \u00e9 um gestor de vibe, n\u00e9? D\u00e1 pra ti mudar a vibe do neg\u00f3cio, se eu botar uma m\u00fasica muito ruim do nada vou baixar a vibe, mas se botar uma m\u00fasica boa, um funkz\u00e3o, da\u00ed depende\u2026\u00a0\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Ent\u00e3o, quando um DJ coloca uma m\u00fasica meio \u201cque m\u00fasica \u00e9 essa, p0##4?!\u201d \u00e9 proposital para dar uma baixada na galera?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0s vezes, sim, \u00e0s vezes, n\u00e3o. Tem m\u00fasicas que eu achava que iam bater muito bem, mas dependendo do lugar ou do equipamento, elas n\u00e3o bateram como deveriam. J\u00e1 aconteceu de parecer que a m\u00fasica estava baixa ou ruim, mas era por causa do equipamento. Isso pode prejudicar o set, parece que o DJ est\u00e1 com as m\u00fasicas ruins, mas n\u00e3o \u00e9. Mas depende. Depende muito do lugar, do dia e tamb\u00e9m da cabe\u00e7a da pessoa. \u00c0s vezes, tu t\u00e1 mais de boa, vai tocar e arrasa. Mas tem dia que tu n\u00e3o t\u00e1 muito bem e fica tipo: &#8216;Pelo amor de Deus, t\u00e1 dando tudo errado!&#8217; No come\u00e7o, eu era muito assim. Por exemplo, hoje eu estava animada para tocar, mas foi dif\u00edcil no in\u00edcio porque estava muito quente, eu n\u00e3o conseguia enxergar direito, e meu cabelo ca\u00eda no rosto o tempo todo. S\u00e3o coisas imprevis\u00edveis, sabe? Tu vai lidando, mas \u00e9 dif\u00edcil. D\u00e1 pra planejar antes, mas tem rol\u00eas que s\u00e3o mais espont\u00e2neos. Quando vou tocar em bar, por exemplo, \u00e9 bem mais tranquilo. Eu penso no que quero tocar, mas \u00e9 muito mais de boa, porque o bar \u00e9 super espont\u00e2neo. Eu posso misturar um milh\u00e3o de coisas. N\u00e3o que nos outros eventos eu n\u00e3o possa misturar, mas no bar eu fa\u00e7o isso de forma mais livre. \u00c0s vezes come\u00e7o com um afrobeat, um rap ou um R&amp;B e termino no funkz\u00e3o. Fico mais dentro disso, sabe? N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente, mas vou passando por reggaeton, reggae e um monte de coisas. \u00c9 bem mais solto, bem mais livre, principalmente em eventos abertos, comparado com festas fechadas.<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: O primeiro set que vi teu foi no El Aguante, e foi bem assim, freestyle.\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e9rio? El Aguante era meu bar preferido para tocar. \u00c9 uma pena que n\u00e3o podemos mais tocar l\u00e1.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>L: \u00c9 complicado com essas leis, n\u00e9?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, tem muita burocracia que atrapalha. No El Aguante, eu amava tocar, n\u00e3o s\u00f3 pelo p\u00fablico, mas tamb\u00e9m pela equipe. Sempre foi um lugar muito especial para mim. Uma vez, fui l\u00e1 depois que pararam de ter eventos e me peguei olhando para o cantinho onde eu tocava. Chorei, porque era muito massa. A vibe era \u00fanica.<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400;\">O p\u00fablico dali, tipo era muito massa\u2026 n\u00e3o s\u00f3 o p\u00fablico n\u00e9, a equipe deles tamb\u00e9m, porque tamb\u00e9m tem isso, de tu chegar nos lugares e tu n\u00e3o ter uma pessoa do lado para resolver algo, se precisar.<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Essa burocracia com as leis e o governo meio que empacando, impacta o trabalho de voc\u00eas, n\u00e9? Seja o teu ou o do bar, porque querendo ou n\u00e3o ia um p\u00fablico bom pela m\u00fasica. Eu conheci o Fayllon assim tamb\u00e9m\u2026 em Porto vou muito pelo DJ e caso eu esteja em um rol\u00ea que curti o som, come\u00e7o a acompanhar a agenda de quem tocou.<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, chama mais p\u00fablico. Eu tamb\u00e9m sou assim de ir pelo DJ, tenho pavor de quem vai no rol\u00ea sem saber nada do que vai tocar e ainda pede m\u00fasica que n\u00e3o faz sentido. \u00c9 bom ir tamb\u00e9m sem saber, mas tipo, pedir pop em uma festa de rap? Como assim?! Tu acha mesmo que eu vou tocar \u2018xxxx\u2019? Fi, eu n\u00e3o tenho isso, n\u00e3o toco.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">E sim, impacta<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400;\">muito! E tamb\u00e9m tem os lugares com problemas de estrutura. J\u00e1 toquei em lugares onde as tomadas eram prec\u00e1rias, fios desencapados&#8230; Alguns lugares at\u00e9 tem grana mas os donos acabam enrolando e precarizando as coisas, d\u00e1 medo de acontecer algo s\u00e9rio. Uma vez, na xxxx na CB, quando fechou, fechou comigo, eu que tava tocando quando fechou por causa desses neg\u00f3cios de leis. Eu estava tocando acho que uma meia hora, o policial chegou, botou a m\u00e3o na minha mesa e falou \u2018Pode parar de tocar, guarda tuas coisas que n\u00e3o vai mais ter som\u2019, algo assim. Foi muito tenso, uma experi\u00eancia muito violenta pra mim, emocionalmente falando. Depois disso, fiquei muito alerta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edcia nos eventos. Sempre ficava de olho para ver se eles estavam chegando. Isso melhorou um pouco agora, mas ainda acontece. Ali no El Aguante mesmo come\u00e7ou a terminar mais cedo, ou eles pediam para abaixar o som tamb\u00e9m\u2026 agora no Apezito que tem o pagode na CB a prefeitura anda incomodando\u2026 \u00c9 muito frustrante quando estamos em um evento, tudo indo bem, e tem que acabar ou abaixar os som por causa da prefeitura, sabe?! Isso desanima o p\u00fablico e os artistas. J\u00e1 vi isso acontecer em v\u00e1rios rol\u00eas por causa da prefeitura. Eles incomodam os eventos culturais, mas depois querem usar jingles de carnaval e samba para se promover. \u00c9 hipocrisia.<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Nossa e tava enchendo l\u00e1\u2026 isso meio que mata a noite da cidade e o que era para ser um rolez\u00e3o da galera, acaba indo para lugares fechados que tem ingresso para entrar e tal\u2026\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b><i>E:<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Exatamente. Esses espa\u00e7os s\u00e3o hist\u00f3ricos, fazem parte da identidade cultural da cidade. Quando as pessoas se mudam para uma \u00e1rea bo\u00eamia, elas sabem disso. Outro dia estava conversando sobre isso com minha m\u00e3e, ela tem 47 (anos) e disse que quando era crian\u00e7a a CB j\u00e1 era uma zona bo\u00eamia, ent\u00e3o \u00e9 triste ver a noite da cidade morrer por causa dessas restri\u00e7\u00f5es.<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: E tu toca mais em lugares que s\u00e3o fechados ou j\u00e1 tocou alguma vez em festas abertas, tipo baile, alguma coisa assim, como o Arrua\u00e7a<\/strong>[20]<strong> ou o Baile da Tuka<\/strong>[21]<strong>? Pegou alguma fase dessas?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>E:<\/strong> Acho que tocar na rua, em festas assim, \u00e9 uma experi\u00eancia incr\u00edvel. J\u00e1 toquei, no after da Plano. Em umas feirinhas, mas ainda n\u00e3o fiz uma festona de rua. Isso \u00e9 algo que quero muito, porque combina muito comigo. At\u00e9 tem uma m\u00fasica minha, &#8220;Progresso, Paz e Baile&#8221;[22]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">, que a capa[23]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 eu dan\u00e7ando na rua, no Arrua\u00e7a! Naquela \u00e9poca, eu estava come\u00e7ando como DJ e achei que fazia todo sentido com a vibe da m\u00fasica. O Arrua\u00e7a \u00e9, pra mim, a festa de rua mais f*da que a gente tem. \u00c9 a que mais enche, mais atrai gente.. \u00c9 um lugar onde quero muito tocar. A experi\u00eancia de tocar na rua \u00e9 algo que eu valorizo muito. Tamb\u00e9m j\u00e1 toquei numa festa de rua do Turmalina, no Sarandi, logo ap\u00f3s as enchentes. Foi um dos bairros mais afetados. Foi uma festa pequena, porque \u00e9 um lugar descentralizado e o pessoal daqui n\u00e3o gosta de ir a eventos fora do Centro ou da Cidade Baixa. Se n\u00e3o for na \u00e1rea deles, eles n\u00e3o v\u00e3o. A gente que mora longe, vai, mas eles n\u00e3o.\u00a0 N\u00e3o tinha muita gente, mas foi muito especial. Quando \u00e9 um evento aberto ou algo de gra\u00e7a, como quando toquei na rua no Gas\u00f4metro, \u00e9 outra vibe. Teve uma vez que toquei na Savannah[24]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">, l\u00e1 na Usina do Gas\u00f4metro, bem no meio da rua. Foi um rol\u00ea muito massa, diferente, sabe? \u00c9 outra energia. Eu sinto uma conex\u00e3o muito mais verdadeira, porque as pessoas v\u00e3o chegando e come\u00e7am a dan\u00e7ar.\u00a0\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Eu ia te perguntar isso. Voc\u00ea sente diferen\u00e7a entre festas na rua e festas privadas, em lugares fechados?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><b><i>E:<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Eu sinto, com certeza. Sei l\u00e1&#8230; Nas festas fechadas, as pessoas pagam para estar ali, mas ficam mais se segurando para dan\u00e7ar. Ou at\u00e9 dan\u00e7am, mas, dependendo da vibe, s\u00f3 com as m\u00fasicas mais conhecidas. N\u00e3o sei, \u00e9 diferente.\u00a0\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Quando \u00e9 na rua, a galera se solta mais?<\/strong><\/p>\n<p><b><i>E:<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Sim, com certeza. Mesmo quando n\u00e3o \u00e9 m\u00fasica que eles conhecem, sabe? Eu fiquei muito feliz de tocar ali (no palco do Festival Chisme), porque \u00e9 mais aberto. Foi parecido com o que rolou no Rap In Cena. No palco da Bronx, por exemplo, que era maiorzinho, a vibe foi muito boa. E foi na parte de fora tamb\u00e9m. No ano passado, o evento foi em um espa\u00e7o fechado, e a energia foi bem diferente, mais introspectiva.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 na rua, a vibe \u00e9 bem mais leve, sabe? As pessoas v\u00e3o passando, param para olhar, entram no clima, ou j\u00e1 est\u00e3o ali e aproveitam. Tem muita diferen\u00e7a. Eu gosto de tocar em festas na rua. D\u00e1 para respirar melhor, n\u00e3o \u00e9 aquele ambiente todo fechado. N\u00e3o sei explicar direito&#8230; \u00c9 outra energia, sabe? Eu amo muito, muito mesmo.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">(&#8230;)<\/span><\/i><\/p>\n<p>___<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante a conversa, acabamos desviando um pouco do tema central quando falei sobre meu trabalho como fot\u00f3grafa. Comentei como gosto de capturar a ess\u00eancia das pessoas de forma espont\u00e2nea, especialmente em fotos documentais, sem poses for\u00e7adas. A DJ comentou sobre como se via de forma negativa, at\u00e9 perceber que o problema muitas vezes n\u00e3o era ela, mas a forma como era fotografada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso nos levou a falar sobre como a fotografia tem uma hist\u00f3ria racista. Ela mencionou os filtros usados antigamente, que embranqueciam a pele das pessoas negras, distorciam sua imagem e contribu\u00edam para a falta de representatividade. Disse que, hoje, ainda percebe essas quest\u00f5es em equipamentos e edi\u00e7\u00f5es, mas que \u00e9 importante encontrar profissionais que valorizem as pessoas como elas s\u00e3o. Eu compartilhei como, na minha fotografia, eu entendo que ser\u00e1 retratada a forma como enxergo a pessoa, por isso valorizo a co-cria\u00e7\u00e3o, especialmente com artistas que admiro e que me inspiram. Essa troca faz o resultado ser aut\u00eantico e verdadeiro, refletindo minha vis\u00e3o fotogr\u00e1fica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A conversa naturalmente voltou \u00e0 pauta central quando falamos sobre como a fotografia, assim como a m\u00fasica, reflete quest\u00f5es de ra\u00e7a, classe e g\u00eanero. Comentei que a fotografia ainda \u00e9 muito elitizada, dominada por homens brancos com acesso a equipamentos caros, o que refor\u00e7a desigualdades e estere\u00f3tipos. Disse como estar presente no ambiente que est\u00e1vamos, nesse contexto, era algo pol\u00edtico para mim e para ela, porque ocupar esses espa\u00e7os importa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela concordou, conectando isso \u00e0s lines de DJs. Comentou que, mesmo em uma line latina como a do evento em que est\u00e1vamos, ainda deveria haver muito mais presen\u00e7a de pessoas negras. Esse paralelo entre fotografia e m\u00fasica destacou como a luta por representatividade e espa\u00e7os \u00e9 transversal influindo por diferentes \u00e1reas culturais em suas formas de criar e vivenciar a leitura do mundo.<\/span><\/p>\n<p>___<\/p>\n<p><strong>L: (&#8230;) Enfim&#8230; s\u00e3o lugares que, querendo ou n\u00e3o, a gente ainda est\u00e1 lutando para conseguir espa\u00e7o e ocupar, e isso influencia muito em como somos recebidos nesses lugares.<\/strong><\/p>\n<p><b>E:<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, v\u00e1rias vezes chego e as pessoas n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed para me ajudar a montar os equipamentos ou fazer as coisas. Mas agora tenho pegado uns bons. Tem uma galera que pede m\u00fasica, mas pede de forma mal-educada. Teve um set semana passada, ou retrasada, que fui tocar, eu estava animada, porque sabia que ia ser funk, e funk \u00e9 tranquilo. Mas eles queriam s\u00f3 funk de 2017, tudo preso no tempo. Eu gosto bastante tamb\u00e9m e o pessoal adora tocar nas festas, mas o tempo todo isso? Ou s\u00f3 as m\u00fasicas do momento. Da\u00ed tem umas coisas que s\u00e3o legais, mas outras s\u00e3o bem chatas. E ainda pediram Taylor Swift, com uns pedidos malucos assim, na hora. Tipo, ouve em casa, sei l\u00e1&#8230; Aquelas m\u00fasicas antigas dela, quando furava a bolha, s\u00e3o legais, mas agora, mesmo que eu gostasse, n\u00e3o combina com a vibe que estou tocando. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Eu n\u00e3o toco s\u00f3 artistas negros tamb\u00e9m, toco de tudo, geralmente artistas perif\u00e9ricos.<\/span><\/p>\n<p><strong>L: Tu faz esse recorte quando t\u00e1 escolhendo quem vai tocar? Tem um filtro assim, tipo: &#8220;Vou tocar s\u00f3 artistas tal&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><b><i>E:<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Sim, mas tamb\u00e9m n\u00e3o excluo ningu\u00e9m. Se eu gostar da m\u00fasica e ela for boa, eu toco, independente de quem seja o artista. Mas isso n\u00e3o foi sempre assim. Quando eu era adolescente, eu escutava muito Camila Cabello, ela era minha cantora favorita na \u00e9poca. Eu ouvia muito pop, e n\u00e3o tenho problema nenhum com isso, mas n\u00e3o consumia tanto m\u00fasica brasileira, principalmente rap, ou qualquer coisa daqui. Isso foi um problema que depois eu comecei a perceber. Eu tinha o cabelo crespo quando era pequena, mas depois comecei a alisar. E tudo isso entra na quest\u00e3o do cabelo. Eu sofria muito bullying na escola por causa disso. Eu fazia tran\u00e7a, mas chegou um momento que n\u00e3o dava mais, ent\u00e3o comecei a relaxar o cabelo para ele ficar mais baixinho. Quando meus pais n\u00e3o tinham mais dinheiro para ir ao sal\u00e3o, eu comecei a alisar. Meu cabelo quebrou, ficou mais curto, mas ainda assim continuei sofrendo bullying. Aquela coisa toda de &#8220;a mais feia da sala\u201d.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Lembro de uma vez com um colega e uma amiga minha, que era loira. Ele falou: &#8220;A xxx a gente trata assim&#8221;, e fez carinho na cabe\u00e7a dela. Depois ele falou: &#8220;E com a Luiza a gente faz assim&#8221; (Luiza \u00e9 o nome de batismo da DJ Elle P), e bagun\u00e7ou meu cabelo de uma forma bem violenta. Aquilo foi uma marca, e n\u00e3o \u00e9 algo que eu levo como verdade, mas \u00e9 algo que eu nunca vou esquecer. \u00c9 como muitas pessoas brancas agem. Depois disso, comecei a voltar a cuidar do meu cabelo crespo. Isso aconteceu meio que sem querer, porque meu secador estragou e, no dia de ir para a escola, eu n\u00e3o podia alisar. Ent\u00e3o fui com o cabelo crespo de qualquer jeito e gostei. A partir da\u00ed, comecei a pesquisar sobre cuidados com cabelo crespo, e foi naquela \u00e9poca que rolou o boom dos cachos, com muitos produtos e tal. Antes, os produtos eram caros e n\u00e3o tinha tanta variedade, mas depois ficou mais acess\u00edvel.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Eu comecei a me entender melhor. Nas pesquisas, comecei a ver os v\u00eddeos da N\u00e1taly Neri[25]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">, e conhecendo outras meninas f*das. Comecei a entender sobre pele, cor, e at\u00e9 a escrever mais. Sempre escrevi desde pequena, fazia textinhos para a fam\u00edlia, coisas mais amorosas, ou at\u00e9 coisas pol\u00edticas no col\u00e9gio. Depois, comecei a escrever minhas pr\u00f3prias letras de m\u00fasicas. Tudo isso teve a ver com o cabelo, foi um processo de autodescoberta.<\/span><\/i><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1336\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/@larissalima.ph-frestas-sonoras-dj-elle-p.png\" alt=\"\" width=\"511\" height=\"293\" \/><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><em>foto: frestas sonoras x @larissalima.ph<\/em><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Comecei a ouvir Racionais\u2026 minha m\u00e3e n\u00e3o era muito do rap. Ela gostava mais de samba, pagode, pop e R&amp;B, e eu ouvia muito isso com ela, al\u00e9m de MPB. Meu pai tamb\u00e9m gostava mais de samba, ent\u00e3o o rap foi algo que eu fui descobrindo por conta pr\u00f3pria, com os amigos, nos rol\u00eas. Foi assim que comecei a me educar e buscar minhas refer\u00eancias pretas. No come\u00e7o, o que eu ouvia no Spotify era muita m\u00fasica de artistas brancos, e eu ainda gosto de muitas dessas pessoas, mas hoje \u00e9 autom\u00e1tico. N\u00e3o fico pensando &#8220;Ah, vou escutar s\u00f3 isso aqui, escutar essa pessoa porque ela \u00e9 preta.&#8221; N\u00e3o, mas a maioria das m\u00fasicas que escuto t\u00eam a ver comigo, e sim, tem artistas brancos tamb\u00e9m, mas a grande maioria \u00e9 de artistas que tem a ver comigo.<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Esses artistas vieram muito pela identifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, n\u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><b><i>E:<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Sim, pela identifica\u00e7\u00e3o. Que nem minha irm\u00e3, ela tem 14 anos agora. Antes, ela s\u00f3 ficava ouvindo K-pop. Tipo, \u00e9 de boa, \u00e9 outra cultura que eu n\u00e3o sou t\u00e3o f\u00e3, mas tem v\u00e1rias coisas que ela me apresentou e que eu gostei. Mas eu tamb\u00e9m falava para ela: &#8220;Ah, tu tem que ter mais refer\u00eancia brasileira&#8221;. N\u00e3o gosto dessa coisa que os adolescentes t\u00eam de &#8220;Ai, eu n\u00e3o gosto de m\u00fasica brasileira&#8221;. N\u00e3o, eu sempre gostei de exaltar a m\u00fasica brasileira, sim.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Da\u00ed assim como fui me educando, tento trazer isso para ela tamb\u00e9m, de ouvir mais rap. Da\u00ed, do nada, ela come\u00e7ou a ouvir o Veigh, que eu amo, e foi ouvindo os rappers homens tamb\u00e9m. Quando eu comecei a escutar rap, s\u00f3 escutava os homens tamb\u00e9m.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Agora, j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais na \u00e9poca da Karol Conk\u00e1\u2026<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Agora \u00e9 mais J\u00falia Costa, Tasha e Tracie, Duquesa, MC Luanna&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><b><i>E:<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\"> Exato! Eu falei para ela: &#8220;Tu tem que conhecer Duquesa, Tasha e Tracie&#8221;. A\u00ed, ela apareceu cantando &#8220;Desce Licor&#8221;. Eu tamb\u00e9m boto alto em casa para ela ouvir, porque agora t\u00f4 mais de boa. Ela continua ouvindo muito K-pop, mas tamb\u00e9m consome bastante rap daqui. Ainda acho que ela escuta muito os rappers homens, mas \u00e9 um processo, n\u00e9?<\/span><\/i><\/p>\n<p><strong>L: Na comunica\u00e7\u00e3o a gente estuda como o algoritmo tamb\u00e9m condiciona o que est\u00e1 em alta na internet, sempre \u00e9 mais branco, externo, masculino&#8230; da\u00ed voc\u00ea vai pesquisando, chegando no masculino daqui&#8230; E para chegar at\u00e9 o \u201couro\u201d, vamos dizer assim, voc\u00ea tem que cavar muito. Eu tamb\u00e9m comecei assim, quando era mais nova. Ouvi muita coisa estrangeira, tentei entrar na vibe do rock, que era o que estava em alta na \u00e9poca. Minha irm\u00e3 mais velha come\u00e7ou a me apresentar MPB, tipo: &#8220;Ah, ouve Djavan, ouve tal e tal&#8221;. A\u00ed, fui me interessando, mas para desenvolver minha pr\u00f3pria identidade foi uma caminhada, passei pela situa\u00e7\u00e3o de ouvir funk &#8220;escondido&#8221; tamb\u00e9m\u2026<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">(Conversa interrompida por interfer\u00eancia externa)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cObrigada por me ouvirem, e agora a velha Sojourner[26]<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"> n\u00e3o tem mais nada a dizer.\u201d<\/span><\/i><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">CASANOVA, Janai\u0301na Oldani. Eu tava la\u0301: experie\u0302ncias este\u0301tico-poli\u0301ticas a partir da performance de mulheres no rap de Salvador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">CONTER, Marcelo B. et al. Band in a Girl: devir-mulher nas timbragens do rock independente brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MAZER, Dulce; GELAIN, Gabriela; GUERRA, Paula. Eu sou MC: participac\u0327a\u0303o coletiva e plural de mulheres em cenas musicais RAP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">PROTO, Camila. Territo\u0301rios resistentes: arte, som e sociedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SILVEIRA, Fabri\u0301cio. Rupturas insta\u0301veis: entrar e sair da mu\u0301sica pop.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Participa\u00e7\u00e3o feminina ainda \u00e9 desigual no mercado musical. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2022-03\/participacao-feminina-ainda-e-desigual-no-mercado-musical\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMulheres na m\u00fasica\u201d: Ecad lan\u00e7a novo relat\u00f3rio sobre participa\u00e7\u00e3o feminina na ind\u00fastria musical. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www4.ecad.org.br\/noticias\/mulheres-na-musica-ecad-lanca-novo-relatorio-sobre-participacao-feminina-na-industria-musical\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A desigualdade de g\u00eanero no setor audiovisual do Brasil. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/ebaconline.com.br\/blog\/desigualdade-de-genero-no-audiovisual\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ancine diz que nenhuma mulher negra produziu ou dirigiu filmes nacionais em 2016. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/cultura\/noticia\/2018-01\/ancine-diz-que-nenhuma-mulher-negra-produziu-ou-dirigiu-filmes-nacionais-em\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pol\u00edticas para diversidade de ra\u00e7a e g\u00eanero no cinema brasileiro. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/pp.nexojornal.com.br\/linha-do-tempo\/2024\/05\/24\/politicas-para-diversidade-de-raca-e-genero-no-cinema-brasileiro\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Participa\u00e7\u00e3o por g\u00eanero e por ra\u00e7a nos diversos segmentos da cadeia produtiva do audiovisual. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ancine\/pt-br\/oca\/publicacoes\/arquivos.pdf\/Estudo%20genero%20e%20raca%20no%20setor%20audiovisual.pdf\">link<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">DJs brasileiras e suas hist\u00f3rias: a busca pelo respeito, igualdade e valoriza\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/emais\/gente\/djs-brasileiras-e-suas-historias-a-busca-pelo-respeito-igualdade-e-valorizacao\/?srsltid=AfmBOoqLaUIcZCmw5GsIU2y64f5lDs2PrPboV1eRjQzYCg1mN0RuoN87\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<h3><strong>Notas:<\/strong><\/h3>\n<p>[1] <span style=\"font-weight: 400;\">Apresenta\u00e7\u00e3o de Elle P em <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/C-bEUHxuQef\/?img_index=1\"><span style=\"font-weight: 400;\">post<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> no instagram: \u201cCom uma forte presen\u00e7a na cena art\u00edstica local desde 2020, e pouco mais de um ano na discotecagem, a artista vem se destacando com suas apresenta\u00e7\u00f5es que exaltam a cultura negra, brasileira e LGBTQIAPN+. Trazendo o futuro, a ancestralidade e o pertencimento para o territ\u00f3rio de pista; com foco em vozes femininas e perif\u00e9ricas.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Fazendo jus ao alter ego de Miss Vers\u00e1til, em seus sets mistura sonoridades afrodiasp\u00f3ricas\/ urbanas\/ eletr\u00f4nicas. Como: Amapiano, Afrobeats, Afro House, Chill Baile, Dnb, Garage, House, Pagode, Pagod\u00e3o Baiano, Funk e Rap.\u2019 Conhe\u00e7a a DJ Elle P <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ehllep\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[2] Fruto das estruturas sociais baseadas na misoginia, as mulheres que operam m\u00e1quinas ainda s\u00e3o minoria na ind\u00fastria fonogr\u00e1fica e audiovisual brasileira. Saiba mais em: <\/span><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2022-03\/participacao-feminina-ainda-e-desigual-no-mercado-musical\"><span style=\"font-weight: 400;\">Participa\u00e7\u00e3o feminina ainda \u00e9 desigual no mercado musical<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, relat\u00f3rio \u201cO que o Brasil Ouve \u2013 Edi\u00e7\u00e3o Mulheres na M\u00fasica\u201d, divulgado pelo Escrit\u00f3rio Central de Arrecada\u00e7\u00e3o e Distribui\u00e7\u00e3o (Ecad);\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ancine\/pt-br\/oca\/publicacoes\/arquivos.pdf\/Estudo%20genero%20e%20raca%20no%20setor%20audiovisual.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">Participa\u00e7\u00e3o por g\u00eanero e por ra\u00e7a nos diversos segmentos da cadeia produtiva do audiovisual<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, publicado pela ANCINE e dispon\u00edvel no Observat\u00f3rio Brasileiro do Cinema e do Audiovisual \u2013 OCA.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[3] <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/elaguantebar\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">El Aguante<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> bar \u201cPopular e democr\u00e1tico. \u00c9 assim que o empreendedor Roberto Schroeder define o El Aguante, espa\u00e7o que abriu com sua companheira, Mariana Vasconcelos, no bairro Rio Branco, inspirado em espa\u00e7os tradicionais brasileiros, uruguaios e argentinos.\u201d Mat\u00e9ria completa no <\/span><a href=\"https:\/\/www.jornaldocomercio.com\/ge2\/noticias\/2022\/06\/853064-espaco-que-pretende-retomar-cultura-democratica-de-botequim-e-novidade-em-porto-alegre.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[4] DJ Jorginho residente do baile da Tuka, milita pela causa do funk h\u00e1 pelo menos 10 anos. Conhe\u00e7a- o pelo <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dj_jorginho\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[5] Faylon, \u00e9 DJ e importante residente no Coletivo Turmalina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[6] \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Chisme busca reimaginar a figura do ga\u00facho, trazendo o olhar para sua presen\u00e7a na hist\u00f3ria do Sul da Am\u00e9rica, que \u00e9 t\u00e3o significativa para a identifica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser gaud\u00e9rio. Somos a celebra\u00e7\u00e3o do ga\u00facho moderno, conectados entre passado, presente e futuro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u201d Info retirada do <\/span><a href=\"https:\/\/www.chismefestival.com.br\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">site<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> do Festival.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[7] <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/atlanta.porto\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Atlanta <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 uma casa noturna\/bar em Porto Alegre que se inspira no Hip Hop e na ess\u00eancia da cidade de Atlanta\/EUA, conhecida por sua liga\u00e7\u00e3o com movimentos culturais e anti racistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[8] \u201cO <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/pito.na.rua\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Pito<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 um bar que luta pelo direito ao lazer e \u00e0 cultura de todas, todes e todos.\u201d Frase retirada de um post no instagram do bar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[9] Natura Musical \u00e9 a plataforma cultural da marca Natura, que h\u00e1 19 anos valoriza a m\u00fasica como um ve\u00edculo de bem estar e conex\u00e3o, ao fomentar trabalhos de grandes nomes da m\u00fasica brasileira, novos artistas e festivais independentes. Info retirada do <\/span><a href=\"https:\/\/www.natura.com.br\/naturamusical\"><span style=\"font-weight: 400;\">site<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> da marca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[10] Feijoada Turmalina foi um per\u00edodo de imers\u00e3o criativa com os integrantes do coletivo Turmalina que compartilharam seus conhecimentos de produ\u00e7\u00e3o multim\u00eddia, mixagem DJ e estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o para artistas da periferia de Porto Alegre e regi\u00e3o metropolitana. Acesse o <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CTzm3-CrQ5r\/?img_index=1\"><span style=\"font-weight: 400;\">post<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[11] Suelen Mesmo \u00e9 DJ e co- fundadora do Coletivo Turmalina natural de Porto Alegre. Conhe\u00e7a a DJ <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/suelenmesmo\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[12] O Coletivo Turmalina busca transformar o cen\u00e1rio local, aumentando a visibilidade e busca dar visibilidade para os talentos de artistas pretas\/es\/os, dissidentes e perif\u00e9ricos. Atrav\u00e9s da pesquisa e produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica, mant\u00e9m o questionamento da presen\u00e7a e a import\u00e2ncia das corporeidades no cen\u00e1rio de festas e coletivos de Porto Alegre.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[13] Conhe\u00e7a a DJ Ray <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/rayanneduart\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[14] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCompositora e rapper J\u00falia Costa, nascida em Mogi das Cruzes- SP ,deixa como marca em sua m\u00fasica a autenticidade e for\u00e7a da mulher brasileira negra.\u201d <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Descri\u00e7\u00e3o do seu perfil no Spotify. Conhe\u00e7a AJuliaCosta <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ajuliacosta\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[15] Acesse o perfil de Elle P no Spotify <\/span><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/artist\/5gMiHWv8b88t8ypDFG88Dn?si=Lu32xtuqRyiOP6TKrTe3vQ\"><span style=\"font-weight: 400;\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[16] Negra Li, \u00e9 uma cantora, rapper, compositora e atriz brasileira. Formada em m\u00fasica pelo coral da Universidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 considerada o principal nome feminino do rap nacional. Conhe\u00e7a- a\u00a0 <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/negrali\/?hl=pt-br\"><span style=\"font-weight: 400;\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[17] Mano Brown, \u00e9 um rapper, compositor, empres\u00e1rio e apresentador brasileiro. Ele \u00e9 um dos integrantes dos Racionais MC&#8217;s, grupo de rap formado na capital paulista em 1988 e integrado por Ice Blue, Edi Rock e KL Jay. Conhe\u00e7a- o <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/manobrown\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[18] Ant\u00f4nia \u00e9 um filme brasileiro de 2006 dirigido por Tata Amaral, e estrelado por Negra Li, Leilah Moreno, Quelynah e Cindy Mendes. Filmado em S\u00e3o Paulo de 22 de fevereiro a 4 de abril de 2005, entrou em cartaz em 9 de fevereiro de 2007 e narra a hist\u00f3ria de quatro amigas que enfrentam um cotidiano de viol\u00eancia, pobreza e machismo para realizar o sonho de viver do rap.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0[19]<\/span> <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ItE9cp-R-DE\"><span style=\"font-weight: 400;\">ELLE P &#8211; Jordan Yuz 23<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[20] Coletivo Arrua\u00e7a: festa de rua eletr\u00f4nica. Popular e consolidada para quem curte o g\u00eanero. Conhe\u00e7a- os no <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coletivoarruaca\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[21] Baile da Tuka: Baile funk mais popular da cidade. Atualmente, sem previs\u00e3o de atividade. Veja como era no <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CwasPgTOWRt\/?img_index=1\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[22] Ou\u00e7a \u201cProgresso, Paz e Baile\u201d de Elle P no <\/span><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/track\/0HyjVlzsyXhqZrs6grlyxu?si=9b1a6fb8268c4b82\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[23] Confira a capa de \u201cProgresso, Paz e Baile\u201d no <\/span><a href=\"https:\/\/is1-ssl.mzstatic.com\/image\/thumb\/Music112\/v4\/f8\/52\/6e\/f8526eeb-4f67-0eed-9a2a-9160e36376fc\/0.jpg\/296x296bb.webp\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[24] A Savannah nasceu da necessidade de criar um espa\u00e7o para os africanos que vieram ao Brasil para estudar, trabalhar ou buscar novas oportunidades. Durante suas jornadas por aqui, eles sentiam falta de um lugar onde pudessem vivenciar e celebrar a musicalidade, a cultura e a energia vibrante de seus pa\u00edses de origem. Acesse o <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/savannah_poa\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">link<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> para conhecer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[25] N\u00e1taly Neri \u00e9 cientista social e reconhecida criadora digital, por sua abordagem inovadora ao discutir a beleza al\u00e9m da vis\u00e3o est\u00e9tica dominante. Conhe\u00e7a- a <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/natalyneri\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">aqui<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[26] O discurso &#8220;E N\u00e3o Sou Eu Uma Mulher?&#8221; foi proferido por Sojourner Truth, uma ativista abolicionista e feminista, em 1851, durante a Conven\u00e7\u00e3o dos Direitos das Mulheres, em Akron, Ohio. Ele \u00e9 um marco na luta pelos direitos das mulheres, especialmente das mulheres negras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><em>Texto realizado como atividade final para a disciplina Semin\u00e1rio de Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o, Ministrada pelo Prof. Marcelo Bergamin Conter. Publicada na edi\u00e7\u00e3o #1 da revista digital Make Fabico Weird Again.<\/em><i><br \/>\n<em>Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o (Fabico), UFRGS, dezembro de 2024.<\/em><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Make Fabico Weird Again #1\u00a0 por Larissa Lima da Silva Essa entrevista \u00e9 fruto da intera\u00e7\u00e3o de um dia acompanhando a rotina de uma DJ em Porto Alegre. A DJ Elle P[1] e eu, Larissa Lima, fot\u00f3grafa e estudante da &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/04\/09\/identidade-ritmada-de-festa-a-baile\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[519],"tags":[521,520,210,386],"class_list":["post-1288","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-make-fabico-weird-again","tag-dj","tag-eletronica","tag-funk","tag-rap"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1288"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1288\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1401,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1288\/revisions\/1401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}